quarta-feira, 29 de julho de 2009

Reflexão para o Retiro!




Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade

«Passou a noite a orar a Deus. Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles» Lucas 6,12-19

Creio que as nossas irmãs receberam aquela comunicação da alegria que se percebe em muitos

religiosos que sem reservas se deram a Deus. A nossa obra é apenas a expressão do amor que


temos a Deus.
Este amor precisa de alguém que o receba, e é assim que as pessoas que encontramos nos dão o meio de o exprimirmos.Precisamos de encontrar Deus, e não é na agitação nem no barulho que poderemos encontrá-Lo. Deus é o amigo do silêncio.

Em que tamanho silêncio não crescem as árvores, as flores e a erva! Em que tamanho silêncio não se movem as estrelas, a lua e o sol! Não é nossa missão dar Deus aos pobres dos casebres? Não um Deus morto, mas um Deus vivo e que ama.

Quanto mais recebermos na oração silenciosa, mais podemos dar na nossa vida ativa
. Precisamos de silêncio para sermos capazes de tocar as almas. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus nos diz e o que diz através de nós. Todas as palavras que dissermos serão vãs se não vierem do mais íntimo; as palavras que não transmitem a luz de Cristo aumentam as trevas.

Os nossos progressos na santidade dependem de Deus e de nós próprios, da graças de Deus e da própria vontade que temos de ser santos. Temos de assumir o compromisso vital de atingir a santidade. «Quero ser santo» significa: quero desligar-me de tudo o que não é Deus, quero despojar o coração de todas as coisas criadas, quero viver na pobreza e no despojamento, quero renunciar à minha vontade, às minhas inclinações, caprichos e gostos, e tornar-me o dócil servo da vontade de Deus.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

2º ENCONTRO NACIONAL DAS EQUIPES DE NOSSA SENHORA

Bom dia, amigos que às quartas-feiras acompanham Palavra Viva pela Rádio Cultura. Nossa saudação cordial e fraterna também para você que nos ouve no domingo, quando este programa é retransmitido. Que a paz de Jesus reine em nossos corações e que a Mãe Santíssima nos leve nas dobras do seu manto, em mais este dia que a bondade do Pai nos concede.
No programa da semana passada falei-lhes sobre a realização do 2º Encontro Nacional das Equipes de Nossa Senhora, que ocorreu em Florianópolis de 16 a 19 do corrente. Hoje gostaria de, em rápidas pinceladas,relatar-lhes o que aconteceu nesses quatro dias em que o CentroSul tornou-se templo do Senhor.
Tivemos a participação de 5.100 pessoas, entre as quais 11 arcebispos e bispos, 215 sacerdotes e 11 diáconos.
Os casais vieram de todo o Brasil e impressionou-os, entre outras coisas, a alegria e a cordialidade com que foram recebidos.
Nosso Encontro começou na quinta-feira à noite, com a cerimônia cívica a que estiveram presentes o Núncio Apostólico, o Arcebispo de Florianópolis, o Governador e o Vice-Governador do Estado, o Prefeito da Capital eoutras autoridades.
Também ali estava o casal Maria Carla e Cario Volpini, responsável pelo Movimento em
todo o mundo, e que, junto com o sacerdote que os assiste, Pe. Ângelo Epis, veio da Itália.
Ainda destacamos o casal Graça e Roberto Rocha, responsável pela condução das Equipes de Nossa Senhora em nosso pais, junto com Frei Avelino Pertile, e o casal Silvia e Glauco Corte,
que coordenou a Comissão Organizadora local.
Após essa cerimônia, mudou-se o ambiente do palco para, agora, receber os móveis litúrgicos,
os mesmos que havíamos utilizado no 15º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em nossa cidade em maio de 2006. Em celebração presidida por Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico, e concelebrando D. Murilo, nosso querido Arcebispo, tivemos a "abertura litúrgica", tendo ao fundo um grande banner da Sagrada Família, ladeado pelas
palavras que nos recordavam o tema do Encontro:
"Casal cristão, fecundidade evangélica"
, e o lema, tirado do livro de Josué 24,15:
"Eu e minha casa serviremos ao Senhor"
.
Dom Lorenzo fez uma reflexão muito profunda, da qual oportunamente apresentaremos trechos. Mas nossos corações, que vinham batendo há tanto tempo por este Encontro, começaram a bater mais forte bem antes das palavras de nosso estimado Núncio.
Como foi tocante o que logo no inicio aconteceu: a imagem de Nossa Senhora Aparecida é entronizada ao canto uníssono de mais de cinco mil vozes que, louvando-a em imenso coro, dizem vibrante e amorosamente: "Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida".
Colocada em lugar de destaque, onde ficou durante todo o Encontro, a figura da Mãe era um alento vigoroso para os filhos. E então, como foi belo ver a cruz do Senhor, ladeada por duas grandes velas, dar início ã procissão de entrada, seguida pelo caro diácono João Flávio Vendruscolo portando com nobreza e dignidade o santo Evangeliário, e logo os coroinhas em suas vestes vermelho-brancas, e os diáconos, e os sacerdotes, e os bispos e arcebispos, entre os quais o senhor Núncio, todos com os mesmos paramentos, tão lindos, prestandose
mesmo como um louvor ao Senhor que nos reunia por amor e em seu amor.
E então uma surpresa que arrancou lágrimas de muitos, começa a ser anunciada. O casal motivador, vindo de Criciúma, Goretti e Moacir Vieira, lembra que "é noite, que faz frio lá fora. O vento sul sopra e o mar, com suas águas revoltas, faz tremer a qualquer um... Um barco pequenino avança lentamente. Tudo vai sendo projetado nos telões. Pergunta a Goretti: "Quem será que se aproxima?". E diz que parece haver uma família no barco... Fica em dúvida: será uma família de pescadores? será algum visitante? Será alguém que vem para o Encontro?
E afirma que "é preciso coragem para enfrentar o mar, numa canoazinha, uma embarcação tão frágil". E, manifestando surpresa, ela exclama: "Eu poderia afirmar que vejo um anjo protegendo a embarcação. Uma família... será, meu Deus, que é verdadeiro o que meus olhos vêem? É a Sagrada Família: Jesus, Maria e José!
Eles vêm para estar conosco. Como podemos merecer tamanha honra? A Sagrada Família de Nazaré vem abençoar o nosso Encontro!".
Aquela fala e aquele vídeo vão entrando em muitos corações. Que alegremente choram, alguns; outros, como que espantados, vão entrando no clima mais central do Encontro - o encontro com o Senhor e com os irmãos de fé - e pode-se perceber o amor fazendo morada em cada um de nós. Não se percebe indiferença, porque no céu não há indiferentes, e ali se vive um pedacinho do céu!
E então, com as mesmas roupas com que estavam no barco, para as filmagens, entram o bom São José e a querida Mãe Maria com seu pequenino Jesus no colo.
Nós cantamos "Como é bom ter a minha família, como é bom! Vale a pena vender tudo o mais para poder comprar "e, logo, com um conjunto de cordas, a Patrícia Lemes, canta suave e belamente o Hino de Nossa Senhora do Desterro, padroeira da Arquidiocese que sediava o Encontro. Acendem-se muitas velas, milhares de velas no CentroSul. E a luz de Cristo, por elas simbolizada, ilumina o vasto auditório. Aliás, é exatamente
isso que se canta, então: o "Ilumina, ilumina, nossos pais, nossos filhos e filhas", do Pé. Zezinho.
Vêm as orações, a Liturgia da Palavra, a oração do Pai-nosso, a oração pela beatificação do Pe. Henri Caffarel, fundador das Equipes de Nossa Senhora e, com a bênção solene e o canto do Magnificat, o canto de Maria, encerra-se aquela noite memorável no CentroSul.
Se a quinta-feira tivera uma noite chuvosa e fria, a sexta amanhecia com a beleza do sol passeando sobre as belezas da "ilha da velha rendeira, da moça faceira". Vi, na chuva abundante de quinta, a figura das muitíssimas graças que o Senhor derramaria sobre o Encontro; percebi, na luminosidade do sol, a Luz vinda do Alto, a Luz do mundo, se fazendo presença alegre e companheira de cada um de nós.
Começamos o dia com a celebração da Santa Missa, presidida por Dom Luís Vieira, arcebispo de Manaus e vicepresidente
da CNBB. Entre os sacerdotes concelebrantes, Padre Ângelo Epis, da Itália. Um dos momentos mais bonitos foi no inicio da Liturgia da Palavra, quando a Equipe Nossa Senhora do Silêncio, de Manaus, composta integralmente por pessoas mudas e surdas, entronizou a Palavra de Deus em nosso meio.
Irmã Edileuza, que acompanha a Equipe, foi ao palco e os telões seguiam-na quando mostrava como são os aplausos na linguagem de sinais. Mais de dez mil mãos no ar, balançando, num ambiente de silêncio profundo,
acolhiam a Palavra de nosso Deus, levada ã presença do querido arcebispo de Manaus, terra da Equipe, e
depois proclamada pelos leitores e pelo diácono. Não consigo descrever a beleza desse momento. Foi muito, muito rico! Daqueles momentos que se tornam inesquecíveis!
Já estamos no meio da manhã de sexta-feira e você nem sabe, porque não contei ainda, que às 15 horas do dia anterior, quando já começavam a chegar os primeiros participantes, Pe. Valter Goedert celebrava, com a participação dos casais que compuseram a Comissão de Liturgia do Encontro, a Missa de abertura, em que foi abençoado o cálice especialmente feito para o evento, e consagrada a Hóstia que, colocada no ostensório do
15º Congresso Eucarístico Nacional, ali permaneceria até o final do Encontro. Que ambiente acolhedor, aquele que se transformou na Capela do Santíssimo! Quantos casais, e viúvos, e viúvas, e diáconos, e padres, e bispos e arcebispos, ali ficaram em silêncio, adorando Jesus na Hóstia branca "no altar consagrada, adorável Cordeiro Pascal"!
Quanta oração, quantos pedidos, quantos agradecimentos, quantos louvores... E, também, a
bênção do Santíssimo, com os cantos tão bonitos. Ali era Cana, e era Tabor, e era Calvário de onde brota a Ressurreição. Ali estava Aquele por quem e para quem se fizera o Encontro; ali estava o Senhor, no meio de nós, reunidos em Seu nome! E Ele, bom e amigo, não deixou faltar o vinho de sua presença. Claro que, onde o Filho está, a Mãe sempre está perto!
Ali, naquele pedacinho em que o céu tocava a terra, tínhamos a presença permanente das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus que, vindas diariamente lã do Caminho Novo, em Palhoça, ficavam com Jesus, um estar em que o semblante sereno, transbordante de paz, mostrava a face dAquele com quem passavam esse tempo precioso de suas vidas.
Com que alegria receberam o convite para esse serviço de amor, com que
alegria Irmã Maria de Lourdes, sua Superiora, acolheu o pedido que lhe apresentamos numa noite de domingo! Bem, continuemos com o relato do Encontro. A Missa de sábado foi voltada para os filhos. No começo da celebração, postado lá na frente, estava seu Pedro, o oleiro mais antigo da Escola de Oleiros de São José.
Sentado em sua banqueta, modelava o barro. Esse seu gesto nos lembrava que "a criança é a argila mais fina e moldável deste mundo que o Senhor colocou, como dom, nas mãos dos pais, a fim de ser amorosamente moldada à luz do Evangelho de Cristo".
No momento da Liturgia da Palavra, a Palavra de Deus foi levada por um jovem e quatro crianças, todos filhos e filhas de casais das Equipes, que representavam São Luís Gonzaga, Santa Maria Goretti, o bem-aventurado Adilio Daronch, coroinha de 15 anos que em 1924, no Rio Grande do Sul, foi martirizado junto com Pé.
Manoel, a bem-aventurada Albertina Berkerbcock, cujo sangue regou a terra catarinense, e Antonietta Meo, 'Nennolina', como era carinhosamente chamada pela família. Nennolina morreu em 1937, em Roma, com sete anos incompletos, e em dezembro de 2007 o Papa Bento XVI promulgou o Decreto que reconheceu suas virtudes heróicas. Faz pouco tempo, apresentei um programa inteiramente dedicado a ela, lembram-se?
Bem, na hora da apresentação das oferendas as fotos dos filhos de todos os participantes foram levadas em um baú até o altar e muitas dessas fotografias foram projetadas nos telões no momento de ação de graças, quando um grupo de crianças do Colégio Nossa Senhora de Fátima, com a regência do Professor Ricardo,apresentou o canto "Anjos de Deus", do Padre Marcelo.
Esta Missa foi presidida por Dom Tarcísio, Bispo de Divinópolis, Minas Gerais. A de domingo, que encerraria o Encontro, teve Dom Albano Cavallin, Arcebispo Emérito de Londrina, no Paraná, a presidi-la.
Entre os concelebrantes, o querido amigo Frei Avelino Pertile. Como na celebração de abertura, na quinta-feira, também nesta Missa tivemos a participação do Coral Santa Cecília, da Catedral Metropolitana, sob a regência segura do caríssimo Pé. Ney Brasil que, pouco antes do final, teve de retirar-se pois deveria dirigir-se ao aeroporto, para viagem ao exterior. Foi, então, substituído pelo Maestro Carlos Besen, a quem rendemos nossa homenagem e renovamos a gratidão.
Todos os participantes haviam recebido a solicitação para que trouxessem de suas terras uma pedra que coubesse na palma da mão. Essas pedras estavam próximas do altar e, nesta Missa de domingo, foram abençoadas. Os participantes souberam, então, que tais pedras constituirão parte importante do fundamento da casa que as Equipes de Nossa Senhora de todo o Brasil oferecerão a uma família pobre daqui, com a coleta
que dentro em pouco se faria na Missa. As mãos dos que as trouxeram se abriram para entregá-las ao Senhor, em quem está essa família.
Nossa Missa foi seguida pela celebração do Envio. Alimentados pela Palavra e pelo Corpo e Sangue de Cristo, nutridos pelas palestras e pelos testemunhos, e revigorados pelo convívio fraterno, os casais e todos os participantes eram enviados ao mundo. Com a recomendação de que fossem sem medo, pois Cristo é a nossa força!
Foi abençoado o óleo, em três mil pequenos frascos preparados com muito amor pela Equipe da Zaida e do Rubens Diniz, óleo com que os casais e os participantes todos se ungiram. Em seguida, fez-se a entrega de uma casa em miniatura ao casal que viera da Itália, dirigente internacional do Movimento, pois todo o Encontro girara em torno da casa, isto é, da família: "Eu e minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24,15).
E lembrou-se que à família pobre será entregue, oportunamente, a casa que será construída com o valor arrecadado na Santa Missa. Disse então o motivador: "Nós honramos o altar sobre o qual esteve o Corpo de Cristo; agora também O honramos em sua pobreza, naqueles que também são Seu- corpo", palavras de João Crisóstomo, santo do século IV.
Se as Missas de sexta-feira e sábado haviam tido como motivadores Maria Emllia e Vensel de Souza, a de domingo teve Toninho e Elisa a conduzi-la. Agora, no Envio, Goretti e Moacir ouvem a declamação da poesia
da Zaida, que Roberto, da Super-Região apresenta com a voz e com o coração. E, então, o final. A Sagrada Família está lá junto ao altar, representada pelos queridos Alessandra e Claiton, de Criciúma, com o seu pequeno Artur fazendo as vezes do Menino Jesus.
Eles dão bela mensagem e, no final, dizem: "Fiquem com a bênção do Senhor e a nossa também". O Coral Santa Cecília e o grupo de cantores das Equipes de Nossa Senhora, com Ana Paula e Robert e Melissa e Alexandre ã frente, rompem e momento tão edificante com o vibrante canto do "Aleluia", de Handel. A Sagrada Família desce os degraus que a haviam conduzido ao altar e, lentamente, sai pelo corredor central.
Assim que não a vemos mais, entra o vídeo. José e Maria, com o Menino no colo, entram no barco. Aparece a silhueta da ponte Hercílio Luz. Eles, como o Mestre recomendara e como os equipistas foram convidados, começam a ir para águas mais profundas, passagem que encontramos no Evangelho de São Lucas 5,4. Por feliz
coincidência, assim que eles nos deixam terminam os acordes do "Aleluia". Os diáconos, sacerdotes, bispos e arcebispos chegam ao local da paramentação. O Encontro terminara!
Em próximo programa falaremos um pouco do conteúdo das palestras e dos testemunhos. Agora queremos nos reportar, mesmo que rapidamente, ao Ato Público de sábado à tarde, quando todos os participantes dirigiramse à Catedral Metropolitana, onde eram esperados por Dom Murilo, nosso Arcebispo, o Pe. Francisco de Assis Wloch, Pároco da Catedral, e Dom José Negri, Bispo de Blumenau.
Ali fomos para presenciar a entrega da pedra que Dom José apresentara a Sua Santidade o Papa Bento XVI e que ele abençoara. Esta pedra ficará na Catedral, como memorial de nosso Encontro. Dom José relatou seu
encontro com o Papa que, além de abençoá-la, mandou mensagem especial, escrita, para todos os
participantes do Encontro.
Depois, houve o momento do belo testemunho do casal Tetê e Paulo, sobre a Oração Conjugal. E ali mesmo, no adro da Catedral e na praça que lhe fica em frente, cinco mil pessoas se ajoelharam, dando uma demonstração pública de sua fé, de seu amor ao Senhor. Os balões coloridos que subiram aos céus de
Florianópolis como que simbolizavam nossas orações, nossa gratidão, o louvor dos casais das Equipes de Nossa Senhora por todo o bem que- este Movimento de Espiritualidade Conjugal tem feito em suas vidas. Parabéns, Sarita e Mário Prisco Paraíso, pela esmerada organização desse momento!
Bem, queria dar-lhes, como disse, rápidas pinceladas da tela tão bonita que foi o Encontro. As palavras não têm o poder de revelar toda a beleza, mesmo porque, o mais bonito não foi o que ocorreu perceptível ã visão:
o mais belo passou-se no interior dos corações. E, ali, só o Senhor consegue ver, só Ele pôde observar cada quadro, em seus mínimos detalhes. Louvor a Ti, Senhor, Onipotente e Amigo! Louvor hoje e para sempre!
Convido-os, agora, a ouvir o Hino do 2º Encontro Nacional das Equipes de Nossa Senhora.
CD - faixa 2 - 2minl2s
Obrigado, amigos que acompanharam mais esta edição de Palavra Viva pela Rádio Cultura. Até quarta-feira que vem, às 08h30min, e no domingo ao meio-dia, após o Ângelus de Sua Santidade o Papa Bento XVI, se Deus quiser!
Escrito por: Carlos Martendal
programapalavraviva@gmail.com

terça-feira, 21 de julho de 2009

Homilia do Padre Angelo Epis no II Encontro em Florianópolis

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Tema: “Casal cristão, célula de evangelização”.
Leitura: At 18, 1-4, 24-26 – O casal Priscila e Aquila acolhe Paulo.

Salmo: Sal 103(102) 1.2a.14-15.24.27-28 - Bendize o Senhor!
Evangelho: Mt 10,5-9.23-33 – A missão dos doze.

Queridíssimos irmãos, antes de tudo, a minha cordial saudação e a alegria de estar aqui com vocês neste
segundo encontro das Equipes brasileiras. O seu país, particularmente amado por Padre Caffarel, é hoje também amado por todos os casais das Equipes de Nossa Senhora espalhadas pelo mundo. Neste momento, em particular, todos os casais são gratos porque a sua Super-Região aceitou hospedar o próximo Encontro internacional em 2012. A E.R.I., com a solicitação que nos foi dirigida, quis destacar a vivacidade e a força de seu país. Ao mesmo tempo, com esta escolha, quis dizer a todos que o Movimento é internacional e que sair dos limites da Europa para escutar as exigências, perguntas e propostas de vocês é escutar todos os equipistas do mundo. Em nome de todos, obrigado!
A palavra de Deus que vocês escolheram sugere algumas reflexões que eu quero propor-lhes. Jesus revela o seu rosto mais autêntico, na própria medida de Deus. Vendo as multidões, vendo-nos, vendo a nossa contemporaneidade, Jesus tem um sentimento de compaixão. Não de juízo, não de crítica, não de indiferença, não de raiva. De compaixão!
Neste gesto percebo o reflexo do amor de Cristo que permite a Padre Caffarel a sabedoria de responder aos primeiros casais que procuravam uma espiritualidade: “Façamos o caminho juntos!”. Isto é, gastemos uma parte do nosso tempo, da nossa vida, para alguma coisa importante. Busquemos a vontade do Senhor no matrimônio cristão. No matrimônio há o chamado para a santidade! O matrimônio é lugar de santificação.
Hoje, diante de nós, está uma multidão, um mundo cheio de dúvidas, que busca a verdade. Nós somos o sinal de Cristo e junto com Ele temos que ter compaixão, não julgar. Juntos com Jesus devemos procurar caminhos, não fechar estradas. Por isso Jesus inventa a Igreja! Vocês casais, junto com suas famílias, são a Igreja doméstica.
Não nos contentamos em ser um número na Igreja, mas quisemos ser pedras vivas que edificam o templo vivo ao redor de Cristo. Não é fácil entender e amar a Igreja. São muitas suas fragilidades, muitos os contra-testemunhos, muitas as pessoas que se dizem crentes e que nem vivem como homens, muitas as incoerências, muitos os erros na história para não duvidarmos quando se fala da Igreja. A escolha e o envio dos doze por parte de Jesus é um sinal também para nós. Com aqueles doze inicia-se a construir o Reino, primeiro junto com Ele, para depois se tornarem capazes de conduzir para pastagens verdejantes por onde eles primeiro serão conduzidos.
O nosso encontrar-nos, às vezes, nos faz alcançar os nossos limites e nos faz defrontar com o desejo de uma Igreja que vive, pensa e faz sempre as mesmas coisas. Estamos com certeza apaixonados por percursos de unidade, mas não de unanimismo. Olhar para os doze, enviados dois a dois, nos faz pensar e nos encoraja: ninguém sonharia em colocar juntos doze pessoas tão radicalmente diferentes para realizar um projeto! Pescadores acostumados à praticidade e à rudeza colocados ao lado de intelectuais como Mateus e João; tradicionalistas como Tiago junto com publicanos, pecadores públicos, terroristas como Simão do grupo dos Zelotas, dispostos a matar o invasor romano.
Israel inteiro está neste grupo, a inteira humanidade em sua intensa diversidade. A Igreja é a comunidade dos discípulos de Jesus, diferentes entre si em tudo exceto no amor ao Mestre, chamados a anunciar o Evangelho com simplicidade e verdade. À humanidade ferida e frágil que necessita de um guia, Jesus propõe um pedaço da humanidade, igualmente frágil e ferida,.transfigurada.pelo.Amor.A missão proposta aos doze é desconcertante: devem dirigir-se às ovelhas perdidas de Israel. É um convite atual e urgente: a Igreja precisa de testemunhas que a
reconduzam ao aprisco do Pai. Os primeiros destinatários do anúncio do Evangelho somos justamente nós cristãos. Peço-lhes que neste encontro não pensem para quem anunciar o Evangelho: acolham-no vocês, acolhamo-lo nós.
A pobreza e o escândalo da Encarnação é também isso: Deus escolhe se fazer anunciar por meio de pessoas inconstantes e duvidosas. Nós somos, para os irmãos desgarrados, o consolo de Deus.

Não tenham medo! É a outra expressão que lemos na Palavra de hoje. Não tenham medo: vocês valem mais do que muitos passarinhos! Um Deus que cuida dos passarinhos e depois se perde amo­roso em contar os cabelos da minha cabeça. E, no entanto, os passarinhos con­tinuam a cair, os ino­centes a morrer, as crianças a serem vendidas. E Deus a tranqüilizar os seus: «Não temais, nem um passarinho cairá em terra sem a vontade de vosso Pa­i ». E nos garante: nem um passarinho cairá em terra «sem que Deus saiba», de um Senhor envolvido no vôo e na dor das suas criaturas. Nada acontecerá na ausência de Deus, mas no mundo pessoas demais caem no chão sem que Deus queira, coisas demais acontecem con­tra a vontade de Deus: cada ódio, cada guerra, cada injustiça. Mas nada acontece «sem que Deus saiba». Ele se inclina até mim. Entrelaça a sua esperan­ça com a minha, o seu respiro com o respiro do homem, está no reflexo mais profundo das nossas lágrimas para multi­plicar a coragem. Por isso o mundo precisa de homens e mulheres que são reflexo do amor de Deus.
Não tenham medo daqueles que matam o corpo: o cor­po não é a vida, você não é o seu corpo. Assim mesmo o reencontrará: nem mesmo um cabelo se perderá. Para o amante nada daquilo que pertence ao amado é insignificante.
A imagem dos passarinhos e dos cabelos contados, destas criaturas efêmeras e frágeis, me leva aos ministérios que somos chamados a cumprir: Leva-me aos mais frágeis entre os irmãos, aos idosos, aos doentes, aos excepcionais, aos que não podem mais trabalhar e produzir, e se sen­tem inúteis e impotentes. É a ele que Jesus diz: «Não temas: tu vales mais. Ainda que a tua vida fosse leve co­mo a de um passarinho ou frágil como um cabelo, tu vales mais, porque existes, vi­ves, és amado, e Deus se entrelaça com a tua vida». O amor conjugal nos torna todos os dias sabedores das palavras que devemos dizer a estes nossos irmãos: Senhor, fiz po­uco durante a minha existência e agora não consigo fazer mais nada. E Ele responde: Tu vales mais, não porque produzes, trabalhas, tens sucesso, mas porque existes, gratuitamente como os passarinhos, fragilmente como os cabelos, nas mãos de Deus. Sobre ti está a sua cura, sobre ti está o seu respiro. Onde você acaba, começa Deus.
Gritem dos telhados! Eis a função da Igreja: anunciar a cada homem a ternura de Deus. Para isso precisa encher os pulmões e gritar dos telhados aquilo que experimentamos dentro de nós. Nesta não-lógica de Deus, que confia nas nossas frágeis mãos do anúncio, encontramos hoje o seu desejo de anunciar aos homens o seu verdadeiro rosto.
Somos chamados a gritar dos telhados que Deus conta também os cabelos da nossa cabeça, que Deus não é feio e incompreensível como o imaginamos, que Deus ama carinhosamente os passarinhos e conhece seus sofrimentos, que Deus, o Deus de Jesus, é esplêndido. Gritar dos telhados que Deus é grande, que Deus nos ama, que Deus está presente, como o coração do apaixonado que, cheio, quer comunicar a todos a sua experiência.
Ao homem indiferente ou arrastado pelo caos da vida, Jesus anuncia o rosto suave de um Deus que caminha conosco. Gritem dos telhados! E me lembro de todas as situações em que nos envergonhamos de ser cristãos, em que afirmamos que cremos, sim, mas com muitos parênteses, com muitas objeções, para não fazer má figura diante da "modernidade", toda vez que tentamos ser cristãos "politicamente corretos", quando nos entregamos aos compromissos para ser acolhidos neste hipócrita mundo liberal que é liberal somente com quem pensa como ele.
No fundo, porém, temos medo da nossa fé, acreditamos que devemos quase desculpar-nos por crer, que as nossas razões vacilam diante do pensamento moderno. Mas é assim? Talvez sim, para muitos.
Precisamos aprofundar a nossa fé, de sacudir a poeira da rotina e do tradicionalismo, para redescobrir o rosto extraordinariamente humano e misericordioso, confiável e racional do Deus.de.Jesus.Cristo.

Gritem dos telhados! Não nas Igrejas, não nas sacristias, não ao pequeno rebanho, mas na praça, no bar, no escritório. A fé esteve por muito tempo escondida nos tabernáculos, sem ter a coragem de contagiar a nossa vida. Não é este talvez o drama da nossa fé? O de ficar timidamente escondida nos estreitos espaços do Espírito? Não é talvez porque Deus foi expulso da nossa economia, das nossas escolhas, das nossas famílias, da nossa cultura, para ser idolatrado no tempo do sagrado que muitos homens.olham.com.desconfiança.no.Evangelho, como se quase fosse uma renúncia.à.plena.humanidade?
Gritemos do telhado este Evangelho, responsabilizemo-nos por ele, entremos no grupo de quem leva a sério a ânsia de plenitude que inquieta o Senhor.
Sejamos claros, porém: nada de integralismos nestes tempos de excessos religiosos, em que se sopra sobre o nunca adormecido espectro das guerras de religião.
Viver o Evangelho com seriedade não leva de forma alguma a agir sem o respeito ditado pela caridade. Respeito absoluto pelas idéias e pela experiência humana, com certeza, mas também a exigência de ser reconhecidos cidadãos plenos, com uma experiência forte e reestruturadora da sociedade. Existe o risco de brandir a fé como uma arma, ou o risco da insignificância.
"O amor nos empurra", dizia São Paulo. É o amor em Deus e no homem que faz gritar nos telhados, é a percepção da salvação que pode encher os corações que nos faz sair para indicar a quem vive no medo e na solidão que existe uma plenitude e que esta plenitude tem o rosto e o olhar de Cristo.
O crente, operário da compaixão. «Jesus, vendo as multidões, teve compaixão». O fim de uma carga infinita, belíssima. Jesus sente dor pela dor do mundo. De fato: «A messe é grande», mas não pela quantidade de pessoas, mas porque está brotando no mundo uma grande colheita de cansaços, de espigas inchadas de lágrimas, uma messe de medos como de ovelhas que não têm pastor.
É este seu a­postolado que Jesus confia aos discípulos. Torna-os operários de um trabalho que descreve com seis verbos: preguem, curem, ressuscitem, sanem, libe­rtem e doem. Em primeiro lugar tem o mini­stério da pregação a­postólica, mas unido ao mini­stério da piedade divina, numa relação desbalanceada, de um a cinco. O trabalho nos campos do Senhor se expri­me em gestos concretos, em cin­co obras que mostram como «o Reino dos céus se aproxima» para quem tem o coração fe­rido, e numa sexta obra que proclama a proximidade de Deus. O discípulo é cha­mado a tomar conta da causa de Deus junto com a causa do homem, a tomar conta dos rebanhos e das messes, das dores e das asas, de um mun­do bárbaro e magnífico.
Áquila e Priscila, após ter vivido a experiência da prova que os afastou de Roma, tornam-se a
colhedores com Paulo e com outros que encontraram em seu caminho. Revelam a Paulo, desanimado pelos fracassos e amedrontado, o rosto daquele Deus que lhe havia dito “Eu estarei contigo” com a sua acolhida. Ensinam a Apolo com a catequese o caminho da plena comunhão com Cristo. Este casal nos faz vislumbrar um estilo. Lembra-nos um pouco a palavra do Evangelho: «O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde tinha de ir....» (Lc 10,1). Isto é, ninguém é mediador único do Evangelho, e ninguém é enviado sozinho. O Evangelho pe­de sempre uma lógica de companhia, de compartilhamento, de comunicação, também na fase em­brionária da comunidade. A vida conjugal é este lugar onde se faz experiência do anúncio, dois a dois.
Colhemos nesta pequena Igreja doméstica, um verdadeiro estilo evangélico: somos pelo menos dois! Estamos em comunhão, porque o Evangelho é uma palavra maior do que eu e a minha compreensão, e não posso carregá-lo sozinho, senão corro o risco de carregar minhas opi­niões, minhas convicções, sacralizando-as.
Por exemplo, Paulo, procurava nunca andar sozinho, como se depreende dos contos nos Atos. Tinha sempre um ou dois companheiros com ele. Às vezes, um parava numa cidade, enquanto Paulo prosseguia; depois um outro voltava para manter os contatos e aprofundar a catequese. A obra evangélica nunca é realizada por um 'dom Quixote' heróico e solitário... Precisa ser ágeis, ter sempre de alguma maneira uma dimensão de sinodalidade, um caminhar juntos no nome do Evangelho. E é uma comunhão não idilíaca, mas trabalhosa; o próprio Paulo se cansa, e briga, e se separa
. Brigou com Barnabé e Marcos, depois brigará com Pedro. Cansa-se em compartilhar as opiniões daqueles que têm tendências mais próximas daquelas do hebraísmo do que daquelas que ele desenvolveu. Neste âmbito, o casal, vocês casais são chamados a viver a comunhão entre vocês, em suas casas e a colocar a serviço as suas capacidades. Neste sentido o Movimento nos quer ser de ajuda para levar o Evangelho do amor no mundo.
Como amava dizer-nos Padre Caffarel: lembrem-se de que o motor e o coração de tudo é a Eucaristia. Do viver e fazer Eucaristia deriva o seu estilo de casal a serviço do Evangelho.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

PRÓXIMO ENCONTRO INTERNACIONAL DAS ENS SERÁ NO BRASIL EM 2012!


Queridos amigos equipistas! O encontro está muito bom, palestras e testemunhos marcantes. Continuem orando por nós!
Em breve teremos um momento no setor para partilharmos!
A NOVIDADE DO DIA É QUE O PRÓXIMO ENCONTRO INTERNACIONAL DAS ENS SERÁ NO BRASIL EM 2012! A CIDADE NÃO ESTÁ DEFINIDA!
ABRAÇOS FRATERNOS!
ALEXANDRE E ALANA

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os perigos do matrimônio. padre Henri Caffarel



Amigos mais um breve e rico texto do padre caffarel. Clique no título e abra o texto completo!


Texto fundamental do Padre Caffarel (de 1958), onde apresenta um novo conceito de espiritualidade (conjugal) e revela as graças e as exigências do Sacramento do Matrimónio, essencial para a compreensão do seu pensamento sobre este Sacramento.




OS PERIGOS DO MATRIMÓNIO
O matrimónio oferece pois ajudas inestimáveis para o caminho para a santidade, mas
incontestavelmente comporta perigos, os mesmos dos quais se resguardam os religiosos
pelos três votos: perigos dos bens materiais, pelo voto de pobreza; dos amores humanos,
pelo voto de castidade; da fantasia e da independência, pelo voto de obediência. Os nossos
cristão casados não têm estes três votos, e com razão! É que seria enganar-se
estranhamente convidá-los a assemelharem-se o mais possível com os religiosos. Quem não
o vê? Seria barrar-lhes o caminho para a santidade. Isso seria votá-los a um perpétuo
complexo de inferioridade. Como poderiam assemelhar-se aos religiosos que pelos votos se
despojam do dinheiro, da vida sexual, da independência, enquanto que a sua vida quotidiana,
dos casados, os conduz sem cessar a estas realidades? Não é por conseguinte renunciando
a estas realidades mas em se esforçarem por vivê-las cristãmente, que eles farão
resplandecer a Redenção de Cristo neste triplo domínio. Mais precisamente, o uso cristão dos
bens deste mundo oferece sérias dificuldades. Falemos um pouco delas.
Os bens materiais
Primeiro os bens materiais. A preocupação pelo pão de cada dia é em geral uma obsessão do
pai de família. E quando ele trabalha dez horas por dia, às quais se podem acrescentar duas
horas de trajecto, ida e volta, não lhe resta muito tempo para os exercícios religiosos. A
preocupação e a procura dos bens materiais suprimem a liberdade de tempo, que poderia ser
infinitamente precioso para uma vida mais humana e mais cristã.
É não apenas o tempo, mas a liberdade de espírito que é devorada pelas tarefas
profissionais, por todas as exigências desta vida de trabalho, tanto o trabalho fora das tarefas
do casal como as actividades domésticas da mãe de família. E estas exigências impõem-se a
todos.




Além disso, quando chegamos a um certo conforto, os bens materiais dispensam o esforço e
uma certa austeridade de vida, e aí temos outro perigo, não menos grave. É sobretudo uma
coisa da qual a riqueza afasta: é a humilhação. Um inspector das finanças, homem pouco
habituado à miséria, morava em Paris durante a “ocupação”; tinha muitos filhos; como todos
os outros parisienses, tinha de ter muita habilidade (c) para se abastecer dos alimentos
necessários; saía aos Domingos, de bicicleta, para os campos circundantes; e apesar de
inspector das finanças que era, quando entrava na quinta, o cão atirava-se aos seus pés; e
quando batia à porta da casa da quinta, era despachado por um empregado doméstico que
não se deixava nada impressionar pelo Senhor Inspector das Finanças. “Nunca me tinha dado
conta, disse-me ele um dia, a que ponto o nosso dinheiro, a nossa situação social, nos põe ao
abrigo da humilhação.»
_________________________________
N.T. (c) No original «il lui fallait user de ruses de Sioux»
Os bens materiais não dispensam apenas da humilhação; dispensam também do abandono a
Deus. Pierre Dupouey escrevia à sua mulher, algum tempo antes de morrer:


«Se vier a
desaparecer, não te preocupe demais o amanhã; não esqueças que um pouco de incerteza
do futuro é o melhor aguilhão da confiança, do abandono a Deus. O grande mal dos ricos, é
que o seu ouro os põe ao abrigo da Providência, das suas maravilhosas, ternas e paternais
delicadezas; eles programam toda a sua vida no seu cérebro e não têm, como nós, uma parte
ligada a Deus.» Sim, os pobres têm uma parte ligada a Deus, e eis porque toda a Bíblia canta
a glória dos «anavim» (d), porque Cristo disse: «Felizes os pobres».


os pobres têm uma parte ligada a Deus, e eis porque toda a Bíblia canta
a glória dos «anavim» (d), porque Cristo disse: «Felizes os pobres».
É preciso por conseguinte mostrar às pessoas casadas o desfile de todas estas dificuldades.
Convidá-las a poupar tempo, sabendo de resto que não lhes é fácil; exortar ao espírito de
pobreza, que consiste em usar cristãmente os bens materiais - e é às vezes mais difícil que
despojar-se de todos os bens; ensiná-los também a passar à prática este espírito de pobreza,
que não deve permanecer apenas um espírito. Actualmente, facto característico, cristãos
laicos têm esta inquietação da pobreza evangélica. Por exemplo, este casal provido de uma
boa situação e de numerosos filhos. Frequentemente me perguntavam: «Temos razão em
manter a nossa situação? Não deveríamos ir viver pobres entre os pobres?» Mas isso
colocava grandes problemas: educação dos filhos, família… Procuravam e não encontrando,
eram infelizes. Ora um dia, disseram-me o seguinte: «Não podemos deixar de ter um salão,
uma sala de jantar para receber convenientemente os nossos convidados, mas oferecemonos,
no nosso casamento, um quarto extremamente luxuoso; pois bem, decidimos, se não
desaprovar, vender esses móveis. Procuraremos uns mais modestos, e com o valor da venda,
poderemos procurar para duas famílias alojadas num só quarto, um alojamento mais
conforme com as suas necessidades.»



fonte
POR UMA ESPIRITUALIDADE
DO CRISTÃO CASADO
PADRE HENRI CAFFAREL
(L’Anneau d’Or, Nº 84, 1958)