sábado, 11 de fevereiro de 2012

O significado da beatificação de Padre Henry Caffarel




No dia 25 de abril de 2006, na arquidiocese de Paris, foi oficialmente aberto o processo de beatificação de Pe. Henry Caffarel que, a partir disso, recebeu o título de “Servo de Deus”. A primeira etapa do rigoroso itinerário prevê o reconhecimento da exemplaridade das virtudes cristãs de Pe. Caffarel e da ortodoxia dos seus ensinamentos. Após este reconhecimento, o Servo de Deus receberá o título de “Venerável” e poderá ser, então, objeto de veneração por parte dos fiéis. As etapas sucessivas da Beatificação e da Canonização dependerão do reconhecimento de pelo menos um milagre em cada etapa.

A leitura, no dia 17/09/2006, do Decreto de abertura do processo foi acolhida com grande entusiasmo e comoção por parte dos milhares de equipistas reunidos no Encontro Internacional de Lourdes, mas suscitou também algumas indagações sobre a oportunidade e o sentido da beatificação. A glória da beatificação acrescentaria algo mais à real santidade do Pe. Caffarel? Estaria o Pe. Caffarel de acordo com ela? Estaria em sintonia com a grande simplicidade e profunda modéstia com que o Servo de Deus sempre evitou todo tipo de honra e de projeção pessoal? O processo de beatificação do próprio fundador não poderia esconder uma forma de vaidade por parte do Movimento das ENS, em querer se promover diante de outros movimentos? Como enfrentar o custo elevado que um processo necessariamente comporta?

A estas indagações pode-se, antes de tudo, responder que toda beatificação é, ao mesmo tempo, um dom e o reconhecimento de um dom de Deus à Sua Igreja. Esta, com efeito, tem como missão essencial a de ser Mestra de santidade para todos os cristãos. O convite de Jesus: “Sejais perfeitos, pois o vosso Pai do Céu é perfeito” é dirigido a todos os batizados. A proclamação de que um filho da Igreja alcançou esta meta é a demonstração de que a santidade é possível ainda hoje e que a Igreja continua sendo a Igreja de Cristo, Caminho, Verdade e Vida; é motivo de glória e de esperança para todo cristão que, mais uma vez, pode perguntar-se: “Se este e aquele conseguiram, por que eu também não posso?”.

A beatificação do Pe. Caffarel é, ainda mais, um dom especial de Deus para todos os casais cristãos e em particular para o Movimento das ENS, que o tem como fundador. De fato, o Pe. Caffarel se prodigou para resgatar e repropôs aos olhos da Igreja a sublimidade da vida matrimonial, como sacramento do amor de Cristo; e isso numa época em que a vida conjugal era considerada um caminho de santidade de segunda categoria, em relação à vida de perfeição representada pela vida religiosa ou “vida consagrada”. A sua beatificação vai confirmar e premiar esta posição teológica. A análise rigorosa a que a Igreja vai submeter a vida e o pensamento do servo de Deus irá dar total segurança a quantos se inspiram na sua obra. A aprovação da Igreja tornar-se-á um selo de qualidade sobre as orientações propostas para a santidade conjugal, particularmente para o Movimento das ENS.

A beatificação de Pe. Caffarel, ainda, é o reconhecimento dos dons que Deus lhe concedeu. Todo bem-aventurado é um testemunho da grandeza e da santidade divina. Por isso, a gloria dos altares, mais do que destoar com a simplicidade e a profunda modéstia de Pe. Caffarel, deverá representar a exaltação do poder de Deus que, apesar e graças à humildade e “inutilidade evangélica” do servo de Deus, soube fazer dele um colaborador eficaz da sua obra salvadora.
Assim, a beatificação poderá ser para Pe. Caffarel um hino de gratidão a Deus: como Maria, a escrava do Senhor, poderá repetir: “O Poderoso fez em mim maravilhas e o Seu nome é Santo”. E é por isso que de geração em geração toda a Igreja chama-lo-á de bem-aventurado.

É quanto todos nós esperamos: que a bem-aventurança do Pe. Caffarel possa representar para os cristãos um motivo de orgulho e de confiança na Igreja Mestra de santidade, incentivo para todos os casais cristãos a acreditar e perseguir a santidade conjugal, um sinal de coerência do Pe. Caffarel com aquela santidade que sempre incentivou aos casais e um testemunho da bondade e da grandeza de Deus que de servos humildes e modestos sabe fazer “grandes coisas”.
Pe. Geraldo Grendene, sdb

Fonte: Carta mensal - Fevereiro 2007

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