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domingo, 7 de junho de 2020

Padre Caffarel, “Não há vida sem exigência”!

Fonte: tema de estudo 2018, pagina 124

O Padre Caffarel, em seu texto intitulado “Não há vida sem exigência”, aborda o tema de viver com verdade nosso encontro com Jesus para a situação concreta de nossa reunião de equipe.

(Texto publicado na revista L’Anneau d’Or; maio-agosto 1956).

“UMA REUNIÃO DE EQUIPE que não seja desde o princípio um esforço em comum para encontrar Jesus, é algo muito diferente de uma reunião de uma Equipe de Nossa Senhora. Ser exigente, com uma exigência amorosa, não é tanto deleitar-se com os defeitos do outro (todo professor sabe bem) quanto favorecer no coração, como se atiça uma chama, o crescimento na entrega a Deus e ao próximo...

Enfim, que vosso amor seja paciente, com essa paciência camponesa que confia nas estações.

 Então vosso amor exigente dará seus frutos.
´Teu amor sem exigência me diminui; a tua exigência sem amor me revolta; teu amor exigente me engrandece`.

Quando os casais se exercitam no amor fraterno, pouco a pouco, seu coração se engrandece. E, progressivamente,seu amor conquista a casa, o bairro, o país... até chegar aos mais distantes lugares...
Onde os cristãos se amam, ali está a Igreja. Com a condição de que esta pequena comunidade se sinta parte da Igreja, dedicada ao serviço da Igreja.

O poder de intercessão dos cristãos quando estão reunidos é enorme. O amor fraternal tem uma fecundidade excepcional. Perto dele, o mal se retira e o deserto floresce.

Uma comunidade fraterna é um sinal de Deus para os homens. É sua mensagem mais importante, o que revela a vida íntima de Deus, sua vida trinitária. Não há discurso mais eloquente sobre Deus e ao mesmo tempo mais persuasivo que o espetáculo dos cristãos que “são um”, como o Pai e o Filho são um.

Que esta seja, pois, vossa obsessão: Fazer de vossa equipe um êxito de caridade.”

(Henri Caffarel)

segunda-feira, 25 de março de 2019

REGRA DE VIDA

Anotações de uma equipista, em 1954, ouvindo palestra proferida pelo Pe. Caffarel sobre a Regra de Vida


Finalidade da Regra de Vida: 
Fazer com que Deus seja soberano na vida dos nossos lares. É isto uma obrigação. Nossa vocação sobrenatural consiste na caridade que nos une a Jesus Cristo e nos conduz até o Pai.

Ao pensar na Regra de Vida, considerar: 

Do que nos devemos desembaraçar, para não apagar a vida de Deus em nós? 
Alimentamos suficientemente esta vida? 
Exercitar-se em amar e servir a Deus. 
Nenhum de nós vai se exercitar, na prática, em todas as virtudes ao mesmo tempo. 
Cada um de nós deve ter a sua estratégia pessoal, com percepção de certos detalhes. 
Não confundir programa de vida (comunhão, orações, leituras, deveres) com os pontos particulares deste programa, sobre os quais é preciso fazer um esforço especial. 
Praticar determinada virtude para não permitir o desequilíbrio na vida. 
Esforços bem determinados.


Como organizar uma Regra de Vida? 
Principalmente, interrogar o Senhor.


Quando estabelecer a Regra de Vida? 
Em momentos em que tenhamos a possibilidade de rever a nossa vocação cristã.

Qual deve ser o conteúdo da Regra de Vida? 
Regra de Vida é pessoal: 
Orientação geral: abandono à providência. Dizer sim a Deus. Caridade. Exemplos: 
- A importância de ver no próximo que abordamos, um membro de Cristo (ver os trabalhadores, não como braços, mas como homens criados por Deus). 
- Pode-se fazer Regra de Vida comum aos dois cônjuges. 
- Fisionomias sorridentes. O sorriso, quaisquer que sejam as circunstâncias, por mais que custe... 
Incluir a oração na própria vida (por exemplo, um médico que, entre duas consultas, faz dois minutos de recolhimento: a acolhida aos doentes fica assim beneficiada). 
- Esforços também no plano natural; A graça se apóia sobre a natureza.

Primeira qualidade de uma Regra de Vida: 
Escrita e curta. Fixar o essencial. 


Regra de Vida mínima: impor-nos um mínimo abaixo do qual nunca deveremos descer. 
Concretizar. Nada significa dizer apenas “devo ser mais caridoso”. Descer até os detalhes (por exemplo, a falta de pontualidade que leva ao ener­vamento e, conseqüentemente, à falta de caridade).

Quando pensar na Regra de Vida? 
Todos os dias, no fim da oração. Controlar a sua execução, por exemplo, por ocasião do exame de cons­ciência diário. 
Observar a Regra de Vida por amor a Deus. 


Por que não se auxiliariam, marido e mulher, em praticar a Regra de Vida? 
No Dever de Sentar-se, troca de idéias franca sobre a prática da Regra de Vida (Haverá entretanto pontos sobre os quais poder-se-á não falar ao cônjuge). 
Pode haver troca de idéias sobre a Regra de Vida, na própria equipe.


A revisão da Regra de Vida: 
Cuidar da Regra de Vida, como o jardineiro cuida do jardim. 
Saber fazer a sua revisão, quando é pouco precisa. Saber refundi-la, se por acaso era por demais pretensiosa... 
Adaptá-la também ao tempo litúr­gico (Quaresma, Advento...).


Perigos a evitar na Regra de Vida: 
A Regra de Vida não convém da mesma maneira a todos os temperamentos. Cada qual deve escolher uma Regra de Vida “sob medida”. 
A Regra de vida deve nos impor um mínimo de exigências. 
Desconfiar de uma vida feita de regulamentos. O Cristianismo não é uma religião de regras, mas de caridade. 
Se quiserdes fazer comparações é com Cristo que devereis vos comparar. 
Cuidar para que o espírito não seja abafado pela letra. 
Desconfiar do formalismo.



Extraído da Carta Mensal de agosto de 1954

quinta-feira, 15 de março de 2018

Papa: nada de propina, para rezar é preciso coragem e paciência!

Papa celebra a missa na Casa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)


Na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, o Pontífice refletiu sobre o poder da oração, partindo do diálogo entre Deus e Moisés.
Barbara Castelli – Cidade do Vaticano
“Coragem e paciência”: estas são as peculiaridades da oração, que deve ser elevada a Deus “com liberdade, como filhos”. Foi o que destacou o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta. O ponto de partida foi a primeira leitura, extraída do livro do Êxodo, com o diálogo entre o Senhor e Moisés sobre a apostasia do seu povo.

Moisés não cedeu à lógica da propina

O profeta tenta dissuadir o Senhor dos seus propósitos irascíveis contra o povo que “deixou a glória do Deus vivente para adorar um bezerro de ouro”. No diálogo audaz que leva avante, Moisés “se aproxima com as argumentações” e recorda ao Pai o que fez por se povo, salvo da escravidão no Egito, e a fidelidade de Abraão, de Isaac. Nas suas palavras, neste “face a face”, transparece o envolvimento do profeta, o seu amor pelo povo. Moisés não teme dizer a verdade, não “entra em jogos de propina”, não cede diante da possibilidade “de vender a sua consciência”. “E Deus gosta disto”, precisou o Pontífice, “quando Deus vê uma alma, uma pessoa que reza e reza por algo, Ele se comove”.
“Nada de propina. Eu estou com o povo. E estou Contigo. Esta é a oração de intercessão: uma oração que argumenta, que tem a coragem de dizer na cara ao Senhor, que é paciente. É preciso paciência na oração de intercessão: nós não podemos prometer a alguém de rezar por ele e depois concluir a coisa com um Pai-Nosso e uma Ave Maria e ir embora. Não. Se você diz rezar por outra pessoa, tem que ir por este caminho. E para isso é preciso paciência”.

Paciência e constância da oração

Na vida cotidiana, infelizmente, não são raros os casos de empresários dispostos a sacrificar a empresa para salvar os próprios interesses, obter uma vantagem pessoal. Mas Moisés não entra na “lógica da propina”, ele está com o povo e luta pelo povo. As Sagradas Escrituras são repletas de exemplos de “constância”, da capacidade de “ir avante com paciência”: a cananea, o “cego na saída de Jericó”.
“Para a oração de intercessão, são necessárias duas coisas: coragem, isto é parresia, coragem e paciência. Se eu quero que o Senhor ouça algo que eu peço, devo ir e bater à porta e bato no coração de Deus, e bato ali... mas porque o meu coração está envolvido com isso! Mas se o meu coração não se envolve com aquela necessidade, com aquela pessoa pela qual devo rezar, não será capaz nem mesmo da coragem e da paciência”.

Ter um coração envolvido

Papa Francisco indicou, por fim, o “caminho da oração de intercessão”: estar envolvidos, lutar, ir avante, jejuar.
“Que o Senhor nos dê esta graça. A graça de rezar diante de Deus com liberdade, como filhos; de rezar com insistência, de rezar com paciência. Mas, sobretudo, rezar sabendo que eu falo com meu Pai, e meu Pai me ouvirá. Que o Senhor nos ajude a progredir nesta oração de intercessão”.
Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Francisco


terça-feira, 21 de novembro de 2017

FIM DO ANO É TEMPO DE BALANÇO. ENS




Momento de parar para refletir sobre a nossa caminhada equipista. Nesta hora muitas perguntas nos desviam do mais importante, que são os pontos fundamentais para o nosso crescimento como casal. 





Comecemos refletindo sobre a preparação:

 1. Como é feita a Reunião Preparatória? 

2. Como foi a sua atuação como Casal Animador este ano? E em relação ao SCE da sua Equipe: 

3. Como tem sido a participação do SCE na sua Equipe?

 4. Como você percebe que o SCE da sua Equipe o(a) ajuda a crescer na espiritualidade? Agora pensando na reunião propriamente dita:

 5. Na sua equipe se vive a Reunião Mensal como uma verdadeira celebração? (seriedade nos cinco pontos exigidos pelo Movimento: oração, refei- ção, partilha, coparticipação e resposta do tema) Pensando nisso, como está sua Equipe quanto a: - Mística – Como é vivido o auxílio mútuo? Como é percebido o testemunho? Reunimo-nos em nome de Cristo? - Carisma – “A espiritualidade conjugal a serviço da felicidade e da santidade do casal”. São percebidos o esforço e o compromisso do casal para alcançar a espiritualidade conjugal? Como? - PCE – A busca, o esforço, a seriedade de cada um e do casal com os PCE. 

O que vocês podem dizer sobre isto? Na Partilha se percebe a vivência dos PCE? Que atitudes para a minha vida eles têm despertado? - Estudo do Tema Há empenho em estudar o tema em casal? Como é a vivência deste tema? - Reunião de Equipe Há preparação para a reunião pelo casal? Qual o comprometimento e a participação do casal nos vários momentos da reunião? - Correção Fraterna Você se acha capaz de fazer ou de receber? O que pode ser melhorado? - Oração A oração tem favorecido a reunião tornar-se uma verdadeira celebração eucarística? 

6. A Coparticipação tem sido um momento de abertura e de ajuda mútua? 



7. Que importância tem sido dada à Carta Mensal como um dos pontos de unidade do Movimento? Vamos refletir também sobre nossa vida de equipe: 

8. Nós somos úteis e ajudamos a Equipe e o Movimento nessa caminhada de espiritualidade e vida comunitária ou apenas nos servimos da nossa equipe? 

9. A sua participação na vida de sua equipe o(a) motiva a participar também da vida do Movimento? Conforme o planejamento do Setor vocês casais participaram dos eventos promovidos (missa mensal, noite de aprofundamento, noite de oração, equipe mista, formações, peregrinação)? Qual destes eventos mais contribuiu para o crescimento de sua vida espiritual, conjugal e de equipe? Comente. Aproveitemos este momento para fazer uma reflexão sincera que nos permita enxergar nossos erros e acertos para que possamos continuar entusiasmados e crescendo na espiritualidade conjugal. 

Regina e Sergio Eq.06B - N. S. Anunciação Setor B - São José dos Campos-SP (Adaptado dos documentos do Movimento)

CARTA MENSAL 512 / NOVEMBRO 2017

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Papa: olhar de cima para baixo somente para ajudar o próximo a se levantar

Fonte: radio vaticano

Papa celebrando na capela da Casa Santa Marta - OSS_ROM
09/10/2017 11:44
Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco celebrou a missa matutina, nesta segunda-feira (09/10), na capela da Casa Santa Marta, na qual exortou a cuidar das pessoas feridas, conforme o Bom Samaritano, ajudar quem precisa a se levantar, como fez o próprio Jesus.


A reflexão nasce do Evangelho do dia em que Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano que agiu de modo diferente do sacerdote e do levita. Ele para e socorre o homem ferido, espancado pelos assaltantes que o deixaram quase morto.

A Parábola do Bom Samaritano é a resposta que Jesus dá ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova, perguntando-lhe o que devia fazer para receber em herança a vida eterna. Jesus faz ele dizer o mandamento do amor a Deus e ao próximo, mas o doutor da Lei, que não sabia como sair da “pequena armadilha que Jesus lhe tinha feito”, perguntou-lhe: ‘Quem é o meu próximo?’ Então, Jesus respondeu com esta parábola.
Os personagens dessa narrativa são: os assaltantes, o homem ferido deixado quase morto, o sacerdote, o levita, o dono da pensão e o samaritano, um pagão que não fazia parte do povo judeu. Cristo sempre responde de “uma forma mais elevada”, evidenciou o Papa. Nesse caso, com uma parábola que pretende  explicar o seu próprio mistério, “o mistério de Jesus”.
Os assaltantes foram-se embora felizes, pois tinham roubado dele “muitas coisas boas” e não se importaram com sua vida. O sacerdote, “que deveria ser o homem de Deus”, e o levita, que estava próximo à Lei, quando viram o homem ferido, quase morto, seguiram adiante pelo outro lado. O Papa descreveu essa atitude:
“Um comportamento habitual entre nós: olhar uma calamidade, olhar uma coisa feia e seguir adiante. Depois, ler sobre ela nos jornais, um pouco pintada de escândalo ou de sensacionalismo. Ao invés, esse pagão, pecador, que estava viajando, ‘viu e não seguiu adiante: sentiu compaixão’. O evangelista Lucas descreve bem: ‘Viu, sentiu compaixão, aproximou-se dele, não se distanciou, e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas’. Não o deixou ali: fiz a minha parte e vou-me embora. Não!”
Depois colocou o homem em seu próprio animal, levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, tendo os seus afazeres, pagou o dono da pensão para que cuidasse dele, dizendo-lhe que quando voltasse, pagaria o que tivesse gasto a mais.
Este é o “mistério de Cristo” que “se fez servo, abaixou-se, aniquilou-se e morreu por nós”. Com este mistério, Jesus responde ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova. Jesus é o Bom Samaritano e convida aquele homem a fazer o mesmo. “Não é uma fábula para crianças”, disse Francisco aos fiéis presentes na Casa Santa Marta, mas “o mistério de Jesus Cristo”:
“Olhando esta parábola, entenderemos profundamente, a amplitude do mistério de Jesus Cristo. O doutor da lei foi embora calado, cheio de vergonha, não entendeu. Não entendeu o mistério de Cristo. Talvez tenha compreendido aquele princípio humano que nos aproxima a entender o mistério de Cristo: que todo ser humano olhe outro ser humano de cima para baixo, somente quando deve ajudá-lo a se levantar. Se alguém faz isso está no bom caminho, está na estrada certa, rumo a Jesus.”
O Papa se referiu também ao dono da pensão que “não entendeu nada e ficou surpreso”, ficou admirado “pelo encontro com alguém que fazia coisas que nunca tinha ouvido falar”, disse o Pontífice, ou seja, a admiração do dono da pensão “é o encontro com Jesus”.
Francisco exortou a ler essa passagem do capítulo décimo do Evangelho de Lucas e a se perguntar:
“O que eu faço? Sou um assaltante, enganador, corrupto? Sou um assaltante, ali? Sou um sacerdote que olha, vê e olha para o outro lado e segue adiante? Ou um líder católico que faz a mesma coisa? Ou sou um pecador? Uma pessoa que deve ser condenada pelos próprios pecados? Aproximo-me, cuido daquele que precisa? Como me comporto diante de tantas feridas, de tantas pessoas feridas com as quais me encontro todos os dias? Faço como Jesus? Assumo a forma de um servo? Nos fará bem esta reflexão, lendo e relendo essa passagem. Aqui se manifesta o mistério de Jesus Cristo, que sendo nós pecadores veio por nós, para nos curar e dar a vida por nós.”  
(MJ)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Rabiscos do capítulo 6 tema de estudos ENS 2017 - "Educar para a Fé!"



Devemos aprender como Jesus educava para a fé, como ele conduzia à fé os
homens e as mulheres que encontrava nas estradas da Palestina, para nos
tornarmos nós próprios mais confiáveis no educar para a fé.

Jesus sabia não ter preconceitos, sabia criar um espaço de confiança e de
liberdade onde o outro pudesse entrar sem ter medo e sem se sentir julgado.
Nas estradas, ao longo das praias, nas casas, nas sinagogas, Jesus criava um
espaço de acolhimento entre si próprio e o outro que se aproximava dele ou
que o procurava; colocava-se sobretudo à escuta do outro, procurando
perceber o que lhe ia no coração, qual era a sua necessidade.


 Quando Jesus encontrava o outro, encontrava-o como homem, não como pecador, ou doente, ou pobre. Jesus cuidava do homem como um todo e procurava a fé presente no outro porque sabia que a fé é um ato pessoal a que cada um deve aderir em liberdade: ninguém pode acreditar em vez do outro. Através da sua presença de homem confiável e acolhedor Jesus tornava possível a fé, fazendo-a emergir simplesmente pelo facto de estar ali para o outro” (E.Bianchi – La pedagogia di Gesù nell’educare alla fede).

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Papa: cristão não precisa de horóscopo, aberto às surpresas de Deus


Capela Santa Marta
26/06/2017 12:02
Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco celebrou a missa, nesta segunda-feira (26/06), na capela da Casa Santa Marta.
“O cristão verdadeiro não é aquele que se instala e fica parado, mas aquele que confia em Deus e se deixa guiar num caminho aberto às surpresas do Senhor”, frisou o Pontífice em sua homilia.

Citando a Primeira Leitura, extraída do Livro do Gêneses, Francisco refletiu sobre Abraão, pois nele “há o estilo da vida cristã, o estilo nosso como povo”, baseado em três dimensões: o despojamento, a promessa e a bênção. “O Senhor exorta Abraão a sair de seu país, de sua pátria, da casa de seu pai”, recordou o Papa:
“O ser cristão tem sempre esta dimensão do despojamento que encontra a sua plenitude no despojamento de Jesus na Cruz. Sempre há um vai, um deixa, para dar o primeiro passo: ‘Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai’. Se fizermos memória veremos que nos Evangelhos a vocação dos discípulos é um ‘vai’, ‘deixa’ e ‘vem’. Também nos profetas, não é? Pensemos a Eliseu, trabalhando a terra: ‘Deixa e vem’.”

“Os cristãos”, acrescentou o Papa, “devem ter a capacidade de serem despojados, caso contrário não são cristãos autênticos, como não são aqueles que não se deixam despojar e crucificar com Jesus. “Abraão “obedeceu pela fé”, partindo para a terra a ser recebida como herança, mas sem saber o destino preciso:
“O cristão não tem um horóscopo para ver o futuro. Não procura a necromante que tem a bola de cristal, para que leia a sua mão. Não, não. Não sabe aonde vai. Deve ser guiado. Esta é a primeira dimensão de nossa vida cristã: o despojamento. Mas, por que o despojamento? Para uma ascese parada? Não, não! Para ir em direção a uma promessa. Esta é a segunda. Somos homens e mulheres que caminham para uma promessa, para um encontro, para algo, uma terra, diz a Abraão, que devemos receber como herança.” 

No entanto, enfatizou Francisco, Abraão não edifica uma casa, mas “levanta uma tenda”, indicando que “está a caminho e confia em Deus”, portanto, constrói um altar “para adorar ao Senhor”. Então, “continuar a caminhar” é estar “sempre em caminho”:
“O caminho começa todos os dias na parte da manhã; o caminho de confiar no Senhor, o caminho aberto às surpresas do Senhor, muitas vezes não boas, muitas vezes feias – pensemos em uma doença, uma morte - mas aberto, pois eu sei que Tu me irás conduzir a um lugar seguro, a um terra que preparaste para mim; isto é, o homem em caminho, o homem que vive em uma tenda, uma tenda espiritual. Nossa alma, quando se ajeita muito, se ajeita demais, perde essa dimensão de ir em direção da promessa e em vez de caminhar em direção da promessa, carrega a promessa e possui a promessa. E não deve ser assim, isso não é realmente cristão”.

“Nesta semente de início da nossa família” cristã, observou o Papa, aparece outra característica, a da bênção: isto é, o cristão é um homem, uma mulher que “abençoa”, que “fala bem de Deus e fala bem dos outros” e que  “é abençoado por Deus e pelos outros” para ir para frente. Este é o esquema da “nossa vida cristã”, porque todo mundo, “também” os leigos, devemos “abençoar os outros, falar bem dos outros e falar bem a Deus dos outros”. Muitas vezes, acrescenta o Pontífice, estamos acostumados “a não falar bem” do próximo, quando - explica – “a língua se move um pouco como quer”, em vez de seguir o mandamento que Deus confia ao nosso pai” Abraão, como “síntese da vida”: de caminhar, deixando-se “despojar” pelo Senhor e confiando em suas promessas, para sermos irrepreensíveis. Enfim, concluiu Francisco, a vida cristã é “tão simples”. (MJ-SP)

terça-feira, 30 de maio de 2017

O que o impede, portanto, de se tornar um intercessor?






No hospital, enquanto aguardava a cirurgia da Dóris, pensando em todos que se comprometeram a orar por nós, veio- -me à mente a palavra intercessão. Somente as orações dessas pessoas poderiam ter-nos dado a serenidade necessária para encararmos aquele momento, aquela situação. 

No Novo Testamento o modelo de intercessor a nos guiar é Maria. Mediou o primeiro milagre de seu Filho nas Bodas de Caná e continua até hoje a interceder por nós. Por isso, Ela ocupa e sempre ocupou lugar de destaque em nossa vida. Não por acaso, ao recebermos o resultado da bi- ópsia da Dóris, ao entrarmos na primeira igreja que encontramos para agradecer, demos de frente com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, maior que nós. Também, surpreendente, foi ao entrarmos no consultório do médico que analisaria o “pós-cirurgia”, deparamos com a imagem de Nossa Senhora Aparecida em uma prateleira às nossas costas. 

Diante dessa constante presença da Mãe de Deus em nossa caminhada, veio-nos a certeza de que as orações de todos chegaram ao coração de Maria, que mediou junto ao seu Filho por nós. Aí refletimos, por que não fazemos uma grande corrente de oração pelo Movimento, pelos equipistas, pela Igreja e pelo país, construindo uma muralha de proteção e velando por todos sobre a brecha (Ez. 22, 30)? 

Principalmente neste Ano Mariano, com a comemoração do Jubileu de 300 anos de aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Como dizia Padre Caffarel, é muito bom e reconfortante sentir “o consolo de saber que alguém reza, intercede por nós, que está sobre a brecha, pleiteando por nós”. E isto sem esquecer que, pela intercessão da comunidade, o lugar tremeu quando terminaram a oração (At. 4, 31). Vamos fazer tremer o solo brasileiro! O que o impede, portanto, de se tornar um intercessor? 



Dóris e Adalberto Bega Eq.06A - N. S. de Fátima. Jaú-SP

Carta Mensal 507

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pensamentos do Padre Henri Caffarel: uma Equipe não deve ser uma capelinha

segunda-feira, 6 de março de 2017

Quaresma: tempo para sair da rotina!!

 

 
 
“Eu creio que um dia me tornarei um cristão de verdade, então deverei envergonhar-me, sobretudo, não por não me ter tornado cristão antes, mas por haver tentado primeiro todas as fugas” (Kierkegaard,Soren, Diário, 8/12/1837). Estas palavras do filósofo poeta cristão dinamarquês introduzem o sentido da quaresma. Agora é o tempo favorável em que ressoa o convite para tomar uma decisão séria, radical, operativa e pessoal para me tornar cristão de verdade.

Todos têm uma rotina diária que vai imprimindo uma forma quase mecânica e automática de viver. Não se trata apenas das atividades diárias para as quais a rotina organiza o dia e permite cumprir as obrigações. Mas a rotina também pode tomar conta da maneira como as pessoas se relacionam. O outro se torna peça de engrenagem que faz funcionar o meu dia. A rotina também invade a vida espiritual e o relacionamento com Deus. Enfim, a rotina acomoda, vai enfraquecendo as relações interpessoais, a empatia e o entusiasmo vai diminuindo. Como também pode passar a falsa impressão de que tudo está bem. Um dia o papa emérito Bento XVI disse que a nossa maior ameaça “é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez”.

Viver bem a quaresma é uma oportunidade para se questionar e sacudir a rotina diária. Estou me tornando um cristão melhor? A minha presença, seja na família, no trabalho, na sociedade, é sal e luz? Além de constatar os problemas, faço algo além disso? Ao tentarmos responder estas perguntas ou outras, certamente, vamos perceber que em muitos aspectos podemos estar bem e em outros não. 

Voltando à frase de Kierkegaard, citada anteriormente. Ele afirma que não se envergonhava das suas contradições da vivência cristã. Tinha a convicção de que o mundo só viu um cristão autêntico, isto é, coerente entre a proposta cristã e a sua plena vivência, que foi Jesus Cristo. Todos as outras pessoas denominadas cristãs vão se tornando cristãs, sem nunca chegarem a completude. É a interpretação que faz do seguimento proposto por Jesus Cristo. “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” Mateus 16, 24).

Kierkegaard declara que se sentirá envergonhado “por haver tentado primeiro todas as fugas”. As formas de fuga podem ser várias: ignorar os problemas; desviar das responsabilidades; fechar-se sobre si mesmo; justificar a própria postura e a indiferença diante das inúmeras situações que se apresentam; acomodar-se com a rotina; não ter espaço para questionar os próprios valores; relativizar as exigências; responsabilizar sempre os outros.

A Campanha da Fraternidade, dentro da quaresma, é uma provocação, pois insere um tema novo na rotina. Este ano, a Igreja propõe o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema é “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15) O objetivo é o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, promovendo relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Novamente, aborda um tema relacionado com a ecologia. O tema volta porque os problemas nesta área são muitos e é preciso uma conversão pessoal e social, também nesta área.

Autor: Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo