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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Francisco: uma comunidade cristã deve estar em paz, testemunhar Cristo e assistir os pobres







2014-04-29 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou esta manhã a Missa na Capela da Casa Marta.  A homilia do Pontífice foi inspirada na leitura extraída do Ato dos Apóstolos, que descreve a primeira comunidade cristã. Francisco se concentrou em três características deste grupo, que era capaz de plena concórdia no seu interior, de testemunhar Cristo fora dela e impedir que nenhum de seus membros sofresse a miséria. 
“(A comunidade) ’tinha um só coração e uma só alma’. A paz. Uma comunidade em paz. Isso significa que entre eles não havia lugar para intrigas, para a inveja, para as calúnias, para a difamação.
  Paz. O perdão: ‘O amor cobria tudo’. Para qualificar uma comunidade cristã, devemos nos questionar como é a atitude dos cristãos. São humildes? Naquela comunidade há brigas pelo poder? Brigas por inveja? Há intrigas? Então não estão no caminho de Jesus Cristo. Esta peculiaridade é tão importante, tão importante, porque o demônio sempre tenta nos dividir. É o pai da divisão”.
Certamente naquela primeira comunidade havia problemas. O Papa citou as “lutas internas, as lutas doutrinais, de poder” que se verificaram depois. Todavia, aquele “momento forte” do início fixou para sempre a essência da comunidade nascida do Espírito. Uma comunidade concorde e, em segundo lugar, uma comunidade de testemunhas da fé, em relação à qual podemos analisar qualquer comunidade de hoje:
“É uma comunidade que testemunha a ressurreição de Jesus Cristo? Esta paróquia, esta comunidade, esta diocese acredita realmente que Jesus Cristo ressuscitou? Ou diz: ‘Sim, ressuscitou’, mas o coração está distante desta força?
Para Francisco, é através do modo como uma comunidade testemunha Jesus que se pode analisar uma comunidade. A terceira característica são “os pobres”. E aqui o Papa inclui outros dois pontos:

“Primeiro: como é a sua atitude ou a atitude desta comunidade com os pobres? Segundo: esta comunidade é pobre? Pobre de coração, pobre de espírito? Ou deposita a sua confiança nas riquezas? No poder? Harmonia, testemunho, pobreza e cuidar dos pobres. E isso é que Jesus explica a Nicodemos: este nascer do Alto. Porque o único que pode fazer isso é o Espírito. Esta é obra do Espírito. É ele quem faz a Igreja. O Espírito faz a unidade, impulsiona ao testemunho. O Espírito nos faz pobres, porque Ele é a riqueza e faz com que cuidemos dos pobres”.

“Que o Espírito Santo – concluiu o Papa Francisco – nos ajude a caminhar sobre esta estrada de renascidos pela força do Batismo”.
(BF)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Francisco: os pobres são a verdadeira riqueza da Igreja, não o dinheiro



◊  Cidade do Vaticano (RV) – O Papa celebrou a missa na Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira (15/12), destacando que a pobreza é a primeira das bem-aventuranças. 
Francisco se inspirou nas leituras do dia para advertir quanto às tentações que hoje podem corromper o testemunho da Igreja.  No Evangelho, Jesus reprova com força os chefes dos sacerdotes e os adverte que até mesmo as prostitutas os precederão no Reino dos Céus. Também na primeira Leitura, extraída do Livro de Sofonias, se veem as consequências de um povo que se torna impuro e rebelde por não ouvir o Senhor.

A Igreja seja humilde
“Portanto, como deve ser uma Igreja fiel ao Senhor?”, questiona Francisco. Uma Igreja que se entrega a Deus, responde ele, deve “ter essas três características”: humildade, pobreza e confiança no Senhor:
“Uma Igreja humilde, que não se vanglorie dos poderes, das grandezas. Humildade não significa uma pessoa abatida, fraca, com os olhos sem expressão… Não, isso não é humildade, isso é teatro! É uma humildade faz de conta. A humildade tem um primeiro passo: ‘Eu sou pecador’. Se não é capaz de dizer a si mesmo que é pecador e que os outros são melhores que você, você não é humilde. O primeiro passo na Igreja humilde é sentir-se pecadora, o primeiro passo de todos nós é o mesmo. Se algum de nós tem o hábito de olhar os defeitos dos outros e comentar a respeito, se crê juiz dos outros.”

A Igreja não seja apegada ao dinheiro
Nós, retomou o Papa, devemos pedir “esta graça, que a Igreja seja humilde, que eu seja humilde, cada um de nós” seja humilde. Segundo passo: é a pobreza, que – observou – “é a primeira das bem-aventuranças”. Pobre no espírito quer dizer ser apegado somente às riquezas de Deus, explicou o Papa. Não, portanto, a uma “Igreja que vive apegada ao dinheiro, que pensa somente no dinheiro, que pensa somente em como ganhar dinheiro”. “Como se sabe – afirmou o Papa –, num templo da diocese, para passar na Porta Santa diziam ingenuamente às pessoas que era preciso fazer uma oferta: esta não é a Igreja de Jesus, esta é a Igreja desses chefes dos sacerdotes, apegada ao dinheiro”.
“O nosso diácono, o diácono desta diocese, Lorenzo, quando o imperador – ele era o econômo da diocese – lhe disse de levar as riquezas da diocese e, assim, pagar algo e não ser assassinado, ele volta com os pobres. Os pobres são a riqueza da Igreja. Se você tem um banco, é o dono de um banco, mas o seu coração é pobre, não apegado ao dinheiro, está a serviço, sempre. A pobreza é este desapego para servir os necessitados, para servir os outros”.



A Igreja confie no Senhor
Façamo-nos então esta pergunta, disse o Papa: se somos “uma Igreja, um povo humilde, pobre. ‘Eu sou ou não sou pobre?’”. Por fim, o terceiro ponto, a Igreja deve confiar no nome do Senhor:
“Onde está a minha confiança? No poder, nos amigos, no dinheiro? No Senhor! Esta é a herança que nos promete o Senhor: ‘Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre, e eles confiarão no nome do Senhor’. Humilde porque se sente pecador; pobre porque o seu coração é apegado às riquezas de Deus e se as tem, é para serem administradas; confiante no Senhor porque sabe que somente o Senhor pode garantir algo que lhe faça bem. E realmente esses chefes dos sacerdotes aos quais Jesus se dirigia não entendiam essas coisas e Jesus teve que dizer a eles que uma prostituta entrará antes deles no Reino dos Céus”.
“Nesta espera do Senhor, do Natal – concluiu Francisco – peçamos que nos dê um coração humilde, nos dê um coração pobre e, sobretudo, um coração confiante no Senhor porque o Senhor jamais desilude”.

Assista em VaticanBR
(BF)

terça-feira, 16 de junho de 2015

Papa: pobreza cristã não é ideologia, é centro do Evangelho


Na homilia de hoje, Papa voltou a reiterar que a pobreza está no centro do Evangelho; é injusto chamar de “comunista” padres ou bispos que falam dos pobres
Da Redação, com Rádio Vaticano
Francisco fala aos fiéis sobre a necessidade de colocar a pobreza no centro do Evangelho / Foto: L'Osservatore Romano
Se tirarmos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus, observou Francisco na Missa de hoje / Foto: L’Osservatore Romano
O Papa Francisco voltou a afirmar, nesta terça-feira, 16, que a pobreza está no centro do Evangelho. A homilia de hoje foi dedicada à contraposição entre riqueza e pobreza. O Pontífice reiterou que é injusto definir como “comunistas” os sacerdotes ou bispos que falam dos pobres.
“A pobreza está no centro do Evangelho. Se tirarmos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus”, disse o Papa. Ele acrescentou que o apóstolo Paulo evidencia qual é a verdadeira riqueza: ter fé, eloquência, ciência, zelo e caridade em abundância. E o apóstolo deixa um convite: visto que tendes tudo em abundância, procurai também distinguir-vos nesta obra de generosidade.
“Se há tanta riqueza no coração, esta riqueza tão grande – o zelo, a caridade, a Palavra e o conhecimento de Deus – façam com que essa riqueza chegue até os bolsos. E essa é uma regra de ouro. Quando a fé não chega aos bolsos, ela não é genuína”.
Francisco destacou a contraposição entre riqueza e pobreza. A Igreja de Jerusalém, por exemplo, é pobre, está em dificuldade econômica, mas é rica, porque tem o tesouro do anúncio evangélico. E essa Igreja de Jerusalém, pobre, enriqueceu a Igreja de Corinto com o anúncio evangélico.
Deixar-se enriquecer pela pobreza de Cristo
Retomando São Paulo, o Papa disse que, sem o anúncio do Evangelho, as pessoas são pobres e Cristo as enriqueceu com a sua pobreza. “Da pobreza vem a riqueza, é uma troca mútua (…) Ser pobre é deixar-se enriquecer pela pobreza de Cristo e não querer ser rico com outras riquezas que não sejam as de Cristo”.
Francisco esclareceu que, quando os fiéis ajudam os pobres, eles não fazem obras de beneficência de modo cristão, embora isso seja bom, seja humano, mas esta não constitui a pobreza cristã de que São Paulo fala. “A pobreza cristã é dar do que é meu ao pobre, inclusive do que é necessário, e não o supérfluo, porque sei que ele me enriquece. E por que o pobre me enriquece? Porque Jesus disse que Ele mesmo está no pobre”.
Esta é a teologia da pobreza, concluiu o Papa, este é o motivo pelo qual a pobreza está no centro do Evangelho, não é uma ideologia. “É justamente este mistério, o mistério de Cristo que se rebaixou, se humilhou, se empobreceu para nos enriquecer. Assim se entende porque a primeira das Bem-aventuranças seja ‘Bem-aventurados os pobres de espírito’. Este pobre de espírito é percorrer esta estrada do Senhor: a pobreza do Senhor que, também, se rebaixa tanto que agora se faz ‘pão’ para nós, neste sacrifício. Continua a rebaixar-se na história da Igreja, no memorial da sua paixão, no memorial da sua humilhação, no memorial do seu rebaixamento, no memorial da sua pobreza, e deste ‘pão’ Ele nos enriquece”.

"Eu, bispo, escoltado por causa das minhas lutas 'verdes' na Amazônia"


Foi um bispo da Amazônia que o Papa Francisco escolheu como consultor para escrever a encíclica sobre ecologia, que será publicada dia 18 de junho. Dom Erwin Kräutler, austríaco, bispo ativo há mais de 50 anos no Brasil, conta pela primeira vez em um livro a sua vida: Eu ouvi o grito da Amazônia. Direitos humanos e criação. Minha luta como bispo (Editrice Missionaria Italiana).
O texto foi publicado por Zenit, 12-06-2015.
Nestas páginas Kräutler narra os riscos que ele correu defendendo os povos indígenas da Amazônia e o meio ambiente na maior floresta do mundo. Por causa de sua dedicação foi ameaçado de morte várias vezes, sofreu um ataque que custou a vida de um de seus colaboradores, e há mais de nove anos vive escoltado para sua própria segurança.
Apesar de tudo, Kräutler - que foi premiado em 2010 com o "Right Livelihood Award", o Nobel Alternativo, por sua ação em defesa da criação - não voltou atrás em sua ação missionaria de anunciar a libertação que o Evangelho traz: "Como bispo, eu não poderia ficar calado. As ameaças de morte contra a minha pessoa não são apenas consequências do meu compromisso a favor da Amazônia e da minha defesa intransigente dos direitos dos povos indígenas, dos pobres nas áreas rurais e na cidade".
Kräutler faz transparecer no livro que ele é um bispo totalmente imerso em seu povo: entre os índios Kayapó aceita dançar suas danças; recebe o nome típico das tribos locais ("o grande cacique"), apresenta os pedidos dos índios ao mundo da política. Graças aos seus esforços a nova Constituição do Brasil (1988), prevê a defesa dos direitos dos povos indígenas.
Dom Erwin, como é conhecido, afirma: "Somos uma Igreja pobre de recursos financeiros. Mas de maneira nenhuma somos ‘pobres’ de pessoas apaixonadas pela causa do Reino de Deus. O lugar do pastor é no meio do seu rebanho", comenta a respeito de sua diocese, Xingu, bem no meio da Amazônia.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Francisco: a Igreja não se preocupa com conquistas, mas cura as feridas


A Igreja não está preocupada “consiga mesma, com suas estruturas e suas conquistas”, mas é uma Igreja em saída, “sai ao encontro do homem, anuncia a palavra libertadora do Evangelho, cura com a graça de Deus as feridas da alma e do corpo, socorre os pobres e necessitados”. É o que escreveu o Papa Francisco na mensagem enviada aos bispos, padres, consagrados e fiéis de todo o mundo por ocasião da 52ª Jornada Mundial de Oração pelas Vocações do próximo dia 16 de abril. A vocação, escreveu Bergoglio, é “êxodo”.
A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 14-04-2015. A tradução é de André Langer.
“Na raiz de cada vocação cristã – afirma o Papa no texto assinado em 29 de março e publicado nesta terça-feira –, há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta ‘saída’ não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, ‘todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna’ (Mt 19, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De fato, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um ‘êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus’ (Bento XVICarta Encíclica Deus Caritas Est, 6).
“A experiência do êxodo é paradigma da vida cristã, particularmente de quem abraça uma vocação de especial dedicação ao serviço do Evangelho”. Mas “esta dinâmica do êxodo diz respeito não só à pessoa chamada, mas também à atividade missionária e evangelizadora da Igreja inteira. Esta é verdadeiramente fiel ao seu Mestre na medida em que é uma Igreja ‘em saída’, não preocupada consigo mesma, com as suas próprias estruturas e conquistas, mas sim capaz de ir, de se mover, de encontrar os filhos de Deus na sua situação real e compadecer-se das suas feridas. Deus sai de Si mesmo numa dinâmica trinitária de amor, dá-Se conta da miséria do seu povo e intervém para libertá-lo (Ex 3, 7). A este modo de ser e de agir, é chamada também a Igreja: a Igreja que evangeliza sai ao encontro do homem, anuncia a palavra libertadora do Evangelho, cuida as feridas das almas e dos corpos com a graça de Deus, levanta os pobres e os necessitados”.
Este “êxodo libertador rumo a Cristo e aos irmãos constitui também o caminho para a plena compreensão do homem e para o crescimento humano e social na história. Ouvir e receber a chamada do Senhor não é uma questão privada e intimista que se possa confundir com a emoção do momento; é um compromisso concreto, real e total que abraça a nossa existência e a põe a serviço da construção do Reino de Deus na terra. Por isso, a vocação cristã, radicada na contemplação do coração do Pai, impele simultaneamente para o compromisso solidário a favor da libertação dos irmãos, sobretudo dos mais pobres. O discípulo de Jesus tem o coração aberto ao seu horizonte sem fim, e a sua intimidade com o Senhor nunca é uma fuga da vida e do mundo, mas, pelo contrário, ‘reveste essencialmente a forma de comunhão missionária’ (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 23)”.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Papa Francisco: não se serve ao Evangelho por vantagem pessoal, o que temos é para os pobres



◊   Cidade do Vaticano (RV) - Na Igreja todos devem aprender que o serviço ao Evangelho deve ser "despojado" de toda glória ou vantagens pessoais. Um dos pilares do Magistério do Papa Francisco destaca-se também em sua Mensagem enviada à Ordem da Santíssima Trindade e da Redenção dos Cativos (Trinitários), que festeja os 800 anos da morte do fundador, São João da Mata, e os 400 anos do reformador, São João Batista da Conceição.

Ambos protagonistas de uma vida religiosa "respeitável, embora talvez um pouco tranquila e segura", receberam de Deus – escreve o Papa – um chamado que provocou uma reviravolta em suas existências, impelindo-os a "se dedicarem aos mais necessitados".

Para o Papa Francisco este é o exemplo a ser imitado: os dois Santos, observa, "souberam aceitar o desafio" e, portanto, "se hoje celebramos o nascimento do fundador e do reformador de vocês, o fazemos justamente porque foram capazes de renegar a si mesmos, de carregar com simplicidade e docilidade a cruz de Cristo e de se colocarem, sem condições, nas mãos de Deus, para que Ele construísse a sua obra".

E como eles, prossegue o Santo Padre, "todos somos chamados a experimentar a alegria que brota do encontro com Jesus, para superar o nosso egoísmo, sair da nossa comodidade e ir com coragem a todas as regiões que precisam da luz do Evangelho".

O Papa recorda que, ao longo dos séculos, a Ordem da Santíssima Trindade foi a "casa do pobre", um lugar onde curar as feridas do corpo e da alma, em primeiro lugar com a oração e "com o empenho incondicionado e o serviço desinteressado e amoroso".

Efetivamente, afirma Francisco, "os Trinitários têm claro – e todos devemos aprender isso – que na Igreja toda responsabilidade ou autoridade deve ser vivida como serviço. Daí, a nossa ação deve ser despojada de todo e qualquer desejo de ganho pessoal ou de promoção e deve sempre buscar partilhar todos os talentos recebidos por Deus, para orientá-los, como bons administradores, para a finalidade para a qual foram concedidos, a ajuda aos pobres".

Pobres, insiste, que existem também hoje e "são muitos. E os vemos todos os dias e não podemos passar ao largo, contentando-nos de uma boa palavra. Cristo não fez assim". A Mensagem se conclui com um pedido, a "rezar pelo Papa".

"Apraz-me pensar que vocês, na oração, colocam o Bispo de Roma junto aos pobres, porque – conclui o Papa Francisco – isso me recorda que não posso esquecer-me deles, como não os esqueceu Jesus, que os conservava no fundo de seu Coração, enviado para anunciar-lhes uma boa notícia e que, por meio de sua pobreza, enriqueceu todos nós." (RL)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SER CATEQUISTA é “não ter medo de ir com Ele às periferias”

 
 “Prefiro mil vezes uma Igreja acidentada a uma Igreja doente”. O Papa Francisco aos catequistas

“A catequese é um pilar para a educação da fé e necessitamos de bons catequistas”; por isso, precisamos voltar a partir de Cristo, que significa “não ter medo de ir com Ele às periferias”, disse o Papa Francisco durante a audiência com os participantes do Congresso Internacional sobre a Catequese (que terminou neste domingo), promovido no contexto do Ano da Fé. Do encontro, que trata sobre o tema “O catequista, testemunha da fé”, participaram 1.600 pessoas, entre catequistas, agentes de pastoral, professores e especialistas de diferentes realidades.
 
Fonte: http://bit.ly/14VJjJo  
A reportagem é de Domenico Agasso Jr. e publicada no sítio Vatican Insider, 27-09-2013. A tradução é de André Langer.
O Pontífice agradeceu pelo serviço dos catequistas “à Igreja e na Igreja. Embora às vezes possa ser difícil, trabalhar tanto, comprometer-se e não ver os resultados esperados, é bonito educar na fé! Ajudar as crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos a conhecer e amar cada vez mais o Senhor é uma das aventuras educativas mais bonitas”. Francisco indicou, na sequência, que é necessário “ser catequista”. “A Igreja – explicou Bergoglio citando Bento XVI – não cresce por proselitismo, mas pelos testemunhos”. Ser catequista não é um trabalho: “Atenção, eu não disse ‘estar’ catequista, mas ‘ser’ catequista, porque envolve a vida toda. Guia para o encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho. E ‘ser’ catequista exige amor, amor cada vez mais forte por Cristo, amor por seu povo santo”. E este amor, “necessariamente, parte de Cristo”.

O Papa refletiu sobre o conceito de “partir de Cristo”: “O que significa isto para um catequista, para vocês e também para mim, porque eu também sou catequista?”. Pelo menos três coisas.

Quer dizer, sobretudo, “ter familiaridade com Ele. Jesus recomenda insistentemente aos discípulos na Última Ceia, quando se prepara para viver o dom mais sublime do amor, o sacrifício na Cruz”. O Filho de Deus usa a imagem da videira e dos ramos “e disse: permaneçam em meu amor, permaneçam unidos a mim, como os ramos estão unidos à videira. Se todos estamos unidos a Ele podemos dar fruto e esta é a familiaridade com Cristo”. Assim, pois, o que um discípulo deve fazer acima de tudo é “estar com o Mestre, escutá-lo, aprender d’Ele. E isso vale sempre, é um caminho que dura toda a vida!”. O Papa que está reformando a Igreja através da “normalidade” contou uma das suas experiências cotidianas, “normal”: “Para mim, por exemplo, é muito importante permanecer diante do Tabernáculo; é estar na presença do Senhor, deixar-se guiar por Ele. E isto aquece o coração, mantém aceso o fogo da amizade, te faz sentir verdadeiramente o seu olhar, que está perto de ti e que te quer”. O Pontífice compreende que “para vocês não é tão simples: especialmente para os que estão casados e têm filhos, é difícil encontrar um momento de calma. Mas, graças a Deus, não é necessário que todos façamos a mesma coisa; na Igreja existe uma variedade de vocações e uma variedade de formas espirituais; o importante é encontrar a maneira adequada para estar com o Senhor; e isto se pode, é possível em qualquer estado de vida”.

Em seguida, Francisco indicou qual é o segundo elemento: partir de Cristo “significa imitá-lo no sair de si mesmo e ir ao encontro do outro. Esta é uma experiência bonita, um pouco paradoxal. Porque os que colocam Cristo no centro da própria vida perdem o centro. Quanto mais te unes a Jesus, quanto mais Ele se torna o centro da tua vida, mais te faz sair de ti mesmo, te ‘descentra’ e te abre aos outros”. O Papa continua: “o verdadeiro dinamismo do amor, este é o movimento de Deus mesmo! Deus é o centro, mas é sempre dom de si, relação, vida que se comunica... Assim, nos tornamos também nós se permanecemos unidos a Cristo, Ele nos faz entrar neste dinamismo do amor. Onde há verdadeira vida em Cristo, há abertura para o outro, há saída de si para ir ao encontro do outro em nome de Cristo”.

Por último, partir de Cristo “significa não ter medo de ir com Ele às periferias”. Uma das palavras chaves do Pontificado de Bergoglio: as periferias, não apenas geográficas, mas também existenciais. E a este respeito, o Papa sugeriu “a história de Jonas, uma figura verdadeiramente interessante, especialmente em nossa época de mudanças e de incertezas. Jonas é um homem piedoso, com uma vida tranquila e ordenada; isto o leva a ter seus esquemas sempre muito claros e a julgar tudo com estes esquemas, rigidamente”. E assim, quando “o Senhor o chama e lhe diz para que vá pregar em Nínive, a grande cidade pagã, Jonas prefere não fazê-lo. Nínive ultrapassa seus esquemas, está na periferia do mundo. E então foge, embarca num navio que vai longe”. O Pontífice recomendou reler o “Livro de Jonas. É uma parábola muito instrutiva, especialmente para nós, que estamos na Igreja. Ensina-nos a não ter medo de sair de nossos esquemas para seguir a Deus, porque Deus sempre nos ultrapassa, Deus não tem medo das periferias”. “Deus é sempre fiel – prosseguiu – é criativo, não é fechado, e por isto nunca é rígido, nos acolhe, vem ao nosso encontro, nos compreende”. Mas, para sermos fiéis, “para sermos criativos, devemos saber mudar. Para permanecer com Deus devemos saber sair, não ter medo de sair”.

E depois fez uma tríplice advertência: “Se um catequista se deixa possuir pelo medo, é um covarde; se um catequista se acomoda, acaba como estátua de museu; se um catequista é rígido, torna-se estéril”. É preciso mudar, para adequar-se às circunstâncias nas quais se deve anunciar o Evangelho, disso o Papa: às vezes, na comunidade da Igreja, “é como estar em um quarto fechado, e aos poucos ficamos doentes; claro, se vamos para a rua podemos sofrer acidentes, mas eu digo que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada a uma Igreja doente”.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Para mim a chuva no telhado É cantiga de ninar Mas o pobre meu Irmão Para ele a chuva fria.....

Muitos devem conhecer este canto. Lembrei dele na sexta e no sábado, pensando na chuva que caia torrencialmente em Porto Alegre e certamente molhava a modesta casa de um casal amigo. Fato confirmado pela visita que fizemos ontem e que vimos lonas por cima dos móveis.

Por isso peço sua oração para encontrarmos formas de ajudar estes irmãos, pois os testemunhos de auxílio mútuo tem sido fracos! Deus é forte!

alexandre



Balada da caridade

Para mim a chuva no telhado
É cantiga de ninar
Mas o pobre meu Irmão
Para ele a chuva fria
Vai entrando em seu barraco
E faz lama pelo chão

Como posso
Ter sono sossegado
Se no dia que passou
Os meus braços eu cruzei?

Como posso ser feliz
Se ao pobre meu Irmão
Eu fechei meu coração
Meu amor eu recusei? (bis)

Para mim o vento que assovia
É noturna melodia
Mas o pobre meu irmão
Ouve o vento angustiado
Pois o vento, esse malvado
Lhe desmancha o barracão.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Multidões nas ruas: como interpretar?


Leonardo Boff

Esse grito (que vem das ruas) não pode deixar de ser escutado, interpretado e seguido. A política poderá ser outra daqui para frente

Um espírito de insurreição de massas humanas varre o mundo todo, ocupando o espaço que sobrou: ruas e praças. Depois da África, Espanha, Inglaterra e USA, chega ao Brasil com a juventude e outros movimentos sociais. Ninguém se reporta às clássicas bandeiras do socialismo, das esquerdas, de algum partido ou da revolução. Agora são temas ligados à vida concreta do cidadão: democracia participativa, trabalho para todos, direitos humanos pessoais e sociais, transparência na coisa pública, rejeição a todo tipo de corrupção, um novo mundo possível e necessário. Ninguém se sente representado pelos poderes instituídos que geraram um mundo político palaciano, de costas para o povo ou manipulando os cidadãos.
Representa um desafio para qualquer analista interpretar tal fenômeno. Não basta a razão pura; tem que ser uma razão holística que incorpora outras formas de inteligência, dados racionais, emocionais e arquetípicos e emergências, próprias do processo histórico e mesmo da cosmogênese.
Antes de mais nada, é o primeiro grande evento de uma democracia em grau zero que se expressa pelas redes sociais. Cada cidadão pode sair do anonimato, organizar grupos e encontros, formular uma bandeira e sair à rua. De repente, formam-se redes de redes que movimentam milhares de pessoas para além dos limites do espaço e do tempo. Esse fenômeno pode representar um salto civilizatório que definirá um rumo novo à história, não só de um país, mas de toda a humanidade.


Por que tais movimentos massivos irromperam no Brasil agora? Muita são as razões. Atenho-me a uma – e voltarei a outras.


Meu sentimento do mundo me diz que, em primeiro lugar, se trata de um efeito de saturação: o povo se saturou com o tipo de política que está sendo praticada no Brasil, inclusive pelas cúpulas do PT (resguardo as políticas municipais do PT). O povo se beneficiou dos programas bolsa família, luz para todos, minha casa minha vida, crédito consignado; ingressou na sociedade de consumo. E agora o que? Bem dizia o poeta cubano Ricardo Retamar: “O ser humano possui duas fomes: uma de pão que é saciável; e outra de beleza que é insaciável”. Por beleza se entende educação, cultura, direitos pessoais e sociais como saúde com qualidade mínima e transporte menos desumano.
Essa segunda fome não foi atendida adequadamente pelo poder público seja do PT ou de outros partidos. Os que mataram sua fome querem ver atendidas outras fomes, a fome de cultura e de participação. Avulta a consciência das profundas desigualdades sociais, o grande estigma da sociedade brasileira. Uma democracia em sociedades profundamente desiguais como a nossa é meramente formal, praticada apenas no ato de votar. Ela se mostra como uma farsa coletiva. Essa farsa está sendo desmascarada. As massas querem estar presentes nas decisões dos grandes projetos que as afetam e que não são consultadas para nada.


A multidão nas ruas me faz lembrar a peça teatral de Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes escrita em 1975: “Gota d’água”. Atingiu-se agora a gota d’água que fez transbordar o copo. As massas que gritam nas ruas denunciam que este Brasil não nos inclui no pacto social que sempre garante a parte do leão às elites. Querem um Brasil brasileiro, onde o povo conta e quer contribuir para uma refundação do país, sobre outras bases mais democrático-participativas, mais éticas e com formas menos malvadas de relação social.
Esse grito não pode deixar de ser escutado, interpretado e seguido. A política poderá ser outra daqui para frente.

domingo, 19 de maio de 2013

«Não compartilhar com os pobres os próprios bens é roubar deles e tirar-lhes a vida. Os bens que possuímos não são nossos, mas deles».



"Dinheiro deve servir e não governar", diz Papa Francisco
◊   Cidade do Vaticano (RV) - Papa Francisco recebeu esta manhã quatro novos embaixadores: do Quirguistão, (Bolot Iskovic Otunbaev); de Luxemburgo, (Jean Paul Senniger); de Antigua e Barbuda, (David Showl) e de Botsuana, (Lameck Nthekela).

Quatro países de continentes e realidades internas e eclesiais muito diferentes, mas nos quais os desafios e problemas são idênticos a todas as sociedades ‘globalizadas’: crise econômica, tensões sociais, reações nacionalistas e egoístas e a tentação de fechamento e exclusão.

Assim, dirigindo-se aos embaixadores, o Pontífice afirmou que a humanidade vive neste momento 'um retorno à própria história', considerando os progressos registrados em âmbitos como a saúde, a educação e a comunicação.

"No entanto, devemos reconhecer também que a maior parte dos homens e das mulheres do nosso tempo continuam a viver numa precariedade quotidiana com consequências funestas: o medo e o desespero arrebatam os corações de muitas pessoas, até mesmo nos países considerados ricos. A alegria de viver começa a diminuir; a indecência e a violência estão em aumento; a pobreza se torna mais evidente. Deve-se lutar para viver e, muitas vezes, viver com pouca dignidade".

Para Francisco, uma das causas desta situação é a relação que temos com o dinheiro, ao aceitar o seu domínio sobre nós e sobre nossas sociedades. Assim, a crise financeira, nos faz esquecer sua origem primordial: a primazia do homem.

Neste contexto, o Papa lamentou que a solidariedade, tesouro dos pobres, é muitas vezes, considerada contraproducente, contrária à racionalidade financeira e econômica. Enquanto a renda de uma minoria aumenta de maneira exponencial, aquela da maioria se enfraquece. Instaura-se uma nova tirania invisível, o endividamento e o crédito distanciam os cidadãos do seu poder de aquisição real. A isso, acrescentam-se uma corrupção tentadora e uma evasão fiscal egoísta, que assumiram dimensões mundiais. "O desejo de poder e de posse tornou-se ilimitado", destacou.

Em seguida, Papa Francisco passou a falar sobre a ética, que conduz a Deus e que se aliena das categorias do mercado, permitindo criar um equilíbrio e uma ordem social mais humanos. E encorajou os peritos financeiros e os governantes dos seus países a refletirem sobre as palavras de São João Crisóstomo: «Não compartilhar com os pobres os próprios bens é roubar deles e tirar-lhes a vida. Os bens que possuímos não são nossos, mas deles».

O Pontífice sugeriu aos embaixadores uma reforma financeira que seja ética e que produza uma reforma econômica salutar para todos. E exortou os dirigentes políticos a enfrentar este desafio com determinação e perspicácia, levando em conta, naturalmente, a peculiaridade dos seus contextos. "O dinheiro deve servir e não governar!".

Ao garantir que o Papa ama todos, ricos e pobres; ele ressaltou seu dever, em nome de Cristo, de recordar ao rico que deve ajudar o pobre, respeitá-lo, promovê-lo. O Papa exortou à solidariedade desinteressada e a um retorno da ética para o bem do homem, na sua realidade financeira e econômica.

Dirigindo-se às autoridades financeiras, sugeriu: "Por que não se dirigirem a Deus para inspirar seus desígnios?. Assim, poderia-se criar uma nova mentalidade política e econômica, a fim de contribuir para transformar a dicotomia absoluta que existe entre as esferas econômica e social em uma sã convivência".
(cm)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Entretanto, na Igreja existem muitos cristãos “mornos”, que não querem se empenhar:


Papa: "Igreja precisa de zelo apostólico, não de cristãos de salão"

◊   Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja precisa do fervor apostólico que nos sustenta no anúncio de Jesus: foi o que o Papa destacou em sua homilia da missa matinal, na Casa Santa Marta. Francisco também alertou para os “cristãos de salão”, aqueles que não têm coragem de agitar as coisas já “acomodadas”. A missa foi concelebrada pelo Cardeal Peter Turkson e Dom Mario Toso, Presidente e Secretário do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz.

Papa Francisco centralizou sua homilia no Apóstolo dos Gentios, aquele que passou a vida “de perseguição em perseguição”, sem nunca se desanimar: “Ele olhava ao Senhor e ia adiante”, disse.

“Paulo incomodava: com sua pregação, com seu trabalho e com o seu comportamento, porque anunciava Jesus. Mas o Senhor quer que nós sigamos adiante, que não nos refugiemos numa vida tranquila, em estruturas senis. Paulo continuava a anunciar, porque tinha em si a atitude cristã de zelo apostólico, sem ser um homem de compromisso”.

Prosseguindo, Francisco fez uma ressalva: “Zelo apostólico não é entusiasmo pelo poder, pelo ‘possuir’. É algo que vem de dentro, que o próprio Senhor quer de nós. O zelo apostólico provém do conhecimento de Jesus Cristo, do nosso encontro pessoal com ele”.

 
O zelo apostólico, disse ainda, “tem algo de louco, mas uma loucura espiritual, salutar". E Paulo tinha esta “loucura”. 

Entretanto, na Igreja existem muitos cristãos “mornos”, que não querem se empenhar:

“Existem também os cristãos de salão, né?; aqueles educados, que não são filhos da Igreja com o anúncio e o fervor. Hoje, peçamos ao Espírito Santo que nos dê este fervor apostólico e a graça de incomodar as coisas que são tranquilas demais na Igreja; a graça de irmos às periferias existenciais não só nas terras distantes, mas aqui nas cidades, onde é necessário o anúncio de Jesus Cristo. E se perturbarmos, bendito seja o Senhor. Como disse o Senhor a Paulo: ‘coragem!’”.
(CM)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

"O verdadeiro poder é o serviço"



O Papa reitera às religiosas: "O verdadeiro poder é o serviço"


Cidade do Vaticano (RV) – Delegações de religiosas de todo o mundo foram recebidas pelo Papa na manhã desta quarta-feira na Sala Paulo VI, no Vaticano. As 800 irmãs, delegadas de 1900 diferentes Congregações, se reuniram nos últimos dias na Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras Gerais, em Roma. Com elas, estava também o Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica, a quem Papa Francisco agradeceu logo no início de seu discurso. Dom João esteve domingo, 05, na Assembléia, participando de um debate e celebrando uma missa para as irmãs.

“Centralidade de Cristo, autoridade como serviço de amor, e ouvir a Mãe-Igreja”. Estas foram as três principais indicações sugeridas pelo Papa às religiosas, ao se dirigir a elas.

“O que seria da Igreja sem vocês? Faltaria o carinho, a maternidade, a ternura, a intuição das mães. Queridas irmãs, disse Francisco, fiquem certas de que eu as acompanho de perto, rezo por vocês, mas por favor, rezem também por mim!”, pediu.

Em sua fala, o Papa também lembrou que “adorar e servir são dois comportamentos que não se separam, mas caminham sempre juntos; e disse que obediência é ouvir a vontade de Deus e aceitar que a obediência passe através das mediações humanas”.
“Lembrem-se que a relação autoridade/obediência se insere no contexto maior do mistério da Igreja e constitui uma atuação especial de sua função mediadora”.
Outra questão recomendada para a reflexão das religiosas foi a pobreza, que – disse – não è a pobreza teórica:
“A pobreza teórica não nos interessa, a pobreza se aprende tocando a carne de Cristo pobre”; e insistiu na necessidade de que as religiosas sejam espiritualmente fecundas e neste sentido, ‘sejam mães’ e não ‘solteironas’.
Avançando, Papa Francisco passou ao segundo elemento no exercício da autoridade: o serviço, que teve seu ápice luminoso na cruz. “Para o homem – especificou – quase sempre a autoridade è sinônimo de posse, mas a autoridade como serviço è sinônimo de amor, significa entrar na lógica de Jesus que se inclinou para lavar os pés aos pobres. Quem quiser ser grande será servidor e antes ainda, escravo”.

Após criticar comportamentos carreiristas de homens e mulheres da Igreja, que usam o povo como trampolim para suas ambições pessoais, pediu às religiosas que exerçam autoridade compreendendo, amando, ajudando, abraçando todos, especialmente quem se sente excluído, nas periferias existenciais do mundo humano.

“È impossível – acrescentou – que uma consagrada e um consagrado não sintam com a Igreja, e a eclesialidade é uma das dimensões constitutivas de sua vocação, é um carisma fundamental para a Igreja. O ‘sentir com a Igreja’ – explicou – se expressa na fidelidade ao magistério, em comunhão com os pastores e com o bispo de Roma, sinal de unidade visível”.
“O anúncio – reafirmou o Pontífice, citando Paulo VI – não é jamais um ato isolado ou de grupo. A evangelização se realiza graças a uma inspiração pessoal, em união com a Igreja e em nome dela”. (CM)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Todos querem ser os maiores, mas poucos estão dispostos a servir.

Todas as pessoas querem, e muito, participar da glória de Deus, mas poucas pessoas querem assumir um compromisso maior com o reino de Deus. O evangelho de hoje nos mostra um pouco isso quando Jesus anuncia o mistério da cruz, mas os discípulos estão mais interessados na sua participação na sua glória. 

Assim, nos dias de hoje nós vemos muitas pessoas exaltando o amor de Deus, cantando os seus louvores, mas sem o menor compromisso com o serviço ao Reino de Deus, principalmente no que se refere à questão dos pobres, dos sofredores, dos marginalizados e dos excluídos.Todos querem ser os maiores, mas poucos estão dispostos a servir.

CNBB - Reflexão - Mc 10, 32-45

Naquele tempo:
32Os discípulos estavam a caminho
subindo para Jerusalém.
Jesus ia na frente.
Os discípulos estavam espantados,
e aqueles que iam atrás estavam com medo.
Jesus chamou de novo os Doze à parte
e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele:
33"Eis que estamos subindo para Jerusalém,
e o Filho do Homem vai ser entregue
aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei.
Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos.
34Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo.
E depois de três dias ele ressuscitará."
35Tiago e João, filhos de Zebedeu,
foram a Jesus e lhe disseram:
"Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir."
36Ele perguntou:
"O que quereis que eu vos faça?"
37Eles responderam:
"Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda,
quando estiveres na tua glória!"
38Jesus então lhes disse:
"Vós não sabeis o que pedis.
Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?
Podeis ser batizados com o batismo
com que vou ser batizado?"
39Eles responderam: "Podemos."
E ele lhes disse:
"Vós bebereis o cálice que eu devo beber,
e sereis batizados com o batismo
com que eu devo ser batizado.
40Mas não depende de mim conceder
o lugar à minha direita ou à minha esquerda.
É para aqueles a quem foi reservado".
41Quando os outros dez discípulos ouviram isso,
indignaram-se com Tiago e João.
42Jesus os chamou e disse:
"Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem
e os grandes as tiranizam.
43Mas, entre vós, não deve ser assim:
quem quiser ser grande, seja vosso servo;
44e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos.
45Porque o Filho do Homem não veio para ser servido,
mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos."
Palavra da Salvação.