“E não cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos”. Gálatas 6:9
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terça-feira, 4 de setembro de 2018
TEXTOS DO PADRE CAFFAREL - tema de estudo
Outro ministério do casal é a hospitalidade.
Muitas vezes não foi levado em conta pelos casais cristãos, de maneira que não foi concebido como uma missão importante da Igreja, ainda que os apóstolos dissessem continuamente:
“Praticai a hospitalidade” (...).
Para tantos de nossos contemporâneos, ser acolhido no coração de um verdadeiro lar é fundamental. A descoberta dos amores familiares - conjugal, paternal, maternal, filial, fraternal – os introduz em um mundo novo onde encontram o equilíbrio interno que precisamente lhes faltava, por não terem podido crescer em um meio tão insubstituível como é o de uma família feliz (...).
Devemos pensar que no Plano de Deus o lar cristão é uma “área de descanso” no caminho da Igreja. Sem saber, o infiel tem um primeiro contato com a Igreja, o pecador experimenta sua misericórdia, os pobres e abandonados descobrem sua maternidade. Não se sentem assustados por esta descoberta da Igreja, porque, segundo a expressão de um amigo: “o lar é o rosto sorridente e amável da igreja” (...).
Não há nada mais importante que fazer as famílias cristãs compreenderem que, pela hospitalidade e
acolhida, exercem uma mediação insubstituível entre o mundo e a Igreja.
(Padre Caffarel, “Não esqueçais a hospitalidade”,
L’Anneau d’Or, nº 107, setembro-outubro, 1962).
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Papa: olhar de cima para baixo somente para ajudar o próximo a se levantar
Fonte: radio vaticano
Papa celebrando na capela da Casa Santa Marta - OSS_ROM
A reflexão nasce do Evangelho do dia em que Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano que agiu de modo diferente do sacerdote e do levita. Ele para e socorre o homem ferido, espancado pelos assaltantes que o deixaram quase morto.
A Parábola do Bom Samaritano é a resposta que Jesus dá ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova, perguntando-lhe o que devia fazer para receber em herança a vida eterna. Jesus faz ele dizer o mandamento do amor a Deus e ao próximo, mas o doutor da Lei, que não sabia como sair da “pequena armadilha que Jesus lhe tinha feito”, perguntou-lhe: ‘Quem é o meu próximo?’ Então, Jesus respondeu com esta parábola.
Os personagens dessa narrativa são: os assaltantes, o homem ferido deixado quase morto, o sacerdote, o levita, o dono da pensão e o samaritano, um pagão que não fazia parte do povo judeu. Cristo sempre responde de “uma forma mais elevada”, evidenciou o Papa. Nesse caso, com uma parábola que pretende explicar o seu próprio mistério, “o mistério de Jesus”.
Os assaltantes foram-se embora felizes, pois tinham roubado dele “muitas coisas boas” e não se importaram com sua vida. O sacerdote, “que deveria ser o homem de Deus”, e o levita, que estava próximo à Lei, quando viram o homem ferido, quase morto, seguiram adiante pelo outro lado. O Papa descreveu essa atitude:
“Um comportamento habitual entre nós: olhar uma calamidade, olhar uma coisa feia e seguir adiante. Depois, ler sobre ela nos jornais, um pouco pintada de escândalo ou de sensacionalismo. Ao invés, esse pagão, pecador, que estava viajando, ‘viu e não seguiu adiante: sentiu compaixão’. O evangelista Lucas descreve bem: ‘Viu, sentiu compaixão, aproximou-se dele, não se distanciou, e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas’. Não o deixou ali: fiz a minha parte e vou-me embora. Não!”
Depois colocou o homem em seu próprio animal, levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, tendo os seus afazeres, pagou o dono da pensão para que cuidasse dele, dizendo-lhe que quando voltasse, pagaria o que tivesse gasto a mais.
Este é o “mistério de Cristo” que “se fez servo, abaixou-se, aniquilou-se e morreu por nós”. Com este mistério, Jesus responde ao doutor da Lei que queria colocá-lo à prova. Jesus é o Bom Samaritano e convida aquele homem a fazer o mesmo. “Não é uma fábula para crianças”, disse Francisco aos fiéis presentes na Casa Santa Marta, mas “o mistério de Jesus Cristo”:
“Olhando esta parábola, entenderemos profundamente, a amplitude do mistério de Jesus Cristo. O doutor da lei foi embora calado, cheio de vergonha, não entendeu. Não entendeu o mistério de Cristo. Talvez tenha compreendido aquele princípio humano que nos aproxima a entender o mistério de Cristo: que todo ser humano olhe outro ser humano de cima para baixo, somente quando deve ajudá-lo a se levantar. Se alguém faz isso está no bom caminho, está na estrada certa, rumo a Jesus.”
O Papa se referiu também ao dono da pensão que “não entendeu nada e ficou surpreso”, ficou admirado “pelo encontro com alguém que fazia coisas que nunca tinha ouvido falar”, disse o Pontífice, ou seja, a admiração do dono da pensão “é o encontro com Jesus”.
Francisco exortou a ler essa passagem do capítulo décimo do Evangelho de Lucas e a se perguntar:
“O que eu faço? Sou um assaltante, enganador, corrupto? Sou um assaltante, ali? Sou um sacerdote que olha, vê e olha para o outro lado e segue adiante? Ou um líder católico que faz a mesma coisa? Ou sou um pecador? Uma pessoa que deve ser condenada pelos próprios pecados? Aproximo-me, cuido daquele que precisa? Como me comporto diante de tantas feridas, de tantas pessoas feridas com as quais me encontro todos os dias? Faço como Jesus? Assumo a forma de um servo? Nos fará bem esta reflexão, lendo e relendo essa passagem. Aqui se manifesta o mistério de Jesus Cristo, que sendo nós pecadores veio por nós, para nos curar e dar a vida por nós.”
(MJ)
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