quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A era do estresse digital

Marcio Atalla

Você acorda, pega o celular e, antes mesmo de colocar os pés no chão, começa. Uma guerra do outro lado do mundo. Uma crise econômica. Um crime brutal. Uma nova doença. Um vídeo de alguém indignado. Outro dizendo que tudo vai piorar. Mensagens do trabalho. Problemas de pessoas próximas.

Talvez tenham se passado apenas dez minutos desde que você abriu os olhos. Você ainda nem tomou café, mas seu cérebro já recebeu uma carga de preocupações que, algumas décadas atrás, uma pessoa provavelmente levaria dias ou semanas para receber.O acesso à informação atual trouxe enormes benefícios, mas existe uma pergunta que fazemos pouco: será que nosso cérebro está preparado para receber tudo isso? Provavelmente não.

Durante milhares de anos, o cérebro humano evoluiu prestando atenção principalmente ao ambiente ao seu redor. Era importante saber se havia comida, abrigo, segurança e algum perigo próximo. Hoje, sentado dentro de casa, podemos acompanhar em tempo real praticamente todos os problemas do planeta. E nosso organismo não reage apenas àquilo que está acontecendo conosco naquele momento. Imaginar, antecipar ou interpretar uma situação como ameaçadora também pode ativar mecanismos de estresse.

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Pense em uma situação simples. Se um cachorro agressivo correr em sua direção, seu coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam tensos e seu corpo se prepara para reagir. Essa resposta é fundamental para nossa sobrevivência. Mas, não precisamos necessariamente estar diante de um cachorro bravo para colocar o organismo em alerta. Uma sequência de notícias sobre violência, doenças, guerras, problemas financeiros ou qualquer assunto que percebamos como ameaçador também pode provocar preocupação, ansiedade e tensão.

O cachorro não está ali. Mas, para alguns dos mecanismos de defesa do nosso organismo, a ameaça imaginada também importa. E talvez o maior problema atual seja a sua frequência. Não recebemos uma notícia ruim e seguimos o dia. Recebemos dezenas delas.

Existe ainda um agravante. Temos uma tendência natural a prestar mais atenção às ameaças. Do ponto de vista evolutivo, isso fazia todo sentido. Para nossos ancestrais, um possível perigo poderia custar a vida.

Por isso, notícias negativas capturam tão facilmente nossa atenção. E as plataformas digitais sabem disso. Quanto mais algo provoca medo, raiva, indignação ou surpresa, maior a possibilidade de permanecermos olhando.

Não estou defendendo que deixemos de acompanhar as notícias. Informação é fundamental, mas precisamos aprender a colocar nossos próprios limites. Assim como prestamos atenção àquilo que colocamos no prato, deveríamos observar aquilo que colocamos na cabeça.

Uma primeira medida é definir horários para se informar. Escolha fontes confiáveis e um ou dois momentos do dia. Você continuará sabendo o que acontece no mundo sem precisar acompanhar cada atualização. Desative também notificações que não sejam realmente necessárias. Cada aviso é um convite para interromper o que estamos fazendo e voltar nossa atenção para uma nova informação. Crie períodos sem tela, principalmente perto da hora de dormir. O cérebro precisa de momentos em que não esteja sendo permanentemente estimulado.

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E coloque duas coisas na rotina que funcionam como excelentes protetores da saúde emocional: movimento e pessoas. Atividade física ajuda a regular o estresse, melhora o humor e favorece o sono. Caminhar, pedalar, fazer musculação, nadar ou praticar um esporte são maneiras de devolver ao corpo aquilo que ele sabe fazer muito bem: movimentar-se.

E preserve suas conexões sociais. Converse olhando nos olhos, encontre amigos, faça uma refeição em família, dê risada, escute alguém. Relações humanas de qualidade são parte importante de uma vida saudável.


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© 2026 Marcio Atalla



segunda-feira, 24 de agosto de 2026

REGRA DE VIDA

Anotações de uma equipista, em 1954, ouvindo palestra proferida pelo Pe. Caffarel sobre a Regra de Vida


Finalidade da Regra de Vida: 
Fazer com que Deus seja soberano na vida dos nossos lares. É isto uma obrigação. Nossa vocação sobrenatural consiste na caridade que nos une a Jesus Cristo e nos conduz até o Pai.

Ao pensar na Regra de Vida, considerar: 

Do que nos devemos desembaraçar, para não apagar a vida de Deus em nós? 
Alimentamos suficientemente esta vida? 
Exercitar-se em amar e servir a Deus. 
Nenhum de nós vai se exercitar, na prática, em todas as virtudes ao mesmo tempo. 
Cada um de nós deve ter a sua estratégia pessoal, com percepção de certos detalhes. 
Não confundir programa de vida (comunhão, orações, leituras, deveres) com os pontos particulares deste programa, sobre os quais é preciso fazer um esforço especial. 
Praticar determinada virtude para não permitir o desequilíbrio na vida. 
Esforços bem determinados.


Como organizar uma Regra de Vida? 
Principalmente, interrogar o Senhor.


Quando estabelecer a Regra de Vida? 
Em momentos em que tenhamos a possibilidade de rever a nossa vocação cristã.

Qual deve ser o conteúdo da Regra de Vida? 
Regra de Vida é pessoal: 
Orientação geral: abandono à providência. Dizer sim a Deus. Caridade. Exemplos: 
- A importância de ver no próximo que abordamos, um membro de Cristo (ver os trabalhadores, não como braços, mas como homens criados por Deus). 
- Pode-se fazer Regra de Vida comum aos dois cônjuges. 
- Fisionomias sorridentes. O sorriso, quaisquer que sejam as circunstâncias, por mais que custe... 
Incluir a oração na própria vida (por exemplo, um médico que, entre duas consultas, faz dois minutos de recolhimento: a acolhida aos doentes fica assim beneficiada). 
- Esforços também no plano natural; A graça se apóia sobre a natureza.

Primeira qualidade de uma Regra de Vida: 
Escrita e curta. Fixar o essencial. 


Regra de Vida mínima: impor-nos um mínimo abaixo do qual nunca deveremos descer. 
Concretizar. Nada significa dizer apenas “devo ser mais caridoso”. Descer até os detalhes (por exemplo, a falta de pontualidade que leva ao ener­vamento e, conseqüentemente, à falta de caridade).

Quando pensar na Regra de Vida? 
Todos os dias, no fim da oração. Controlar a sua execução, por exemplo, por ocasião do exame de cons­ciência diário. 
Observar a Regra de Vida por amor a Deus. 


Por que não se auxiliariam, marido e mulher, em praticar a Regra de Vida? 
No Dever de Sentar-se, troca de idéias franca sobre a prática da Regra de Vida (Haverá entretanto pontos sobre os quais poder-se-á não falar ao cônjuge). 
Pode haver troca de idéias sobre a Regra de Vida, na própria equipe.


A revisão da Regra de Vida: 
Cuidar da Regra de Vida, como o jardineiro cuida do jardim. 
Saber fazer a sua revisão, quando é pouco precisa. Saber refundi-la, se por acaso era por demais pretensiosa... 
Adaptá-la também ao tempo litúr­gico (Quaresma, Advento...).


Perigos a evitar na Regra de Vida: 
A Regra de Vida não convém da mesma maneira a todos os temperamentos. Cada qual deve escolher uma Regra de Vida “sob medida”. 
A Regra de vida deve nos impor um mínimo de exigências. 
Desconfiar de uma vida feita de regulamentos. O Cristianismo não é uma religião de regras, mas de caridade. 
Se quiserdes fazer comparações é com Cristo que devereis vos comparar. 
Cuidar para que o espírito não seja abafado pela letra. 
Desconfiar do formalismo.



Extraído da Carta Mensal de agosto de 1954

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Não faça essas 8 coisas se quiser ser FELIZ!

 

No vídeo, o padre Chrystian Shankar revela 8 mudanças poderosas que transformam a vida de quem deseja viver de forma verdadeiramente abençoada. Ele explica, de forma clara e detalhada, quais atitudes afastam a felicidade e a graça de Deus, mostrando como vencer esses 8 obstáculos que impedem muitas pessoas de terem uma vida abençoada — família, relacionamentos, trabalho e fé. Descubra como aplicar esses princípios na sua caminhada e experimente uma vida cheia da presença e das bênçãos de Deus.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

SALVE RAINHA


Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degradados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Ela pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente! ó piedosa! ó doce sempre Virgem Maria!
V – Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R – Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

“ CONSTRUTORES ou INQUILINOS “ padre Caffarel

“ CONSTRUTORES ou INQUILINOS “

(Um movimento encaminha para a morte quando seus membros deixam a mentalidade

dos construtores pela mentalidade dos inquilinos)
A fim viver um movimento de espiritualidade é necessário aderir-se a ele mesmo (entenda-se esta palavra em seu significado pleno). O inquilino de uma casa sente-se em paz uma vez que pagou o aluguel e aproveita, o conforto que encontra nela; mas o membro de um movimento não pode se permitir estar instalado tranquilamente.

Nós não podemos ao contrário de ir de encontro ao movimento, como o inquilino na frente do proprietário, ou do empregado ao contrário do patrão. Nós devemos nos sentir como membros de um inteiro, povos na carga de tudo, compartilhada na terra comum com o tudo. Nós não podemos nunca separar, por isso que o movimento deteriora ou  progride.



Um movimento vivo é um movimento que esteja sendo diariamente construído, agradecendo à ação de cada um de seus membros. Cada um, no trabalho, supõe uma responsabilidade própria, de acordo com suas aptidões particulares, seus recursos, seu tempo, seu generosidade?

Um movimento encaminha para a morte quando seus membros deixam a mentalidade dos construtores pela mentalidade dos inquilinos!
Contribuem, você, todos os membros das ENS para construir o movimento? Eu convido-os considerar a pergunta. Porque é necessário que nosso movimento seja vivo e crescente. Desde junho nós sabemos que é um desejo, um slogan de Paulo VI:
Disse-nos, ( - recordam-se? ), o desenvolvimento das equipes de nossa senhora pode contribuir uma maneira incomparável à renovação da igreja.

Há muitas maneiras trabalhar no progresso do movimento.
Eu não lhes falarei hoje daqueles que, com um generosidade às vezes muito grande, dedicam em posições diferentes uma considerável animação em dirigir o movimento, nem daqueles que se privam de algo para contribuir à construção da casa do movimento.

Mas do todo o aqueles que plantam, então são sacrificados, pelo feito espiritual de grande valor . São os construtores grandes do movimento. A eles devem os repousos de todos os países, de Austrália a Canadá, de Brasil ao Líbano, aos benefícios que o seu trabalho ao movimento eles oferecem.

É necessário que o saibam, é necessário que pensem sobre ele, o nosso movimento não existiria, sem aqueles trabalhadores discretos, frequentemente não conhecedores de tudo com exceção de como são eficazes.

Melhor é um exemplo do que muitas palavras.
Outubro 1964. A pessoa Mauricio V. de Bogotá, Colômbia, de saúde delicada até então, cai muito mal de cama. Seus pais escrevem ao repouso da conexão francesa: Nós comunicamos-lhes um exemplo maravilhoso. A união com aquele que sabe de nossas
dificuldades econômicas e as despesas causadas pela doença de Mauricio, ofereceramsepara pagá-las.

8 de fevereiro de 1965. A secretária do movimento, da coordenação de Bogotá escreve: Por unanimidade os repousos responsáveis e as uniões para o movimento, da coordenação designaram ao V. de modo que se apresentem em Lourdes, com seu Mauricio pequeno, ao movimento de nosso país. Nós estamos determinados a não medir esforços de modo que este projeto possa ser feito. Se procurou uma organização anonima e voluntária em cada movimento, em cada reunião.
Lourdes.

 Na procissão, quando o Santíssimo Sacramento passa na frente de Mauricio, sua mãe se inclina para ele e pede-lhe, em voz baixa, que oferece todos seus sofrimentos
pelas equipes de nossa senhora.

No aeroporto de Orly, antes de levantar o avião, de retorno a Colômbia, nossos amigos
confiam àqueles que os tinham acompanhado: - Agora, todos nossos esforços devem
tender a fazer de nosso santo pequeno Mauricio, pelo desenvolvimento das equipes de
nossa senhora em América Latin.

Bogotá, 19 de junho de 1965. Pasmem : Mauricio, esta manhã ofereceu outra vez seussofrimentos a Deus pelo movimento.
1 de outubro de 1965. - Os doutores disseram-nos que a morte de nosso filho não chegará ao final do ano. Nós continuamos oferecendo tudo a Deus pelo movimento e
pela igreja. Nós estamos orgulhosos: Qual é o Senhor que nos ama até o ponto escolher Mauricio para estar no céu?
14 de outubro. Mauricio morreu às 20h. e 15m., a hora em que Santo Padre, Pablo VI , comemorava com a massa em New York. Uma tranquilidade e um sentimento da paz
inundaram nossas almas ante que o pensamento de que nós temos um filho no céu, onde intercede por nós e pelas Equipes de Nossa Senhora, a quem sempre quis.
Fevereiro de 1966
HENRI CAFFAREL