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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

REGRA DE VIDA

Anotações de uma equipista, em 1954, ouvindo palestra proferida pelo Pe. Caffarel sobre a Regra de Vida


Finalidade da Regra de Vida: 
Fazer com que Deus seja soberano na vida dos nossos lares. É isto uma obrigação. Nossa vocação sobrenatural consiste na caridade que nos une a Jesus Cristo e nos conduz até o Pai.

Ao pensar na Regra de Vida, considerar: 

Do que nos devemos desembaraçar, para não apagar a vida de Deus em nós? 
Alimentamos suficientemente esta vida? 
Exercitar-se em amar e servir a Deus. 
Nenhum de nós vai se exercitar, na prática, em todas as virtudes ao mesmo tempo. 
Cada um de nós deve ter a sua estratégia pessoal, com percepção de certos detalhes. 
Não confundir programa de vida (comunhão, orações, leituras, deveres) com os pontos particulares deste programa, sobre os quais é preciso fazer um esforço especial. 
Praticar determinada virtude para não permitir o desequilíbrio na vida. 
Esforços bem determinados.


Como organizar uma Regra de Vida? 
Principalmente, interrogar o Senhor.


Quando estabelecer a Regra de Vida? 
Em momentos em que tenhamos a possibilidade de rever a nossa vocação cristã.

Qual deve ser o conteúdo da Regra de Vida? 
Regra de Vida é pessoal: 
Orientação geral: abandono à providência. Dizer sim a Deus. Caridade. Exemplos: 
- A importância de ver no próximo que abordamos, um membro de Cristo (ver os trabalhadores, não como braços, mas como homens criados por Deus). 
- Pode-se fazer Regra de Vida comum aos dois cônjuges. 
- Fisionomias sorridentes. O sorriso, quaisquer que sejam as circunstâncias, por mais que custe... 
Incluir a oração na própria vida (por exemplo, um médico que, entre duas consultas, faz dois minutos de recolhimento: a acolhida aos doentes fica assim beneficiada). 
- Esforços também no plano natural; A graça se apóia sobre a natureza.

Primeira qualidade de uma Regra de Vida: 
Escrita e curta. Fixar o essencial. 


Regra de Vida mínima: impor-nos um mínimo abaixo do qual nunca deveremos descer. 
Concretizar. Nada significa dizer apenas “devo ser mais caridoso”. Descer até os detalhes (por exemplo, a falta de pontualidade que leva ao ener­vamento e, conseqüentemente, à falta de caridade).

Quando pensar na Regra de Vida? 
Todos os dias, no fim da oração. Controlar a sua execução, por exemplo, por ocasião do exame de cons­ciência diário. 
Observar a Regra de Vida por amor a Deus. 


Por que não se auxiliariam, marido e mulher, em praticar a Regra de Vida? 
No Dever de Sentar-se, troca de idéias franca sobre a prática da Regra de Vida (Haverá entretanto pontos sobre os quais poder-se-á não falar ao cônjuge). 
Pode haver troca de idéias sobre a Regra de Vida, na própria equipe.


A revisão da Regra de Vida: 
Cuidar da Regra de Vida, como o jardineiro cuida do jardim. 
Saber fazer a sua revisão, quando é pouco precisa. Saber refundi-la, se por acaso era por demais pretensiosa... 
Adaptá-la também ao tempo litúr­gico (Quaresma, Advento...).


Perigos a evitar na Regra de Vida: 
A Regra de Vida não convém da mesma maneira a todos os temperamentos. Cada qual deve escolher uma Regra de Vida “sob medida”. 
A Regra de vida deve nos impor um mínimo de exigências. 
Desconfiar de uma vida feita de regulamentos. O Cristianismo não é uma religião de regras, mas de caridade. 
Se quiserdes fazer comparações é com Cristo que devereis vos comparar. 
Cuidar para que o espírito não seja abafado pela letra. 
Desconfiar do formalismo.



Extraído da Carta Mensal de agosto de 1954

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Padre Caffarel, “Não há vida sem exigência”!

Fonte: tema de estudo 2018, pagina 124

O Padre Caffarel, em seu texto intitulado “Não há vida sem exigência”, aborda o tema de viver com verdade nosso encontro com Jesus para a situação concreta de nossa reunião de equipe.

(Texto publicado na revista L’Anneau d’Or; maio-agosto 1956).

“UMA REUNIÃO DE EQUIPE que não seja desde o princípio um esforço em comum para encontrar Jesus, é algo muito diferente de uma reunião de uma Equipe de Nossa Senhora. Ser exigente, com uma exigência amorosa, não é tanto deleitar-se com os defeitos do outro (todo professor sabe bem) quanto favorecer no coração, como se atiça uma chama, o crescimento na entrega a Deus e ao próximo...

Enfim, que vosso amor seja paciente, com essa paciência camponesa que confia nas estações.

 Então vosso amor exigente dará seus frutos.
´Teu amor sem exigência me diminui; a tua exigência sem amor me revolta; teu amor exigente me engrandece`.

Quando os casais se exercitam no amor fraterno, pouco a pouco, seu coração se engrandece. E, progressivamente,seu amor conquista a casa, o bairro, o país... até chegar aos mais distantes lugares...
Onde os cristãos se amam, ali está a Igreja. Com a condição de que esta pequena comunidade se sinta parte da Igreja, dedicada ao serviço da Igreja.

O poder de intercessão dos cristãos quando estão reunidos é enorme. O amor fraternal tem uma fecundidade excepcional. Perto dele, o mal se retira e o deserto floresce.

Uma comunidade fraterna é um sinal de Deus para os homens. É sua mensagem mais importante, o que revela a vida íntima de Deus, sua vida trinitária. Não há discurso mais eloquente sobre Deus e ao mesmo tempo mais persuasivo que o espetáculo dos cristãos que “são um”, como o Pai e o Filho são um.

Que esta seja, pois, vossa obsessão: Fazer de vossa equipe um êxito de caridade.”

(Henri Caffarel)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O SENTIDO DA LIGAÇÃO . ENS

fonte:EQUIPES DE NOSSASENHORASUPER-REGIÃO BRASILII SESSÃO DE FORMAÇÃONACIONAL2015 

O SENTIDO DA LIGAÇÃO 



No início do Movimento, não havia CL na França: o próprio Pe.Caffarel reunia-se com frequência com os CR das primeiras equipes (os “chefes de grupo”, pois só mais tarde os grupos adquiriram o nome de “equipes”) e a cada dois meses reunia-os todos entre si. Somente em 1947, quando da promulgação da Carta das Equipes de Nossa Senhora, foram instituídos os “Casais de Ligação”, com o objetivo de ajudar os CRS a acompanhar o número crescente de equipes; eles eram então escolhidos entre os membros das primeiras equipes. 

Assim aconteceu também no Brasil. Depois da primeira troca de correspondência entre Pedro Moncau e o Pe. Caffarel, um “casal de ligação” passou a orientá-lo, mandando-lhe detalhadas cartas. Gérard d’Heilly e Madeleine eram ninguém menos que um dos quatro casais que haviam iniciado “juntos”, com o Pe. Caffarel, a procura da vontade de Deus sobre o casamento. Sucederam-lhe vários CL. Era Pedro Moncau que orientava, como fazia o Pe. Caffarel, as equipes à medida que aqui se formavam, encontrando-se mensalmente com os CR. Com o aumento do número de equipes, ele passou a recorrer aos membros da Equipe 2 (todos eles de excelente formação) para fazer a ligação com elas. Somente em 1999, com a divisão em 7 Províncias, o Brasil adquiriu oficialmente o status de SuperRegião, ou seja, a autonomia completa - mas nem por isso a história da ligação terminou: E o Casal Responsável da Super-Região, embora ela seja totalmente autônoma, está “ligado” em nível de ERI - Equipe Responsável Internacional - a um casal membro da mesma encarregado de uma das Zonas, no caso do Brasil a Zona América (é um casal brasileiro, o penúltimo CR da nossa Super-Região, Graça e Roberto). 

 O que é ligar? Do latim: Ligare, que significa unir, aproximar, combinar, vincular o seu destino ao de outrem, prestar atenção, relacionar-se, formar aliança. É importante salientar que cada um de nós, casais presentes nesta Formação, exercemos uma função de Ligação. 

Unir, misturar, combinar. Nós podemos começar por olhar para a ligação à luz das cartas pastorais de São Paulo às primitivas comunidades cristãs, como por exemplo, as epístolas a Tito e a Timóteo. Nos escritos do Apóstolo Paulo ele faz apelo aos seus discípulos para ir ao encontro das comunidades assegurando a ligação com o fim específico de preservar a unidade. São Paulo trabalha para ajudar as diferentes comunidades a viver a mesma fé e o mesmo espírito. Ele quer que todas as situações novas e todas as dificuldades encontradas sejam no único espírito de caridade e de Paz. 

Ele insiste que as comunidades cristãs promovam uma verdadeira partilha de vida, feita de humildade e de amor, num clima de confiança, de amizade e de atenção de uns para com os outros. Esta mesma necessidade de ligação e de comunicação na Igreja primitiva sentida entre nós. Seguramente o Padre Caffarel quis aplicar às ENS um método parecido ao do Apóstolo Paulo e teve a mesma preocupação de manter um forte vínculo com os casais das equipes. Foi à primeira estrutura de serviço criada pelo nosso Movimento, antes mesmo do Setor, que surge em 1951. 

À medida que o Movimento crescia e se expandia não era mais possível ao Padre Caffarel, nem aos responsáveis do Movimento, nem aos responsáveis de Setor, manter um estreito laço entre eles todos. LER O SLIDE Somos todos ligações. Cada casal de Super-Região liga suas Províncias, ou suas regiões. Os Casais Responsáveis Regionais por sua vez, ligam os Casais Responsáveis do Setor. Até mesmo o Casal Responsável Internacional, Tó & Zé, exercem a Ligação entre o Movimento e a Santa Sé, no caso o Pontifício Conselho para os Leigos. 

As equipes do mundo são ligadas por quatro Casais ligação distribuídas em quatro grandes Zonas geográficas: Zona Centro Europa, Zona Eurásia, Zona Euráfrica e Zona América. (Casal brasileiro Graça e Roberto). O objetivo das zonas é desenvolver uma ligação e uma coordenação mais próximas, com sentido da missão, da unidade e da solidariedade para além das fronteiras nacionais. O objetivo da ligação é de favorecer a comunicação, ou seja, a transmissão da seiva e de permitir que todas as equipes vivam em estreito contato, primeiramente com o Movimento, mas o mesmo tempo entre elas próprias. 

Sentido vertical e horizontal. “UMA EQUIPE DE NOSSA SENHORA NÃO PODE VIVER NO ISOLAMENTO. O MOVIMENTO POSSUI UMA ORGANIZAÇÃO DESTINADA A COORDENAR, ANIMAR, LIGAR, APOIAR E SERVIR AS EQUIPES, E MANTER A UNIDADE”. GUIA DAS ENS A ligação e indispensável para a construção do espirito de comunidade e de unidade, para dar o senso de pertença ao Movimento e a fidelidade aos seus objetivos e carisma fundacional. (Guia das ENS). 

Os equipistas não pertencem tão somente à sua equipe , mas também ao movimento. Exercer uma função de ligação não é uma mera transmissão de comunicações, ou informação são casais portadores da sua própria vivência, é um verdadeiro anúncio da Boa Nova, ela tem uma dimensão de evangelização e de interpelação. 

Diversas situações que o equipista de base considera o casal ligação como o intruso, que vem fiscalizar e outras coisas, não há uma abertura para acolher o CL, deverá ser uma relação de confiança, de entreajuda e de alimento espiritual. Ele deverá receber uma formação adequada para cumprir sua missão.

 O Casal Ligação precisa estar atento à sua própria FORMAÇÃO para promover a dos outros casais sob sua responsabilidade. Não é um papel burocrático para transmitir informações vindas do setor. A utilização dos meios de comunicação não pode abolir e deve privilegiar a “Ligação pessoal e visual”. O contato e a comunicação dão vida e incentivo. É preciso buscar na ORAÇÃO a vontade de Deus para as ENS e procurar ajudar a todos os casais sob nossa responsabilidade a viverem o mais integralmente possível esta Vontade Divina. A ligação deve ser exercida com espírito de serviço e de humildade, de transmitir nossa experiência, mas também de estar disposto a aprender. 


O serviço de ligação decorre fortemente de espírito de colegialidade e corresponsabilidade que deve regular os trabalhos de uma equipe de Setor. A Ligação é indispensável para construir o espírito de comunidade no Movimento. E para que as ENS sejam uma equipe de equipes vivas o casal ligação tem que se transformar em elo dessa dinâmica.


 Bete e Carlos, CRP PROVÍNCIA LESTE 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A REGRA DE VIDA - carta mensal setembro 2017

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  O artigo desta edição é dirigido a todo equipista que não apenas escolheu, mas aposta e investe em seu matrimônio como caminho para a santidade. 
 
Padre Caffarel discerniu que, entre os maiores obstáculos ao amor conjugal e à evolução espiritual individual, está o egoísmo, que deve ser atacado com veemência. Esse mal, que tem o poder de destruir relacionamentos, está muito presente hoje, como consequência direta do avanço tecnológico, da crescente mentalidade de que precisamos a qualquer custo satisfazer nossos desejos e da noção do “cada um com seus problemas” ou “cada um por si, Deus por todos”.
 
 Porém, enquanto não entendermos, com a razão e a emoção, que o problema do outro diz respeito também a nós, não conseguiremos avançar muito. Se tomarmos as Sagradas Escrituras, veremos várias passagens que repudiam o egoísmo: “Disse o Senhor a Caim: ‘Onde está Abel, teu irmão?’ E ele respondeu: ‘Não sei. Acaso sou eu o guardador do meu irmão?’” (Gn 4,9) “Aquele, pois, que sabe o bem que deve fazer e não o faz, comete pecado.” (Tg 4,17) “...pois procuram atender os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo.” (Fp 2,21)
 
 Surge, então, a Regra de Vida, Ponto Concreto de Esforço que tem por objetivo promover a aproximação entre o ser humano e Deus, e também entre os próprios seres humanos, para ajudá-los a pautarem seus relacionamentos nos preceitos cristãos da caridade e fraternidade. Este PCE consiste, essencialmente, na escolha de uma atitude (ou a abstinência dela) que seja útil no combate ao egoísmo e/ou auxilie no exercício da caridade. 
 
 
Note-se que egoísmo e caridade são conceitos que não se restringem apenas a bens materiais. Seja a Regra realizada individualmente, em casal ou em equipe, o resultado sempre será o aprimoramento espiritual no sentido de se desenvolver a ascese e aniquilar o egoísmo, e isso é um desejo do coração do Pai. Na Bíblia encontramos as seguintes passagens: “Cada um cuide não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Fp 2,4) “Compartilhem o que vocês têm... pratiquem a hospitalidade.”. (Rm 12,13) “Em tudo vos mostrei que é afadigando-nos assim que devemos ajudar os fracos, tendo presentes as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais felicidade em dar que em receber’.” (At 20,35)
 
 Sejamos, portanto, fiéis ao cumprimento deste PCE, pois ele nos conduz à unidade ensinada por Cristo. 
 
Equipe da Carta Mensal

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Rabiscos do capítulo 6 tema de estudos ENS 2017 - "Educar para a Fé!"



Devemos aprender como Jesus educava para a fé, como ele conduzia à fé os
homens e as mulheres que encontrava nas estradas da Palestina, para nos
tornarmos nós próprios mais confiáveis no educar para a fé.

Jesus sabia não ter preconceitos, sabia criar um espaço de confiança e de
liberdade onde o outro pudesse entrar sem ter medo e sem se sentir julgado.
Nas estradas, ao longo das praias, nas casas, nas sinagogas, Jesus criava um
espaço de acolhimento entre si próprio e o outro que se aproximava dele ou
que o procurava; colocava-se sobretudo à escuta do outro, procurando
perceber o que lhe ia no coração, qual era a sua necessidade.


 Quando Jesus encontrava o outro, encontrava-o como homem, não como pecador, ou doente, ou pobre. Jesus cuidava do homem como um todo e procurava a fé presente no outro porque sabia que a fé é um ato pessoal a que cada um deve aderir em liberdade: ninguém pode acreditar em vez do outro. Através da sua presença de homem confiável e acolhedor Jesus tornava possível a fé, fazendo-a emergir simplesmente pelo facto de estar ali para o outro” (E.Bianchi – La pedagogia di Gesù nell’educare alla fede).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Vivência de Caffarel nas Equipes de Nossa Senhora - SESSÃO FORMAÇÃO

II SESSÃO DE FORMAÇÃO NACIONAL 2015



A nossa intenção não é evidentemente fazer um relato minucioso da forma como o Padre Caffarel vivia e sentia o nosso Movimento, contudo parece-nos útil destacar alguns aspectos essenciais daquilo que Henri Caffarel trouxe às equipas, pelo ensinamento deixado nos seus numerosos escritos que nos falam desde a criação das ENS, à sua animação, missão e expansão no mundo.

Ele próprio, quando olhava para o passado, cuidava de retirar lições para os passos seguintes. É o que
nos cumpre fazer nesta sessão de Formação, onde falar da vivencia nas ENS pode vir a ser uma ajuda
para todos os que a frequentam, baseada no testemunho deixado e legado pelo Padre Caffarel.

Prometemos deixar-vos o resultado de tudo quanto esta palestra nos obrigou a fazer, tentando sempre ser fieis ao espírito do nosso Movimento, não esquecendo contudo as sábias palavras deixadas pelo Padre Caffarel quando os casais o procuravam no principio e lhes pediam que indicasse o Caminho, ele respondia com grande sabedoria “Procuremos juntos”.

Foi em 1938, a pedido de alguns jovens casais, que o Padre Caffarel começou a discernir as bases de uma espiritualidade para os casais.

A espiritualidade era correntemente considerada como uma especialidade dos religiosos, celibatários,
enquanto o casamento era mais ou menos depreciado.
Podemos também dizer que a sexualidade era, na maior parte mais das vezes, compreendida como uma espécie de concessão inevitável para a procriação e para apaziguar o desejo, não sendo o seu sentido cristão nada explorado.

Henri Caffarel impulsiona os casais que se lhe juntaram a prosseguir o seu caminho quando lhes diz que os leigos devem “ definir bem quais são os seus meios e os seus métodos, porque isso constituirá a espiritualidade do cristão casado” (Conferência aos responsáveis de Equipas, 1952).
Ao lermos e estudarmos os seus editoriais das Cartas das Equipas e tudo quanto nos deixou escrito nos primeiros anos, descobrimos que em Junho de 1950, por exemplo, Caffarel apresenta talvez a primeira definição de espiritualidade: «A espiritualidade é a ciência que trata da vida cristã e dos caminhos que conduzem ao seu pleno desenvolvimento.»

Pouco depois, o Padre Caffarel vai concretizar a sua ideia e diz aos casais que procuram construir a sua espiritualidade, que não se trata de se evadirem do mundo, mas de aprenderem como, a exemplo de Cristo, podem servir Deus em toda a sua vida e no meio do mundo.

É-lhes necessário então descobrir que a espiritualidade não diz respeito apenas à oração ou à ascese, mas que ela implica o serviço a Deus no lugar de cada um, na família, no trabalho, na cidade, no mundo.

Caffarel continua o seu discernimento e coloca-nos de imediato a sua reflexão sobre o amor, sobre os
laços estreitos entre o amor de Deus e o amor humano e deixa-nos uma preciosa orientação para
começarmos no nosso caminho para a santidade.

O amor humano é a referência que nos ajuda a compreender o amor divino.

Pelo seu poder de fazer de dois seres, um único, salvaguardando a personalidade de cada um, o amor
permite-nos adquirir a compreensão da misteriosa união de Cristo com a humanidade e do casamento
espiritual da alma com o seu Deus.» (Reflexões sobre o amor e a graça, p. 44)
Chegamos ao cerne do carisma do nosso Movimento: a partir da experiência vivida do amor no casal,
podemos descobrir o amor de Deus, a sua fidelidade, o seu desejo do nosso bem – ao mesmo tempo que os cônjuges desejam a felicidade um do outro, no plano humano e sobre o plano do desenvolvimento religioso; sem esta dupla dimensão, o seu amor permaneceria imperfeito, Caffarel diz mesmo, mutilado.

E o Padre Caffarel propõe-nos as Orientações de Vida, os Pontos Concretos de Esforço e a Vida de
Equipe como meios de aperfeiçoamento no caminho para a santidade.
Pede então aos casais que se formem na procura de Deus. O objectivo é radical. Caffarel nunca gostou de águas mornas. Por exigência espiritual, ele entende que tudo nos deve levar a Deus.
Um aspecto que não deve ser negligenciado naquilo a que o Padre Caffarel chama a “via mística” do
casal cristão, é o sentido do pecado e do perdão de Deus.

É essencial que quando sobrevêm as opacidades de um para com o outro, as incompatibilidades e as
formas diversas do mal que divide, os esposos cristãos devem reconhecer-se como pecadores.
Os fracassos do amor levam a tomar consciência de que o amor tem necessidade de ser salvo. Caffarel termina um parágrafo intitulado Comunidade pecadora, arrependida e perdoada, da sua obra
“Casamento, esse grande Sacramento”, por estas palavras: « Se, consentindo na cruel descoberta [de
serem pecadores], a comunidade conjugal se torna por fim comunidade penitente na grande
comunidade penitente da Igreja e recorre ao seu Senhor, do qual ela não quer pôr em causa a
presença e a solicitude, então, abrindo-se ao perdão, ela renascerá para a esperança. »

Tó e Zé CR ERI

Continua........


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Papa Francisco: suportar com paciência as fraquezas do próximo


Papa na Audiência Geral de 16 de novembro de 2016 - REUTERS
16/11/2016 10:48
Cidade do Vaticano (RV) – Quarta-feira é dia de Audiência Geral no Vaticano. Na Praça S. Pedro, cerca de 25 mil fiéis e peregrinos ouviram o Papa Francisco falar de uma obra de misericórdia que todos conhecem, mas que dificilmente se coloca em prática: suportar com paciência as fraquezas do próximo.
 
“Com grande facilidade, sabemos reconhecer a presença de pessoas que podem nos incomodar. Logo pensamos: por quanto tempo deverei ouvir as lamentações, as fofocas, os pedidos ou os triunfos desta pessoa?”, questionou o Papa, recordando que na maioria das vezes são pessoas próximas a nós, como parentes e colegas de trabalho.
Na Bíblia, Deus nos ensina a ser pacientes e misericordiosos, como Ele mesmo o foi com o povo hebreu que se lamentava contra Ele durante o Êxodo, ou como Jesus que, aos Apóstolos tentados pelo poder e pela inveja, procurava, com muita paciência, fazer-lhes enxergar aquilo que era o essencial na sua missão.
Exame de consciência
É fácil falar dos defeitos dos outros, disse o Papa, mas nós fazemos um exame de consciência para ver se somos nós que importunamos?
Neste sentido, são importantes também outras duas obras de misericórdia: ensinar os ignorantes e corrigir os que erram. “Penso por exemplo nos catequistas – entre os quais as muitas mães e religiosas – que dedicam tempo para ensinar às crianças os elementos basilares da fé. Quanto esforço, sobretudo quando os jovens preferiram brincar ao invés de ouvir o catecismo!”
Acompanhar na busca do essencial é belo e importante, disse o Papa, porque nos faz compartilhar a alegria de saborear o sentido da vida. Diante de pessoas que buscam satisfações imediatas e efêmeras, é muito importante saber dar conselho, admoestar e ensinar.  
Evitar as tentações da inveja, ambição e adulação
Para Francisco, ensinar a descobrir o que o Senhor quer de nós e como podemos corresponder significa colocar-se no caminho para crescer na própria vocação e evitar de cair na inveja, na ambição e na adulação – tentações sempre à espreita inclusive entre os cristãos.
Todavia – advertiu o Pontífice –, aconselhar, admoestar e ensinar não nos devem fazer sentir superiores aos outros, mas nos obriga a olhar para nós mesmos para verificar se somos coerentes com aquilo que pedimos aos outros.
“Não nos esqueçamos das palavras de Jesus, concluiu o Papa: ‘Por que olha para o cisco no olho do irmão, ignorando a trave que está no seu? Que o Espírito Santo nos ajude a ser pacientes em suportar e humildes e simples ao aconselhar.”
Infância e Adolescência
Depois de sua catequese, o Pontífice recordou que no próximo domingo, 20 de novembro, celebra-se o Dia Mundial dos direitos da infância e da adolescência.
“Faço um apelo à consciência de todos, instituições e famílias, para que as crianças sejam sempre protegidas e o seu bem-estar, tutelado, para que jamais caiam em formas de escravidão, recrutamento em grupos armados e maus-tratos. Faço votos de que a comunidade internacional possa proteger suas vidas, garantindo a cada menino e menina o direito à escola e à educação, para que seu crescimento seja sereno e olhem com confiança para o futuro.” 
16/11/2016 10:48