sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

2ª Pregação do Advento: “O Espírito Santo e o discernimento"


Segunda pregação de Advento do Padre Raniero Cantalamessa - ANSA
09/12/2016 10:17
Cidade do Vaticano (RV) - O Papa iniciou suas atividades, na manhã desta sexta-feira (09/12), participando, na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, da segunda pregação do Advento do Frei Raniero Cantalamessa, que continuou suas reflexões sobre o tema: “Bebamos, sóbrios, a embriaguez do Espírito”.
Em sua segunda meditação, em preparação ao Santo Natal, o Pregador oficial da Casa Pontifícia refletiu sobre “O Espírito Santo e o carisma do discernimento”, em continuação do tema da obra do Espírito Santo na vida do cristão: "discernimento dos espíritos".
Originalmente, este termo tem um significado muito específico: indica o dom que permite distinguir, entre as palavras inspiradas ou proféticas, pronunciadas durante uma assembleia, as que vêm do Espírito de Cristo das que vêm de outros espíritos, ou seja, do espírito do homem, do espírito demoníaco ou do espírito do mundo.
Desta maneira, o Frei Capuchinho aprofundou esta temática, dividindo-a em três partes: “O discernimento na vida eclesial, o discernimento na vida pessoal e deixar-se guiar pelo Espírito Santo”.
Devemos ter confiança na capacidade do Espírito, disse Cantalamessa, recordando que “todas as vezes que os pastores das Igrejas cristãs, em nível local ou universal, se reúnem para fazer discernimento ou tomar decisões importantes, deveriam ter no coração a confiante certeza da presença do Espírito Santo”.
O “discernimento na vida pessoal” ou das próprias inspirações. Por meio do dom ou do conselho, o Espírito Santo ajuda a avaliar as situações e orientar as escolhas, não apenas com base em critérios de sabedoria e prudência humanas, mas também à luz dos princípios sobrenaturais da fé.
O perigo de algumas formas modernas de entender e praticar o discernimento é enfatizar os aspectos psicológicos, esquecendo que o agente principal de todo discernimento é o Espírito Santo. O discernimento não é uma arte ou uma técnica, mas um carisma, um dom do Espírito!
Além da escuta da Palavra, a prática mais comum para exercer o discernimento em nível pessoal é o exame de consciência, que não deveria ser limitado somente à preparação da confissão, mas tornar-se uma capacidade constante de colocar-se sob a luz de Deus e deixar-se “perscrutar” no íntimo por ele.
Enfim, “deixar-se guiar pelo Espírito Santo” deve ser uma decisão renovada de confiarmos na orientação interior do Espírito Santo, como por uma espécie de "direção espiritual". O próprio Jesus nunca fez nada sem o Espírito Santo: ao retornar do deserto, mediante o poder do Espírito Santo, começou a sua pregação, escolheu os seus apóstolos e se ofereceu ao Pai.
Padre Raniero Cantalamessa concluiu sua reflexão pedindo ao Paráclito para dirigir a nossa mente e toda a nossa vida! (MT)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Papa: "Só a esperança cristã não desilude. Só ela dá o sorriso"


Francisco circundado pelos fiéis na audiência desta quarta (07/12) - AP
07/12/2016 09:43
Cidade do Vaticano (RV) -  A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira (07/12) foi a primeira de uma nova série dedicada à ‘esperança cristã’, que não desilude.
 
Na Sala Paulo VI para o tradicional encontro semanal com os fiéis, o Pontífice anunciou o tema dizendo que muitas vezes, hoje, diante de tanto mal, tantas dores e violências, nos sentimos desencorajados e impotentes e portanto, a esperança se faz necessária. “Deus, com o seu amor, caminha conosco, não nos deixa sós; o Senhor Jesus venceu o mal e nos abriu o caminho da vida”, iniciou Francisco, completando: "Eu espero porque Deus caminha comigo".
Convidando os fiéis a refletirem sobre a esperança, o Papa leu as palavras de Isaías, o grande Profeta do tempo do Advento, que se dirige ao povo com um anúncio de consolação:
“Consolai, consolai o meu povo!”,
diz o vosso Deus.
Falai ao coração de Jerusalém, anunciai-lhe:
seu cativeiro terminou, sua culpa está paga,
da mão do Senhor já recebeu
por suas faltas o castigo dobrado.
Grita uma voz:
“No deserto abri caminho para o Senhor!
No ermo rasgai estrada para o nosso Deus!
Todo vale seja aterrado,
toda montanha, rebaixada,
para ficar plano o caminho acidentado
e reto, o tortuoso.
A glória do Senhor vai, então, aparecer
e todos verão que foi o Senhor quem falou!”.
O Pontífice explicou que Deus consola evocando consoladores, a quem pede para tranquilizar o povo e anunciar que acabaram as tribulações e as dores e que o pecado foi perdoado: é isso que cura o coração aflito e assustado. Por isso, o Profeta pede para preparar o caminho ao Senhor, abrindo-se aos seus dons de salvação.
O que significava isso? Para aquele povo, que estava exilado na Babilônia, a consolação começava com a possibilidade de atravessar o deserto, uma estrada cômoda, sem vales e montanhas, e retornar à sua pátria.  
“Preparar aquela estrada era preparar um caminho de salvação e libertação de todo obstáculo e impedimento”.
O exílio havia sido um momento dramático na história de Israel; o povo perdeu tudo: pátria, liberdade, dignidade e confiança em Deus. Se sentia abandonado e sem esperança, quando o apelo do Profeta reabriu seu coração à fé.
“O deserto é um lugar em que é difícil viver, mas a partir de agora, será possível caminhar, voltar para a pátria, retornar a Deus; e principalmente esperar e sorrir. Uma das primeiras coisas que acontecem primeiro com quem se separa de Deus é que perdem o sorriso. Às vezes são capazes de fazer grandes risadas, mas falta o sorriso. só a esperança dá o sorriso"improvisou.
A vida é muitas vezes um deserto, é difícil caminhar dentro, mas se confiarmos em Deus pode ser bela e ampla, como uma avenida. Basta não perder jamais a esperança mas continuar a crer, sempre, apesar de tudo”.
Prosseguindo na catequese, Francisco lembrou que estas palavras de Isaías foram também usadas por João Batista na pregação em que convidava à conversão:
“Voz de quem clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele”.
Aquela voz, disse o Papa, gritava aonde ninguém podia ouvi-la, no vazio devido à crise de fé. Os Israelitas viviam como exilados, osb a dominação romana, estrangeiros em seu próprio país. Mas a verdadeira história não é feita pelos poderosos, mas por Deus, com seus pequenos: Zacarias e Isabel, idosos e estéreis; Maria, jovem virgem prometida a José, os pastores, desprezados: são os pequenos que se tornaram grandes pela fé, os pequenos que sabiam continuar a esperar. A esperança é uma virtude dos pequenos.
Enfim, o Papa concluiu:
“São eles que transformam o deserto do exílio, da solidão, do sofrimento, em um caminho plano no qual caminhar em direção da glória do Senhor. Seja qual for o deserto de nossas vidas, se deixarmos que nos ensinem a esperança, ele se transformará num jardim florido”.
Corrupção e direitos humanos, realidades relacionadas
 
Nos próximos dias, as Nações Unidas promovem duas importantes Jornadas, que o Papa quis lembrar depois da catequese da audiência geral, na Sala Paulo VI:
“O Dia contra a corrupção – 9 de dezembro – e o Dia dos Direitos Humanos – 10 de dezembro. São duas realidades estritamente relacionadas: a corrupção é o aspecto negativo a ser combatido, começando pela consciência pessoal e controlando os âmbitos da vida civil; os direitos humanos são o aspecto positivo, a ser promovido com decisão, para que ninguém seja excluído do reconhecimento efetivo dos direitos fundamentais da pessoa humana. Que o Senhor nos ampare neste duplo compromisso”. 
Após as saudações aos grupos de peregrinos, o Papa terminou o encontro com a bênção apostólica.
(cm)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nossos irmãos equipistas de BH, Minas Gerais!

Rose, eu e o Jorge

Rose, Jorge e a Alana

Em atividade profissional na cidade de Belo Horizonte durantes estes dias, tivemos a grata oportunidade de encontrar o Jorge e a Rose. Irmãos equipistas que acolheram os amigos Nilton e seu filho Leonardo que precisava fazer exames no Hospital Sarah Kubitschek , mas não tinham aonde se hospedar. Este fato ocorreu a 7 anos, mas sempre queríamos agradecer pessoalmente este grande gesto de testemunho, que muito fortalece nosso movimento.
alexandre e alana
Foi possível agradecer na noite de 30 de novembro, quando nos acolheram em sua residência e ainda conhecer sua animada equipe, reunida para rezar o terço!
Obrigado amigos, Deus os abençoe e até a volta a BH, quando Deus quiser.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Papa Francisco: suportar com paciência as fraquezas do próximo


Papa na Audiência Geral de 16 de novembro de 2016 - REUTERS
16/11/2016 10:48
Cidade do Vaticano (RV) – Quarta-feira é dia de Audiência Geral no Vaticano. Na Praça S. Pedro, cerca de 25 mil fiéis e peregrinos ouviram o Papa Francisco falar de uma obra de misericórdia que todos conhecem, mas que dificilmente se coloca em prática: suportar com paciência as fraquezas do próximo.
 
“Com grande facilidade, sabemos reconhecer a presença de pessoas que podem nos incomodar. Logo pensamos: por quanto tempo deverei ouvir as lamentações, as fofocas, os pedidos ou os triunfos desta pessoa?”, questionou o Papa, recordando que na maioria das vezes são pessoas próximas a nós, como parentes e colegas de trabalho.
Na Bíblia, Deus nos ensina a ser pacientes e misericordiosos, como Ele mesmo o foi com o povo hebreu que se lamentava contra Ele durante o Êxodo, ou como Jesus que, aos Apóstolos tentados pelo poder e pela inveja, procurava, com muita paciência, fazer-lhes enxergar aquilo que era o essencial na sua missão.
Exame de consciência
É fácil falar dos defeitos dos outros, disse o Papa, mas nós fazemos um exame de consciência para ver se somos nós que importunamos?
Neste sentido, são importantes também outras duas obras de misericórdia: ensinar os ignorantes e corrigir os que erram. “Penso por exemplo nos catequistas – entre os quais as muitas mães e religiosas – que dedicam tempo para ensinar às crianças os elementos basilares da fé. Quanto esforço, sobretudo quando os jovens preferiram brincar ao invés de ouvir o catecismo!”
Acompanhar na busca do essencial é belo e importante, disse o Papa, porque nos faz compartilhar a alegria de saborear o sentido da vida. Diante de pessoas que buscam satisfações imediatas e efêmeras, é muito importante saber dar conselho, admoestar e ensinar.  
Evitar as tentações da inveja, ambição e adulação
Para Francisco, ensinar a descobrir o que o Senhor quer de nós e como podemos corresponder significa colocar-se no caminho para crescer na própria vocação e evitar de cair na inveja, na ambição e na adulação – tentações sempre à espreita inclusive entre os cristãos.
Todavia – advertiu o Pontífice –, aconselhar, admoestar e ensinar não nos devem fazer sentir superiores aos outros, mas nos obriga a olhar para nós mesmos para verificar se somos coerentes com aquilo que pedimos aos outros.
“Não nos esqueçamos das palavras de Jesus, concluiu o Papa: ‘Por que olha para o cisco no olho do irmão, ignorando a trave que está no seu? Que o Espírito Santo nos ajude a ser pacientes em suportar e humildes e simples ao aconselhar.”
Infância e Adolescência
Depois de sua catequese, o Pontífice recordou que no próximo domingo, 20 de novembro, celebra-se o Dia Mundial dos direitos da infância e da adolescência.
“Faço um apelo à consciência de todos, instituições e famílias, para que as crianças sejam sempre protegidas e o seu bem-estar, tutelado, para que jamais caiam em formas de escravidão, recrutamento em grupos armados e maus-tratos. Faço votos de que a comunidade internacional possa proteger suas vidas, garantindo a cada menino e menina o direito à escola e à educação, para que seu crescimento seja sereno e olhem com confiança para o futuro.” 
16/11/2016 10:48

Falece o Irmão Antônio Cecchin, aos 89 anos

Faleceu na manhã desta quarta-feira (16/11), no Hospital São Lucas da PUCRS, aos 89 anos, o Irmão Antônio Cecchin. Vítima de falência múltipla de órgãos, o Irmão estava internado para o tratamento de uma fratura na bacia.
O Irmão tinha 73 anos de Vida Religiosa Marista e era reconhecido pelo seu expressivo engajamento social e político, sobretudo a movimentos ligados à ecologia. O velório será realizado hoje, a partir das 14h, na Capela da Casa São José, em Viamão,  onde, às 17h30min, haverá Missa de corpo presente, seguida de sepultamento, no Cemitério Marista de Viamão.
Natural de Santa Maria, o Irmão ingressou na congregação em 1937, na Capital, onde também realizou seus primeiros votos religiosos, em 1944. Conhecido como um profeta da ecologia, ele ajudou a fundar inúmeros grupos ligados à ação pastoral e ecológica. Era formado em Letras Clássicas e em Ciências Jurídicas e Sociais. Recentemente, em uma entrevista para o Instituto Humanitas Unisinos, citou que "Deus só tem um lado, o dos pobres".
Foi militante de movimentos sociais, organizou catadores de lixo e cooperativas de reciclagem e fundou diversos organismos, como a Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul (CPT-RS), a Pastoral da Ecologia, a ONG Caminho das Águas e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Foi também o criador da Romaria da Terra e da Romaria das Águas. Nos últimos anos desenvolveu atividades pastorais nas periferias da região metropolitana de Porto Alegre, foi assessor de Comunidades Eclesiais de Base, de catadores e de recicladores, e coordenou o Comitê Sepé Tiaraju e a Pastoral da Ecologia do Regional Sul III da CNBB. Foi autor de muitos artigos e escreveu o livro Empoderamento Popular: Uma pedagogia de libertação (Porto Alegre: Estef, 2010). Sobre ele foi publicada a obra Profeta da Ecologia.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Agulha e a linha






Nós adoramos apontar onde os outros deveriam mudar

Um conto dos padres do deserto diz que certo monge, vendo a morte chegar, pediu aos seus companheiros que lhe trouxessem a chave do céu: queria morrer agarrado a ela. Um companheiro saiu correndo e lhe trouxe a Bíblia, mas não era isso que o agonizante queria.



Outro teve a ideia de trazer a chave do sacrário, também não deu certo. Foi então que alguém que conhecia melhor o doente foi buscar agulha e linha. Agarrado a esses objetos prosaicos, o irmão passou mais tranquilo para a vida eterna. Era o alfaiate da comunidade:



sua chave para o céu era a atividade diária, carinhosamente realizada para servir aos seus irmãos.




A historinha nos leva a entender que o trabalho cotidiano do monge foi a sua verdadeira chave para entrar no céu. Com certeza, ele também devia ter rezado muito, meditado bastante, talvez jejuado nos dias certos e cultivado algumas dezenas de outras virtudes. No entanto, ele sabia muito bem que tudo dependia de como ele havia exercido o seu maior serviço na comunidade.
O caminho da santidade pode passar por momentos extraordinários, gestos de heroísmo, façanhas memoráveis; porém, passa, em primeiro lugar, por aquilo que fazemos bem ou mal no dia a dia. Todos nós reconhecemos que, em nossa vida, é muito mais pesado o dever cotidiano do que alguns momentos de esforço, difíceis, sim, mas passageiros.




É por isso que João Batista, o precursor, deu respostas diferentes para os diversos grupos de pessoas que lhe perguntavam: “O que devemos fazer?” Todos deviam partilhar o que estava sobrando de suas roupas e de sua comida. A solidariedade com os necessitados e carentes é o primeiro passo para iniciar uma nova vida. Sem desprendimento não há verdadeira conversão. Depois o profeta do deserto apontou escolhas diferentes para os cobradores de impostos, que extorquiam o povo, e para os soldados que deviam aproveitar demasiadamente da sua força e das suas armas. Significa que cada um deles, naquele tempo, como também nós, hoje, devemos encontrar o nosso próprio caminho de conversão, a partir do lugar onde estamos.
No entanto, nós adoramos apontar onde os outros deveriam mudar e o que deveriam fazer para dar certo. Mais uma vez é muito mais fácil criticar os outros ou declarar como nos comportaríamos se estivéssemos no lugar deles do que começar a corrigir e a



melhorar a nossa própria vida.




Os exemplos não faltam. Muitos sabem perfeitamente o que eles fariam se fossem o presidente ou o governador. No entanto, poderiam começar a cuidar melhor das suas famílias e dos seus negócios. Mal conseguem administrar os seus lares; o que fariam se tivessem maior responsabilidade? Não muito diferente acontece na Igreja também. Quem nunca quis dar conselhos ao padre, ao bispo e ao Papa? Com toda razão, talvez, mas nem sempre quem distribui sentenças aplica os mesmos critérios para si mesmo. Com isso não quero dizer que não podemos mais falar ou criticar. Ao contrário, a correção fraterna é evangélica e salutar entre amigos e irmãos. Quando, porém, a crítica é estéril, ou é a descarga de mágoas, invejas e frustrações, ela não serve nem para quem a recebe nem para quem a dispara.




De acordo com nossas responsabilidades, cada um de nós tem muito a melhorar, simplesmente procurando cumprir bem o que se supõe seja o seu dever, ou, ao menos, o seu trabalho cotidiano. Assim os pais poderiam caprichar mais na educação dos seus filhos. Os educadores deveriam ensinar mais humanidade e amor à vida própria e à dos outros. Quem julga, deveria julgar com justiça. Quem administra, fazê-lo com mais honestidade e lisura. Quem comunica, buscar a verdade e não o seu próprio interesse. Quem deve evangelizar também deveria fazê-lo com alegria, entusiasmo e competência, deixando de lado outras preocupações.
Todos precisamos nos agarrar mesmo às “agulhas” e às “linhas” de nossas vidas. Fazer bem o que está ao nosso alcance, no dia a dia, sempre será a melhor chave para entrar no Reino do Céu. Se isso ainda nos interessa.




Dom Pedro José Conti



Bispo de Macapá

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas ativas.


Brasília 2012 já está perto, mas não devemos apenas encontrar-nos num lugar novo; devemos dar impulso e vitalidade ao nosso Movimento para que ele seja cada vez mais, como o Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas activas. É esta a nossa vocação na Igreja.

Tanto a vida do padre Caffarel como o encontro com os primeiros casais levaram cada vez mais a esta convicção: "Nenhum deles tinha dificuldade em pensar que a sua vocação era a santidade: a santidade aparecia como o desenvolvimento do amor e a realização plena tanto do amor conjugal como do amor de Cristo. E a reflexão fê-los logo descobrir de uma forma totalmente nova o sacramento do matrimónio, não simplesmente como uma formalidade, mas como uma prodigiosa fonte de graça: Cristo vem salvar o amor, doente desde o pecado original, trazendo-lhe auxílios e graças enormes" (Chantilly 1987).

O Padre Caffarel não nos quis para uma santificação exclusivamente individual ou de casal. As equipas são para o mundo. Seria um trabalho inútil procurar na Escritura um discurso preciso, pormenorizado e directo sobre o casal. Esta afirmação pode deixar-nos surpreendidos e per¬plexos, mas a verdade é que, tanto no Antigo como no Novo Testa¬mento, quando se fala da relação homem-mulher é sempre para dizer, antes de mais, alguma coisa sobre Deus.

Por outras palavras, a Bíblia não faz um discurso moralista, não faz uma pregação pedante sobre o matrimónio e sobre a sexualidade, mas assu¬me as categorias nupciais para revelar o rosto e a natureza de Deus.

Deste modo o homem e a mulher não se sentem interpelados a rea¬lizar um modelo de vida senão na medida em que procuram Deus e se reflectem n'Ele. Não foi certa¬mente sem razão que o Senhor Jesus nos disse que procurássemos "antes" o reino de Deus, pois tudo o resto é dado por acréscimo. Falar de casal hoje signi¬fica falar de um tema que atravessou um período marcado por enormes mudanças económicas, sociais e políticas e que, apesar da declaração de dissolução e de morte dos anos 60, manteve uma estrutura própria estável e partilhada pela maioria. Todavia, devemos olhar de frente o dom de Deus e a complexidade da família hoje e procurar respostas.

- Evangelizar a família

Talvez tenha chegado o momento de submeter a um sério e crítico exame a forma como hoje, em muitos sectores da Igreja, se enfrentam as problemáticas da família. Muitas vezes, predomina o aspecto moralista: fala-se muito de problemas morais e menos de Deus, esquecendo que o comportamento moral não é senão uma consequência do encontro com Deus.

Problemáticas angustiantes e asfixiantes de carácter moralista e devocional não foram muitas vezes capazes de nos fazer abrir o coração à grande e diversificada missão da família no mundo de hoje. Uma família não deve ser julgada, tomada de assalto com mil receitas, mas sim evangelizada com o próprio amor de Cristo. Uma evangelização que mergulha as suas raízes num itinerário de conversão e de enraizamento no sacramento da Aliança. A adesão a Jesus Cristo implica uma opção de fé, mas, ao mesmo tempo, exige conformar a própria vida ao seu Evangelho. O acolhimento da Palavra não pode traduzir-se senão em opções concretas de vida.

A FAMÍLIA: ESCOLA DE AMOR

Editorial para a Carta - Março 2012
P. Angelo Epis CE ERI

Excerto da sua intervenção no Colégio de Bogotá 2011

http://www.equipes-notre-dame.com/pt/noticias/correio-da-eri

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Pe. Henri Caffarel, O homem do encontro

Pe. Paul-Dominique Marcovits , o.p.
Postulador da causa do Pe Caffarel
(trechos da intervenção do Pe. Marcovits em Brasilia)

Permitam que o postulador da causa do Pe. Caffarel vos recorde que tudo começou aqui, no Brasil. É a forma de eu e a vice-postuladora, Marie-Christine Genillion, expressarmos o nosso reconhecimento aos equipistas deste país. Em 2004, os responsáveis internacionais das Equipas de Nossa Senhora, Gérard e Marie-Christine de Roberty, e o conselheiro espiritual internacional, Mons. François Fleischmann, visitaram os equipistas do Brasil. Notaram não só o afeto que todos têm pelo Pe. Caffarel, que veio visitá-los três vezes, mas verificam sobretudo «uma presença» do fundador das Equipas. Um santo é, em primeiro lugar, alguém que está «vivo» a quem cada um se dirige hoje para viver e vencer as dificuldades da existência. Foi por isso que as Equipes pediram ao arcebispo de Paris, Mons. André Vingt-Trois, que abrisse a causa do seu fundador. O Pe. Caffarel está vivo para nós. Tem de se tornar vivo para todos! Não é permitido aos equipistas guardá-lo para si: o Pe. Caffarel deve resplandecer na Igreja e para além dela…

Que objectivo se persegue? O bem dos casais e de todos os que querem fazer oração. O objectivo é mostrar que o matrimónio é uma Boa Notícia para os que se amam e que a oração é fonte de vida e de amor. A vida e a personalidade do Pe. Caffarel, os seus ensinamentos comunicados nos seus livros, as obras que fundou, são de uma riqueza tal que tudo isso deve ser partilhado por todos.
O Pe. Caffarel é um homem do encontro. Esclareçamos que nunca foi ele quem procurou esses encontros que moldaram a sua vida. Foram eles que se lhe impuseram.


Em primeiro lugar, foi Deus que veio. Todos conhecemos o relato que resume toda a sua vida: «Aos 20 anos, Jesus Cristo, de repente, tornou-Se alguém para mim. Mas não foi nada de espectacular. Nesse longínquo dia de Março de 1923, fiquei a saber que era amado e que amava, e que, daí em diante, a minha relação com Ele seria para toda a vida. Tudo estava jogado» (Jean Allemand, Henri Caffarel, um homem cativado por Deus, Ed. Lucerna, Estoril, p. 18). O Senhor impôs-Se-lhe. Foi essa a sua alegria, a sua vida. Foi o primeiro encontro. Tudo se centra no amor que Deus lhe revela: ele é amado por Deus, ele ama Deus, tudo está definido, «Tudo estava jogado», diz ele exactamente. Toda a sua vida se edificará sobre este amor recíproco entre Deus e ele.

Os dois outros encontros determinantes do Pe. Caffarel estão na continuidade deste, são sempre obra de Deus: o encontro em 1939 com casais que lhe pedem que os conduza no caminho da santidade e a quem ele responde: «Procuremos juntos»; e, em 1943, o encontro com viúvas que lhe pedem que as conduza nesse novo caminho e a quem ele responde igualmente: «Procuremos juntos». Quando o Senhor Se manifesta a alguém é para lhe confiar uma missão: fazer bem aos outros. O Pe. Caffarel deseja que façamos a experiência do amor de Deus. Missão essencial!
No seu túmulo, o Pe. Caffarel mandou escrever: «Vem e segue-Me». Foi assim. O Senhor orientou a vida do seu servo para que este estivesse ao serviço do amor revelado aquando da sua vocação em 1923: o amor no matrimónio, o amor mais forte do que a morte na viuvez.
.../...
A vida do Pe. Caffarel encontra a sua origem em Deus. Ele centra-se em Deus, organiza tudo em torno do encontro com o seu Senhor. Pode ter parecido exigente… («Sede exigentes e jamais vos arrependereis», gostava ele de dizer); pareceu, por vezes, demasiado sério (excepto com os brasileiros, pois não pôde resistir ao seu bom humor!); come pouco (o que é impensável para os franceses!)… O nosso fundador não é, portanto, uma múmia perfeita. Mas foi sempre o homem do encontro.


.../...

O Pe. Caffarel amava a Igreja apaixonadamente. Era padre da diocese de Paris. Os arcebispos de Paris compreenderam e apoiaram sempre as suas obras. Foi o anterior arcebispo de Paris, Mons. Jean-Marie Lustiger, que lhe deu o título de «profeta para o nosso tempo», mostrando assim a fecundidade do Pe. Caffarrel, que apresenta o matrimónio como «caminho de santidade».


O Pe. Caffarel estava em profunda harmonia com o Papa Paulo VI. Quando, em 1970, o Pe. Caffarel foi a Roma com mais de três mil casais, o Papa fez um longo discurso sobre o matrimónio que encheu de alegria o padre e os equipistas, de tal forma viram nele a espiritualidade conjugal de que as Equipas viviam. Nesse dia, o Papa entregou ao Pe. Caffarel um cálice que um sobrinho seu, o Pe. Voisin, nos emprestou para o nosso encontro: é um pouco do Pe. Caffarel, nosso fundador, que visita de novo o Brasil.
.../...
Conduzir os outros a Deus é para ele o essencial.
.../...
Escreve ao amigo: «Eu gostaria, caro amigo, que, quando fosses para a meditação, tivesses sempre a forte convicção de que és esperado: esperado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, esperado na família trinitária. Onde o teu lugar está pronto: de facto, lembra-te do que Cristo disse: “Vou preparar-vos um lugar”» (Henri Caffarel, Na presença de Deus, Cem cartas sobre a oração, Ed. Lucerna, Estoril, 2008, pp. 8-9). Quantos descreveram o Pe. Caffarel diante do Santíssimo Sacramento, sentado no seu banquinho de pedra. Nada se move: ele permanece em Deus.
.../...
Permitam-me agora que vos dê algumas notícias precisas sobre o desenrolar do processo da causa do Pe. Caffarel. Este processo foi aberto a 25 de Abril de 2006 pelo arcebispo de Paris, o cardeal André Vingt-Trois, a pedido das Equipas de Nossa Senhora que, para esse fim, se constituíram na «Associação dos Amigos do Pe. Caffarel», sendo a sua responsabilidade assumida pela Equipa Responsável Internacional, em particular pelo casal Maria Carla e Carlo Volpini.
Desde a abertura do processo, o delegado episcopal nomeado para esse inquérito, Mons. Maurive Fréchard, antigo bispo de Pau, recebeu numerosos testemunhos, a maior parte dos quais foi apresentada por mim próprio, postulador, e pela vice-postuladora, Marie-Christine Genillon. Mons. Fréchard recebeu também o relatório dos censores teólogos, que examinaram a rectidão de fé do Pe. Caffarel. Recebeu ainda o relatório da comissão histórica, que examinou a autenticidade das informações relativas à vida do Pe. Caffarel.
A vice-postuladora classificou todos os arquivos respeitantes à causa. Mons. François Fleischmann, antigo conselheiro espiritual internacional, digitalizou perto de três mil páginas, editoriais de revistas e textos vários, e,como chanceler da diocese de Paris, autenticou um número considerável de documentos.

Pensamos que este inquérito diocesano estará terminado no fim deste ano de 2012. O conjunto do trabalho será entregue à Congregação para as Causas dos Santos, em Roma. Abrir-se-á então a segunda parte do caminho sob a responsabilidade de um novo postulador, o Pe. Angelo Paleri, franciscano conventual, postulador geral da sua Ordem e membro das Equipas de Nossa Senhora. Eu próprio terei de redigir a “positio”, ou seja, a síntese das investigações que demonstram a santidade do Pe. Caffarel. As nomeações oficiais serão comunicadas em 2013.

Basta que compreendam que uma investigação para uma causa exige tempo e trabalho e que o mesmo se realiza segundo regras rigorosas. Mas digo-vos tudo isto com a seguinte finalidade:
O Pe. Caffarel será beatificado se Deus quiser… Mas também se cada um de vós também quiser! Se o pedirem ao Senhor! A Igreja reconhece então esta realidade. Para isso, há que realizar três acções:
– em primeiro lugar, ler e meditar os escritos do Pe. Caffarel sobre o matrimónio e a oração. Conhecê-lo é amá-lo e entrar na sua escola.
– Em seguida, viver a vossa graça do matrimónio, ajudados de forma particular pela Carta: o matrimónio é um caminho de santidade. A santidade da vossa vida manifestará também a santidade do Pe. Caffarel que vos conduziu.
– Finalmente, rezar com frequência a oração que pede a canonização do Pe. Caffarel. Pedir, pedir ao Senhor graças e um milagre, sinal da presença e da intercessão do Pe. Caffarel por nós. Um milagre floresce sempre no meio de um povo que pede todas as graças.

Para terminar, uma canonização, cuja primeira etapa é a beatificação, é para o bem do povo cristão e da sociedade humana. Pensamos que a mensagem do Pe. Caffarel sobre o amor e a oração deve ser conhecida por todos. O Pe. Caffarel foi-nos dado por Deus; temos de o dar a conhecer aos casais e a todos os que procuram o Senhor. Não podemos guardar para nós tal tesouro. Falar do Pe. Henri Caffarel é evangelizar os homens e as mulheres que procuram a felicidade.

BOLETIM DE LIGAÇÃO N° 12 DOS AMIGOS DO PADRE CAFFAREL
Janeiro 2013
ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO PADRE CAFFAREL
49 RUE DE LA GLACIERE
F-75013 PARIS
www.henri-caffarel.org