terça-feira, 23 de agosto de 2016

“Não aos cristãos ‘morcegos’, que têm medo da alegria”, disse o Papa Francisco

Há cristãos que, paradoxalmente, têm medo da Ressurreição e da alegria que ela produz. E esta resistência parece um funeral. De qualquer maneira, o Deus Ressuscitado sempre está com eles. A afirmação foi feita pelo Papa Francisco durante a homilia matutina da missa na Capela da Casa Santa Marta, segundo indicou a Rádio Vaticano, depois de quase duas semanas de intervalo, devido às celebrações pascais.

Fonte: http://bit.ly/1nr4Bsn
A reportagem é de Domenico Agasso Jr e publicada no sítio Vatican Insider, 24-04-2014. A tradução é de André Langer.

O Evangelho do dia narra a aparição de Jesus Ressuscitado aos discípulos que, diante da sua saudação de paz, em vez de ficarem loucos de alegria, recordou o Pontífice, ficam “cheios de medo”, pois acreditam ter visto “um fantasma”. Cristo trata de fazê-los compreender que é real o que veem, uma realidade tangível: de fato, convida-os a tocarem seu corpo, pede comida e água. O Filho do Senhor deseja transmitir-lhes a “alegria da Ressurreição, a alegria da sua presença entre eles”. Mas eles, observou Bergoglio, “pela alegria não acreditaram, não podiam acreditar, porque tinham medo da alegria”.

“Esta é uma doença dos cristãos. Temos medo da alegria. É melhor pensar: ‘Sim, sim, Deus existe, mas está lá; Jesus ressuscitou, mas está lá’. Um pouco de distância. Temos medo da proximidade de Jesus, porque isso nos dá alegria. E assim se explicam os muitos cristãos de funeral, não? Aos quais parece que a vida é um funeral contínuo. Preferem a tristeza, e não a alegria. Movem-se melhor não na luz da alegria, mas nas sombras, como aqueles animais que só conseguem sair à noite, mas à luz do dia não veem nada. Como os morcegos. E com um pouco de senso de humor, podemos dizer que existem ‘cristãos morcegos’, que preferem as sombras à luz da presença do Senhor”.

Mas Cristo, “com a sua Ressurreição – prosseguiu o Papa – nos dá a alegria: a alegria de ser cristãos; a alegria de segui-lo de perto; a alegria de caminhar nas estradas das Bem-aventuranças; a alegria de estar com Ele”.

“E nós – explicou Bergoglio –, tantas vezes, ficamos perturbados ou repletos de medo, acreditamos ver um fantasma ou pensamos que Jesus é um modo de agir: ‘Mas nós somos cristãos e devemos fazer assim’. Mas onde está Jesus? ‘Não, Jesus está no Céu’. Você fala com Jesus? Você diz a Ele: ‘Eu acredito que o Senhor está vivo, que ressuscitou, que está perto de mim, que não me abandona’? A vida cristã deve ser isso – destacou –, um diálogo com Jesus, porque – isso é verdade – Jesus está sempre conosco, está sempre com os nossos problemas, com as nossas dificuldades, com as nossas boas obras”.

Quantas vezes – disse finalmente o Papa Francisco – os cristãos “não somos felizes porque temos medo!”. Cristãos que foram “derrotados” na Cruz.

“Na minha terra há um ditado que diz: ‘Quando alguém se queima com leite quente, depois, quando vê uma vaca leiteira, chora’. E estes se queimaram com o drama da cruz e disseram: ‘Não, vamos parar por aqui; Ele está no Céu; mas tudo bem, ressuscitou, mas que não venha outra vez aqui porque não aguentaremos’. 

Peçamos ao Senhor que faça com todos nós o que fez com os discípulos, que tinham medo da alegria: que abra a nossa mente e nos faça entender que Ele é uma realidade viva, que Ele tem corpo, que Ele está conosco e nos acompanha e que Ele venceu. Peçamos ao Senhor a graça de não ter medo da alegria.”

Francisco lembra-nos em ser abertos ao Deus das surpresas.

O futuro da Igreja Católica


"Quando as pessoas se preocupam com o futuro da Igreja, muitas vezes essas preocupações estão relacionadas com as coisas tangíveis: os edifícios, as escolas, os cheiros e os sinos da liturgia. E a Igreja, de fato, inclui essas coisas. Mas é muito fácil esquecer que a Igreja também existe em cada um de nós".
A opinião é de Kerry Weber, editora executiva da revista America, dos jesuítas dos EUA, autora do livro "Mercy in the City". O texto foi publicado por The Huffington Post, 07-05-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.
Eis o texto.
Não interessa se ele está vestindo um poncho, falando para o Congresso ou admitindo que é um pouco ludita, parece que não passa um dia sem que o Papa Francisco seja notícia. E não são apenas os católicos que parecem estar ligados em cada palavra do Santo Padre. Pessoas de todas as origens respeitam a preocupação do papa pelos pobres, sua sinceridade, sua alegria. Nós nunca sabemos a próxima coisa que o que o Papa Francisco vai fazer. E isso é exatamente o que é tão emocionante.
Francisco lembra-nos em ser abertos ao Deus das surpresas. E ele usa continuamente a atenção que lhe é dada para levar seus seguidores de volta a Cristo. Eu já ouvi histórias de muitos jovens católicos, que antes se sentiam alienados, agora reconsiderando a relação com a Igreja, graças ao exemplo de Francisco. Mas, embora Francisco possa tornar a Igreja mais convidativa, ele não é razão suficiente para fazer as pessoas permanecerem nela. Felizmente, há muitas boas razões se ter esperanças sobre o futuro da Igreja Católica, e muitas razões para que os jovens católicos permaneçam por aqui, mesmo depois que passar o frenesi sobre Francisco. Aqui estão apenas algumas:
Crescente ênfase sobre a natureza global da Igreja. Graças às maravilhas da Internet, é mais fácil do que nunca para os jovens se conectarem com pessoas ao redor do mundo, e queremos que a nossa Igreja reflita essa diversidade. Os 20 novos cardeais nomeados pelo Papa Francisco representam 18 países diferentes. O grupo é diversificado tanto geográfica quanto ideologicamente, o que esperamos possa ajudar a aumentar a conscientização sobre a grande variedade de desafios enfrentados pelos católicos em diferentes regiões do globo. Algumas vozes globais já estão ganhando proeminência: bispos africanos têm manifestado preocupação com temas que vão da pobreza à poligamia ao Boko Haram. E o cardeal Luis Tagle, das Filipinas, chamou atenção recentemente sobre as dificuldades enfrentadas por muitos trabalhadores nas Filipinas.
Parcerias mais fortes entre leigos e ordens religiosas. Muitas ordens religiosas estão formalmente colaborando com leigos e leigas, em um esforço para aumentar a consciência dos seus carismas. A organização "The Jesuit Collaborative", em parte, promove programas de liderança e retiros para jovens que querem enriquecer-se com a espiritualidade inaciana. As Irmãs da Misericórdia estabeleceram o ramo chamado "Mercy Associates" [Associados da Misericórdia], a qual faço parte. Isso significa que eu me comprometi a tentar viver os valores de seu ministério, oração e espiritualidade em minha própria vida de leiga. As Irmãs da Misericórdia trabalham em estreita colaboração com os Associados, e nos veem como parceiros na sua missão e ministério. Como muitos jovens continuam a procurar experiências significativas de vida em comunidade, essas parcerias podem oferecer uma constante conexão para uma comunidade de fé, mesmo quando nos mudamos de um lugar para outro, ajudando-nos a incorporar essa espiritualidade em nossas vidas cotidianas. Além disso, eu conheço pessoas interessadas na construção de novas comunidades religiosas em torno da ideia de votos temporários, onde os membros se comprometem a alguns dos tradicionais votos (pobreza, castidade e obediência) dentro do contexto de uma comunidade, por um tempo limitado, em vez de uma vida.
Maior apoio para as mulheres em papéis de liderança da Igreja. Desde o Concílio Vaticano II, as mulheres têm atuado em um número sem precedentes de cargos de liderança na Igreja. Elas lideram paróquias, escolas, hospitais e agências de serviços sociais. Um grande número de mulheres são ministras leigas, profissionais e teólogas, e algumas ensinam em seminários católicos. O Papa Francisco está entre aqueles que pedem um papel maior para as mulheres, especialmente em locais de autoridade na Igreja. No entanto, a este respeito, pouco progresso tem sido feito, e o próprio Francisco usa frequentemente uma terminologia desanimadora quando fala das mulheres. E embora alguns católicos esperam por uma discussão mais aprofundada sobre a ordenação de mulheres ao sacerdócio,Francisco disse que a ordenação de mulheres "não é uma questão aberta à discussão". No entanto, muitos católicos - homens e mulheres - sugeriram uma série de maneiras criativas de forma que as mulheres católicas possam ocupar posições de poder na Igreja, como à frente de uma congregação ou concílio na Cúria Romana, servindo no corpo diplomático da Santa Sé, ou como cardeal, diaconisa ou pregadora leiga. Os jovens católicos acostumados a ver mulheres bem sucedidas no trabalho terão também a chance de vê-las tornarem-se líderes no ambiente da fé.
Maiores esforços para ouvir. Os jovens católicos querem ser ouvidos; e eles têm ideias que vale a pena ouvir. Várias dioceses fizeram esforços deliberados para coletar as opiniões dos católicos em nível paroquial antes do Sínodo sobre a Família. Espero que os líderes da Igreja ouçam a dor daqueles que se sentem alienados e também os motivos que, por vezes, causaram essa dor. Eu estou esperançosa de que nossa Igreja está se movendo na direção a uma maior responsabilização pela tragédia do abuso sexual por parte do clero. Espero que os líderes da Igreja encorajem, de forma intencional, as pessoas a serem mais autênticas. O futuro da nossa fé depende da nossa capacidade de sermos verdadeiramente presentes um ao outro agora.
Um chamado contínuo a amar. Muitos jovens encontram esperança no Papa Francisco, porque ele constantemente nos lembra aquilo que Cristo nos lembrou: Amar-nos uns aos outros. Quando as pessoas se preocupam com o futuro da Igreja, muitas vezes essas preocupações estão relacionadas com as coisas tangíveis, os edifícios, as escolas, os cheiros e os sinos da liturgia. E a Igreja, de fato, inclui essas coisas. Mas é muito fácil esquecer que a Igreja também existe em cada um de nós. Ela existe nos pais juntando os seus filhos para ir à missa. Ela existe no jovem que duvida de Deus. Ela existe no homem ajoelhado diante da Eucaristia. Ela existe nos voluntários que servem comida e conhecem os convidados pelo nome em sua cozinha comunitária. Ela existe entre os ativistas contra a pena de morte, nas pessoas em macacões laranja fora da Casa Branca protestando contra a prisão na Baía de Guantánamo. Ela existe nos avós que rezam terços para os seus netos, e nos netos correndo em círculos em torno de seus avós. A Igreja existe naqueles que a deixaram, naqueles que estão com raiva ou tristes por causa dos pecados da Igreja. Ela existe no perdão dos sobreviventes do genocídio, pessoas que conheci em Ruanda, e nos homens que conheci quando trabalhei na Prisão de San Quentin. Ela existe entre as pessoas de todas as classes, raças e identidades sexuais. Ela não conhece fronteiras políticas ou pastorais. A Igreja vai para as periferias. Está nas periferias. E está no centro de tudo que fazemos.
A Igreja é imperfeita. Eu sou apaixonada pela Igreja, por isso sempre há a possibilidade de ela partir meu coração. E ela já fez isso com alguma frequência. Mas a minha vulnerabilidade, essa fragilidade, muitas vezes permite um ponto de entrada para o Espírito Santo. Embora pesquisa após pesquisa mostre que muitos jovens estão optando por deixar para trás essa coisa toda de religião, eu descobri que a melhor maneira para lidar com minhas frustrações com a Igreja é aprofundar a minha fé. E então, mais e mais, encontro um sinal de esperança, o Espírito que trabalha, fora de vista, mesmo quando a Igreja ou o mundo parece estagnado e imutável. Para muitos jovens, de fato, as lições que aprendemos com a Igreja Católica fundamentaram o nosso desejo de trabalhar contra as injustiças dentro dela. Eu me importo com essa bela, controversa, hierárquica, histórica, falha, inspirada, abençoada e dolorosamente lenta instituição. Eu não sei o que o futuro reserva para a Igreja. Mas perseverar na incerteza, com esperança, é exatamente o que significa ter fé.
A Igreja é guiada pelo Espírito. Assim, onde quer que a Igreja vá, eu vou com ela. E eu estou aqui por opção. Eu estou aqui porque acredito, e porque todos os dias tenho de enfrentar minha incredulidade. Eu nem sempre concordo com tudo o que meus líderes da Igreja dizem. Mas eu confio que Deus quer transformar seus corações ou o meu. Provavelmente ambos. Esperemos que em breve. Nesse meio tempo, tudo o que podemos fazer é continuar a trabalhar conjuntamente para tentar construir o Reino de Deus, mesmo que não consigamos dizer completamente como ele vai parecer. Porque acreditamos que o Espírito Santo vai continuar a guiar a Igreja em direção ao que é verdadeiro, bom e belo. Nós nunca sabemos o que o Espírito Santo vai fazer a seguir. E isso é exatamente o que é tão emocionante.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Ter fé no tempo da incerteza, segundo Timothy Radcliffe

Aqueles que conhecem o dominicano inglês Timothy Radcliffe, ex-mestre da Ordem de 1992 a 2001, apreciam o seu espírito livre que faz dele um dos autores católicos mais lidos no mundo e um dos conferencistas mais procurados.
A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Settimana News, 11-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
E uma confirmação disso chega das livrarias, aonde acaba de chegar a sua última publicação, Il bordo del mistero. Aver fede nel tempo dell’incertezza [A borda do mistério. Ter fé no tempo da incerteza]. No rastro de uma feliz intuição (cf. Essere cristiani nel XXI secolo Parole di oggi, Ed. Queriniana, respectivamente 2011 e 2014), trata-se, mais uma vez, de um coletânea de discursos de amplo alcance sobre diversas temáticas, que representam, por assim dizer, um pouco os seus cavalos de batalha, sintetizados naquilo que ele colocava como título de um seus livros de 2005, que lhe fizera ganhar o prêmio de divulgação religiosa, What in the Point of Being a Christian? (tradução brasileira, "Por que ser cristão?", Ed. Paulinas).
"O teólogo que, silenciosamente, faz a revolução", escrevera o historiador Alberto Melloni (jornal La Republica, 07-07-2016), indicando Radcliffe como herdeiro de uma série de teólogos pós-conciliares – Chenu (do qual foi aluno), Congar,De LubacDaniélouvon BalthasarGrillmeier – que "deslegitimavam a ideia de um cristianismo monolítico, satisfeito por resistir imóvel às ondas".
E, ao ler os discursos recolhidos desta vez pela Editrice Missionaria, o que chama a atenção é especialmente a constância da sua atitude. Por um lado, a forte vontade de adentrar na cultura de hoje, escutar as suas vozes, interceptar as suas ansiedades, compartilhar as expectativas, conhecer, como se costuma dizer, as leituras, as músicas, os filmes que traçam a vida das pessoas hoje. Só desse modo será possível propor um Anúncio que tenha qualquer probabilidade de ser compreendido ou mesmo apenas tocado.
Por outro lado, a urgência de um testemunho credível daquilo que se anuncia, sem compromissos de qualquer espécie, com o rosto (e o coração) entusiasmado de quem decidiu apostar e confiar a própria vida ao Pai dos Céus e deseja compartilhar a Sua alegria (uma atitude de clara marca bergogliana, que lhe rendeu, no ano passado, a nomeação a consultor do Pontifício Conselho para a Cultura).
A Igreja (mas ele quer dizer os cristãos) tem algo a dizer ao mundo? Sim, responde Radcliffe, porque é preciso oferecer esperança nos momentos de angústia e ajudar a encontrar a alegria nas ocasiões de desorientação.

Na série dos seus discursos mais significativos, principalmente de 2015 (também de 2010 e 2013) e de janeiro de 2016, ecoa a voz de alguém que é capaz de "escutar" o mundo com antenas sensíveis para captar todo fragmento de bem, às vezes até inconsciente, especialmente "externo": aquele que, em outras palavras, estamos acostumados a chamar de "distante", mas que nunca é distante, se cavamos profundamente.
Assim, um dos elementos característicos dos escritos do Papa Francisco – que alguns, bondade sua, viram como uma novidade bastante bizarra –, as inúmeras citações não só de Conferências Episcopais, mas também de filósofos, escritores e até filmes da cultura secular, representa, para Radcliffe, um hábito e, hoje, mais um ponto de contato com o estilo de Bergoglio.
Assim, não admira que o texto comece com Naomi Klein, feminista judia laica, porque, há anos, ele acompanhou, e citou, o rabino-chefe Sacks ou o primaz anglicano, emérito e amigo fraterno, Rowan Williams, e, hoje, Justin Welby. Ou as ainda mais numerosas citações de estudiosos de área anglo-saxônica (estadunidenses, britânicos, australianos): sociólogos, historiadores, cientistas da computação, economistas, cientistas políticos, escritores, diretores, músicos, estrelas do pop... a partir dos quais ele inicia uma reflexão.
Apenas um exemplo: "Zygmunt Bauman declara que a mobilidade da sociedade moderna encoraja, de algum modo, a se refugiar na uniformidade. Mas o cristianismo está em relação com a diferença há dois mil anos. Temos quatro evangelhos que se encontram em desacordo radical uns com os outros, e estão todos reunidos no Novo Testamento...", escreve ele, fortalecido pela sua experiência de professor de Novo Testamente em Oxford, ilustrando aos universitários de Toronto a doutrina da Trindade como "a diferença na unidade".
Mas é, principalmente, o pensamento amplo que se respira a plenos pulmões percorrendo as páginas: a necessidade de projetar ("os políticos tendem a pensar nas próximas eleições, as empresas, no próximo orçamento, os jornalistas, no próximo prazo") contra o efêmero que passa, a urgência de habitar a complexidade sem ser esmagado por ela, manter viva a esperança no amanhã, apesar do pesadelo da crise ecológica (um tema que, para dizer a verdade, entre nós, está quase escanteado).
E não destoa o fato de que inúmeros relatos, exemplos, piadas devam ser consideradas já como parte do repertório ("Eu sou um monge verde", ele gosta de repetir, no sentido de que recicla...): tudo se enquadra harmoniosamente em um discurso que vale para hoje, com o olho sempre voltado para o amanhã, em um contexto de desarmante confiança em um Deus que guia a história e na capacidade do ser humano, apesar de tudo, de percorrer os seus caminhos.
  • Timothy Radcliffe. Il bordo del mistero. Aver fede nel tempo dell’incertezza. Bolonha: EMI, 2016, 142 páginas.
Veja também:

domingo, 14 de agosto de 2016

Papa: Sem o fogo do Espírito Santo a Igreja torna-se fria


“Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso” (Lucas 12, 49) - ANSA
14/08/2016 12:27
Cidade do Vaticano (RV) – “Se a Igreja não recebe o fogo do Espírito Santo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos”.
 
Inspirado nas palavras de Jesus narradas em Lucas: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”, o Papa Francisco dedicou a sua alocução - que precede a oração mariana do Angelus – à ação do Espírito Santo na vida da Igreja e em nossa vida: “um fogo que começa no coração, e não na mente”, frisou.
O fogo do qual fala Jesus no Evangelho – explica o Papa - é o fogo do Espírito Santo, “presença viva e atuante em nós desde o dia do Batismo. Ele - o fogo - é uma força criadora que purifica e renova, queima toda miséria humana, todo egoísmo, todo pecado, nos transforma a partir de dentro, nos regenera e nos torna capazes de amar”:
“Jesus deseja que o Espírito Santo irrompa como fogo no nosso coração, porque somente partindo do coração, que o incêndio do amor divino poderá propagar-se e fazer progredir o Reino de Deus. Não parte da cabeça, parte do coração. E por isto Jesus quer que o fogo entre em nosso coração. Se nos abrirmos completamente à ação deste fogo que é o Espírito Santo, Ele nos dará a audácia e o fervor para anunciar a todos Jesus e a sua consoladora mensagem de misericórdia e de salvação, navegando em mar aberto, sem medo. Mas o fogo começa no coração”.
O Papa recorda, que para cumprir a sua missão no mundo, “a Igreja tem necessidade da ajuda do Espírito Santo, para não deixar-se frear pelo medo e pelo cálculo, para não habituar-se a caminhar dentro de fronteiras seguras”. Francisco adverte que “estes dois comportamentos, levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que não arrisca nunca”:
“Pelo contrário, a coragem apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo, nos ajuda a superar os muros e as barreiras, nos faz criativos e nos impele a colocarmo-nos em movimento para caminhar também por caminhos inexplorados ou desconfortáveis, oferecendo esperança a quantos encontramos”.
Precisamente com este fogo do Espírito Santo – disse o Santo Padre -  “somos chamados a nos tornar sempre mais comunidade de pessoas guiadas e transformadas, cheias de compreensão, pessoas de coração dilatado e de rosto alegre”. E acrescenta:
“Mais do que nunca existe a necessidade, mais do que nunca hoje existe a necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fiéis leigos, com o olhar atento do apóstolo, para mover-se e parar diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo curador da proximidade. Há precisamente o fogo do Espírito Santo que nos leva a nos fazer "próximos" dos outros: das pessoas que sofrem, dos necessitados; de tantas misérias humanas, de tantos problemas; dos refugiados, daqueles que sofrem. Aquele fogo que vem do coração. Fogo”.
Francisco recordou então dos “numerosos sacerdotes e religiosos que, em todo o mundo, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro a custo da própria vida”, e advertiu que se a Igreja não se abre ao fogo do Espírito, torna-se fria:
“O exemplar testemunho deles nos recorda que a Igreja não tem necessidade de burocratas e de diligentes funcionários, mas de missionários apaixonados, imbuídos pelo ardor de levar a todos a consoladora palavra de Jesus e a sua graça. Este é o fogo do Espírito Santo. Se a Igreja não recebe este fogo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos. Nos fará bem hoje, tomar cinco minutos e nos perguntar: "Mas, como está o meu coração? É frio? É morno? É capaz de receber este fogo?". Tomemos cinco minutos para isto. Nos fará bem a todos.
Ao final de sua alocução, o Santo Padre recordou o exemplo “de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade, cuja festa recorre hoje: que ele nos ensine a viver o fogo do amor de Deus e pelo próximo”. (JE)

Eis a alocução do Santo Padre na íntegra:
“O Evangelho deste domingo faz parte dos ensinamentos de Jesus dirigidos aos discípulos durante a sua subida à Jerusalém, onde lhe espera a morte na cruz. Para indicar o objetivo de sua missão, Ele se serve de três imagens: o fogo, o batismo e a divisão. Hoje quero falar da primeira imagem: o fogo.
Jesus a expressa com estas palavras: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”. O fogo do qual Jesus fala é o fogo do Espírito Santo, presença viva e atuante em nós desde o dia do Batismo. Ele - o fogo - é uma força criadora que purifica e renova, queima toda miséria humana, todo egoísmo, todo pecado, nos transforma a partir de dentro, nos regenera e nos torna capazes de amar. Jesus deseja que o Espírito Santo irrompa como fogo no nosso coração, porque somente partindo do coração que o incêndio do amor divino poderá propagar-se e fazer progredir o Reino de Deus. Não parte da cabeça, parte do coração. E por isto Jesus quer que o fogo entre em nosso coração. Se nos abrirmos completamente à ação deste fogo que é o Espírito Santo, Ele nos dará a audácia e o fervor para anunciar a todos Jesus e a sua consoladora mensagem de misericórdia e de salvação, navegando em mar aberto, sem medo. Mas o fogo começa no coração.
No cumprimento de sua missão no mundo, a Igreja - isto é, todos nós Igreja - tem necessidade de ajuda do Espírito Santo para não deixar-se frear pelo medo e pelo cálculo, para não habituar-se a caminhar dentro de fronteiras seguras. Estes dois comportamentos levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que não arrisca nunca. Pelo contrário, a coragem apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo nos ajuda a superar os muros e as barreiras, nos faz criativos e nos impele a colocarmo-nos em movimento para caminhar também por caminhos inexplorados ou desconfortáveis, oferecendo esperança a quantos encontramos. Com este fogo do Espírito Santo somos chamados a nos tornar sempre mais comunidade de pessoas guiadas e transformadas, cheias de compreensão, pessoas de coração dilatado e de rosto alegre. Mais do que nunca existe a necessidade, mais do que nunca existe a necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fieis leigos, com o olhar atento do apostolado, para mover-se e parar diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo curador da proximidade.Há precisamente o fogo do Espírito Santo que nos leva a nos fazer "próximos" dos outros: das pessoas que sofrem, dos necessitados; de tantas misérias humanas, de tantos problemas; dos refugiados, daqueles que sofrem. Aquele fogo que vem do coração. Fogo.
Neste momento, penso também com admiração sobretudo aos numerosos sacerdotes e religiosos que, em todo o mundo, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro a custo da própria vida. O exemplar testemunho deles nos recorda que a Igreja não tem necessidade de burocratas e de diligentes funcionários, mas de missionários apaixonados, imbuídos pelo ardor de levar a todos a consoladora palavra de Jesus e a sua graça.Este é o fogo do Espírito Santo. Se a Igreja não recebe este fogo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos. Nos fará bem hoje, tomar cinco minutos e nos perguntar: "Mas, como está o meu coração? É frio? É morno? É capaz de receber este fogo?". Tomemos cinco minutos para isto. Nos fará bem a todos.
E peçamos a Virgem Maria para rezar conosco e por nós ao Pai celeste, para que derrame sobre todos os fieis o Espírito Santo, fogo divino que aquece os corações e nos ajude a ser solidários com as alegrias e os sofrimentos dos nossos irmãos. Nos sustente no nosso caminho o exemplo de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade, cuja festa recorre hoje: que ele nos ensine a viver o fogo do amor de Deus e pelo próximo”.

(JE)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Papa Francisco: "Que a Igreja esteja sempre de Portas abertas"


Na manhã desta quarta-feira, em que se recorda a Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo, em Roma, o Papa Francisco abordou o tema da misericórdia afirmando que "A Igreja deve sempre ter as portas abertas" para acolher "o arrependimento".
Na audiência-geral desta manhã o Papa abordou o tema da Misericórdia de Deus utilizando a imagem "Da porta do Senhor".
No início da sua intervenção Francisco recordou o recente Sínodo dos Bispos pelo qual a Igreja transmitiu às famílias um grande encorajamento a que a vejam como porta aberta: "A Igreja foi encorajada a abrir as suas portas para sair, com o Senhor, ao encontro dos filhos e filhas em caminho, às vezes incertos, às vezes perdidos, nesses tempos difíceis".
O Papa exortou os cerca de 15 fiéis presentes a abrir as portas:
"Se a porta da misericórdia de Deus está sempre aberta, também as portas de nossas igrejas, das nossas paróquias e dioceses devem estar sempre abertas. Assim todos podemos sair e levar esta misericórdia de Deus. O Jubileu significa a grande porta da misericórdia de Deus, mas também as pequenas portas das nossas igrejas abertas para deixar o Senhor entrar ou muitas vezes deixar o Senhor sair de nossas estruturas, de nosso egoísmo."
Uma Igreja fechada mata o Evangelho
Olhando para o mundo atual Francisco lembrou algumas portas fechadas e outras outras estas mesmas portas estão blindadas: "Embora compreensível, não deixa de ser um mau sinal!Não devemos render-nos à ideia de aplicar este sistema à vida da família, da cidade, da sociedade e, menos ainda, à vida da Igreja. Uma Igreja sem hospitalidade, assim como uma família fechada em si mesma, mortifica o Evangelho e desertifica o mundo. Nada de portas blindadas na Igreja! Tudo aberto!"
O Papa afirmou que a porta deve estar aberta para proteger e não para deixar de fora:
"Quantas pessoas perderam a confiança, não tem a coragem de bater à porta do nosso coração cristão, às portas das nossas igrejas. Tirámos a confiança. Por favor, que isso jamais aconteça, afirmou". Para o Papa é fundamental que todos percebamos "que somos igualmente pecadores" e apenas a Graça de Deus, "e a sua misericórdia" nos permitem "deixar entrar o Senhor na nossa vida".
Jesus: A Porta
Jesus, explicou o Pontífice, é a porta que nos faz entrar e sair. "Porque o covil de Deus não é uma prisão, mas um refúgio." Mas diante da porta, está o guardião, que ouve a voz de Jesus, então abre e faz entrar todas as ovelhas que Ele traz.
"Não é o guardião que escolhe as ovelhas, mas o bom Pastor. Não é o secretário ou a secretária da paróquia que decide quem entrar. A Igreja é a porteira da casa do Senhor, não a patroa", afirmou. Assim, para Francisco, deve ser reconhecida a Igreja por toda a terra: "como a guardiã de um Deus que bate à porta, como a rececionista de um Deus que não fecha a porta com a desculpa de que não somos de casa" como aponta o livro do Apocalipse.
Francisco concluiu com um pedido:
"Que as famílias cristãs façam da ombreira de casa um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e do acolhimento de Deus. Com este espírito, estamos próximos do Jubileu. Haverá a Porta Santa, mas há a porta da misericórdia de Deus. E que haja também a porta do nosso coração para receber o perdão de Deus ou dar o nosso perdão e acolher todos os que batem à nossa porta."
Educris com Radio Vaticana


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Papa envia mensagem aos brasileiros pela Olimpíada do Rio


Jogos terão início no dia 5 - AP
03/08/2016 10:15
Cidade do Vaticano (RV) – Ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (03/08), o Papa Francisco enviou uma mensagem ao povo brasileiro, por ocasião dos Jogos Olímpicos.
 
Eis as palavras textuais do Papa:
"Queria agora dirigir uma saudação afetuosa ao povo brasileiro, em particular à cidade do Rio de Janeiro, que acolhe atletas e torcedores do mundo inteiro por ocasião das Olimpíadas. Diante de um mundo que está sedento de paz, tolerância e reconciliação, faço votos de que o espírito dos Jogos Olímpicos possa inspirar a todos, participantes e espectadores, a combater o bom combate e a terminar juntos a corrida (cf. 2 Tm 4, 7-8), almejando alcançar como prêmio não uma medalha, mas algo muito mais valioso: a realização de uma civilização onde reine a solidariedade, fundada no reconhecimento de que todos somos membros de uma única família humana, independentemente das diferenças de cultura, cor da pele ou religião. E aos brasileiros, que com sua característica alegria e hospitalidade organizam a Festa do Esporte, desejo que esta seja uma oportunidade para superar os momentos difíceis e comprometer-se a 'trabalhar em equipe' para a construção de um país mais justo e mais seguro, apostando num futuro cheio de esperança e alegria! Que Deus abençoe a todos!"
(bf)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Devemos pedir que o Espírito Santo venha a nós.

O Espírito Santo! Devemos pedir que o Espírito Santo venha a nós. Mas para que serve o Espírito Santo? Para viver bem, com sabedoria e amor, fazendo a vontade de Deus. Que bonita oração seria, nesta semana, se cada um de nós pedisse ao Pai: «Pai, concedei-me o Espírito Santo!». Nossa Senhora demonstra-o com a sua existência, inteiramente animada pelo Espírito de Deus. Que ela nos ajude a pedir ao Pai, unidos a Jesus, para viver não de maneira mundana, mas segundo o Evangelho, guiados pelo Espírito Santo.
Papa Francisco, Angelus, 24 de julho de 2016