quinta-feira, 18 de abril de 2019

O LAVA PÉS

Já pensou se todos os que ocupam cargos e serviços na igreja, na sociedade, lavassem os pés dos outros???

Jesus não ficou só nas palavras. Quis mostrar seu amor com um gesto concreto.

O Lava-pés e a instituição da eucaristia são sinais do mesmo amor sem fronteiras de Cristo.

No Cenáculo, durante a Ceia Pascal, Jesus como Mestre e Senhor, despoja-se do manto, pega uma bacia e põe-se a lavar os pés dos discípulos.Oferecer água para lavar os pés era sinal de hospitalidade e acolhida.

Na ação de Jesus, revela-se o rosto solidário e amoroso do Pai.
Lava-pés é um gesto profético, que antecipa o sentido da cruz:
a entrega de Jesus por amor até o fim.
Todos somos convidados a participar desse gesto de Cristo...

Senhor do lava-pés, eu te peço:
Tome novamente o jarro de água e a bacia. Repita aquilo que fizeste, há 20 séculos; sai de tua mesa e vem lavar os nossos pés...
Deixar-se lavar por Jesus significa comungar com seu projeto de amor,que o levou a entregar a sua vida pela nossa salvação.
Vem, Senhor, lavar os nossos pés para que possamos nos sentar para sempre em tua mesa, no eterno convívio da alegria e do amor.
A operação lava-pés não deve parar apenas em palavras bonitas,mas em gestos concretos a serviço dos irmãos, O gesto de lavar agora os pés de 12 pessoas de nossas comunidades,deveria nos animar a iniciar também em nossa vida a operação Lava-pés...

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 21.04.2011

Enquanto houver alguém sofrendo,um ecosistema sendo dizimado e a Terra crucificada,Cristo continuará sua paixão suplicando por ressurreição. Leonardo Boff


segunda-feira, 15 de abril de 2019

A casa ficou cheia com o cheiro do perfume.

Segunda-feira da Semana Santa

Leitura de Segunda, 15 Abril 2019 

 

 

D. Laurence Freeman
João 12, 1-11
A casa ficou cheia com o cheiro do perfume.

Esta semana é uma penetração do mistério de Jesus de Cafarnaum, que é o Cristo para aqueles que o veem com os olhos da fé. Viajar para qualquer mistério envolve encontrar novas dimensões da realidade, nas quais a mente lógica e o senso comum protestam contra a violação do absurdo. Isso não faz sentido. É tudo um mito. Tudo bobagem! Essas reações podem de fato estar bem enraizadas, por isso devemos ouvi-las com respeito: o diálogo com os ateus é melhor do que pregar aos convertidos. Mas elas também podem ser os sinais de que estamos progredindo pelos espaços interestelares e encontrando uma realidade que nos contém, e não a imagem de uma realidade que observamos através de um telescópio.

Nesta jornada de fé – pois a fé é uma jornada – podemos voltar aos acontecimentos passados ​​e ver o que eles revelam do presente e de nossa direção para o futuro. Conheci uma pessoa que quase se afogou e realmente viu sua “vida passar diante de seus olhos” como um filme voltando ou avançando, ele não sabia dizer qual das duas coisas. Um dia descobriremos por nós mesmos.
As histórias desta semana fazem a mesma coisa. Hoje assistimos ao flash back de uma refeição. Jesus comia muito – ou, pelo menos, comia com muita frequência. No jantar, uma vez, com amigos e convidados, Maria de Betânia abriu um pote de unguento caro e ungiu seus pés. A casa ficou cheia do perfume de nardo e do seu espírito de serviço.

Duas pessoas podem olhar para a mesma coisa e reagir de maneira diametralmente oposta. Alguns convidados do jantar devem ter sido transportadas pelo ato espontâneo e simbólico de Maria, que prestava uma carinhosa homenagem, e ter sido tocadas em seus sentidos pelo cheiro do perfume. Judas – que será um guia importante para nós ao longo do significado dos mistérios da Semana Santa e da Páscoa, e de quem estamos mais próximos do que gostamos de imaginar – reagiu de forma diferente. Olhou para a etiqueta de preço no frasco e reclamou do desperdício. Há momentos para barganhar e momentos em que o valor real transcende o valor do dólar.

O cheiro de perfume perdura muito além do momento em que é liberado. Na dimensão espiritual, ele se espalha além do tempo e do espaço, permanecendo no ar para sempre. Uma boa ação de puro serviço, um sorriso e um toque de ternura num momento de fracasso e pesar, um gesto fortuito que ilumina toda a verdade e abre o coração ao que ele não conhecia: na dimensão profunda que envolve todas as dimensões e na qual o passado e o presente se fundem, essas coisas são impossíveis de esquecer. Mahatma Gandhi certa vez comparou o evangelho ao perfume de uma rosa e apontou a distância que o cristianismo institucional havia tomado de seu Mestre. “Uma rosa não precisa pregar. Ela simplesmente espalha sua fragrância. A fragrância é seu próprio sermão [...] a fragrância da vida religiosa e espiritual é muito mais fina e sutil que a da rosa.”

segunda-feira, 25 de março de 2019

REGRA DE VIDA

Anotações de uma equipista, em 1954, ouvindo palestra proferida pelo Pe. Caffarel sobre a Regra de Vida


Finalidade da Regra de Vida: 
Fazer com que Deus seja soberano na vida dos nossos lares. É isto uma obrigação. Nossa vocação sobrenatural consiste na caridade que nos une a Jesus Cristo e nos conduz até o Pai.

Ao pensar na Regra de Vida, considerar: 

Do que nos devemos desembaraçar, para não apagar a vida de Deus em nós? 
Alimentamos suficientemente esta vida? 
Exercitar-se em amar e servir a Deus. 
Nenhum de nós vai se exercitar, na prática, em todas as virtudes ao mesmo tempo. 
Cada um de nós deve ter a sua estratégia pessoal, com percepção de certos detalhes. 
Não confundir programa de vida (comunhão, orações, leituras, deveres) com os pontos particulares deste programa, sobre os quais é preciso fazer um esforço especial. 
Praticar determinada virtude para não permitir o desequilíbrio na vida. 
Esforços bem determinados.


Como organizar uma Regra de Vida? 
Principalmente, interrogar o Senhor.


Quando estabelecer a Regra de Vida? 
Em momentos em que tenhamos a possibilidade de rever a nossa vocação cristã.

Qual deve ser o conteúdo da Regra de Vida? 
Regra de Vida é pessoal: 
Orientação geral: abandono à providência. Dizer sim a Deus. Caridade. Exemplos: 
- A importância de ver no próximo que abordamos, um membro de Cristo (ver os trabalhadores, não como braços, mas como homens criados por Deus). 
- Pode-se fazer Regra de Vida comum aos dois cônjuges. 
- Fisionomias sorridentes. O sorriso, quaisquer que sejam as circunstâncias, por mais que custe... 
Incluir a oração na própria vida (por exemplo, um médico que, entre duas consultas, faz dois minutos de recolhimento: a acolhida aos doentes fica assim beneficiada). 
- Esforços também no plano natural; A graça se apóia sobre a natureza.

Primeira qualidade de uma Regra de Vida: 
Escrita e curta. Fixar o essencial. 


Regra de Vida mínima: impor-nos um mínimo abaixo do qual nunca deveremos descer. 
Concretizar. Nada significa dizer apenas “devo ser mais caridoso”. Descer até os detalhes (por exemplo, a falta de pontualidade que leva ao ener­vamento e, conseqüentemente, à falta de caridade).

Quando pensar na Regra de Vida? 
Todos os dias, no fim da oração. Controlar a sua execução, por exemplo, por ocasião do exame de cons­ciência diário. 
Observar a Regra de Vida por amor a Deus. 


Por que não se auxiliariam, marido e mulher, em praticar a Regra de Vida? 
No Dever de Sentar-se, troca de idéias franca sobre a prática da Regra de Vida (Haverá entretanto pontos sobre os quais poder-se-á não falar ao cônjuge). 
Pode haver troca de idéias sobre a Regra de Vida, na própria equipe.


A revisão da Regra de Vida: 
Cuidar da Regra de Vida, como o jardineiro cuida do jardim. 
Saber fazer a sua revisão, quando é pouco precisa. Saber refundi-la, se por acaso era por demais pretensiosa... 
Adaptá-la também ao tempo litúr­gico (Quaresma, Advento...).


Perigos a evitar na Regra de Vida: 
A Regra de Vida não convém da mesma maneira a todos os temperamentos. Cada qual deve escolher uma Regra de Vida “sob medida”. 
A Regra de vida deve nos impor um mínimo de exigências. 
Desconfiar de uma vida feita de regulamentos. O Cristianismo não é uma religião de regras, mas de caridade. 
Se quiserdes fazer comparações é com Cristo que devereis vos comparar. 
Cuidar para que o espírito não seja abafado pela letra. 
Desconfiar do formalismo.



Extraído da Carta Mensal de agosto de 1954

sábado, 9 de março de 2019

Equipes de Nossa Senhora - Orientações 2019 - “NÃO TENHAM MEDO, SAIAMOS...”,

Carta mensal 523


Queridos amigos equipistas, Primeiramente gostaríamos de desejar um ótimo e abençoado ano a todos.
Um novo ano se inicia e o Movimento mais uma vez nos oferece grandes possibilidades de crescimento através do Tema de Estudo e das Orientações para 2019.

Vejamos:
Iniciando uma nova etapa de formação, o Movimento através do Encontro de Fátima nos apresenta a orientação geral que deverá nortear os nossos temas nos próximos anos de 2019 a 2024.
Sendo assim, em 2019 o tema Reconciliação - Sinal de Amor está baseado na parábola do Filho Pródigo à luz do Evangelho de Lucas 15, 11-32. Esta foi qualificada como a obra mestra de todas as parábolas de Jesus, na qual o evangelista comenta situações que encerram variadas atitudes humanas e familiares, como a liberdade, a responsabilidade, a saudade, o retorno, a alegria, a festa, a reconciliação, a graça etc., que são traços universais da vida.

E com o lema: “Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e foi tomado de compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e o cobriu de beijos” (Lc 15, 20).
Isso quer dizer que: Não podemos ser indiferentes ao convite que a Igreja e o Movimento nos fizeram repetidamente nos últimos anos, para que respondamos
de forma coerente como corresponsáveis pela construção de um mundo guiado pelos valores que sustentam nosso caminho de fé, na graça sacramental de nossa conjugalidade.

É por isso que a orientação geral para os próximos seis anos, “NÃO TENHAM MEDO, SAIAMOS...”, procura concretizar a nossa condição de discípulos missionários, não como uma saída para a conquista de quilômetros ou números, não como uma saída para fazer proselitismo a fim de alimentar nossas vaidades, senão como uma saída que o fogo do Espírito nos leva a tocar e a ajudar a curar as feridas de nossas periferias que podem estar fora e, até mesmo, dentro do Movimento.

Esse sair não abandona nem negligencia, de modo algum, a nossa essência; pelo contrário, é uma saída que leva consigo tudo o que somos, que continua cuidando e cultivando este nosso Ser Equipista A orientação específica para o primeiro ano deste novo ciclo é um convite para servir dentro e fora do Movimento, sem ignorar nossas próprias fragilidades, que também necessitam ser atendidas, e sem deixar de cultivar nosso caminho espiritual.

A este respeito, somos encorajados pelas palavras do Papa Francisco, em sua recente Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: “... Somos chamados a viver a contemplação mesmo no meio da ação, e santificamo-nos no exercício responsável e generoso de nossa missão” (GE 26).
A partir da animação que cada um de nós oferece em seu serviço, propomos três linhas de ação:

1. Saiamos para servir, discernindo.
2. Saiamos para servir, a partir da vivência plena dos PCE.
3. Saiamos para servir, conhecendo e divulgando.
 
Saiamos para servir, discernindo em nosso entorno os desafios que podemos responder como Movimento. Viver a Missão a partir do nosso carisma, abordando os desafios sobre os quais nos propomos a atuar, partirá sempre de três premissas:
a) Realizá-la em casal;
b) Compartilhá-la em Equipe;
c) Contando com o impulso e o respaldo do Movimento.
Há inúmeros desafios que podemos discernir dentro e fora do Movimento.
Para dentro do Movimento:
O crescimento que o Movimento alcançou nos últimos anos nos deve questionar sobre vários pontos:
• A nossa Província / Região / Setor tem sido uma parte ativa deste crescimento?
• De que forma estamos inculturando a proposta das ENS para realizar a expansão?
• As nossas Equipes e os quadros de Casais Responsáveis vivem fielmente a pedagogia do Movimento?
• Nossos quadros de Casais Responsáveis possuem uma sólida formação?
• Nossa Equipe e as Equipes do nosso Setor, Região, Província, Super- Região são verdadeiras Equipes de Nossa Senhora, onde se vivem o Carisma, a Mística e a Pedagogia com fidelidade?
Esta linha de ação não é apenas para os quadros de Casais Responsáveis; é uma revisão crítica e construtiva do nosso “ser equipista” em todos os níveis do Movimento.

Para fora do Movimento:
Incentivar e formar na arte do acompanhamento, promovendo novas iniciativas e fortalecendo as já existentes.
• Os primeiros anos de vida conjugal;
• As etapas de crises e dificuldades;
• As situações complexas derivadas de fracassos, abandonos e incompreensões;
• A preparação para o casamento;
• As segundas uniões (novas núpcias);
• As viúvas e os viúvos;
• Os idosos.
No Brasil já temos várias propostas que atendem a esse apelo como:
• As Experiências Comunitárias,
• As EJNS que trabalham com os jovens onde temos casais acompanhadores;
• As Comunidades Nossa Senhora da Esperança, que trabalham com viúvos, viúvas e pessoas sós;
• O “Crescer no Amor”, que trabalha com casais que coabitam e não têm o sacramento do matrimônio também acompanhados por casais equipistas;
• A Pastoral Familiar, que atua com os jovens casais, preparação para o matrimônio e casais de segunda união, com cerca de 75% de casais equipistas atuando.
E em todos esses serviços necessitamos de muitos operários ainda.
Devemos incentivar sempre, particularmente esse ano, a assumirem, na medida do possível, sua missão junto das respectivas comunidades, particularmente na Pastoral Familiar, a partir da vivência plena dos PCEs.


Saiamos para servir, a partir da vivência plena dos PCEs. Por isso, deve-se promover e trabalhar o sentido profundo da partilha do PCE na Reunião de Equipe. Na prática dos PCEs e na dinâmica da participação, aceitamos Cristo, permitimos que Ele nos envolva, para poder ser seu testemunho ao sair.
É um propósito concreto deste ano: fortalecer a vivência da partilha.
Neste ano iremos dar maior ênfase ao PCE Regra de Vida.
 
Saiamos para servir, conhecendo e divulgando. A riqueza que o Movimento sempre colocou ao nosso alcance deve ser disseminada, aproveitada e colocada
em prática, fazendo-a chegar a todos os equipistas de base.
Como podem ver, temos muito a fazer e a crescer na fé e na espiritualidade.

Mãos à obra.
 
Afetuoso abraço.
Lu e Nelson
CR Super-Região