terça-feira, 4 de setembro de 2018

TEXTOS DO PADRE CAFFAREL - tema de estudo


Outro ministério do casal é a hospitalidade.
 
Muitas vezes não foi levado em conta pelos casais cristãos, de maneira que não foi concebido como uma missão importante da Igreja, ainda que os apóstolos dissessem continuamente: 
“Praticai a hospitalidade” (...).

Para tantos de nossos contemporâneos, ser acolhido no coração de um verdadeiro lar é fundamental. A descoberta dos amores familiares - conjugal, paternal, maternal, filial, fraternal – os introduz em um mundo novo onde encontram o equilíbrio interno que precisamente lhes faltava, por não terem podido crescer em um meio tão insubstituível como é o de uma família feliz (...).



Devemos pensar que no Plano de Deus o lar cristão é uma “área de descanso” no caminho da Igreja. Sem saber, o infiel tem um primeiro contato com a Igreja, o pecador experimenta sua misericórdia, os pobres e abandonados descobrem sua maternidade. Não se sentem assustados por esta descoberta da Igreja, porque, segundo a expressão de um amigo: “o lar é o rosto sorridente e amável da igreja” (...).


Não há nada mais importante que fazer as famílias cristãs compreenderem que, pela hospitalidade e
acolhida, exercem uma mediação insubstituível entre o mundo e a Igreja.



(Padre Caffarel, “Não esqueçais a hospitalidade”,
L’Anneau d’Or, nº 107, setembro-outubro, 1962).

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Textos do Padre Caffarel - tema de estudo 2018 - capítulo 6

Às vezes nos encontramos frente a dois erros
frequentes quando tratamos do apostolado, a palavra
sem ação e a ação sem palavra. E a Bíblia nos
ajudaria a vê-los claro. Ao longo de todo o Antigo
Testamento, Deus fala e atua simultaneamente. Fala
para fazer conhecer seu pensamento, sua vontade,
seu amor. Atua na liberação dos hebreus do Egito,
socorre-os de múltiplas formas. E se revela tanto por
seus atos como por suas palavras. (...) E o próprio Jesus
Cristo fala e atua. (...)

Assim deve ser o cristão. Enquanto discípulo de Cristo,
deve falar e atuar. Tem que ser o primeiro a ajudar
os que sofrem, os que estão aflitos, os oprimidos; deve
dedicar-se às grandes tarefas humanas, entregar-se até
o sacrifício; mas também por meio da palavra deve revelar
o segredo dessa lembrança de si mesmo e esse
dom aos demais, o amor e a graça do Deus em que crê.
Tem que dar conhecimento da esperança que há nele.
(Henri Caffarel, L’Anneau d’Or, nº 109,
O leigo, portador da Palavra, janeiro-fevereiro 1963).

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

O retiro nas equipes de Nossa Senhora

O retiro anual é um dos seis pontos concretos de esforço com que se compromete todo o equipista de Nossa Senhora. 

Este retiro, feito de preferência em casal, é uma inovação do padre Caffarel. O retiro permite-nos responder ao apelo do Senhor ao pararmos para tomar consciência do que é essencial: reencontrar Aquele que nos ama e nos chama: o Cristo e Senhor.

 Permite-nos também reencontrar-se a si mesmo e em casal. O próprio Cristo se retirava frequentemente para o deserto e recomendava também aos seus discípulos que se retirassem para se isolarem. Convida-nos a darmo-nos tempo para nos sentar sob o olhar de Deus, para fazer o balanço da nossa vida pessoal e conjugal e fazer projetos para o futuro. 

Assim como temos necessidade de descanso e de alimento para se ter uma boa saúde, também temos necessidade de descanso e de alimento para impulsionar a nossa vida espiritual. 

O retiro requer disponibilidade interior e desobstrução do que invade o espírito ou paralisa o coração.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O Não Falar Gera Dor

Não verbalizar o que sentimos e permanecer em silêncio gera dor, desconforto e angústia, suscitando sintomas físicos como: insônia, dor de cabeça, sinusite, gastrite e dores musculares. Muitas vezes é difícil definir um incômodo que sentimos, mas sabemos que ele existe devido a sensação que permeia nosso interior e que nos diz que há “algo errado”.
Quando o corpo físico apresenta queixas é sinal de que o emocional está saturado: cheio de mágoas, medos e emoções presas. Muitos buscam curar os sintomas paliativamente, tratando apenas o físico, de modo que os sintomas retornam da mesma forma que apresentados anteriormente, ou podem aparecer deslocados, isto é, sob a forma de outros fenômenos.
A cura só é possível quando encontrada a causa, assim a psicanálise se apresenta como um caminho para se alcançar o bem-estar. No processo analítico é possível sanar o incômodo interno através da fala, ferramenta que permite o acesso ao inconsciente, um lugar repleto dos momentos vividos, mas que não é possível chegar a ele sozinho. Nele se encontra todas as informações capazes de explicar a existência desses incômodos. O caminho para o inconsciente necessita de direcionamento e auxílio, por isso o papel do psicanalista é fundamental, somente ele poderá dar toda a estrutura possível para seguir essa trilha sem se perder. E esse trajeto demanda tempo, pois primeiro é necessário o fortalecimento interno para encarar o que foi vivenciado até o momento, rememorar lembranças e experiências ruins que foram guardadas de maneira tão profunda para que suas memórias não machucassem mais.
The Thinking in Rodin Museum in Paris
O pensamento é repleto de armadilhas e defesas. Quando o sentir está dentro da mente, pode ser facilmente sabotado e enganado. É no ato da fala que o sentir sai, isto é, toma a forma da palavra e toma a força da voz. Ao verbalizar, esse sentir volta como um bumerangue e se desloca do pensamento. Quando falamos, nos ouvimos e assim podemos acessar o lugar da emoção em que o incômodo estava preso. Essa é uma jornada impressionante que permite nos conhecer cada vez mais, de maneira que se a dor voltar, conhecemos o caminho percorrido devido o trabalho de descoberta analítica. Esse aprendizado e amadurecimento faz parte do movimento de descoberta do Eu, do autoconhecimento e da libertação para uma nova consciência.
Juliana Campos
Psicanalista