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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Igreja Católica lança serviço de escuta e oração em Porto Alegre

Igreja Católica lança serviço de escuta e oração em Porto Alegre

14.05.2020

A Igreja Católica lança na próxima segunda-feira (18) o TelePaz, serviço telefônico que buscará atender todos que desejam um momento para expressar as preocupações trazidas pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e uma companhia para rezar. Com apoio e suporte técnico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a iniciativa atenderá de segunda a domingo, das 9h às 12h, das 15h às 19h e das 20h às 23h e estará aberto a todos os interessados por meio do telefone (51) 3320-3800.

 

O TelePaz não tem caráter de aconselhamento, dedicando-se apenas à escuta e oração.  Os atendimentos serão realizados por pessoas vinculadas à Igreja Católica e com experiência neste tipo de acolhimento, prestando conforto a quem necessitar de amparo e apoio espiritual. As ligações não serão gravadas e haverá sigilo sobre tudo que for dito. 

 

“Queremos proporcionar uma oportunidade para as pessoas partilharem suas preocupações e angústias, especialmente diante do atual contexto. Desejar a paz, ou ‘shalom’, em hebraico, significa pedir que Deus conceda o que o ser humano mais precisa naquele momento. Para um doente, paz é saúde; para um desempregado, é trabalho; para um angustiado, é serenidade. Esta é a paz de Cristo que queremos compartilhar”, explica Dom Leomar Antônio Brustolin, bispo auxiliar de Porto Alegre e coordenador do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Teologia da PUCRS.

 

O serviço é coordenado pelo padre Eduardo Kologeski, vigário paroquial da Catedral Metropolitana de Porto Alegre.

 

Serviço:

 

O que: TelePaz - Serviço de escuta e oração da Igreja Católica em Porto Alegre.

Realização: Arquidiocese de Porto Alegre com apoio e suporte técnico da PUCRS.

Início: 18 de maio de 2020

Atendimento: segunda-feira a domingo, das 9h às 12h, das 15h às 19h e das 20h às 23h.

Telefone TelePaz: (51) 3320-3800

 

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Texto integral da pregação do Fr. Raniero Cantalamessa




"Será que Deus ama ser implorado para conceder os seus benefícios? Será que a nossa oração pode fazer Deus mudar seus planos? Não, mas há coisas que Deus decidiu conceder-nos como fruto, junto com sua graça e a nossa oração, quase como para compartilhar com as suas criaturas o mérito do benefício recebido. É ele quem nos impulsiona a fazê-lo: “Pedi e vos será dado, disse Jesus, batei e a porta vos será aberta” (Mt 7,7)."
Vatican News
O Fr. Raniero Cantalamessa, OFMCap fez a pregação da Sexta-feira da Paixão na Basílica de São Pedro. Eis o texto na íntegra:
"São Gregório Magno dizia que a Escritura cum legentibus crescit, cresce com aqueles que a leem[1]. Exprime significados sempre novos segundo as perguntas que o homem traz no coração ao lê-la. E nós, neste ano, lemos a narrativa da Paixão com uma pergunta – melhor, com um grito – no coração que se levanta de toda a terra. Devemos procurar colher a resposta que a palavra de Deus lhe dá.
O que acabamos de escutar é a narrativa do mal objetivamente maior jamais cometido na terra. Nós podemos olhar para ele de dois ângulos diversos: ou pela frente, ou por trás, isto é, ou pelas suas causas, ou pelos seus efeitos. Se nos detemos nas causas históricas da morte de Cristo, nós nos confundimos e cada um será tentado em dizer como Pilatos: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem” (Mt 27,24). A cruz é melhor compreendida pelos seus efeitos do que pelas suas causas. E quais foram os efeitos da morte de Cristo? Justificados pela fé nele, reconciliados e em paz com Deus, replenos de esperança de uma vida eterna! (cf. Rom 5,1-5)
Mas há um efeito que a situação em ato nos ajuda a colher em particular. A cruz de Cristo mudou o sentido da dor e do sofrimento humano. De todo sofrimento, físico e moral. Ela não é mais um castigo, uma maldição. Foi redimida pela raiz, quando o Filho de Deus a tomou sobre si. Qual é a prova mais segura de que a bebida que alguém lhe oferece não está envenenada? É se ele bebe em sua frente do mesmo copo. Assim Deus fez: na cruz bebeu, ao lado do mundo, do cálice da dor até a borra. Mostrou assim que ele não está envenenado, mas que há uma pérola em seu fundo.
E não só a dor de quem tem a fé, mas toda dor humana. Ele morreu por todos. “Quando for elevado da terra – dissera –, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). Todos, não somente alguns! “Sofrer – escrevia São João Paulo II do seu leito no hospital após o atentado – significa tornar-se particularmente receptivo, particularmente aberto à ação das forças salvíficas de Deus, oferecidas em Cristo à humanidade”[2]. Graças à cruz de Cristo, o sofrimento se tornou também ele, à sua maneira, uma espécie de “sacramento universal de salvação” para o gênero humano.
*    *    *
Qual é a luz que tudo isso lança sobre a situação dramática que a humanidade está vivendo? Também aqui, mais do que para as causas, devemos olhar para os efeitos. Não apenas os negativos, dos quais ouvimos todo dia as tristes manchetes, mas também os positivos, que somente uma observação mais atenta nos ajudar a colher.
A pandemia de corona vírus nos despertou bruscamente do perigo maior que sempre correram os indivíduos e a humanidade, o do delírio de onipotência. Temos a ocasião – escreveu um conhecido Rabino judeu – de celebrar este ano um especial êxodo pascal, o “do exílio da consciência”[3]. Bastou o menor e mais informe elemento da natureza, um vírus, para nos recordar que somos mortais, que o poderio militar e a tecnologia não bastam para nos salvar. “Não dura muito o homem rico e poderoso: – diz um salmo da Bíblia – é semelhante ao gado gordo que se abate” (Sl 49,21). E é verdade!
Enquanto pintava os afrescos da catedral de São Paulo em Londres, o pintor James Thornhill, a um certo ponto, foi tomado por tanto entusiasmo por um afresco seu que, afastando-se para vê-lo melhor, não percebia que quase despencava no vão do andaime. Um assistente, horrorizado, entendeu que um grito de chamada teria apenas acelerado o desastre. Sem pensar duas vezes, molhou um pincel na tinta e o arremessou contra o afresco. O mestre, pasmo, deu um passo adiante. A sua obra estava comprometida, mas ele estava salvo.
Assim Deus às vezes faz conosco: confunde os nossos projetos e a nossa tranquilidade, para nos salvar do abismo que não vemos. Mas cuidado para não nos enganarmos. Não foi Deus que arremessou o pincel contra o afresco de nossa orgulhosa civilização tecnológica. Deus é nosso aliado, não do vírus! “Eu tenho um desígnio de paz, não de sofrimento”, ele mesmo nos diz na Bíblia (Jr 29,11). Se esses flagelos fossem castigos de Deus, não seria explicado por que eles caem igualmente nos bons e nos maus, e por que geralmente são os pobres que têm as maiores consequências. Eles seriam mais pecadores que outros?
Aquele que chorou um dia pela morte de Lázaro chora hoje pelo flagelo que caiu sobre a humanidade. Sim, Deus "sofre", como todo pai e toda mãe. Quando descobrirmos um dia isso, teremos vergonha de todas as acusações que fizemos contra ele na vida. Deus participa da nossa dor para superá-la. “Deus – escreve Santo Agostinho –, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar do mal o bem”[4] .
Será que Deus Pai quis a morte do seu Filho, a fim de daí tirar o bem? Não, simplesmente permitiu que a liberdade humana fizesse o seu percurso, contudo, fazendo-a servir ao seu plano, não ao dos homens. Isto vale também para os males naturais, como terremotos e pestilências. Não os provoca. Ele deu também à natureza uma espécie de liberdade, claro, qualitativamente diversa daquela moral do homem, mas ainda assim, sempre uma forma de liberdade. Liberdade de evoluir-se segundo suas leis de desenvolvimento. Não criou o mundo como um relógio pré-programado em cada mínimo movimento. É o que alguns chamam de acaso, e que a Bíblia chama, ao contrário, de “sabedoria de Deus”.
*    *    *
O outro fruto positivo da presente crise de saúde é o sentimento de solidariedade. Quando foi, desde que há memória, que os homens de todas as nações se sentiram tão unidos, tão iguais, tão pouco contenciosos, como neste momento de dor? Jamais como agora temos sentido a verdade de um nosso grande poeta: “Homens, paz! Sobre a terra firme grande é mistério”.[5] Esquecemo-nos dos muros por construir. O vírus não conhece fronteiras. Em um segundo, abateu todas as barreiras e as distinções: de raça, de religião, de censo, de poder. Não devemos voltar atrás quando este momento tiver passado. Como tem nos exortado o Santo Padre, não devemos desperdiçar esta ocasião. Não deixemos que tanta dor, tantas mortes, tanto esforço heroico por parte dos profissionais de saúde tenha sido em vão. É esta a “recessão” que mais devemos temer.
Transformarão suas espadas em arados
e suas lanças em foices:
não pegarão em armas uns contra os outros
e não mais travarão combate (Is 2,4).
É o momento de tornar real algo desta profecia de Isaías, da qual a humanidade desde sempre aguarda o cumprimento. Demos um basta à trágica corrida às armas. Vocês gritam com todas as suas forças, jovens, porque é acima de tudo o seu destino que está em jogo. Destinemos os intermináveis recursos empregados às armas a finalidades de que, nestas situações, vemos a necessidade e a urgência: a saúde, o saneamento, a alimentação, o cuidado da criação. Deixemos à geração que virá, se necessário, um mundo mais pobre de coisas e dinheiro, porém mais rico de humanidade.
*    *    *
A palavra de Deus nos diz qual é a primeira coisa que devemos fazer em momentos como estes: gritar a Deus. É ele mesmo quem põe nos lábios dos homens as palavras para se gritar a ele, às vezes, até palavras duras, de lamento, e quase de acusação. “Levantai-vos, vinde logo em nosso auxílio, libertai-nos pela vossa compaixão! […] Despertai! Não nos deixeis eternamente!” (Sl 44,24.27). “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” (Mc 4,38).
 
Será que Deus ama ser implorado para conceder os seus benefícios? Será que a nossa oração pode fazer Deus mudar seus planos? Não, mas há coisas que Deus decidiu conceder-nos como fruto, junto com sua graça e a nossa oração, quase como para compartilhar com as suas criaturas o mérito do benefício recebido.[6] É ele quem nos impulsiona a fazê-lo: “Pedi e vos será dado, disse Jesus, batei e a porta vos será aberta” (Mt 7,7).
Quando, no deserto, os hebreus eram mordidos por serpentes venenosas, Deus ordenou a Moisés para levantar sobre uma haste uma serpente de bronze, e quem a olhava não morria. Jesus se apropriou deste símbolo. “Como Moisés levantou a serpente no deserto – disse a Nicodemos –, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna” (Jo 3,14-15). Também nós, neste momento, somos mordidos por uma invisível “serpente” venenosa. Olhemos para aquele que foi “levantado” por nós sobre a cruz. Adoremo-lo por nós e por todo o gênero humano. Quem olhar para ele com fé e amor não morrerá. E se morrer, será para entrar na vida eterna.
"Depois de três dias eu ressuscitarei", Jesus predisse (cf. Mt 9:31). Nós também, depois desses dias que esperamos que sejam curtos, ressuscitemos e saímos dos túmulos de nossas casas. Não para voltar à vida anterior como Lázaro, mas para uma nova vida, como Jesus. Uma vida mais fraterna, mais humana. Mais cristã!
________________________________________
Traduzido do italiano por Ir. Ricardo Farias, OFMCap

[1] Moralia in Iob, XX,1.
[2] Salvifici doloris, n. 23.
[4] Enchiridion, 11,3 (PL 40, 236).
[5] G. Pascoli, “I due fanciulli” (Os dois filhos).
[6] Cf. S. Tomás de Aquino, S.Th. II-IIae, q. 83, a.2.

domingo, 14 de agosto de 2016

Papa: Sem o fogo do Espírito Santo a Igreja torna-se fria


“Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso” (Lucas 12, 49) - ANSA
14/08/2016 12:27
Cidade do Vaticano (RV) – “Se a Igreja não recebe o fogo do Espírito Santo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos”.
 
Inspirado nas palavras de Jesus narradas em Lucas: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”, o Papa Francisco dedicou a sua alocução - que precede a oração mariana do Angelus – à ação do Espírito Santo na vida da Igreja e em nossa vida: “um fogo que começa no coração, e não na mente”, frisou.
O fogo do qual fala Jesus no Evangelho – explica o Papa - é o fogo do Espírito Santo, “presença viva e atuante em nós desde o dia do Batismo. Ele - o fogo - é uma força criadora que purifica e renova, queima toda miséria humana, todo egoísmo, todo pecado, nos transforma a partir de dentro, nos regenera e nos torna capazes de amar”:
“Jesus deseja que o Espírito Santo irrompa como fogo no nosso coração, porque somente partindo do coração, que o incêndio do amor divino poderá propagar-se e fazer progredir o Reino de Deus. Não parte da cabeça, parte do coração. E por isto Jesus quer que o fogo entre em nosso coração. Se nos abrirmos completamente à ação deste fogo que é o Espírito Santo, Ele nos dará a audácia e o fervor para anunciar a todos Jesus e a sua consoladora mensagem de misericórdia e de salvação, navegando em mar aberto, sem medo. Mas o fogo começa no coração”.
O Papa recorda, que para cumprir a sua missão no mundo, “a Igreja tem necessidade da ajuda do Espírito Santo, para não deixar-se frear pelo medo e pelo cálculo, para não habituar-se a caminhar dentro de fronteiras seguras”. Francisco adverte que “estes dois comportamentos, levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que não arrisca nunca”:
“Pelo contrário, a coragem apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo, nos ajuda a superar os muros e as barreiras, nos faz criativos e nos impele a colocarmo-nos em movimento para caminhar também por caminhos inexplorados ou desconfortáveis, oferecendo esperança a quantos encontramos”.
Precisamente com este fogo do Espírito Santo – disse o Santo Padre -  “somos chamados a nos tornar sempre mais comunidade de pessoas guiadas e transformadas, cheias de compreensão, pessoas de coração dilatado e de rosto alegre”. E acrescenta:
“Mais do que nunca existe a necessidade, mais do que nunca hoje existe a necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fiéis leigos, com o olhar atento do apóstolo, para mover-se e parar diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo curador da proximidade. Há precisamente o fogo do Espírito Santo que nos leva a nos fazer "próximos" dos outros: das pessoas que sofrem, dos necessitados; de tantas misérias humanas, de tantos problemas; dos refugiados, daqueles que sofrem. Aquele fogo que vem do coração. Fogo”.
Francisco recordou então dos “numerosos sacerdotes e religiosos que, em todo o mundo, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro a custo da própria vida”, e advertiu que se a Igreja não se abre ao fogo do Espírito, torna-se fria:
“O exemplar testemunho deles nos recorda que a Igreja não tem necessidade de burocratas e de diligentes funcionários, mas de missionários apaixonados, imbuídos pelo ardor de levar a todos a consoladora palavra de Jesus e a sua graça. Este é o fogo do Espírito Santo. Se a Igreja não recebe este fogo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos. Nos fará bem hoje, tomar cinco minutos e nos perguntar: "Mas, como está o meu coração? É frio? É morno? É capaz de receber este fogo?". Tomemos cinco minutos para isto. Nos fará bem a todos.
Ao final de sua alocução, o Santo Padre recordou o exemplo “de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade, cuja festa recorre hoje: que ele nos ensine a viver o fogo do amor de Deus e pelo próximo”. (JE)

Eis a alocução do Santo Padre na íntegra:
“O Evangelho deste domingo faz parte dos ensinamentos de Jesus dirigidos aos discípulos durante a sua subida à Jerusalém, onde lhe espera a morte na cruz. Para indicar o objetivo de sua missão, Ele se serve de três imagens: o fogo, o batismo e a divisão. Hoje quero falar da primeira imagem: o fogo.
Jesus a expressa com estas palavras: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”. O fogo do qual Jesus fala é o fogo do Espírito Santo, presença viva e atuante em nós desde o dia do Batismo. Ele - o fogo - é uma força criadora que purifica e renova, queima toda miséria humana, todo egoísmo, todo pecado, nos transforma a partir de dentro, nos regenera e nos torna capazes de amar. Jesus deseja que o Espírito Santo irrompa como fogo no nosso coração, porque somente partindo do coração que o incêndio do amor divino poderá propagar-se e fazer progredir o Reino de Deus. Não parte da cabeça, parte do coração. E por isto Jesus quer que o fogo entre em nosso coração. Se nos abrirmos completamente à ação deste fogo que é o Espírito Santo, Ele nos dará a audácia e o fervor para anunciar a todos Jesus e a sua consoladora mensagem de misericórdia e de salvação, navegando em mar aberto, sem medo. Mas o fogo começa no coração.
No cumprimento de sua missão no mundo, a Igreja - isto é, todos nós Igreja - tem necessidade de ajuda do Espírito Santo para não deixar-se frear pelo medo e pelo cálculo, para não habituar-se a caminhar dentro de fronteiras seguras. Estes dois comportamentos levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que não arrisca nunca. Pelo contrário, a coragem apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo nos ajuda a superar os muros e as barreiras, nos faz criativos e nos impele a colocarmo-nos em movimento para caminhar também por caminhos inexplorados ou desconfortáveis, oferecendo esperança a quantos encontramos. Com este fogo do Espírito Santo somos chamados a nos tornar sempre mais comunidade de pessoas guiadas e transformadas, cheias de compreensão, pessoas de coração dilatado e de rosto alegre. Mais do que nunca existe a necessidade, mais do que nunca existe a necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fieis leigos, com o olhar atento do apostolado, para mover-se e parar diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo curador da proximidade.Há precisamente o fogo do Espírito Santo que nos leva a nos fazer "próximos" dos outros: das pessoas que sofrem, dos necessitados; de tantas misérias humanas, de tantos problemas; dos refugiados, daqueles que sofrem. Aquele fogo que vem do coração. Fogo.
Neste momento, penso também com admiração sobretudo aos numerosos sacerdotes e religiosos que, em todo o mundo, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro a custo da própria vida. O exemplar testemunho deles nos recorda que a Igreja não tem necessidade de burocratas e de diligentes funcionários, mas de missionários apaixonados, imbuídos pelo ardor de levar a todos a consoladora palavra de Jesus e a sua graça.Este é o fogo do Espírito Santo. Se a Igreja não recebe este fogo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos. Nos fará bem hoje, tomar cinco minutos e nos perguntar: "Mas, como está o meu coração? É frio? É morno? É capaz de receber este fogo?". Tomemos cinco minutos para isto. Nos fará bem a todos.
E peçamos a Virgem Maria para rezar conosco e por nós ao Pai celeste, para que derrame sobre todos os fieis o Espírito Santo, fogo divino que aquece os corações e nos ajude a ser solidários com as alegrias e os sofrimentos dos nossos irmãos. Nos sustente no nosso caminho o exemplo de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade, cuja festa recorre hoje: que ele nos ensine a viver o fogo do amor de Deus e pelo próximo”.

(JE)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Papa Francisco: "Que a Igreja esteja sempre de Portas abertas"


Na manhã desta quarta-feira, em que se recorda a Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo, em Roma, o Papa Francisco abordou o tema da misericórdia afirmando que "A Igreja deve sempre ter as portas abertas" para acolher "o arrependimento".
Na audiência-geral desta manhã o Papa abordou o tema da Misericórdia de Deus utilizando a imagem "Da porta do Senhor".
No início da sua intervenção Francisco recordou o recente Sínodo dos Bispos pelo qual a Igreja transmitiu às famílias um grande encorajamento a que a vejam como porta aberta: "A Igreja foi encorajada a abrir as suas portas para sair, com o Senhor, ao encontro dos filhos e filhas em caminho, às vezes incertos, às vezes perdidos, nesses tempos difíceis".
O Papa exortou os cerca de 15 fiéis presentes a abrir as portas:
"Se a porta da misericórdia de Deus está sempre aberta, também as portas de nossas igrejas, das nossas paróquias e dioceses devem estar sempre abertas. Assim todos podemos sair e levar esta misericórdia de Deus. O Jubileu significa a grande porta da misericórdia de Deus, mas também as pequenas portas das nossas igrejas abertas para deixar o Senhor entrar ou muitas vezes deixar o Senhor sair de nossas estruturas, de nosso egoísmo."
Uma Igreja fechada mata o Evangelho
Olhando para o mundo atual Francisco lembrou algumas portas fechadas e outras outras estas mesmas portas estão blindadas: "Embora compreensível, não deixa de ser um mau sinal!Não devemos render-nos à ideia de aplicar este sistema à vida da família, da cidade, da sociedade e, menos ainda, à vida da Igreja. Uma Igreja sem hospitalidade, assim como uma família fechada em si mesma, mortifica o Evangelho e desertifica o mundo. Nada de portas blindadas na Igreja! Tudo aberto!"
O Papa afirmou que a porta deve estar aberta para proteger e não para deixar de fora:
"Quantas pessoas perderam a confiança, não tem a coragem de bater à porta do nosso coração cristão, às portas das nossas igrejas. Tirámos a confiança. Por favor, que isso jamais aconteça, afirmou". Para o Papa é fundamental que todos percebamos "que somos igualmente pecadores" e apenas a Graça de Deus, "e a sua misericórdia" nos permitem "deixar entrar o Senhor na nossa vida".
Jesus: A Porta
Jesus, explicou o Pontífice, é a porta que nos faz entrar e sair. "Porque o covil de Deus não é uma prisão, mas um refúgio." Mas diante da porta, está o guardião, que ouve a voz de Jesus, então abre e faz entrar todas as ovelhas que Ele traz.
"Não é o guardião que escolhe as ovelhas, mas o bom Pastor. Não é o secretário ou a secretária da paróquia que decide quem entrar. A Igreja é a porteira da casa do Senhor, não a patroa", afirmou. Assim, para Francisco, deve ser reconhecida a Igreja por toda a terra: "como a guardiã de um Deus que bate à porta, como a rececionista de um Deus que não fecha a porta com a desculpa de que não somos de casa" como aponta o livro do Apocalipse.
Francisco concluiu com um pedido:
"Que as famílias cristãs façam da ombreira de casa um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e do acolhimento de Deus. Com este espírito, estamos próximos do Jubileu. Haverá a Porta Santa, mas há a porta da misericórdia de Deus. E que haja também a porta do nosso coração para receber o perdão de Deus ou dar o nosso perdão e acolher todos os que batem à nossa porta."
Educris com Radio Vaticana


terça-feira, 14 de junho de 2016

Papa: "rezar pelos inimigos, a perfeição da vida cristã"


Papa Francisco durante a homilia na Casa Santa Marta - OSS_ROM
14/06/2016 10:30
Cidade do Vaticano (RV) - Saber rezar por quem não nos quer bem melhora os nossos inimigos e nos torna mais ‘filhos do Pai’.
Com esta reflexão, o Papa encerrou a homilia da missa da manhã da terça-feira, (14/06), celebrada na Casa S. Marta.
 
Francisco descreveu o trecho do Evangelho em que Jesus exorta os discípulos a buscarem a perfeição de Deus, que leva o seu sol aos bons e aos maus.
“Vocês entenderam o que foi dito, mas eu lhes digo”. A Palavra de Deus e dois modos inconciliáveis de interpretá-la: uma lista árida de deveres e proibições ou o convite a amar o Pai e os irmãos com todo o coração, chegando ao ponto de rezar pelo próprio adversário.
É a dialética do confronto entre os doutores da lei e Jesus; entre a Lei proposta de modo esquemático ao povo hebraico e a seus líderes e a plenitude daquela mesma Lei que Cristo afirma trazer.
Adversários
O Papa reafirma uma convicção já expressa outras vezes. Quando Jesus inicia a sua pregação, hostilizado por seus adversários, ‘a explicação da lei naquele tempo estava em crise’:
“Era uma explicação teórica demais, casuística. Digamos que era uma lei na qual não existia o coração próprio dela, que é o amor de Deus, que Deus nos deu. Por isso, o Senhor repete o que estava no Antigo Testamento: qual é o maior Mandamento? Amar a Deus, com todo o coração, com todas as forças, com toda a alma; e ao próximo como a ti mesmo. E na explicação dos Doutores da Lei isto não constava muito. No centro estavam os casos: isto se pode fazer? Até que ponto se pode fazer aquilo? E se não se pode?... A casuística própria da Lei. E Jesus toma isto e retoma o verdadeiro sentido da Lei para leva-lo à sua plenitude”.
Cura
O Papa coloca em evidência como Jesus oferece “muitos exemplos” para mostrar os Mandamentos sob uma nova luz. “Não matarás”, afirma, também pode significar não insultar um irmão e assim por diante, até a enfatizar como o amor é “mais generoso das palavras da lei”, do manto acrescentado como um presente para aquele que pediu o vestido e os dois quilômetros feitos com aquele que pediu para ser acompanhado somente por um:
“É um trabalho que não é apenas um trabalho para o cumprimento da Lei, mas é um trabalho de cura do coração. Nesta explicação que Jesus faz sobre os Mandamentos – no Evangelho de Mateus, em particular – há um caminho de cura: um coração ferido pelo pecado original – todos nós temos o coração ferido pelo pecado, todos – deve seguir este caminho de cura e curar para assemelhar-se ao Pai, que é perfeito: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”. Um caminho de cura para ser filhos como o Pai”.
Passo mais difícil
E a perfeição que Jesus indica é aquela contida na passagem de hoje do Evangelho de Mateus. “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem”. “É o último passo” desta estrada, afirma o Papa, o mais difícil. Francisco lembra que, quando era jovem, pensando em um dos grandes ditadores da época, era costume rezar para que Deus lhe reservasse em breve o inferno. Em vez disso, conclui, Deus pede um exame de consciência:
“Que o Senhor nos dê a graça, apenas esta: rezar por nossos inimigos; rezar por aqueles que nos desejam o mal, que não nos querem bem; rezar por aqueles que nos ferem, que nos perseguem. E cada um de nós sabe o nome e o sobrenome: rezar por isso, por isso... Garanto a vocês que esta oração vai fazer duas coisas: ele vai melhorar, porque a oração é poderosa, e nós seremos mais filhos do Pai”.
(CM-SP)