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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Igreja Católica lança serviço de escuta e oração em Porto Alegre

Igreja Católica lança serviço de escuta e oração em Porto Alegre

14.05.2020

A Igreja Católica lança na próxima segunda-feira (18) o TelePaz, serviço telefônico que buscará atender todos que desejam um momento para expressar as preocupações trazidas pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e uma companhia para rezar. Com apoio e suporte técnico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a iniciativa atenderá de segunda a domingo, das 9h às 12h, das 15h às 19h e das 20h às 23h e estará aberto a todos os interessados por meio do telefone (51) 3320-3800.

 

O TelePaz não tem caráter de aconselhamento, dedicando-se apenas à escuta e oração.  Os atendimentos serão realizados por pessoas vinculadas à Igreja Católica e com experiência neste tipo de acolhimento, prestando conforto a quem necessitar de amparo e apoio espiritual. As ligações não serão gravadas e haverá sigilo sobre tudo que for dito. 

 

“Queremos proporcionar uma oportunidade para as pessoas partilharem suas preocupações e angústias, especialmente diante do atual contexto. Desejar a paz, ou ‘shalom’, em hebraico, significa pedir que Deus conceda o que o ser humano mais precisa naquele momento. Para um doente, paz é saúde; para um desempregado, é trabalho; para um angustiado, é serenidade. Esta é a paz de Cristo que queremos compartilhar”, explica Dom Leomar Antônio Brustolin, bispo auxiliar de Porto Alegre e coordenador do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Teologia da PUCRS.

 

O serviço é coordenado pelo padre Eduardo Kologeski, vigário paroquial da Catedral Metropolitana de Porto Alegre.

 

Serviço:

 

O que: TelePaz - Serviço de escuta e oração da Igreja Católica em Porto Alegre.

Realização: Arquidiocese de Porto Alegre com apoio e suporte técnico da PUCRS.

Início: 18 de maio de 2020

Atendimento: segunda-feira a domingo, das 9h às 12h, das 15h às 19h e das 20h às 23h.

Telefone TelePaz: (51) 3320-3800

 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Para amar a Deus concretamente, é preciso amar os irmãos, isto é, rezar por eles, simpáticos e antipáticos, inclusive pelo inimigo.

Papa celebra a missa na Casa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)

Papa: para amar a Deus, é preciso amar o irmão

Francisco inspirou sua homilia na Primeira Leitura, em que o Senhor nos pede concretude no amor.
Debora Donnini – Cidade do Vaticano
Para amar a Deus concretamente, é preciso amar os irmãos, isto é, rezar por eles, simpáticos e antipáticos, inclusive pelo inimigo. Na homilia desta manhã (10/01) na capela da Casa Santa Marta, o Papa fez um forte apelo ao amor. Quem nos dá a força para amar assim é a fé, que vence o espírito do mundo.
Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

O espírito do mundo é mentiroso

A reflexão de Francisco se inspirou na Primeira Carta de São João apóstolo (1Jo 4,19 - 5,4) proposta pela Liturgia do dia. O apóstolo João, de fato, fala de “mundanidade”. Quando diz: “Quem foi gerado por Deus é capaz de vencer o mundo” está falando da “luta de todos dias” contra o espírito do mundo, que é “mentiroso”, é um “espírito de aparências, sem consistência”, enquanto “o Espírito de Deus é verdadeiro”.
“O espírito do mundo é o espírito da vaidade, das coisas que não têm força, que não têm fundamento e que acabarão”, destacou Francisco. Como os doces de Carnaval, os crêpes – chamados em dialeto de “mentiras” – não são consistentes, mas “cheios de ar”, isto é, do espírito do mundo.

O espírito do mundo divide sempre

O apóstolo nos oferece o caminho da concretude do espírito de Deus: dizer e fazer são a mesma coisa. “Se você tem o Espírito de Deus” – recordou o Papa –, fará coisas boas. E o apóstolo João diz uma coisa “cotidiana”: “Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê”. “Se você não é capaz de amar algo que vê, como conseguirá amar algo que não vê? Isso é a fantasia”, destacou o Papa, exortando a amar “o que se vê, se pode tocar, que é real. E não as fantasias, que não se veem”.
Se você não é capaz de amar a Deus no concreto, não é verdade que você ama a Deus. E o espírito do mundo é um espírito de divisão e quando se infiltra na família, na comunidade, na sociedade sempre cria divisões: sempre. E as divisões crescem e vêm o ódio e a guerra … João vai além e diz: “Se alguém diz ‘Amo a Deus', mas entretanto odeia o seu irmão, é um mentiroso”, isto é, é filho do espírito do mundo, que é pura mentira, pura aparência. E isso é algo sobre o qual nos fará bem refletir: eu amo a Deus? Mas vamos fazer uma comparação e ver como você ama o seu irmão: vamos ver como você o ama.
O Papa então indicou três sinais que indicam que não amo o irmão. Antes de tudo, Francisco exortou a rezar pelo próximo, também por aquela pessoa que é antipática e sei que não me quer bem, também por aquela que me odeia, pelo inimigo, como disse Jesus. Se não rezo, “é um sinal que você não ama”:
O primeiro sinal, pergunta que todos devemos fazer: eu rezo pelas pessoas? Por todas, concretas, as que são simpáticas e antipáticas, por aquelas amigas e não são amigas. Primeiro. Segundo sinal: quando eu sinto dentro de mim sentimentos de ciúme, de inveja e quero desejar o mal ou não... é um sinal que não ama. Pare ali. Não deixar crescer esses sentimentos: são perigosos. Não deixá-los crescer. E depois o sinal mais cotidiano de que eu não amo o próximo e, portanto, não posso dizer que amo a Deus, é a fofoca. Vamos colocar no coração e na cabeça: se eu faço fofocas, não amo a Deus porque com as fofocas estou destruindo aquela pessoa. As fofocas são como balas de mel, que são saborosas, uma chama a outra e depois o estômago se consuma, com tantas balas... Porque é bom, é “doce” fofocar, parece uma coisa bela, mas destrói. E este é um sinal de que você não ama.

A necessidade da fé

Se uma pessoa deixa de fofocar na sua vida, “eu diria que é muito próxima a Deus”, porque – explicou Francisco – não fofocar “protege o próximo, protege Deus no próximo”.
E o espírito do mundo se vence com este espírito de fé: acreditar que Deus está no meu irmão, na minha irmã. A vitória que venceu o mundo é a nossa fé. Somente com tanta fé é possível percorrer esta estrada, não com pensamentos humanos de bom senso … não, não: não são necessários. Ajudam, mas não servem nesta luta. Somente a fé nos dará a força para não fofocar, para rezar por todos, inclusive pelos inimigos e de não deixar crescer os sentimentos de ciúme e de inveja. O Senhor, com este trecho da Primeira Carta de São João apóstolo, nos pede concretude no amor. Amar a Deus: mas se você não ama seu irmão, não pode amar a Deus. E se você diz amar o seu irmão, mas na verdade não o ama, o odeia, você é um mentiroso.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Papa na Santa Marta: a concretude é o critério do cristianismo!

Papa Francisco na Capela da Casa Santa MartaPapa Francisco na Capela da Casa Santa Marta  (Vatican Media)


Na homilia da Missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco recorda que Deus se tornou "concreto, nascido de uma mulher concreta, viveu uma vida concreta, morreu de morte concreta e nos pediu para amar nossos irmãos e irmãs concretos".
Giada Aquilino - Cidade do Vaticano
Os mandamentos de Deus são "concretude": este portanto, é  o "critério" do cristianismo, não as "belas palavras". Foi o que afirmou  o Papa na homilia da missa matutina na Casa Santa Marta, a primeira após as festividades de Natal.
Rezando para que os Santos, "os loucos da concretude" nos ajudem a "caminhar" neste caminho e a "discernir" as coisas concretas que  "o Senhor quer" das "fantasias" e ilusões dos  "falsos profetas “, Francisco inspirou-se na Primeira Carta de São João Apóstolo: tudo o que pedimos, recebemos de Deus, sob condição - explica o Pontífice - que observemos seus mandamentos e façamos o que é de seu agrado.

Uma porta aberta

 

O acesso a Deus, portanto, é "aberto", continua o Papa, e a "chave" é precisamente aquela sugerida pelo apóstolo: acreditar "em nome de seu filho Jesus Cristo" e nos amar "uns aos outros":  somente assim podemos pedir "o que queremos", com "coragem", "descaradamente", acrescenta Francisco:
Acreditar que Deus, o Filho de Deus veio na carne, tornou-se um de nós. Esta é a fé em Jesus Cristo: um Jesus Cristo, um Deus concreto, que foi concebido no ventre de Maria, que nasceu em Belém, que cresceu como uma criança, que fugiu para o Egito, que retornou a Nazaré, que aprendeu a ler com o pai, a trabalhar, a ir em frente e depois a pregação ... concreto: um homem concreto, um homem que é Deus mas homem. Não é Deus disfarçado de homem. Não. Homem, Deus que se fez homem. A carne de Cristo. Essa é a concretude do primeiro mandamento. O segundo também é concreto. Amar, amar-nos uns aos outros, amor concreto, não amor de fantasia: "Eu te quero bem, ah quanto te  quero bem" e depois, com a minha língua, eu te destruo, com a fofoca ... Não, não, não. Amor concreto. Ou seja, os mandamentos de Deus são concretos e o critério do cristianismo é a concretude, não as ideias e as belas palavras ... Concretude. E esse é o desafio.

Vigilância espiritual

 

O apóstolo João, um “apaixonado da encarnação de Deus", enfatiza o Papa, exorta então a "examinar" os espíritos, isto é, explica que quando vem "uma ideia sobre Jesus, sobre as pessoas, sobre fazer alguma coisa, sobre  pensar que a redenção segue por esse caminho”, esta inspiração deve ser examinada. A vida do cristão é, em última análise, concretude na fé em Jesus Cristo e na caridade, mas também é "vigilância espiritual", acrescenta ele:
A vida do cristão é concretude na fé em Jesus Cristo e na caridade, mas também é luta, porque sempre se apresentam ideias ou falsos profetas que oferecem a você um Cristo "soft", sem tanta carne e o  amor ao próximo é um pouco relativo ... "Sim, estes sim que estão do meu lado, mas aqueles, não ...".

Os falsos profetas

 

A exortação do Pontífice é, portanto, acreditar em Cristo que "veio na carne", e acreditar no "amor concreto" e a discernir, segundo a grande verdade da "encarnação do Verbo" e do "amor concreto", para compreender se os "espíritos" - "isto é, a inspiração" -  vêm "verdadeiramente de Deus", porque "muitos falsos profetas vieram ao mundo": o diabo – reitera o Papa -  sempre tenta "nos afastar de Jesus, do permanecer em Jesus”,  por isso, é necessária “a vigilância espiritual".
Para além dos pecados cometidos, reflete Francisco, o cristão "no final do dia deve tomar dois, três, cinco minutos" para se perguntar o que aconteceu em seu "coração", que inspiração ou quem sabe até mesmo que "loucura do Senhor" lhe surgiu: porque "o Espírito às vezes nos impele para a loucura, mas para as grandes loucuras de Deus".
Como por  exemplo - relata o Papa -  aquela de um homem - presente na Missa de hoje - que "há mais  de 40 anos deixou a Itália para ser um missionário entre os leprosos" no Brasil, ou aquela de Santa Francesca Cabrini, que estava sempre "em viagem" para "cuidar dos migrantes". O convite, portanto, é o de "não ter medo" e discernir:
Quem pode me ajudar a discernir? O povo de Deus, a Igreja, a unanimidade da Igreja, o irmão, a irmã que tem o carisma para nos ajudar a ver claramente. Por isso é importante para o cristão a conversa espiritual com pessoas de autoridade espiritual. Não é necessário ir ao Papa ou ao bispo para ver se o que sinto é bom, mas há tantas pessoas, sacerdotes, religiosas, leigos, que têm essa capacidade de nos ajudar a ver o que acontece em meu espírito, para não errar. Jesus teve que fazer isso no começo de sua vida quando o diabo o visitou no deserto e lhe propôs três coisas, que não estavam de acordo com o Espírito de Deus e Ele rejeitou o diabo com a Palavra de Deus. Se a Jesus aconteceu aquilo,  também conosco, também conosco. Não ter medo.

A disciplina da Igreja

 

Por outro lado, reflete Francisco, mesmo no tempo de Jesus "havia pessoas com boa vontade", mas que pensavam que o caminho de Deus era "outro": o Papa cita os fariseus, os saduceus, os essênios, os zelotes, "todos tinham a lei em  mãos", mas nem sempre seguiam pelo melhor caminho.  O chamado, portanto,  é  para a "mansidão da obediência”.
Para isto – acrescenta o Papa – “o povo de Deus vai em frente na concretude”, aquela da caridade, da fé, da Igreja: e este “é o sentido da disciplina da Igreja”. Quando a disciplina da Igreja está em tal concretude “ajuda a crescer”, assim evitando “filosofias dos fariseus e dos saduceus”.
É Deus, conclui Francisco, que tornou-se  "concreto, nascido de uma mulher concreta, viveu uma vida concreta, morreu de morte concreta e nos pede para amar os irmãos e as irmãs concretos", ainda que "alguns não sejam fáceis de amar ".

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Dizer e fazer. Areia e rocha. Alto e baixo. A homilia do Papa Francisco na capela da Casa Santa Marta se inspira nesse jogo de palavras.

Papa celebra a missa na Casa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)

Papa Francisco: o Senhor é a rocha sobre a qual construir a vida

Dizer e fazer. Areia e rocha. Alto e baixo. A homilia do Papa Francisco na capela da Casa Santa Marta se inspira nesse jogo de palavras.
Amedeo Lomonaco – Cidade do Vaticano
Na homilia da missa matutina (06/12), o Papa Francisco, referindo-se ao trecho do Evangelho de hoje de Mateus e na Primeira Leitura extraída do livro do Profeta Isaías, indica uma série de palavras em contraste umas com as outras.
Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

Dizer e fazer

As primeiras palavras, “dizer e fazer”, marcam dois caminhos opostos da vida cristã:
“O dizer é um modo de acreditar, mas muito superficial, na metade do caminho: eu digo que sou cristão, mas não faço as coisas do cristão. É um pouco – para dizê-lo simplesmente – maquiar-se como cristão: dizer somente é um truque, dizer sem fazer. A proposta de Jesus é concretude, sempre concreto. Quando alguém se aproximava e pedia conselho, sempre coisas concretas. As obras de misericórdia são concretas”.

Areia e rocha

As outras duas palavras em contraste são “areia e rocha”. A areia “não é sólida”, é “uma consequência do dizer”, um maquiar-se como cristão, uma vida construída “sem fundamentos”. A rocha, ao invés, é o Senhor.
É Ele, a força. Mas muitas vezes quem confia no Senhor não aparece, não tem sucesso, está escondido … mas é firme. Não tem a sua esperança no dizer, na vaidade, no orgulho, nos efêmeros poderes da vida … O Senhor, a rocha. A concretude da vida cristã nos faz ir avante e construir sobre aquela rocha que é Deus, que é Jesus; sobre o sólido da divindade. Não sobre as aparências ou as vaidades, o orgulho, as recomendações... Não. A verdade.

Alto e baixo

O terceiro binômio, alto e baixo, contrapõe os passos dos orgulhosos, dos vaidosos aos passos dos humildes. Recordando a primeira leitura extraída do livro do profeta Isaías, Francisco destacou que o Senhor “derrubou os que habitam no alto, há de humilhar a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar chão. Hão de pisá-la os pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes”.
Este trecho do profeta Isaías parece o canto da Nossa Senhora, do Magnificat: o Senhor eleva os humildes, os que estão na concretude de todos os dias, e abate os soberbos, os que construíram a sua vida na vaidade, no orgulho...estes não duram.

Perguntas para o Advento

Neste Advento, concluiu o Papa, nos ajudarão algumas perguntas cruciais: "Eu sou cristão do dizer ou do fazer? Construo a minha vida sobre a rocha de Deus ou sobre a areia da mundanidade, da vaidade? Sou humilde, procuro caminhar sempre por baixo, sem orgulho, e assim servir o Senhor?".

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Papa: Ai dos cristãos hipócritas, que deixam Jesus na Igreja

Papa celebra a missa na Casa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)

Na homilia da missa na Casa Santa Marta, o Papa convida a refletir sobre a hipocrisia dos justos, que vivem o cristianismo “como um costume social”.
Alessandro Di Bussolo – Cidade do Vaticano
Nós que nascemos numa sociedade cristã, corremos o risco de viver o cristianismo “como um costume social”, formalmente, com a “hipocrisia dos justos”, que têm “medo de deixar-se amar”. Na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta, o Papa convida todos a um exame de consciência, comentando o Evangelho de São Lucas e a advertência de Jesus aos habitantes de Betsaida, Corazim e Cafarnaum, que não acreditaram nele não obstante os milagres.
Jesus “está triste por ter sido rejeitado”, explicou Francisco, enquanto cidades pagãs como Tiro e Sidônia, vendo os seus milagres “com certeza teriam acreditado”. E chora, “porque essas pessoas não foram capaz de amar”, enquanto Ele “queria chegar a todos os corações com uma mensagem que não era uma mensagem ditatorial, mas era uma mensagem de amor”.

Cristianismo formal

Vamos nos colocar no lugar dos habitantes das três cidades, prosseguiu o Papa. “Eu que recebi muito do Senhor, nasci numa sociedade cristã, conheci Jesus Cristo, conheci a salvação”, fui educado à fé. E com muita facilidade me esqueço de Jesus. Depois, ao invés, “ouvimos notícias de outras pessoas que ouviram o anúncio de Jesus, se converte e o segue”. Mas nós, comentou o Pontífice, estamos “acostumados”.
E esta é uma atitude que nos faz mal, porque reduzimos o Evangelho a um fato social, sociológico, e não a uma relação pessoal com Jesus. Jesus fala a mim, fala a você, fala a cada um de nós. A pregação de Jesus é para cada um de nós. Como é possível que aqueles pagãos, que ao ouvirem a pregação de Jesus o seguem, e eu, que nasci aqui, numa sociedade cristã, me acostumo, e o cristianismo é como se fosse um costume social, uma veste que visto e depois a deixo? E Jesus chora sobre cada um de nós quando nós vivemos o cristianismo formalmente, não realmente.

Hipocrisia dos justos

Se agimos assim, esclareceu Francisco, somos um pouco hipócritas, com a hipocrisia dos justos.
Há a hipocrisia dos pecadores, mas a hipocrisia dos justos é o medo ao amor de Jesus, o medo de deixar-se amar. E, na realidade, quando nós fazemos isso, nós tentamos administrar a relação com Jesus. “Sim, eu vou à Missa, mas você fique na Igreja que eu depois vou para casa”. E Jesus não volta conosco para casa: na família, na educação dos filhos, na escola, no bairro…

Exame de consciência

E assim Jesus permanece lá na Igreja, comentou Francisco amargurado, “ou permanece no crucifixo ou na imagem”.
Hoje pode ser para nós um dia de exame de consciência, com este refrão: “Ai de ti, ai de ti”, porque eu dei muito, dei a mim mesmo, escolhi você para ser cristão, ser cristã, e você prefere uma vida pela metade, uma vida superficial: um pouco sim de cristianismo e água benta, mas nada mais. Na realidade, quando se vive esta hipocrisia cristã, o que nós fazemos é expulsar Jesus do nosso coração. Fazemos de conta tê-lo conosco, mas o expulsamos. “Somos cristãos, orgulhosos de sermos cristãos”, mas vivemos como pagãos.
Cada um de nós, concluiu o Papa, deve pensar: “Sou Corazim? Sou Betsaida? Sou Cafarnaum?”. E se Jesus chora, pedir a graça de chorar também nós. Com esta oração: “O Senhor me deu muito. O meu coração é tão duro que não o deixa entrar. Pequei de ingratidão, sou um ingrato, sou uma ingrata”. “E peçamos ao Espírito Santo que nos escancare as portas do coração, de modo que Jesus possa entrar e não só ouçamos Jesus, mas ouçamos a sua mensagem de salvação e “assim dar graças por tantas coisas boas que ele fez por cada um de nós”.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Papa: livre-se de todos os ídolos, jogue-os pela janela!

"Reconhecer as próprias idolatrias é um início da graça e coloca no caminho do amor. De fato, o amor é incompatível com a idolatria: se algo se torna absoluto e intocável, então é mais importante do que um cônjuge, de um filho, ou de uma amizade. O apego a um objeto ou a uma ideia nos deixa cegos para o amor. Levem isso no coração, os ídolos nos roubam o amor. Os ídolos nos tornam cegos ao amor. E para amar verdadeiramente, é preciso ser livres de todos os ídolos.
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
Um ídolo é uma “visão” que tende a tornar-se uma obsessão, exige culto e rituais, e por fim, escraviza. Ao retomar a tradicional Audiência Geral das quartas-feiras, o Papa Francisco dedicou sua catequese à idolatria, explicando toda a sua dinâmica, e convidando-nos a tirar os ídolos de nossa vida e a jogá-los pela janela.
Entre os 7 mil participantes do tradicional encontro, realizado na Sala Paulo VI devido ao forte calor, havia grupos das Equipes de Nossa Senhora de Mogi das Cruzes e São José do Rio Preto, e peregrinos de Taubaté e de outras localidades do Brasil.

Idolatria, um tema atual

 

"Não terás outros deuses diante de mim". A passagem do Livro do Êxodo foi o ponto de partida para a catequese de Francisco sobre a idolatria, um tema sobre o qual “se deve insistir”, pois “é de grande importância e atualidade”.
A ordem – explicou o Papa -  proíbe fazer ídolos ou imagens de qualquer tipo de realidade. “Tudo, de fato, pode ser usado como um ídolo”, ressaltou. “Estamos falando de uma tendência humana que não poupa crentes, nem ateus”.
Neste sentido,  nós cristãos poderíamos nos perguntar então: “Quem é realmente o meu Deus? É o Amor Uno e Trino ou é minha imagem, meu sucesso pessoal, talvez dentro da Igreja?”, questiona Francisco, fazendo menção ao Catecismo, onde diz que “a idolatria não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus" (n. 2113).


Um "deus" no plano existencial, “é o que está no centro da própria vida e do qual depende o que se faz  e se pensa”:
“Pode-se crescer em uma família nominalmente cristã, mas centrada, na realidade, em pontos de referência estranhos ao Evangelho. O ser humano não vive sem centrar-se em alguma coisa. Então eis que o mundo oferece o "supermercado" dos ídolos, que podem ser objetos, imagens, ideias, papeis”.
“Nós devemos rezar a Deus, nosso Pai”, disse então Francisco, ao chamar a atenção para a “oração que se faz aos ídolos”. Para tal, recordou que quando atravessava um parque deslocando-se de uma paróquia à outra, viu mais de 50 mesas com duas pessoas sentadas uma diante da outra, jogando o tarot: “Iam ali rezar ao ídolo. Ao invés de rezar a Deus que é providência do futuro, iam ali botar as cartas para ver  o futuro. Esta é uma idolatria de nossos tempos”:
Eu pergunto a vocês. Quantos de vocês foram ler as cartas para ver o futuro? Quantos de vocês, por exemplo, foram ler as mãos para ver o futuro, ao invés de rezar ao Senhor. Esta é a diferença. O Senhor é vivo, os outros são ídolos, idolatrias que não servem”.

A dinâmica da idolatria

 

O Papa então passa a explicar como se desenvolve uma idolatria.
“ A palavra "ídolo" em grego deriva do verbo "ver". Um ídolo é uma "visão" que tende a se tornar uma fixação, uma obsessão ”
O ídolo – observa o Pontífice - é uma projeção de si mesmo em objetos ou projetos:
“Desta dinâmica se serve, por exemplo, a publicidade: eu não vejo o objeto em si, mas percebo o carro, o smartphone, aquele papel - ou outras coisas - como um meio para realizar-me e responder às minhas necessidades essenciais. E eu procuro por ele, falo dele, penso nele; a ideia de possuir esse objeto ou de realizar esse projeto, alcançando aquela posição, parece um caminho maravilhoso para a felicidade, uma torre para alcançar o céu, e tudo se torna funcional para esse objetivo”.

Não te prostrarás diante deles

 

Os ídolos exigem um culto, rituais, disse o Papa, ao explicar a segunda fase da idolatria. “Para eles nos prostramos e sacrificamos tudo. Nos tempos antigos, sacrifícios humanos eram feitos para os ídolos, mas também hoje”:
“Pela  carreira – fale com um carreirista - se sacrificam seus filhos, negligenciando-os ou simplesmente não os gerando; a beleza exige sacrifícios humanos. Quantas horas diante do espelho, alguém, alguma mulher gasta para maquiar-se. Esta também é uma idolatria. Mas não é mal maquiar-se. Mas normalmente, não para tornar-se uma deusa. A beleza pede sacrifícios humanos. A fama exige a imolação de si mesmos, da própria inocência e da autenticidade. Os ídolos pedem sangue. O dinheiro rouba a vida e o prazer leva à solidão. As estruturas econômicas sacrificam vidas humanas por lucros maiores”.
E o Papa pensa nas tantas pessoas sem trabalho, muitas vezes porque o empreendedor de uma empresa decidiu despedir as pessoas para ganhar mais dinheiro, “o ídolo do dinheiro”:
“Vive-se na hipocrisia, fazendo e dizendo o que os outros esperam, porque o deus da própria afirmação impõe isso. E vidas são arruinadas, famílias são destruídas e jovens são abandonados nas mãos de modelos destrutivos, apenas para aumentar o lucro. Também a droga é um ídolo. Quantos jovens arruínam a sua saúde, até mesmo a vida, adorando este ídolo da droga”.

Terceiro estágio: não os servirá

 

O terceiro estágio é o “mais trágico” – afirma o Santo Padre - pois “os ídolos escravizam. Eles prometem felicidade, mas não a dão; e nos encontramos vivendo para aquela coisa ou para aquela visão, presos em um vórtice autodestrutivo, esperando por um resultado que não chega nunca”:
“Os ídolos prometem vida, mas na realidade eles a tiram. O Deus verdadeiro não tira vida, mas a dá. O Deus verdadeiro não oferece uma projeção do nosso sucesso, mas  ensina a amar. O Deus verdadeiro não pede filhos, mas dá seu Filho por nós. Os ídolos projetam hipóteses futuras e fazem desprezar o presente; o Deus verdadeiro  ensina a viver na realidade de cada dia, concreto, não com ilusões sobre o futuro. A concretude do Deus verdadeiro contra a liquidez dos ídolos”.
E o Santo Padre pergunta: “Eu convido vocês a pensar hoje: quantos ídolos eu tenho ou qual é o meu ídolo preferido? Pois reconhecer as próprias idolatrias é reconhecer a graça. De fato, o amor é incompatível com a idolatria: se algo se torna absoluto e intocável, então é mais importante do que um cônjuge, de um filho, ou de uma amizade.  O apego a um objeto ou a uma ideia nos deixa cegos para o amor”.
“Levem isso no coração – foi sua exortação final -  os ídolos nos roubam o amor. Os ídolos nos tornam cegos ao amor. E para amar verdadeiramente, é preciso ser livres de todos os ídolos. Qual é o meu ídolo. Tire-o e jogue-o pela janela”.
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