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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A honra de ser Casal Responsável de Equipe - ENS

BOM DIA! VAMOS REZAR POR TANTOS PEDIDOS QUE CHEGAM AOS INTERCESSORES, EM ESPECIAL PELA MARILDA DO MARCO (ENS MEDIANEIRA/setor F/ RS I) sedada na UTI, após complicação em cirurgia.
PADRE CAFFAREL INTERCEDEI POR NÓS E ESPECIALMENTE PELA MARILDA.

No mês de outubro, todos os anos, acontece uma outra eleição. Nela não se faz campanha para eleger este ou aquele e todos os eleitores são candidatos. Ninguém se acha melhor do que os demais. O eleito se oferece para amar mais e trabalhar mais, como um dom gratuito de Deus a serviço dos irmãos. Trata-se de escolher o Casal Responsável de Equipe para o ano próximo.



A honra (não honraria!) de ser casal responsável de equipe está na disponibilidade de se colocar a serviço do crescimento dos irmãos de equipe, na fidelidade ao Carisma fundador do Movimento e às suas orientações específicas para o ano.



O CRE é um casal de oração, e rezará pela sua equipe. Um casal que cultiva o amor conjugal, por isso saberá amar os casais da sua equipe. É um casal que buscará animar a equipe com criatividade e iniciativa, em vista do crescimento de todos na espiritualidade conjugal, e sua vida é um testemunho de coerência entre o que acredita e o que vive.



O CRE é o encorajador dos irmãos, para que todos busquem fazer da equipe uma verdadeira comunidade de ajuda mútua (Cf. Guia das ENS, pág. 34).



Os critérios de escolha nós os encontramos no manual “O Casal Responsável de Equipe”, nas páginas 13 e 14 (Cap. II, 2). Seria interessante que todos nós lêssemos esse item antes de ir para a Reunião Mensal em que acontece a eleição.



Vale lembrar:



Escolhe-se aquele casal que pensamos ter as melhores condições de animar a equipe naquele ano. Só excepcionalmente um casal pode ser reeleito para outro ano consecutivo.

Leva-se em conta o bem da equipe, sem preferências pessoais. A escolha deve ser do agrado do Espírito Santo, por isso o invocamos antes de decidir quem escolher.

O CRE não é indicado por sorteio nem por rotatividade.

O voto é individual e secreto, após discernimento em oração. A apuração é feita em segredo pelo SCE (que não vota). Ele anuncia o casal escolhido sem revelar a proporção dos votos nem se outros foram votados.

Os eleitos serão acolhidos como o casal “ungido” para o serviço da equipe naquele ano e todos se disporão a cooperar para o crescimento da equipe.

A responsabilidade é um chamado do Senhor, que não negará sua bênção aos escolhidos.



Equipe da Carta Mensal
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Setembro 2006

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Papa: pastores não sejam rígidos, mas ternos e próximos!!

Capela da Casa Santa MartaCapela da Casa Santa Marta  (Vatican Media)

O Papa pediu para rezarmos hoje pelos nossos pastores, para 
que Deus dê a eles a graça de caminhar com o povo com ternura
 e proximidade.
Cidade do Vaticano -
As atitudes do verdadeiro pastor são aquelas com as quais Jesus acompanhou o Seu povo: proximidade e ternura concretas, não rigidez nem julgamento. Esta foi a reflexão feita pelo Papa na homilia da Missa celebrada na manhã de terça-feira (30/01) na capela da Casa Santa Marta.
As páginas do Evangelho de Marcos narram dois episódios de cura a serem mais contemplados do que refletidos, disse o Papa, porque indicam “como era um dia na vida de Jesus”, modelo de como deveria ser também a vida dos pastores, bispos ou sacerdotes.
Caminhar, estar no meio do povo, ocupar-se dele
O Apóstolo descreve Jesus mais uma vez circundado por uma multidão, "a multidão de pessoas que o seguia”, ao longo do caminho ou às margens do mar e com as quais Jesus se preocupava: foi assim que Deus prometeu acompanhar o Seu povo, destacou Francisco, estando no meio dele:
Jesus não abre um escritório de aconselhamento espiritual com um cartaz 'O profeta recebe segunda, quarta e sexta das 3 às 6. A entrada custa tanto ou, se quiserem, podem deixar uma oferta'. Não. Jesus não faz assim. Jesus tampouco abriu um consultório médico com o cartaz ‘Os doentes devem vir tal dia, tal dia, tal dia e serão curados’. Jesus se joga no meio do povo.
E “esta é a figura de pastor que Jesus nos dá”, observou Francisco, citando um sacerdote “santo que acompanhava assim o seu povo” e que, à noite, por este motivo, estava “cansado”, mas de um “cansaço real, não ideal”, “de quem trabalha” e está no meio das pessoas.
Ir ao encontro das dificuldades com ternura  
Mas o Evangelho de hoje ensina também que Jesus é "comprido" entre a multidão e "tocado". Por cinco vezes este verbo aparece na narração de Marcos, notou o Papa, destacando que também hoje o povo faz assim durante as visitas pastorais, o faz para “pegar a graça” e o pastor sente isto.
E Jesus jamais se retrai, pelo contrário, “paga”, inclusive com a “vergonha” e a “zombaria”, “por fazer o bem”. São estas as “rmarcas do modo de agir de Jesus” e, portanto, as “atitudes do verdadeiro pastor”:
“O pastor é ungido com óleo no dia de sua ordenação: sacerdotal e episcopal. Mas o verdadeiro óleo, aquele interior, é o óleo da proximidade e da ternura. O pastor que não sabe se fazer próximo, falta a ele alguma coisa: talvez seja o dono do campo, mas não é um pastor. Um pastor ao qual falta a ternura, será um rígido, que bate nas ovelhas. Proximidade e ternura: vemos isso aqui. Assim era Jesus”.
Proximidade e ternura dos pastores: uma graça a ser pedida ao Senhor
Como Jesus, também o pastor – acrescenta ainda Francisco – “termina o seu dia cansado”, cansado de “fazer o bem”, e se o seu comportamento for este, o povo sentirá a presença viva de Deus.
Disto, eleva-se a oração de hoje de Francisco:
Hoje poderemos rezar na Missa pelos nossos pastores, para que o Senhor dê a eles esta graça de caminhar com o povo, estar presente em meio ao povo com tanta ternura, com tanta proximidade. E quando o povo encontra o seu pastor, tem aquele sentimento especial que somente se pode sentir na presença de Deus – e assim termina a passagem do Evangelho – “E todos ficaram admirados”. A admiração de sentir a proximidade e a ternura de Deus no pastor”.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

QUEM É O PADRE CAFFAREL? - sobre a Caridade


Há momentos em que quaisquer palavras -nossas, em busca da “riqueza espiritual”de CAFFAREL, se tornam a mais.Tínhamos acabado de ouvir na TV, mais uma vez, casos duros sobre famílias inteiras, as agruras que a crise que avassala o nosso País e o mundo lhes está a provocar e, ao mesmo tempo, palravam vários personagens no estilo de “bater o mea-culpa no peito dos outros”, como D. António Ferreira Gomes denunciava como nosso mesquinho vício. Eis então que, angustiados pela tardança em dar o nosso “textosinho” para a CARTA, logo deparámos, caída como bênção do Espírito Santo, com uma luminosa reflexão do nosso Fundador a propósito duma carta recebida em reacção ao que ele escrevera algures. Bastará transcrever (e atrevidamente adaptar ao nosso País) no essencial. Pois bem:

“(...) recebi esta carta: “Sou o tipo de assinante passivo, a-mãe-de-família- -demasiado-ocupada-para-escrever!


contente, no seio da sua tranqüila comunidade familiar onde nada falta, onde se está confortavelmente entre pessoas que se amam e que são agradavelmente ‘bem educadas’? Eu pensava realmente que isso era de outros tempos. Por mim, acho tão difícil conseguir alguns momentos de paz e de quietude! Então, pomos a cabeça entre as mãos e dizemos: ‘A minha posição social, a minha fortuna adquirida justamente (...), foi o bom Deus que as quis; de resto, não sou eu generosa de acordo com os meus meios?, etc. etc.’... e lá vamos andando com um pouquinho de tranquilidade. Mas não por muito tempo. Uma pedinte bate à porta (uma profissional, certamente, não lhe devo nada... ! ah! e se ela tiver filhos enregelados em casa?... os meus estão tão contentes à volta da lareira – plano da Providência: a sua miséria, o meu conforto?...

– viro tudo ao contrário). Ou então é um testemunho do Padre Américo ou do Banco Alimentar ou da Caritas que nos cai nas mãos: a miséria está ali, espreita-nos, estraga o nosso conforto, vira do avesso as nossas perspectivas razoavelmente estabelecidas; já não há maneira de ser feliz; e o pior é que o saco no supermercado ou o dinheiro não apaziguam. Não, Senhor Padre, ajude-nos antes a encontrar a paz. A paz que vem da caridade – (como vê, condeno-me a mim própria; já sei, tudo vem da falta de amor). Qual é o nosso lugar, de burgueses ricos (ou supostamente), nesta miséria do mundo? Estas desculpas (plano providencial, etc.)  não serão fúteis? Pergunto a mim própria muitas vezes se a sua revista feita para nós e que compreende tão bem os nossos problemas e nos ajuda não faria por vezes melhor se mandasse passear
todos esses problemas e nos abanasse,pregasse a pobreza, a caridade, o amor perfeito que despoja.

 Pergunto a mim própria se, unidos nessa intensa caridade, não veríamos melhor a insignificância desses problemazínhos conjugais que tanto nos ocupam (...)”.
Como isto soa a cristão! É por esta inquietação, captada com muita verdade e energia, que se reconhece o discípulo de Cristo. Perante a miséria do mundo, ele descobre a sua riqueza e inquieta-se: porquê eu, por que não eles? Como sois ricos, vós a quem me dirijo! Mesmo se não tendes fortuna material. Ricos da nossa cultura, da vossa educação, das vossas relações, das vossas amizades, dessa família onde há amor. Ricos do bem infinitamente ainda mais precioso da fé, da graça... E, à vossa volta, uma terrível pobreza: corpos famintos, corações famintos, almas famintas. Sois perseguidos por esta pergunta: porquê eu, por que não eles? Sois perseguidos pela vontade de partilhar? Dir-me-eis “Eles não vêm pedir”! De verdade?

Credes que é a eles a quem compete deslocar-se... e pedir


Nela e Augusto Lopes Cardoso

Casal Responsável pela Equipa de Reflexão

e Aprofundamento do Pensamento do P. Caffarel

fonte: CARTA MENSAL PORTUGAL

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Pe. Henri Caffarel, O homem do encontro

Pe. Paul-Dominique Marcovits , o.p.
Postulador da causa do Pe Caffarel
(trechos da intervenção do Pe. Marcovits em Brasilia)

Permitam que o postulador da causa do Pe. Caffarel vos recorde que tudo começou aqui, no Brasil. É a forma de eu e a vice-postuladora, Marie-Christine Genillion, expressarmos o nosso reconhecimento aos equipistas deste país. Em 2004, os responsáveis internacionais das Equipas de Nossa Senhora, Gérard e Marie-Christine de Roberty, e o conselheiro espiritual internacional, Mons. François Fleischmann, visitaram os equipistas do Brasil. Notaram não só o afeto que todos têm pelo Pe. Caffarel, que veio visitá-los três vezes, mas verificam sobretudo «uma presença» do fundador das Equipas. Um santo é, em primeiro lugar, alguém que está «vivo» a quem cada um se dirige hoje para viver e vencer as dificuldades da existência. Foi por isso que as Equipes pediram ao arcebispo de Paris, Mons. André Vingt-Trois, que abrisse a causa do seu fundador. O Pe. Caffarel está vivo para nós. Tem de se tornar vivo para todos! Não é permitido aos equipistas guardá-lo para si: o Pe. Caffarel deve resplandecer na Igreja e para além dela…

Que objectivo se persegue? O bem dos casais e de todos os que querem fazer oração. O objectivo é mostrar que o matrimónio é uma Boa Notícia para os que se amam e que a oração é fonte de vida e de amor. A vida e a personalidade do Pe. Caffarel, os seus ensinamentos comunicados nos seus livros, as obras que fundou, são de uma riqueza tal que tudo isso deve ser partilhado por todos.
O Pe. Caffarel é um homem do encontro. Esclareçamos que nunca foi ele quem procurou esses encontros que moldaram a sua vida. Foram eles que se lhe impuseram.


Em primeiro lugar, foi Deus que veio. Todos conhecemos o relato que resume toda a sua vida: «Aos 20 anos, Jesus Cristo, de repente, tornou-Se alguém para mim. Mas não foi nada de espectacular. Nesse longínquo dia de Março de 1923, fiquei a saber que era amado e que amava, e que, daí em diante, a minha relação com Ele seria para toda a vida. Tudo estava jogado» (Jean Allemand, Henri Caffarel, um homem cativado por Deus, Ed. Lucerna, Estoril, p. 18). O Senhor impôs-Se-lhe. Foi essa a sua alegria, a sua vida. Foi o primeiro encontro. Tudo se centra no amor que Deus lhe revela: ele é amado por Deus, ele ama Deus, tudo está definido, «Tudo estava jogado», diz ele exactamente. Toda a sua vida se edificará sobre este amor recíproco entre Deus e ele.

Os dois outros encontros determinantes do Pe. Caffarel estão na continuidade deste, são sempre obra de Deus: o encontro em 1939 com casais que lhe pedem que os conduza no caminho da santidade e a quem ele responde: «Procuremos juntos»; e, em 1943, o encontro com viúvas que lhe pedem que as conduza nesse novo caminho e a quem ele responde igualmente: «Procuremos juntos». Quando o Senhor Se manifesta a alguém é para lhe confiar uma missão: fazer bem aos outros. O Pe. Caffarel deseja que façamos a experiência do amor de Deus. Missão essencial!
No seu túmulo, o Pe. Caffarel mandou escrever: «Vem e segue-Me». Foi assim. O Senhor orientou a vida do seu servo para que este estivesse ao serviço do amor revelado aquando da sua vocação em 1923: o amor no matrimónio, o amor mais forte do que a morte na viuvez.
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A vida do Pe. Caffarel encontra a sua origem em Deus. Ele centra-se em Deus, organiza tudo em torno do encontro com o seu Senhor. Pode ter parecido exigente… («Sede exigentes e jamais vos arrependereis», gostava ele de dizer); pareceu, por vezes, demasiado sério (excepto com os brasileiros, pois não pôde resistir ao seu bom humor!); come pouco (o que é impensável para os franceses!)… O nosso fundador não é, portanto, uma múmia perfeita. Mas foi sempre o homem do encontro.


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O Pe. Caffarel amava a Igreja apaixonadamente. Era padre da diocese de Paris. Os arcebispos de Paris compreenderam e apoiaram sempre as suas obras. Foi o anterior arcebispo de Paris, Mons. Jean-Marie Lustiger, que lhe deu o título de «profeta para o nosso tempo», mostrando assim a fecundidade do Pe. Caffarrel, que apresenta o matrimónio como «caminho de santidade».


O Pe. Caffarel estava em profunda harmonia com o Papa Paulo VI. Quando, em 1970, o Pe. Caffarel foi a Roma com mais de três mil casais, o Papa fez um longo discurso sobre o matrimónio que encheu de alegria o padre e os equipistas, de tal forma viram nele a espiritualidade conjugal de que as Equipas viviam. Nesse dia, o Papa entregou ao Pe. Caffarel um cálice que um sobrinho seu, o Pe. Voisin, nos emprestou para o nosso encontro: é um pouco do Pe. Caffarel, nosso fundador, que visita de novo o Brasil.
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Conduzir os outros a Deus é para ele o essencial.
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Escreve ao amigo: «Eu gostaria, caro amigo, que, quando fosses para a meditação, tivesses sempre a forte convicção de que és esperado: esperado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, esperado na família trinitária. Onde o teu lugar está pronto: de facto, lembra-te do que Cristo disse: “Vou preparar-vos um lugar”» (Henri Caffarel, Na presença de Deus, Cem cartas sobre a oração, Ed. Lucerna, Estoril, 2008, pp. 8-9). Quantos descreveram o Pe. Caffarel diante do Santíssimo Sacramento, sentado no seu banquinho de pedra. Nada se move: ele permanece em Deus.
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Permitam-me agora que vos dê algumas notícias precisas sobre o desenrolar do processo da causa do Pe. Caffarel. Este processo foi aberto a 25 de Abril de 2006 pelo arcebispo de Paris, o cardeal André Vingt-Trois, a pedido das Equipas de Nossa Senhora que, para esse fim, se constituíram na «Associação dos Amigos do Pe. Caffarel», sendo a sua responsabilidade assumida pela Equipa Responsável Internacional, em particular pelo casal Maria Carla e Carlo Volpini.
Desde a abertura do processo, o delegado episcopal nomeado para esse inquérito, Mons. Maurive Fréchard, antigo bispo de Pau, recebeu numerosos testemunhos, a maior parte dos quais foi apresentada por mim próprio, postulador, e pela vice-postuladora, Marie-Christine Genillon. Mons. Fréchard recebeu também o relatório dos censores teólogos, que examinaram a rectidão de fé do Pe. Caffarel. Recebeu ainda o relatório da comissão histórica, que examinou a autenticidade das informações relativas à vida do Pe. Caffarel.
A vice-postuladora classificou todos os arquivos respeitantes à causa. Mons. François Fleischmann, antigo conselheiro espiritual internacional, digitalizou perto de três mil páginas, editoriais de revistas e textos vários, e,como chanceler da diocese de Paris, autenticou um número considerável de documentos.

Pensamos que este inquérito diocesano estará terminado no fim deste ano de 2012. O conjunto do trabalho será entregue à Congregação para as Causas dos Santos, em Roma. Abrir-se-á então a segunda parte do caminho sob a responsabilidade de um novo postulador, o Pe. Angelo Paleri, franciscano conventual, postulador geral da sua Ordem e membro das Equipas de Nossa Senhora. Eu próprio terei de redigir a “positio”, ou seja, a síntese das investigações que demonstram a santidade do Pe. Caffarel. As nomeações oficiais serão comunicadas em 2013.

Basta que compreendam que uma investigação para uma causa exige tempo e trabalho e que o mesmo se realiza segundo regras rigorosas. Mas digo-vos tudo isto com a seguinte finalidade:
O Pe. Caffarel será beatificado se Deus quiser… Mas também se cada um de vós também quiser! Se o pedirem ao Senhor! A Igreja reconhece então esta realidade. Para isso, há que realizar três acções:
– em primeiro lugar, ler e meditar os escritos do Pe. Caffarel sobre o matrimónio e a oração. Conhecê-lo é amá-lo e entrar na sua escola.
– Em seguida, viver a vossa graça do matrimónio, ajudados de forma particular pela Carta: o matrimónio é um caminho de santidade. A santidade da vossa vida manifestará também a santidade do Pe. Caffarel que vos conduziu.
– Finalmente, rezar com frequência a oração que pede a canonização do Pe. Caffarel. Pedir, pedir ao Senhor graças e um milagre, sinal da presença e da intercessão do Pe. Caffarel por nós. Um milagre floresce sempre no meio de um povo que pede todas as graças.

Para terminar, uma canonização, cuja primeira etapa é a beatificação, é para o bem do povo cristão e da sociedade humana. Pensamos que a mensagem do Pe. Caffarel sobre o amor e a oração deve ser conhecida por todos. O Pe. Caffarel foi-nos dado por Deus; temos de o dar a conhecer aos casais e a todos os que procuram o Senhor. Não podemos guardar para nós tal tesouro. Falar do Pe. Henri Caffarel é evangelizar os homens e as mulheres que procuram a felicidade.

BOLETIM DE LIGAÇÃO N° 12 DOS AMIGOS DO PADRE CAFFAREL
Janeiro 2013
ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO PADRE CAFFAREL
49 RUE DE LA GLACIERE
F-75013 PARIS
www.henri-caffarel.org

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Henri Caffarel , profeta do século XX






Henri Caffarel nasce em Lyon (França), em 30 de julho de 1903. Inicia seus estudos em uma escola religiosa, faz o Ensino Médio com maristas e ingressa na Faculdade de Direito, da qual se afasta por problemas de saúde. Freqüenta a Maison des Etudiants Catholiques (MEC). Aos vinte anos, decide “entrar na intimidade com Cristo e trazer outros para ela”. Após o serviço militar, vê-se dividido por sentimentos conflitantes porque, apaixonado pela “oração interior”, pensa em se tornar monge cisterciense.

“Na oração, descubro o amor do Senhor em relação a mim:

Ele me ama desde sempre, tal como sou.

Então reajo:

abro-me ao amor de Cristo, ofereço-me a Ele.

Pergunto-lhe:

‘Senhor, que queres que eu faça?’ e espero por Ele”. Tal paixão pela mística o acompanhará pela vida a fora. Orientado pelo padre Ghika, Henri cursa teologia em Paris, onde é ordenado sacerdote, em abril de 1930, pelo cardeal Verdier. De 1931 a 34, exerce seu dinamismo apostólico na JOC – Juventude Operária Católica, através de retiros. Em 1934, assume o setor de comunicação no Secretariado da Ação Católica, onde funda o boletim Choisir, para guiar os cristãos no mundo do audiovisual. Continua a pregar retiros com olhar penetrante, palavras calorosas e “fogo devorante”.

Equipes de Nossa Senhora

Em 1938, quatro jovens casais, cristãos convictos, pedem-lhe que os guie. “Façamos o caminho juntos”, ele responde. A primeira reunião acontece em fevereiro de 1939, em um apartamento. Nas próximas, pe. Caffarel deixa claro que o casal é a imagem viva do amor que une Cristo à sua Igreja.

Eles fazem a experiência da vida comunitária:

- “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles” (Mt 12, 20).

A vida progride, então, em três vertentes:

- união com Deus, união entre esposos e casais e acolhimento aos outros. Outras equipes se formam. A reflexão se alarga e se aprofunda.

A revista “L’Anneau d’Or” (O anel de ouro) difunde pelo mundo a experiência espiritual desses grupos, cuja multiplicação exige uma “Regra”:

- a Carta das Equipes de Nossa Senhora.

Eis suas metas essenciais:

- viver o matrimônio e aprofundar a fé com a ajuda de uma equipe. Os meios são: oração conjugal e familiar; diálogo sob o olhar de Deus; reunião mensal para oração e partilha; uma regra pessoal de vida e retiro espiritual. Reunidos sob a invocação de Notre-Dame des Foyers (Nossa Senhora das Famílias), os casais crescem em espiritualidade conjugal e familiar, que contempla também uma mística da sexualidade no contexto da criação. Desde 1954 até hoje, vários encontros internacionais confirmam que o amor humano é o caminho para a santidade e o “casal é o rosto sorridente e doce da Igreja” (Paulo VI). Hoje, milhares de casais, espalhados pelo mundo, vivem a beleza da vocação conjugal e familiar para a santidade e testemunham um modelo de Igreja doméstica, fundamental para a transformação do homem moderno.

O silêncio místico em Troussures

Em 1973, o padre Caffarel cede o lugar a uma equipe mais jovem, que continua o “grande esforço de oração, de reflexão e de transformação, para descobrir a vontade de Deus sobre o movimento e sua missão...” e se recolhe em Troussures, 80 quilômetros de Paris, onde funda uma escola de oração “como o meio ideal para despertar e desenvolver o ‘coração novo’”.

Escreve muito (mais de 15 obras) e lá permanece até a morte, em 1996. É a última lição de humildade deste homem “sedento de Deus”, que, além de articular uma nova espiritualidade conjugal, conseguia permanecer horas em oração interior, sem se mover, recolhido no mais profundo de si.
fonte: revista mundo missão 2005

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Papa: as bem-aventuranças são o "GPS" da vida cristã

Papa Francisco \ Missa Santa Marta

Papa: as bem-aventuranças são o "GPS" da vida cristã

Papa durante a homilia - OSS_ROM
06/06/2016 10:47

PARTILHA:

Cidade do Vaticano (RV) - Seguir e viver as bem-aventuranças, que como “bússola” indicam aos cristãos a direção justa da vida. 
Este foi o convite que o Papa Francisco dirigiu na Missa celebrada na manhã desta segunda-feira, (06/06), na capela da Casa Santa Marta.
 
Para não se perder no caminho da fé, disse o Pontífice, os cristãos têm um indicador exato de direção: as bem-aventuranças.
Ignorar as rotas que elas propõem, significa escorregar nos três degraus da antítese da lei cristã: a idolatria das riquezas, da vaidade e do egoísmo.


O “GPS” da vida cristã
Em sua homilia, o Papa se inspira no Evangelho de Mateus, que mostra Jesus instruindo as multidões com o célebre sermão da montanha.
Francisco reiterou que Cristo ensinava a nova lei, que não cancela a antiga, mas a aperfeiçoa, levando-a “à sua plenitude”:
“Esta é a lei nova, esta que nós chamamos ‘as bem-aventuranças’. É a nova lei do Senhor para nós. São o guia da rota, do itinerário, são a bússola da vida cristã. Neste caminho, segundo as indicações deste ‘GPS’, podemos prosseguir na nossa vida cristã”.
Os três degraus da perdição
Francisco prosseguiu a homilia completando o texto de Mateus com as considerações que o evangelista Lucas coloca no final das Bem-aventuranças: ai de vocês, os ricos, ai de vocês, que agora têm fartura, ai de vocês, que agora riem, ai de vocês, se todos os elogiam.
O Papa recordou que disse muitas vezes que “as riquezas são boas, mas o que faz mal é o apego às riquezas” que se torna “uma idolatria”.
“Isto é contrário à lei. É o GPS errado. É curioso! Estes são os três degraus que levam à perdição, assim como estas Bem-aventuranças são os degraus que levam adiante na vida. Os três degraus que levam à perdição são: o apego às riquezas, porque eu não preciso de nada. O segundo é a vaidade. Quero que todos falem bem de mim. Se todos falam bem me sinto importante, muito incenso e eu acredito ser justo, não como aquele ou como aquele outro. Pensemos na parábola do fariseu e do publicano: ‘Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens...’. ‘Obrigado, Senhor, porque sou um bom católico, não como o meu vizinho ou a minha vizinha’. Todos os dias isso acontece! O terceiro degrau: o orgulho, que é a saciedade, as risadas que fecham o coração.”
A chave está na mansidão
Dentre todas as Bem-aventuranças, Francisco seleciona uma que, afirmou, “não digo ser a chave” de todas, “mas nos faz pensar muito”: “Bem-aventurados os mansos”. A mansidão:
“Jesus diz de si mesmo: Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração. A mansidão é uma maneira de ser que nos aproxima muito de Jesus. Ao invés, o comportamento contrário sempre procura as inimizades, as guerras, tantas coisas ruins que acontecem. Mas a mansidão, a mansidão de coração que não é tolice. É outra coisa. É a profundidade em entender a grandeza de Deus, e adoração.”
(BF/MJ)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Papa: "Compreender os pecadores e nunca negociar a verdade"


Papa celebra a missa com um grupo de fiéis - OSS_ROM
20/05/2016 11:21
Cidade do Vaticano (RV) – Manifestar a verdade de Deus não deve se desassociar da compreensão das fraquezas humanas. É o que Jesus ensina no Evangelho e que o Papa ressaltou, comentando, na Missa na Casa Santa Marta, esta sexta (20/05) o trecho evangélico em que Jesus fala com os fariseus sobre o adultério. Francisco afirmou que Cristo supera a visão humana que reduz a visão de Deus a uma ‘equação casuística’.
 
O Evangelho é repleto de ‘ciladas’, como quando os fariseus e os doutores da lei tentam enganar Jesus, fazendo-o cair em contradição, ameaçando a sua autoridade e a confiança de que goza entre o povo. Uma das ‘emboscadas’ contidas no Evangelho do dia fala dos fariseus que perguntam a Jesus se é lícito repudiar a própria esposa.
Verdade, e não casuística
O Papa Francisco a definiu ‘a cilada da casuística’, montada por um ‘pequeno grupo de teólogos iluminados’ convencidos de possuir toda a ciência e a sabedoria do povo de Deus. Um risco do qual Jesus escapa indo ‘além’, indo até ‘a plenitude do matrimônio’.
E já o havia feito no passado com os saduceus, em relação à mulher que tinha tido sete maridos, mas que na ressurreição não será esposa de nenhum, porque no céu não se tem ‘mulher nem marido’.
Naquele caso Cristo, observou o Papa, se referiu à ‘plenitude escatológica’ do matrimônio. Com os fariseus, ao contrário, ‘vai à plenitude da harmonia da criação’. ‘Deus os criou homem e mulher, os dois serão uma só carne’.
“Não são mais dois, mas uma só carne. Assim, ‘o homem não divida o que Deus uniu. Seja no caso do levirato, seja neste, Jesus responde da verdade esmagadora, da verdade contundente – esta é a verdade! – da plenitude sempre! E Jesus nunca negocia a verdade. E estes, este pequeno grupo de teólogos iluminados, negociavam sempre a verdade, reduzindo-a à casuística. Jesus não negocia a verdade e esta é a verdade sobre o matrimônio, não existe outra”.
Verdade e compreensão
“Mas Jesus – prossegue Francisco – é tão misericordioso, tão grande, que jamais, jamais, fecha a porta aos pecadores. Por isso, não se limita a expressar a verdade de Deus, mas pergunta também aos fariseus o que Moisés estabeleceu na lei. E quando os fariseus lhe repetem que contra o adultério é lícito escrever ‘um ato de repúdio’, Cristo replica que aquela norma foi escrita ‘para a dureza do seu coração’. Ou seja, explicou o Papa, Jesus distingue sempre entre a verdade e a fraqueza humana, sem rodeios”.
“Neste mundo em que vivemos, com esta cultura do provisório, a realidade do pecado é muito forte, mas Jesus, recordando Moisés, nos diz: ‘Se há dureza do coração, se há pecado, algo se pode fazer: o perdão, a compreensão, o acompanhamento, a integração, o discernimento destes casos... Mas a verdade não se pode vender nunca! E Jesus é capaz de dizer esta verdade tão grande e, ao mesmo tempo, ser tão compreensivo com os pecadores, com os fracos”.
Perdoar não é uma equação
Assim, sublinhou Francisco, estas são as duas coisas que Jesus nos ensina: a verdade e a compreensão, o que os ‘teólogos iluminados’ não conseguem fazer porque estão fechados na cilada da ‘equação matemática ‘pode?’ ou ‘não pode?’ e, portanto, são incapazes de horizontes maiores e de amar a fraqueza humana.
É suficiente ver – concluiu o Papa – a delicadeza com a qual Jesus trata a adultera quando está para ser lapidada. ‘Eu também não te condeno; vai e de agora em diante, não peque mais’.
“Que Jesus nos ensine a ter, com o coração, uma grande adesão à verdade e também com o coração, uma grande compreensão e acompanhamento a todos os nossos irmãos que estão com dificuldades. E este é um dom, isto o ensina o Espírito Santo, não estes doutores iluminados, que para nos ensinar, precisam reduzir a plenitude de Deus a uma equação casuística. Que o Senhor nos dê esta graça”. 
(CM)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Papa: Jesus é o caminho, mas muitos cristãos são teimosos


Francisco durante a homilia - OSS_ROM
03/05/2016 10:37
Cidade do Vaticano (RV) – Jesus é o caminho justo da vida cristã e é importante verificar constantemente se o estamos seguindo com coerência ou se a experiência de fé foi perdida ou interrompida ao longo do caminho. Este foi o centro da reflexão feita pelo Papa na missa da manhã desta terça-feira, (03/05), na Casa Santa Marta.
 
A vida da fé é um caminho e ao longo dele se encontram vários tipos de cristãos. O Papa fez uma breve lista deles: cristãos-múmias, cristãos errantes, cristãos teimosos, cristãos meio-termo – aqueles que se encantam diante de um belo panorama e ficam parados. Gente que por uma ou outra razão se esqueceu que o único caminho justo – como recorda o Evangelho do dia – é Jesus, que confirma a Tomé: “Eu sou o caminho, quem me viu, viu o Pai”.
“Múmias espirituais”
Francisco examinou cada uma destas tipologias de cristãos confusos, começando antes de tudo pelo cristão que ‘não caminha’, que dá a ideia de ser um pouco ‘embalsamado’: 
“Um cristão que não caminha, que não percorre a estrada, é um cristão um pouco ‘paganizado’: fica ali, parado, não vai avante na vida cristã, não faz florescer as bem-aventuranças em sua vida, não faz obras de misericórdia... É estático. Desculpem-me a palavra, mas é como se fosse uma ‘múmia’, uma ‘múmia espiritual’. Parados... Não fazem mal, mas não fazem bem”.
Os teimosos e os errantes
Eis então que surge o cristão obstinado. Quando se caminha – explicou Francisco – pode-se errar a estrada, mas isso não é o pior. Para o Papa, “a tragédia é ser teimosos e dizer ‘este é o caminho’ e não deixar que a voz do Senhor nos diga ‘volte atrás e retome o caminho certo’. E depois, existe a quarta categoria, a dos cristãos que caminham, mas não sabem para onde vão”. 
“São errantes na vida cristã, vagantes. A vida deles é vagar, aqui e ali, e perdem assim a beleza de se aproximar de Jesus na vida de Jesus. Perdem o caminho porque vagam e, muitas vezes, esse vagar, vagar errante, os levam a uma vida sem saída: o muito vagar se transforma em labirinto e depois não sabem sair. Perderam o chamado de Jesus. Não têm bússola para sair e vagam; procuram. Há outros que no caminho são seduzidos por uma beleza, por algo e param na metade do caminho, fascinados por aquilo que veem, por aquela ideia, por aquela proposta, por aquela paisagem … E param! A vida cristã não é um fascínio: é uma verdade! É Jesus Cristo!”.
O momento das perguntas
Observando o quadro, refletiu Francisco, podemos nos questionar. Como vai o “caminho cristão que iniciei no Batismo? Está parado? Errei o caminho? Vago continuamente e não sei aonde ir espiritualmente? Paro diante das coisas que gosto: a mundanidade, a vaidade” ou vou “sempre adiante”, tornando “concretas as Bem-aventuranças e as Obras de misericórdia?”. Porque “o caminho de Jesus – concluiu – é tão cheio de consolações, de glória e também de cruzes. Mas sempre com paz na alma”:
“Esta é a nossa pergunta do dia, façamo-la, cinco minutinhos … Como eu sou neste caminho cristão? Parado, errante, vagando, parando diante das coisas de que gosto ou diante de Jesus ‘Eu sou o caminho’? E peçamos ao Espírito Santo que nos ensine a caminhar bem, sempre! E quando nos cansarmos, façamos uma pequena pausa e avante. Peçamos esta graça”.
(bf/cm)