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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Padre Caffarel, “Não há vida sem exigência”!

Fonte: tema de estudo 2018, pagina 124

O Padre Caffarel, em seu texto intitulado “Não há vida sem exigência”, aborda o tema de viver com verdade nosso encontro com Jesus para a situação concreta de nossa reunião de equipe.

(Texto publicado na revista L’Anneau d’Or; maio-agosto 1956).

“UMA REUNIÃO DE EQUIPE que não seja desde o princípio um esforço em comum para encontrar Jesus, é algo muito diferente de uma reunião de uma Equipe de Nossa Senhora. Ser exigente, com uma exigência amorosa, não é tanto deleitar-se com os defeitos do outro (todo professor sabe bem) quanto favorecer no coração, como se atiça uma chama, o crescimento na entrega a Deus e ao próximo...

Enfim, que vosso amor seja paciente, com essa paciência camponesa que confia nas estações.

 Então vosso amor exigente dará seus frutos.
´Teu amor sem exigência me diminui; a tua exigência sem amor me revolta; teu amor exigente me engrandece`.

Quando os casais se exercitam no amor fraterno, pouco a pouco, seu coração se engrandece. E, progressivamente,seu amor conquista a casa, o bairro, o país... até chegar aos mais distantes lugares...
Onde os cristãos se amam, ali está a Igreja. Com a condição de que esta pequena comunidade se sinta parte da Igreja, dedicada ao serviço da Igreja.

O poder de intercessão dos cristãos quando estão reunidos é enorme. O amor fraternal tem uma fecundidade excepcional. Perto dele, o mal se retira e o deserto floresce.

Uma comunidade fraterna é um sinal de Deus para os homens. É sua mensagem mais importante, o que revela a vida íntima de Deus, sua vida trinitária. Não há discurso mais eloquente sobre Deus e ao mesmo tempo mais persuasivo que o espetáculo dos cristãos que “são um”, como o Pai e o Filho são um.

Que esta seja, pois, vossa obsessão: Fazer de vossa equipe um êxito de caridade.”

(Henri Caffarel)

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Baile de máscaras - carta mensal de abril 2013


Padre Henri Caffatrel
Em toda a parte a mentira; ao redor de nós; em nós mesmos. A Sra. Y detesta a Sra. Z; estendelhe, porém, a mão com um sorriso impecável. O Dr. A vive criticando o seu colega Dr. B; encontra-se com este e com que entusiasmo apresenta-lhe felicitações pela classificação obtida no concurso do hospital.
Examinai o grupo de pessoas que, na Igreja, desfilam diante da família do defunto; ficareis surpreendidos com a “sinceridade” de todos...
Todos representam o seu papel: a mãe perfeita, o pai de família numerosa, o braço direito do Sr. Vigário, o modelo social, o cristão de ideias largas. Afivelar bem a máscara, ajustar bem o disfarce, esta a grande preocupação.
E os partidos políticos! E a imprensa!... e seja lá o que for, a última greve, a sucessão presidencial, o grande julgamento no Tribunal: sempre palavras belas, escondendo quase sempre coisas sujas.
Estamos, aliás, tão habituados que nem mesmo atenção prestamos a tudo isto. Tão habituados, quer dizer, tão contaminados...
Pessimista, direis. Utilizai-vos, então, deste teste: durante um dia apenas, esforçai-vos por descobrir todas as mentiras que se insinuam nas vossas atitudes, palavras, cartas, gestos, silêncios, pensamentos, orações, seja em relação à vossa esposa, filhos, empregados e demais pessoas com quem cruzais, seja em relação a vós mesmos (pois mentimos a nós mesmos e, talvez, mais do que aos outros), seja em relação a Deus (pois, quantos cristãos não seriam mais leais se se abstivessem durante algum tempo, como Peguy, de recitar o Pai Nosso, tendo em vista o “seja feita a Vossa vontade” que é desmentido pelo proceder diário). Se vós não vos espantardes, à noite, com o resultado da experiência, é porque ou sois santo ou, quando menos, cego. E nesta segunda hipótese, o vosso caso é grave. 
 
Tornarmo-nos verdadeiros - tal deveria ser o nosso ideal de todos os dias.
E nesse sentido sereis eficientemente ajudados se jogardes lealmente o “jogo” das Equipes. 

Se durante a troca de ideias2, todos os casais exprimirem com toda a simplicidade, aquilo que pensam, confessarem aquilo que ignoram, solicitarem a ajuda dos outros para a questão que os preocupa, raciocinarem em harmonia com os demais de forma a traduzir em sua vida a verdade melhor compreendida, estes não tardarão a se tornar verdadeiros.
Se a vossa oração, na reunião mensal, for alguma coisa mais do que uma boa dissertação, se ela traduzir em algumas palavras despidas de eloquência, de literatura, - como se estivéssemos a sós diante de Deus – um pensamento, um desejo, um sentimento profundo da alma, tornar-vos-eis verdadeiros.
Se praticarem os casais, lealmente, aquilo que chamamos de “Partilha” (recordai o texto do Estatuto: - “Cada casal dirá, com toda a franqueza, se observou, durante o mês, as obrigações3 assumidas e não tardarão a se tornarem verdadeiros”).
Pôr-se a par dos respectivos esforços e dificuldades é coisa absolutamente normal para os casais que, conjuntamente e com o objetivo de entreajuda fraternal, assumirem o compromisso de seguir uma regra. Não é compreensível, pois, a ojeriza de certos casais para com a “Partilha”. E não haverá isto precisamente na medida em que eles estão ainda habituados a “blefar”, a representar os seus papéis, a cultivar a sua reputação?
É precisamente porque vemos na “Partilha”, entre outras coisas, um meio infalível de fazer cair a máscara, de lutar contra o “blefe” mundano, que lhe atribuímos tamanha importância.
Quando os casais de uma Equipe se esforçarem por eliminar toda a mentira, numa tentativa de sinceridade total, então, - conforme me escreveu um de vós: -
“Entre cristãos que se tornaram transparentes uns para os outros, a comunhão dos santos não é somente um dogma no qual se crê, mas também uma experiência que se vive”.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Por que entrar nas Equipes de Nossa Senhora é perigoso?



Quando ainda não tínhamos a Carta (Os Estatutos), as equipes corriam o perigo que espreita todo Movimento cuja mística não é alicerçada sobre obrigações (Pontos Concretos de Esforço): os ânimos se inflamam no sopro desta mística, mas a vida continua estagnada. Graças à Carta, hoje os equipistas estão firmemente sustentados  pelas obrigações (PCEs). Mas, atenção para este novo perigo: esvaziar as obrigações de seu espírito. 

É preciso, de fato, temer que a prática das obrigações se torne um fim, um ideal, o máximo, e que pareça aos membros das equipes de que a perfeição cristã consiste em cumprir as obrigações da Carta. Eles se considerarão perfeitos e dormirão confortavelmente sobre o travesseiro da autossatisfação e da consciência tranquila... Recentemente, recebi uma carta provando-me que este perigo não é ilusório. Ela vem de um casal de grande estatura humana e espiritual. 

Eis o que ele me escreveu: “Deixamos a nossa Equipe de Nossa Senhora depois de ter feito parte dela por muitos anos. Sentíamo-nos sufocados: tínhamos a impressão de que vivíamos em um mundo fechado em seus pequenos problemas, em um mundo que não queria ver as reais necessidades do ideal evangélico. A observância da Carta tornava-se, em determinados dias, como um biombo de hipocrisia que deixava que cada um ficasse contente consigo mesmo de forma barata e fechasse os olhos e os ouvidos para todos os questionamentos da sociedade atual”. Da mesma forma, aconteceu comigo mais de uma vez, em viagem, ouvir críticas relacionadas com uma equipe: acusavam-na de ser fechada, de constituir “o clã dos justos”, a “seita dos puros”. 

Eu sei que a maioria das equipes não merecem essas críticas. Mesmo assim, não posso deixar de me fazer essa pergunta angustiante: Nossas equipes são elas formadoras de cristãos, ou produzem fariseus? [...] A finalidade (das equipes) é a vida cristã em sua plenitude, assim como é definida na primeira página da Carta: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito”.

Editorial da Carta Mensal francesa, nº 3, ano XIII, dezembro de 1959. Padre Caffarel

Capítulo 4 tema de estudo 2020

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A honra de ser Casal Responsável de Equipe - ENS

BOM DIA! VAMOS REZAR POR TANTOS PEDIDOS QUE CHEGAM AOS INTERCESSORES, EM ESPECIAL PELA MARILDA DO MARCO (ENS MEDIANEIRA/setor F/ RS I) sedada na UTI, após complicação em cirurgia.
PADRE CAFFAREL INTERCEDEI POR NÓS E ESPECIALMENTE PELA MARILDA.

No mês de outubro, todos os anos, acontece uma outra eleição. Nela não se faz campanha para eleger este ou aquele e todos os eleitores são candidatos. Ninguém se acha melhor do que os demais. O eleito se oferece para amar mais e trabalhar mais, como um dom gratuito de Deus a serviço dos irmãos. Trata-se de escolher o Casal Responsável de Equipe para o ano próximo.



A honra (não honraria!) de ser casal responsável de equipe está na disponibilidade de se colocar a serviço do crescimento dos irmãos de equipe, na fidelidade ao Carisma fundador do Movimento e às suas orientações específicas para o ano.



O CRE é um casal de oração, e rezará pela sua equipe. Um casal que cultiva o amor conjugal, por isso saberá amar os casais da sua equipe. É um casal que buscará animar a equipe com criatividade e iniciativa, em vista do crescimento de todos na espiritualidade conjugal, e sua vida é um testemunho de coerência entre o que acredita e o que vive.



O CRE é o encorajador dos irmãos, para que todos busquem fazer da equipe uma verdadeira comunidade de ajuda mútua (Cf. Guia das ENS, pág. 34).



Os critérios de escolha nós os encontramos no manual “O Casal Responsável de Equipe”, nas páginas 13 e 14 (Cap. II, 2). Seria interessante que todos nós lêssemos esse item antes de ir para a Reunião Mensal em que acontece a eleição.



Vale lembrar:



Escolhe-se aquele casal que pensamos ter as melhores condições de animar a equipe naquele ano. Só excepcionalmente um casal pode ser reeleito para outro ano consecutivo.

Leva-se em conta o bem da equipe, sem preferências pessoais. A escolha deve ser do agrado do Espírito Santo, por isso o invocamos antes de decidir quem escolher.

O CRE não é indicado por sorteio nem por rotatividade.

O voto é individual e secreto, após discernimento em oração. A apuração é feita em segredo pelo SCE (que não vota). Ele anuncia o casal escolhido sem revelar a proporção dos votos nem se outros foram votados.

Os eleitos serão acolhidos como o casal “ungido” para o serviço da equipe naquele ano e todos se disporão a cooperar para o crescimento da equipe.

A responsabilidade é um chamado do Senhor, que não negará sua bênção aos escolhidos.



Equipe da Carta Mensal
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Setembro 2006

terça-feira, 1 de agosto de 2017

QUEM É O PADRE CAFFAREL? - sobre a Caridade


Há momentos em que quaisquer palavras -nossas, em busca da “riqueza espiritual”de CAFFAREL, se tornam a mais.Tínhamos acabado de ouvir na TV, mais uma vez, casos duros sobre famílias inteiras, as agruras que a crise que avassala o nosso País e o mundo lhes está a provocar e, ao mesmo tempo, palravam vários personagens no estilo de “bater o mea-culpa no peito dos outros”, como D. António Ferreira Gomes denunciava como nosso mesquinho vício. Eis então que, angustiados pela tardança em dar o nosso “textosinho” para a CARTA, logo deparámos, caída como bênção do Espírito Santo, com uma luminosa reflexão do nosso Fundador a propósito duma carta recebida em reacção ao que ele escrevera algures. Bastará transcrever (e atrevidamente adaptar ao nosso País) no essencial. Pois bem:

“(...) recebi esta carta: “Sou o tipo de assinante passivo, a-mãe-de-família- -demasiado-ocupada-para-escrever!


contente, no seio da sua tranqüila comunidade familiar onde nada falta, onde se está confortavelmente entre pessoas que se amam e que são agradavelmente ‘bem educadas’? Eu pensava realmente que isso era de outros tempos. Por mim, acho tão difícil conseguir alguns momentos de paz e de quietude! Então, pomos a cabeça entre as mãos e dizemos: ‘A minha posição social, a minha fortuna adquirida justamente (...), foi o bom Deus que as quis; de resto, não sou eu generosa de acordo com os meus meios?, etc. etc.’... e lá vamos andando com um pouquinho de tranquilidade. Mas não por muito tempo. Uma pedinte bate à porta (uma profissional, certamente, não lhe devo nada... ! ah! e se ela tiver filhos enregelados em casa?... os meus estão tão contentes à volta da lareira – plano da Providência: a sua miséria, o meu conforto?...

– viro tudo ao contrário). Ou então é um testemunho do Padre Américo ou do Banco Alimentar ou da Caritas que nos cai nas mãos: a miséria está ali, espreita-nos, estraga o nosso conforto, vira do avesso as nossas perspectivas razoavelmente estabelecidas; já não há maneira de ser feliz; e o pior é que o saco no supermercado ou o dinheiro não apaziguam. Não, Senhor Padre, ajude-nos antes a encontrar a paz. A paz que vem da caridade – (como vê, condeno-me a mim própria; já sei, tudo vem da falta de amor). Qual é o nosso lugar, de burgueses ricos (ou supostamente), nesta miséria do mundo? Estas desculpas (plano providencial, etc.)  não serão fúteis? Pergunto a mim própria muitas vezes se a sua revista feita para nós e que compreende tão bem os nossos problemas e nos ajuda não faria por vezes melhor se mandasse passear
todos esses problemas e nos abanasse,pregasse a pobreza, a caridade, o amor perfeito que despoja.

 Pergunto a mim própria se, unidos nessa intensa caridade, não veríamos melhor a insignificância desses problemazínhos conjugais que tanto nos ocupam (...)”.
Como isto soa a cristão! É por esta inquietação, captada com muita verdade e energia, que se reconhece o discípulo de Cristo. Perante a miséria do mundo, ele descobre a sua riqueza e inquieta-se: porquê eu, por que não eles? Como sois ricos, vós a quem me dirijo! Mesmo se não tendes fortuna material. Ricos da nossa cultura, da vossa educação, das vossas relações, das vossas amizades, dessa família onde há amor. Ricos do bem infinitamente ainda mais precioso da fé, da graça... E, à vossa volta, uma terrível pobreza: corpos famintos, corações famintos, almas famintas. Sois perseguidos por esta pergunta: porquê eu, por que não eles? Sois perseguidos pela vontade de partilhar? Dir-me-eis “Eles não vêm pedir”! De verdade?

Credes que é a eles a quem compete deslocar-se... e pedir


Nela e Augusto Lopes Cardoso

Casal Responsável pela Equipa de Reflexão

e Aprofundamento do Pensamento do P. Caffarel

fonte: CARTA MENSAL PORTUGAL

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas ativas.


Brasília 2012 já está perto, mas não devemos apenas encontrar-nos num lugar novo; devemos dar impulso e vitalidade ao nosso Movimento para que ele seja cada vez mais, como o Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas activas. É esta a nossa vocação na Igreja.

Tanto a vida do padre Caffarel como o encontro com os primeiros casais levaram cada vez mais a esta convicção: "Nenhum deles tinha dificuldade em pensar que a sua vocação era a santidade: a santidade aparecia como o desenvolvimento do amor e a realização plena tanto do amor conjugal como do amor de Cristo. E a reflexão fê-los logo descobrir de uma forma totalmente nova o sacramento do matrimónio, não simplesmente como uma formalidade, mas como uma prodigiosa fonte de graça: Cristo vem salvar o amor, doente desde o pecado original, trazendo-lhe auxílios e graças enormes" (Chantilly 1987).

O Padre Caffarel não nos quis para uma santificação exclusivamente individual ou de casal. As equipas são para o mundo. Seria um trabalho inútil procurar na Escritura um discurso preciso, pormenorizado e directo sobre o casal. Esta afirmação pode deixar-nos surpreendidos e per¬plexos, mas a verdade é que, tanto no Antigo como no Novo Testa¬mento, quando se fala da relação homem-mulher é sempre para dizer, antes de mais, alguma coisa sobre Deus.

Por outras palavras, a Bíblia não faz um discurso moralista, não faz uma pregação pedante sobre o matrimónio e sobre a sexualidade, mas assu¬me as categorias nupciais para revelar o rosto e a natureza de Deus.

Deste modo o homem e a mulher não se sentem interpelados a rea¬lizar um modelo de vida senão na medida em que procuram Deus e se reflectem n'Ele. Não foi certa¬mente sem razão que o Senhor Jesus nos disse que procurássemos "antes" o reino de Deus, pois tudo o resto é dado por acréscimo. Falar de casal hoje signi¬fica falar de um tema que atravessou um período marcado por enormes mudanças económicas, sociais e políticas e que, apesar da declaração de dissolução e de morte dos anos 60, manteve uma estrutura própria estável e partilhada pela maioria. Todavia, devemos olhar de frente o dom de Deus e a complexidade da família hoje e procurar respostas.

- Evangelizar a família

Talvez tenha chegado o momento de submeter a um sério e crítico exame a forma como hoje, em muitos sectores da Igreja, se enfrentam as problemáticas da família. Muitas vezes, predomina o aspecto moralista: fala-se muito de problemas morais e menos de Deus, esquecendo que o comportamento moral não é senão uma consequência do encontro com Deus.

Problemáticas angustiantes e asfixiantes de carácter moralista e devocional não foram muitas vezes capazes de nos fazer abrir o coração à grande e diversificada missão da família no mundo de hoje. Uma família não deve ser julgada, tomada de assalto com mil receitas, mas sim evangelizada com o próprio amor de Cristo. Uma evangelização que mergulha as suas raízes num itinerário de conversão e de enraizamento no sacramento da Aliança. A adesão a Jesus Cristo implica uma opção de fé, mas, ao mesmo tempo, exige conformar a própria vida ao seu Evangelho. O acolhimento da Palavra não pode traduzir-se senão em opções concretas de vida.

A FAMÍLIA: ESCOLA DE AMOR

Editorial para a Carta - Março 2012
P. Angelo Epis CE ERI

Excerto da sua intervenção no Colégio de Bogotá 2011

http://www.equipes-notre-dame.com/pt/noticias/correio-da-eri

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pensamentos do Padre Henri Caffarel: uma Equipe não deve ser uma capelinha

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Vivências do Padre Caffarel II



O sacramento do matrimônio
O padre Caffarel diz-nos então que, “o amor que une Cristo à Igreja é o mesmo que trabalha para unir,
fazer viver e alegrar o marido e a mulher.” (As Equipas de Nossa Senhora, vocação e missão dos Casais
cristãos)
O campo de ação da graça sacramental é o homem e a mulher, bem como tudo aquilo que faz deles um
só, aquilo que os prolonga, filhos, casa, ...isto é, o casamento total, em toda a sua realidade jurídica,
carnal, espiritual, […] a tal ponto que a união física do homem e da mulher fazem parte integrante do
sacramento. “A vida conjugal, toda ela, não só está curada, elevada, santificada, como se torna
santificadora”. (Casamento, esse grande Sacramento).
No mesmo contexto, Henri Caffarel, mostra-nos que o sacramento do matrimônio, onde a presença
activa de Cristo é tão profundamente implicada, é um elemento essencial da construção da Igreja,
considerando mesmo o casal unido pelo sacramento do matrimonio como célula da Igreja. Daí onde
vive um casal cristão, começa já a viver a Igreja.

Tó e Zé CRERI

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Vivência de Caffarel nas Equipes de Nossa Senhora - SESSÃO FORMAÇÃO

II SESSÃO DE FORMAÇÃO NACIONAL 2015



A nossa intenção não é evidentemente fazer um relato minucioso da forma como o Padre Caffarel vivia e sentia o nosso Movimento, contudo parece-nos útil destacar alguns aspectos essenciais daquilo que Henri Caffarel trouxe às equipas, pelo ensinamento deixado nos seus numerosos escritos que nos falam desde a criação das ENS, à sua animação, missão e expansão no mundo.

Ele próprio, quando olhava para o passado, cuidava de retirar lições para os passos seguintes. É o que
nos cumpre fazer nesta sessão de Formação, onde falar da vivencia nas ENS pode vir a ser uma ajuda
para todos os que a frequentam, baseada no testemunho deixado e legado pelo Padre Caffarel.

Prometemos deixar-vos o resultado de tudo quanto esta palestra nos obrigou a fazer, tentando sempre ser fieis ao espírito do nosso Movimento, não esquecendo contudo as sábias palavras deixadas pelo Padre Caffarel quando os casais o procuravam no principio e lhes pediam que indicasse o Caminho, ele respondia com grande sabedoria “Procuremos juntos”.

Foi em 1938, a pedido de alguns jovens casais, que o Padre Caffarel começou a discernir as bases de uma espiritualidade para os casais.

A espiritualidade era correntemente considerada como uma especialidade dos religiosos, celibatários,
enquanto o casamento era mais ou menos depreciado.
Podemos também dizer que a sexualidade era, na maior parte mais das vezes, compreendida como uma espécie de concessão inevitável para a procriação e para apaziguar o desejo, não sendo o seu sentido cristão nada explorado.

Henri Caffarel impulsiona os casais que se lhe juntaram a prosseguir o seu caminho quando lhes diz que os leigos devem “ definir bem quais são os seus meios e os seus métodos, porque isso constituirá a espiritualidade do cristão casado” (Conferência aos responsáveis de Equipas, 1952).
Ao lermos e estudarmos os seus editoriais das Cartas das Equipas e tudo quanto nos deixou escrito nos primeiros anos, descobrimos que em Junho de 1950, por exemplo, Caffarel apresenta talvez a primeira definição de espiritualidade: «A espiritualidade é a ciência que trata da vida cristã e dos caminhos que conduzem ao seu pleno desenvolvimento.»

Pouco depois, o Padre Caffarel vai concretizar a sua ideia e diz aos casais que procuram construir a sua espiritualidade, que não se trata de se evadirem do mundo, mas de aprenderem como, a exemplo de Cristo, podem servir Deus em toda a sua vida e no meio do mundo.

É-lhes necessário então descobrir que a espiritualidade não diz respeito apenas à oração ou à ascese, mas que ela implica o serviço a Deus no lugar de cada um, na família, no trabalho, na cidade, no mundo.

Caffarel continua o seu discernimento e coloca-nos de imediato a sua reflexão sobre o amor, sobre os
laços estreitos entre o amor de Deus e o amor humano e deixa-nos uma preciosa orientação para
começarmos no nosso caminho para a santidade.

O amor humano é a referência que nos ajuda a compreender o amor divino.

Pelo seu poder de fazer de dois seres, um único, salvaguardando a personalidade de cada um, o amor
permite-nos adquirir a compreensão da misteriosa união de Cristo com a humanidade e do casamento
espiritual da alma com o seu Deus.» (Reflexões sobre o amor e a graça, p. 44)
Chegamos ao cerne do carisma do nosso Movimento: a partir da experiência vivida do amor no casal,
podemos descobrir o amor de Deus, a sua fidelidade, o seu desejo do nosso bem – ao mesmo tempo que os cônjuges desejam a felicidade um do outro, no plano humano e sobre o plano do desenvolvimento religioso; sem esta dupla dimensão, o seu amor permaneceria imperfeito, Caffarel diz mesmo, mutilado.

E o Padre Caffarel propõe-nos as Orientações de Vida, os Pontos Concretos de Esforço e a Vida de
Equipe como meios de aperfeiçoamento no caminho para a santidade.
Pede então aos casais que se formem na procura de Deus. O objectivo é radical. Caffarel nunca gostou de águas mornas. Por exigência espiritual, ele entende que tudo nos deve levar a Deus.
Um aspecto que não deve ser negligenciado naquilo a que o Padre Caffarel chama a “via mística” do
casal cristão, é o sentido do pecado e do perdão de Deus.

É essencial que quando sobrevêm as opacidades de um para com o outro, as incompatibilidades e as
formas diversas do mal que divide, os esposos cristãos devem reconhecer-se como pecadores.
Os fracassos do amor levam a tomar consciência de que o amor tem necessidade de ser salvo. Caffarel termina um parágrafo intitulado Comunidade pecadora, arrependida e perdoada, da sua obra
“Casamento, esse grande Sacramento”, por estas palavras: « Se, consentindo na cruel descoberta [de
serem pecadores], a comunidade conjugal se torna por fim comunidade penitente na grande
comunidade penitente da Igreja e recorre ao seu Senhor, do qual ela não quer pôr em causa a
presença e a solicitude, então, abrindo-se ao perdão, ela renascerá para a esperança. »

Tó e Zé CR ERI

Continua........


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas ativas.


Brasília 2012 já está perto, mas não devemos apenas encontrar-nos num lugar novo; devemos dar impulso e vitalidade ao nosso Movimento para que ele seja cada vez mais, como o Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas activas. É esta a nossa vocação na Igreja.

Tanto a vida do padre Caffarel como o encontro com os primeiros casais levaram cada vez mais a esta convicção: "Nenhum deles tinha dificuldade em pensar que a sua vocação era a santidade: a santidade aparecia como o desenvolvimento do amor e a realização plena tanto do amor conjugal como do amor de Cristo. E a reflexão fê-los logo descobrir de uma forma totalmente nova o sacramento do matrimónio, não simplesmente como uma formalidade, mas como uma prodigiosa fonte de graça: Cristo vem salvar o amor, doente desde o pecado original, trazendo-lhe auxílios e graças enormes" (Chantilly 1987).

O Padre Caffarel não nos quis para uma santificação exclusivamente individual ou de casal. As equipas são para o mundo. Seria um trabalho inútil procurar na Escritura um discurso preciso, pormenorizado e directo sobre o casal. Esta afirmação pode deixar-nos surpreendidos e per¬plexos, mas a verdade é que, tanto no Antigo como no Novo Testa¬mento, quando se fala da relação homem-mulher é sempre para dizer, antes de mais, alguma coisa sobre Deus.

Por outras palavras, a Bíblia não faz um discurso moralista, não faz uma pregação pedante sobre o matrimónio e sobre a sexualidade, mas assu¬me as categorias nupciais para revelar o rosto e a natureza de Deus.

Deste modo o homem e a mulher não se sentem interpelados a rea¬lizar um modelo de vida senão na medida em que procuram Deus e se reflectem n'Ele. Não foi certa¬mente sem razão que o Senhor Jesus nos disse que procurássemos "antes" o reino de Deus, pois tudo o resto é dado por acréscimo. Falar de casal hoje signi¬fica falar de um tema que atravessou um período marcado por enormes mudanças económicas, sociais e políticas e que, apesar da declaração de dissolução e de morte dos anos 60, manteve uma estrutura própria estável e partilhada pela maioria. Todavia, devemos olhar de frente o dom de Deus e a complexidade da família hoje e procurar respostas.

- Evangelizar a família

Talvez tenha chegado o momento de submeter a um sério e crítico exame a forma como hoje, em muitos sectores da Igreja, se enfrentam as problemáticas da família. Muitas vezes, predomina o aspecto moralista: fala-se muito de problemas morais e menos de Deus, esquecendo que o comportamento moral não é senão uma consequência do encontro com Deus.

Problemáticas angustiantes e asfixiantes de carácter moralista e devocional não foram muitas vezes capazes de nos fazer abrir o coração à grande e diversificada missão da família no mundo de hoje. Uma família não deve ser julgada, tomada de assalto com mil receitas, mas sim evangelizada com o próprio amor de Cristo. Uma evangelização que mergulha as suas raízes num itinerário de conversão e de enraizamento no sacramento da Aliança. A adesão a Jesus Cristo implica uma opção de fé, mas, ao mesmo tempo, exige conformar a própria vida ao seu Evangelho. O acolhimento da Palavra não pode traduzir-se senão em opções concretas de vida.

A FAMÍLIA: ESCOLA DE AMOR

Editorial para a Carta - Março 2012
P. Angelo Epis CE ERI

Excerto da sua intervenção no Colégio de Bogotá 2011

http://www.equipes-notre-dame.com/pt/noticias/correio-da-eri

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Pe. Henri Caffarel, O homem do encontro

Pe. Paul-Dominique Marcovits , o.p.
Postulador da causa do Pe Caffarel
(trechos da intervenção do Pe. Marcovits em Brasilia)

Permitam que o postulador da causa do Pe. Caffarel vos recorde que tudo começou aqui, no Brasil. É a forma de eu e a vice-postuladora, Marie-Christine Genillion, expressarmos o nosso reconhecimento aos equipistas deste país. Em 2004, os responsáveis internacionais das Equipas de Nossa Senhora, Gérard e Marie-Christine de Roberty, e o conselheiro espiritual internacional, Mons. François Fleischmann, visitaram os equipistas do Brasil. Notaram não só o afeto que todos têm pelo Pe. Caffarel, que veio visitá-los três vezes, mas verificam sobretudo «uma presença» do fundador das Equipas. Um santo é, em primeiro lugar, alguém que está «vivo» a quem cada um se dirige hoje para viver e vencer as dificuldades da existência. Foi por isso que as Equipes pediram ao arcebispo de Paris, Mons. André Vingt-Trois, que abrisse a causa do seu fundador. O Pe. Caffarel está vivo para nós. Tem de se tornar vivo para todos! Não é permitido aos equipistas guardá-lo para si: o Pe. Caffarel deve resplandecer na Igreja e para além dela…

Que objectivo se persegue? O bem dos casais e de todos os que querem fazer oração. O objectivo é mostrar que o matrimónio é uma Boa Notícia para os que se amam e que a oração é fonte de vida e de amor. A vida e a personalidade do Pe. Caffarel, os seus ensinamentos comunicados nos seus livros, as obras que fundou, são de uma riqueza tal que tudo isso deve ser partilhado por todos.
O Pe. Caffarel é um homem do encontro. Esclareçamos que nunca foi ele quem procurou esses encontros que moldaram a sua vida. Foram eles que se lhe impuseram.


Em primeiro lugar, foi Deus que veio. Todos conhecemos o relato que resume toda a sua vida: «Aos 20 anos, Jesus Cristo, de repente, tornou-Se alguém para mim. Mas não foi nada de espectacular. Nesse longínquo dia de Março de 1923, fiquei a saber que era amado e que amava, e que, daí em diante, a minha relação com Ele seria para toda a vida. Tudo estava jogado» (Jean Allemand, Henri Caffarel, um homem cativado por Deus, Ed. Lucerna, Estoril, p. 18). O Senhor impôs-Se-lhe. Foi essa a sua alegria, a sua vida. Foi o primeiro encontro. Tudo se centra no amor que Deus lhe revela: ele é amado por Deus, ele ama Deus, tudo está definido, «Tudo estava jogado», diz ele exactamente. Toda a sua vida se edificará sobre este amor recíproco entre Deus e ele.

Os dois outros encontros determinantes do Pe. Caffarel estão na continuidade deste, são sempre obra de Deus: o encontro em 1939 com casais que lhe pedem que os conduza no caminho da santidade e a quem ele responde: «Procuremos juntos»; e, em 1943, o encontro com viúvas que lhe pedem que as conduza nesse novo caminho e a quem ele responde igualmente: «Procuremos juntos». Quando o Senhor Se manifesta a alguém é para lhe confiar uma missão: fazer bem aos outros. O Pe. Caffarel deseja que façamos a experiência do amor de Deus. Missão essencial!
No seu túmulo, o Pe. Caffarel mandou escrever: «Vem e segue-Me». Foi assim. O Senhor orientou a vida do seu servo para que este estivesse ao serviço do amor revelado aquando da sua vocação em 1923: o amor no matrimónio, o amor mais forte do que a morte na viuvez.
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A vida do Pe. Caffarel encontra a sua origem em Deus. Ele centra-se em Deus, organiza tudo em torno do encontro com o seu Senhor. Pode ter parecido exigente… («Sede exigentes e jamais vos arrependereis», gostava ele de dizer); pareceu, por vezes, demasiado sério (excepto com os brasileiros, pois não pôde resistir ao seu bom humor!); come pouco (o que é impensável para os franceses!)… O nosso fundador não é, portanto, uma múmia perfeita. Mas foi sempre o homem do encontro.


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O Pe. Caffarel amava a Igreja apaixonadamente. Era padre da diocese de Paris. Os arcebispos de Paris compreenderam e apoiaram sempre as suas obras. Foi o anterior arcebispo de Paris, Mons. Jean-Marie Lustiger, que lhe deu o título de «profeta para o nosso tempo», mostrando assim a fecundidade do Pe. Caffarrel, que apresenta o matrimónio como «caminho de santidade».


O Pe. Caffarel estava em profunda harmonia com o Papa Paulo VI. Quando, em 1970, o Pe. Caffarel foi a Roma com mais de três mil casais, o Papa fez um longo discurso sobre o matrimónio que encheu de alegria o padre e os equipistas, de tal forma viram nele a espiritualidade conjugal de que as Equipas viviam. Nesse dia, o Papa entregou ao Pe. Caffarel um cálice que um sobrinho seu, o Pe. Voisin, nos emprestou para o nosso encontro: é um pouco do Pe. Caffarel, nosso fundador, que visita de novo o Brasil.
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Conduzir os outros a Deus é para ele o essencial.
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Escreve ao amigo: «Eu gostaria, caro amigo, que, quando fosses para a meditação, tivesses sempre a forte convicção de que és esperado: esperado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, esperado na família trinitária. Onde o teu lugar está pronto: de facto, lembra-te do que Cristo disse: “Vou preparar-vos um lugar”» (Henri Caffarel, Na presença de Deus, Cem cartas sobre a oração, Ed. Lucerna, Estoril, 2008, pp. 8-9). Quantos descreveram o Pe. Caffarel diante do Santíssimo Sacramento, sentado no seu banquinho de pedra. Nada se move: ele permanece em Deus.
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Permitam-me agora que vos dê algumas notícias precisas sobre o desenrolar do processo da causa do Pe. Caffarel. Este processo foi aberto a 25 de Abril de 2006 pelo arcebispo de Paris, o cardeal André Vingt-Trois, a pedido das Equipas de Nossa Senhora que, para esse fim, se constituíram na «Associação dos Amigos do Pe. Caffarel», sendo a sua responsabilidade assumida pela Equipa Responsável Internacional, em particular pelo casal Maria Carla e Carlo Volpini.
Desde a abertura do processo, o delegado episcopal nomeado para esse inquérito, Mons. Maurive Fréchard, antigo bispo de Pau, recebeu numerosos testemunhos, a maior parte dos quais foi apresentada por mim próprio, postulador, e pela vice-postuladora, Marie-Christine Genillon. Mons. Fréchard recebeu também o relatório dos censores teólogos, que examinaram a rectidão de fé do Pe. Caffarel. Recebeu ainda o relatório da comissão histórica, que examinou a autenticidade das informações relativas à vida do Pe. Caffarel.
A vice-postuladora classificou todos os arquivos respeitantes à causa. Mons. François Fleischmann, antigo conselheiro espiritual internacional, digitalizou perto de três mil páginas, editoriais de revistas e textos vários, e,como chanceler da diocese de Paris, autenticou um número considerável de documentos.

Pensamos que este inquérito diocesano estará terminado no fim deste ano de 2012. O conjunto do trabalho será entregue à Congregação para as Causas dos Santos, em Roma. Abrir-se-á então a segunda parte do caminho sob a responsabilidade de um novo postulador, o Pe. Angelo Paleri, franciscano conventual, postulador geral da sua Ordem e membro das Equipas de Nossa Senhora. Eu próprio terei de redigir a “positio”, ou seja, a síntese das investigações que demonstram a santidade do Pe. Caffarel. As nomeações oficiais serão comunicadas em 2013.

Basta que compreendam que uma investigação para uma causa exige tempo e trabalho e que o mesmo se realiza segundo regras rigorosas. Mas digo-vos tudo isto com a seguinte finalidade:
O Pe. Caffarel será beatificado se Deus quiser… Mas também se cada um de vós também quiser! Se o pedirem ao Senhor! A Igreja reconhece então esta realidade. Para isso, há que realizar três acções:
– em primeiro lugar, ler e meditar os escritos do Pe. Caffarel sobre o matrimónio e a oração. Conhecê-lo é amá-lo e entrar na sua escola.
– Em seguida, viver a vossa graça do matrimónio, ajudados de forma particular pela Carta: o matrimónio é um caminho de santidade. A santidade da vossa vida manifestará também a santidade do Pe. Caffarel que vos conduziu.
– Finalmente, rezar com frequência a oração que pede a canonização do Pe. Caffarel. Pedir, pedir ao Senhor graças e um milagre, sinal da presença e da intercessão do Pe. Caffarel por nós. Um milagre floresce sempre no meio de um povo que pede todas as graças.

Para terminar, uma canonização, cuja primeira etapa é a beatificação, é para o bem do povo cristão e da sociedade humana. Pensamos que a mensagem do Pe. Caffarel sobre o amor e a oração deve ser conhecida por todos. O Pe. Caffarel foi-nos dado por Deus; temos de o dar a conhecer aos casais e a todos os que procuram o Senhor. Não podemos guardar para nós tal tesouro. Falar do Pe. Henri Caffarel é evangelizar os homens e as mulheres que procuram a felicidade.

BOLETIM DE LIGAÇÃO N° 12 DOS AMIGOS DO PADRE CAFFAREL
Janeiro 2013
ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO PADRE CAFFAREL
49 RUE DE LA GLACIERE
F-75013 PARIS
www.henri-caffarel.org

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A missão do casal responsável de equipe nas equipes de nossa senhora

Muito atual este artigo! Boa leitura.




MENSAGEM AOS NOVOS CASAIS RESPONSÁVEIS DE EQUIPE


Queridos irmãos em Cristo, Casais Responsáveis de Equipe e Conselheiros Espirituais
 
Paz a todos!
 
Aos CRE que tomam posse queremos enfatizar que a vossa missão é das mais importantes nas Equipes de Nossa Senhora. Cada Casal, no exercício de sua missão, é o representante oficial do Movimento perante a Equipe a que pertence e atua. 
E qual é a vossa missão? O Papa Francisco nos fala: “Por pura graça DEUS atrai-nos para nos unir a Si. Envia o seu Espírito aos nossos corações, para nos transformar, e nos tornar capazes de responder com a nossa vida ao seu Amor.”
 
“Se alguém aceita um serviço, que veja nisso um chamado de DEUS.” (1Pd 4,11)
 
E DEUS chama cada um pelo nome. “Quando o homem recebe uma vocação de DEUS para a qual ele, por si mesmo, se julga incapaz, experimenta a graça divina que o transforma em um ser novo, capacitando-o para a missão recebida” (Zilles, 2011, 35) Recordemos ainda o exemplo de Jesus: “O maior dentre vós será o vosso servo” (Mt 23,11). A função, a grande função de todo e qualquer casal responsável é servir. São chamados a renunciar a si mesmos para se dar aos outros. Portanto sejam dóceis à luz do Espírito Santo, e como consequência fortes na vossa insubstituível missão à frente da Equipe que DEUS vos confiou.
 
Nunca se promete ao que é chamado que as coisas serão fáceis. Muito menos lhe são oferecidas garantias e seguranças que o convidem a se apoiar em meios humanos. A única força que estará disponível será a companhia de quem lhes prometeu ficar ao vosso lado até o fim do mundo.
Passarão, outrossim,por várias tentações; citaremos algumas:
  • A tentação do endurecimento hostil, ou seja, de se fechar dentro daquilo que está escrito (a letra) sem se deixar surpreender por Deus, pelo Espírito;
  • A tentação de descuidar, considerando-se não guardiões, mas proprietários;
  • A tentação de uma misericórdia enganosa, que trata os sintomas e não as causas e fecha as feridas antes de curá-las.
 
Enfim as tentações não devem vos assustar ou desanimar, porque nenhum discípulo é maior que seu mestre, e se o próprio Jesus foi tentado, não deveis esperar um tratamento melhor.
 
Mas o convite Dele é mais tentador e irrecusável, porque Ele vos convida a “amar mais”.
 
É fácil? Não, requer primeira Sua graça que vos escolheu, e não por mérito. Sois então privilegiados. Ele vos quer do jeito que são, com vossos defeitos e qualidades, só quer que deixeis a porta aberta, nem que seja apenas uma fresta...
 
Então Seu amor vos preencherá de tal modo que vosso coração se alegrará e esta alegria irá contagiar os que estão à vossa volta, fazendo, por exemplo, que aquele convite para uma formação ou um evento se torne tão atraente, que será impossível não aceitar!
 
Não digam tentaremos, e sim lutaremos! E este compromisso só reforça a idéia de que, como discípulos missionários, sois chamados a dar testemunho da vossa fé, da vossa esperança num mundo cada vez mais individualista.
 
Que a simplicidade e a humildade sejam a vossa marca registrada. E que o projeto de cada CRE presente seja ajudar os casais a ele confiados “a tenderem para a santidade, nem mais nem menos”, como nos fala Padre Caffarel.
 
E que mais? Ah! Mãos à obra, pois o céu não é o lugar nem de covarde, nem de preguiçoso!
 
Como SRB nos colocaremos em oração por cada Casal e Conselheiro Espiritual que assumem uma missão no Movimento, para que esta seja um louvor ao Pai! E contem conosco para qualquer auxílio que se faça necessário.
 
Aos casais que estão deixando a Missão, nosso agradecimento, em nome de toda a SRB, pelo esforço e empenho na condução de vossas Equipes ao longo de 2014.
 
E por fim, desejamos a todos um santo e abençoado Natal com o Espírito Santo derramando muitas bênçãos, e que 2015 seja um ano cheio de alegrias e realizações, extensivas a toda a família, e com a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José, modelos da Sagrada Família.
 
Recebam nosso carinhoso abraço.
 
Padre Paulo Renato
Hermelinda&Arturo
Novembro de 2014 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O Padre Caffarel e a Oração! Onde falta a oração, tudo morre; onde há oração, tudo renasce, tudo amadurece.

 “Sem dúvida o Padre Caffarel não é o único padre a ter fundado seu apostolado em uma vida sólida de oração. Mas raros são aqueles que, como ele, tanto trabalharam para compartilhar esse tesouro de suas vidas. Não somente ele falava a respeito, mas ele permitiu a uma multidão a possibilidade de basear sua vida cristã sobre a rocha da oração interior. ” 

Foi com estas palavras que o Padre Armand Gautier1 abriu sua palestra sobre o Padre Caffarel, no Colóquio promovido em Paris em dezembro de 2010 pela Associação dos Amigos do Padre Caffarel. Nas Equipes de Nossa Senhora, temos a oportunidade de vivenciar este aspecto das orientações de nosso fundador. No dia 5 de maio de 1970, ao introduzir o PCE (naquele tempo, “a obrigação”) da meditação diária, ele diz: “Para encontrar a Deus é preciso, sem dúvida, primeiramente ouvi-lo; mas é preciso também responde-lhe, abrindo e abandonando à sua Palavra as profundezes de nosso ser. Esta escuta e esta resposta exigem esta forma de oração chamada “oração mental”. Onde falta a oração, tudo morre; onde há oração, tudo renasce, tudo amadurece.

É preciso reconhece-lo, se na reunião de equipe a oração tem o lugar de honra, não ocorre o mesmo na vida pessoal da maioria dos membros do Movimento. Longe disso! Ora, em vão pretenderemos tornar-nos O Padre Caffarel e a Oração testemunhas do Deus vivo, se não estivermos decididos a nos tornar homens e mulheres de oração.”

 E acrescenta: “Só se pode dar testemunho do que se conhece. Só as pessoas que oram – quer sejam sábios ou sem muita cultura – não decepcionam quando falam de Deus. E só quem ora pode exclamar um dia, como Jó, dirigindo-se a Deus: ‘Até agora, só te conhecia por ouvir dizer; agora meus olhos te viram’“ (Jó 42, 5).3 Para definir melhor a oração, Caffarel diz: “Orar é expor sua pobreza aos olhos de Deus” (Cadernos sobre a Oração – CO 15). 

Mas o que são, na visão do Padre Caffarel, um rico e um pobre? “Um rico é um senhor que pode, que tem e que é. O pobre é aquele que humildemente procura Deus, recorre a ele, o teme e o serve”. O pobre é uma pessoa que tem uma necessidade vital de Deus para ama- -Lo. “Encontrar Deus é procurá-lo sem cessar.” Significa ser, diz o padre, “um verdadeiro mendigo de ágape.4 Sustentado por uma fé e uma esperança indefectíveis, você estará suplicando o Pai de lhe dar o ágape. “ (CO 74). 

Na verdade, temos de pedir a Deus o amor com o qual o amaremos: “Um santo é sempre um mendigo na porta de Deus. [...] Ele fica pedindo a Deus os bens espirituais de que mais carece: a inteligência e o amor da Cruz, o crescimento das virtudes teologais da fé, da esperança e do amor, a humildade e o arrependimento.” (CO 49 e 29) A paciência também faz parte deste espírito de pobreza. É preciso aceitar o tempo de Deus que muitas vezes não é o nosso. Segundo o Padre Caffarel, essa paciência é a medida do amor e ele cita um poeta lituano: “Uma passada igual e segura, assim é a velocidade do amor”. 

 A oração do pobre é, finalmente, a oração do pecador, daquele que não traz nas mãos boas ações que sejam capazes de salvá-lo de seu mal. Ao contrário do fariseu do templo, que se santifica a si mesmo por meio de seus esforços e de suas façanhas morais (Lc 18, 9-14). Aí está o grande mal: a autojustificação, diz o Padre Caffarel. É por isso que o publicano, que se reconhece pecador, sai do templo purificado e o outro não. 

Ao comentar uma outra parábola, a do “filho pródigo” (Lc 15), ele conclui: “Ao se aproximar, o filho está impuro, é o perdão que o purifica e transforma”. E mais: “O amor com o qual Deus nos ama não é fundado na nossa virtude, mas jorra, espontaneamente, de seu coração”. Logo: “O pecado reconhecido, confessado, rejeitado não é mais o pecado, mas somente a ‘miséria’ apelando para a mansa misericórdia do Pai. Em um filho de Deus, não é o fundo de seu ser que é contaminado pelo pecado, mas somente aquelas regiões escuras nele que ainda não foram evangelizadas.

Não esqueçam nunca que o fundo do ser de um cristão, desde seu batismo, é uma zona luminosa, radiosa, infinitamente pura, graças à presença da Trindade santa nele”. (CO 54) Pode parecer uma contradição, mas um coração de pobre é um coração disponível para ser ofertado. Como ele não possui nada, ele pode ser inteiramente o que ele é e isso torna possível sua oferenda de si mesmo. 

Ora, segundo a fórmula de Padre Caffarel “fazer a oração interior é, antes de tudo, oferecer-se a Deus. Essa oferenda de si deve tornar-se uma disposição fundamental e permanente de nosso ser, pois “doar-se significa não cessar de se doar, permanecer à disposição, em um ato de dom de si”: “Só a oração interior encaminha para o dom permanente de si mesmo a Deus, só ela renova e atualiza a força desse dom”. 

Por quê? Porque a oração é comunhão na oferenda eterna do Filho ao Pai. Assim, essa oração é uma ação de graças, celebração do ágape, prolongamento do ato eucarístico vivenciado na liturgia. Será que nossas orações têm esse caráter de doação, de oferenda a Deus? Será que elas nos dão a “alegria do Evangelho”? Será que nas nossas orações aceitamos ser o “filho pródigo” que volta pobre para se oferecer ao pai e mendigar seu amor? Ou será, como diz Padre Caffarel, que a oração só tem o lugar de honra nas reuniões da equipe?

 Hélène e Peter Eq.05A - N. S. da Santa Cruz São Paulo-SP Monique e Gérard Eq.01A - N .S. do Sim São Paulo-SP M. Regina e Carlos Eduardo Eq.01A - N. S. do Rosário Piracicaba-SP Cidinha e Igar Eq.01B - N. S. Aparecida Jundiaí-SP

extraído da carta mensal  CM 499