quinta-feira, 18 de abril de 2013

Baile de máscaras - carta mensal de abril 2013


Padre Henri Caffatrel
Em toda a parte a mentira; ao redor de nós; em nós mesmos. A Sra. Y detesta a Sra. Z; estendelhe, porém, a mão com um sorriso impecável. O Dr. A vive criticando o seu colega Dr. B; encontra-se com este e com que entusiasmo apresenta-lhe felicitações pela classificação obtida no concurso do hospital.
Examinai o grupo de pessoas que, na Igreja, desfilam diante da família do defunto; ficareis surpreendidos com a “sinceridade” de todos...
Todos representam o seu papel: a mãe perfeita, o pai de família numerosa, o braço direito do Sr. Vigário, o modelo social, o cristão de ideias largas. Afivelar bem a máscara, ajustar bem o disfarce, esta a grande preocupação.
E os partidos políticos! E a imprensa!... e seja lá o que for, a última greve, a sucessão presidencial, o grande julgamento no Tribunal: sempre palavras belas, escondendo quase sempre coisas sujas.
Estamos, aliás, tão habituados que nem mesmo atenção prestamos a tudo isto. Tão habituados, quer dizer, tão contaminados...
Pessimista, direis. Utilizai-vos, então, deste teste: durante um dia apenas, esforçai-vos por descobrir todas as mentiras que se insinuam nas vossas atitudes, palavras, cartas, gestos, silêncios, pensamentos, orações, seja em relação à vossa esposa, filhos, empregados e demais pessoas com quem cruzais, seja em relação a vós mesmos (pois mentimos a nós mesmos e, talvez, mais do que aos outros), seja em relação a Deus (pois, quantos cristãos não seriam mais leais se se abstivessem durante algum tempo, como Peguy, de recitar o Pai Nosso, tendo em vista o “seja feita a Vossa vontade” que é desmentido pelo proceder diário). Se vós não vos espantardes, à noite, com o resultado da experiência, é porque ou sois santo ou, quando menos, cego. E nesta segunda hipótese, o vosso caso é grave. 
 
Tornarmo-nos verdadeiros - tal deveria ser o nosso ideal de todos os dias.
E nesse sentido sereis eficientemente ajudados se jogardes lealmente o “jogo” das Equipes. 

Se durante a troca de ideias2, todos os casais exprimirem com toda a simplicidade, aquilo que pensam, confessarem aquilo que ignoram, solicitarem a ajuda dos outros para a questão que os preocupa, raciocinarem em harmonia com os demais de forma a traduzir em sua vida a verdade melhor compreendida, estes não tardarão a se tornar verdadeiros.
Se a vossa oração, na reunião mensal, for alguma coisa mais do que uma boa dissertação, se ela traduzir em algumas palavras despidas de eloquência, de literatura, - como se estivéssemos a sós diante de Deus – um pensamento, um desejo, um sentimento profundo da alma, tornar-vos-eis verdadeiros.
Se praticarem os casais, lealmente, aquilo que chamamos de “Partilha” (recordai o texto do Estatuto: - “Cada casal dirá, com toda a franqueza, se observou, durante o mês, as obrigações3 assumidas e não tardarão a se tornarem verdadeiros”).
Pôr-se a par dos respectivos esforços e dificuldades é coisa absolutamente normal para os casais que, conjuntamente e com o objetivo de entreajuda fraternal, assumirem o compromisso de seguir uma regra. Não é compreensível, pois, a ojeriza de certos casais para com a “Partilha”. E não haverá isto precisamente na medida em que eles estão ainda habituados a “blefar”, a representar os seus papéis, a cultivar a sua reputação?
É precisamente porque vemos na “Partilha”, entre outras coisas, um meio infalível de fazer cair a máscara, de lutar contra o “blefe” mundano, que lhe atribuímos tamanha importância.
Quando os casais de uma Equipe se esforçarem por eliminar toda a mentira, numa tentativa de sinceridade total, então, - conforme me escreveu um de vós: -
“Entre cristãos que se tornaram transparentes uns para os outros, a comunhão dos santos não é somente um dogma no qual se crê, mas também uma experiência que se vive”.

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