A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo
Lucas 19,1-10 que corresponde ao 31º Domingo do Tempo Ordinário, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol
José Antonio Pagola
comenta o texto. No Brasil, as leituras correspondem à Festa de Todos
os Santos e Santas transferida do dia 01 para o dia 03 de novembro.
Eis o texto
Jesus alerta com frequência sobre o risco de ficar preso pela atração irresistível ao
dinheiro.
O desejo insaciável de bem-estar material pode arruinar a vida de uma
pessoa. Não faz falta ser muito rico. Quem vive escravo do dinheiro
acaba encerrado em si mesmo. Os outros não contam. Segundo Jesus, “onde
estiver o vosso tesouro, ali estará o vosso coração”.
Esta visão do
perigo desumanizador do dinheiro não é
um recurso do Profeta indignado da Galileia. Diferentes estudos
analisam o poder do dinheiro como uma força ligada a instintos profundos
de autoproteção, busca de segurança e medo da caducidade da nossa
existência.
No entanto, para Jesus, a atração do dinheiro não é uma espécie de
doença incurável. É possível liberar-se da sua escravidão e começar uma
vida mais sã.
O rico não é “um caso perdido”. É muito esclarecedor o relato de Lucas sobre o encontro de Jesus com um homem rico de Jericó.
Ao atravessar a cidade, Jesus encontra-se com uma situação curiosa.
Um homem de pequena estatura subiu em uma figueira para poder vê-Lo de perto.
Não é desconhecido. Trata-se de um rico, poderoso “chefe de
cobradores”. Para as pessoas de Jericó, um ser desprezível, um cobrador
corrupto e sem escrúpulos como quase todos. Para os setores religiosos,
“um pecador” sem conversão possível, excluído de toda a salvação.
No entanto, Jesus faz-lhe uma proposta surpreendente: “Zaqueu, desce
depressa porque tenho que alojar-me em tua casa.” Jesus quer ser
acolhido na sua casa de pecador, no mundo de dinheiro e de poder deste
homem desprezado por todos.
Zaqueu desceu imediatamente e recebeu-O com alegria. Não tem medo de deixar entrar na sua vida o Defensor dos pobres.
Lucas não explica o que sucedeu naquela casa. Só diz que o contato
com Jesus transformou radicalmente o rico Zaqueu. O seu compromisso é
firme. De agora em diante pensará nos pobres: partilhará com eles os
seus bens. Recordará também as vítimas de que abusou: devolverá com
juros o que roubou.
Jesus introduziu na sua vida justiça e amor solidário.
O relato é concluído com palavras admiráveis de Jesus: “Hoje entrou a
salvação nesta casa. Também este é filho de Abraão. Porque o Filho do
Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.
Também os ricos se podem converter.
Com Jesus tudo é possível. Ninguém o deve esquecer. Ele veio para
procurar e salvar o que nós podemos estar deitando a perder. Para Jesus
não há casos perdidos.