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terça-feira, 6 de março de 2018

Papa: O Senhor nos perdoa se perdoarmos os outros

O Senhor nos perdoa se perdoarmos os outros, disse o PapaO Senhor nos perdoa se perdoarmos os outros, disse o Papa  (Vatican Media)

Papa: O Senhor nos perdoa se perdoarmos os outros

Na missa matutina, o Papa Francisco advertiu para o rancor que se aninha em nosso coração e recordou que o primeiro passo para ser perdoado é se reconhecer pecador.
Cidade do Vaticano –
O Papa Francisco celebrou na manhã de terça-feira (06/03) a missa na capela da sua residência, a Casa Santa Marta.
O Pontífice resumiu a mensagem proposta pela liturgia de hoje em duas expressões: “infelizmente” e “desde que”. O tema comum é o perdão, afirmou o Papa, o que é e de onde vem.

Eu pequei

A primeira Leitura é extraída do Livro do profeta Daniel. Trata-se do episódio de Azarias que, lançado ao fogo por não ter renegado o Senhor, não se lamenta com Deus pelo tratamento dispensado, não o repreende reivindicando a sua fidelidade. Continua a professar a grandeza de Deus, dizendo: “Tu sempre nos salvastes, mas infelizmente pecamos”. Acusa a si mesmo e o seu povo. E Francisco afirmou: “A acusação de nós mesmos é o primeiro passo rumo ao perdão”.
Acusar a si mesmos é parte da sabedoria cristã; não acusar os outros, não... A si mesmos. Eu pequei. E quando nós nos aproximamos do sacramento da penitência, ter isto em mente: Deus é grande e nos deu tantas coisas e infelizmente eu pequei, eu ofendi o Senhor e peço salvação. Mas se vou ao sacramento da confissão, da penitência e começo a falar dos pecados dos outros, não sei o que estou buscando: não busco o perdão. Tento me justificar. E ninguém pode justificar si mesmo, somente Deus nos justifica.

Confessar os próprios pecados

O Papa citou o caso de uma senhora que no confessionário contava os pecados da sogra, tentando se justificar, até que o sacerdote lhe disse: ‘Tudo bem, agora confesse os próprios pecados’.
O Senhor quer isto, porque o Senhor recebe o coração contrito porque é como de Azarias: “Não se sentirá frustrado quem põe em ti sua confiança”, o coração contrito que diz a verdade ao Senhor: “Eu fiz isso, Senhor. Pequei contra Ti”. O Senhor lhe tapa a boca, como o pai ao filho pródigo; não o deixa falar. O seu amor o cobre. Perdoa tudo.

O Senhor nos perdoa se perdoarmos os outros

Francisco convidou a não ter vergonha de dizer os próprios pecados porque é o Senhor que nos justifica, perdoando-nos não uma vez, mas sempre:
O perdão de Deus vem forte em nós desde que nós perdoemos os outros. E isso não é fácil, porque o rancor se aninha em nosso coração e sempre existe aquela amargura. Muitas vezes, carregamos conosco a lista das coisas que me fizeram: “Esta pessoa me fez isto, fez aquilo, fez aquilo outro...”.
O Papa advertiu para não se deixar escravizar pelo ódio a ponto de não conseguir perdoar e concluiu: “Essas são as duas coisas que nos ajudarão a entender o caminho do perdão: ‘O Senhor é grande, mas infelizmente eu pequei’ e ‘Sim, eu o perdoo setenta vezes sete desde que você perdoe os outros’.
Ouça a reportagem!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Papa aos sacerdotes de Roma: "Sejam grandes perdoadores. Somos servidores, não príncipes"


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Cidade do Vaticano (RV) – Após a visita esta manhã à Basílica Santa Maria Maior, onde confiou a Maria Salus Popoli  Romani sua viagem apostólica ao México, o Papa Francisco dirigiu-se à Basílica São João de Latrão, por ocasião do encontro com os presbíteros romanos no início da Quaresma. Na sede da Diocese de Roma, Francisco confessou alguns padres: “Nós – disse o Pontífice -  não somos príncipes, mas servidores das pessoas”.

Deus “perdoa sempre, perdoa tudo” – disse o Papa aos presbíteros romanos, exortando-os a “entender as pessoas” e a perdoar. Ainda tanta gente – recordou Francisco – sofre por problemas familiares, pela falta de trabalho. Ainda hoje tantas pessoas não conseguem libertar-se do pecado: “sempre encontram em nós um pai”.
Mesmo se às vezes “não se pode dar a absolvição – observou Francisco – que pelo menos sintam que existe um pai ali”:

“Eu não te dou o Sacramento mas te abençoo, porque Deus te quer bem; não percas a coragem: sigas em frente e volte aqui!”. Este é um pai, que não deixa que o filho vá para longe”.
E devemos ser misericordiosos como o Pai:  “Não maltratem as pessoas, acariciem-nas como nos acaricia Deus”.

As feridas devem ser curadas como fazem num hospital o médico ou uma enfermeira. Também os sacerdotes podem aliviar o sofrimento: “O carinho da palavra de um padre faz tão bem, tão bem. Realiza milagres!”.
O Papa Francisco recorda as tantas vezes que Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI falaram sobre a misericórdia. “E é Deus – acrescentou – que quer este Ano Santo da Misericórdia”:
“Se o Senhor quer um Jubileu de Misericórdia, é para que exista a misericórdia na Igreja, para que os pecados sejam perdoados. E não é fácil, porque a rigidez, muitas vezes, vem de nós. Somos rígidos ou mandões”.
Se deve ter cuidado – advertiu ainda o Papa – com a doença do clericalismo:
“A doença do clericalismo....Todos! Todos! Também eu. Todos temos isto....Não somos príncipes, não somos donos. Somos servidores das pessoas”.

“A misericórdia é Jesus”, é o Pai que enviou Jesus:
“E se tu não acreditas que Deus veio na carne, és o anticristo. E isto não sou eu quem digo. É o apóstolo João”.
O Senhor – afirmou ainda o Papa – confiou esta missão aos sacerdotes “precisamente para irem ajudar as pessoas, com humildade e misericórdia”. A misericórdia é “Deus que se fez carne”. “É amor, abraço do Pai, é ternura, é capacidade de entender, de colocar-se no lugar do outro”. Assim, é preciso “ser generosos no perdão e também entender as diversas linguagens das pessoas. Existe a linguagem das palavras, mas também a linguagem dos gestos”:

“Quando uma pessoa vai ao confessionário, é porque sente que alguma coisa não está bem, gostaria de mudar ou pedir perdão, mas não sabe como dizê-lo e fica muda: “Se não falas, não posso te dar a absolvição”. Não! Falou com o gesto de ir, e quando uma pessoa vai ao confessionário, não é que queira ir, e certamente não gostaria de fazer o mesmo novamente”. E se uma pessoa diz: “Eu não posso prometer isto”, porque “é uma situação irreversível, mas existe um princípio moral: ad impossibilita nemo tenetur” – explicao Papa – se é impossível que ele entenda, mas sempre procura como perdoar”.

“Sejam misericordiosos como o Pai – concluiu – grandes perdoadores. E vos agradeço pelo trabalho que fazem, porque eu acredito que neste ano haverá as horas extras que não vos serão pagas! (risos). Mas que o Senhor nos dê a alegria de ter as horas extras de trabalho para sermos misericordiosos como o Pai”. (JE)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O Papa sobre Paris: “Não construir pontes, mas, sim, rezar e servir”


“Em Paris também vimos corações fechados, e também o nome de Deus foi usado para fechar os corações.”. Foi o que afirmou o Papa Francisco, nesta tarde, durante sua visita à comunidade evangélica de Roma, na Christuskirche (Igreja de Cristo, que se encontra na Via Sicília), por ocasião do V centenário do nascimento de Martinho Lutero, respondendo a uma série de perguntas. Refletindo sobre o ecumenismo, a caridade, a assistência, os refugiados, o Papa também exortou a não construir muros, mas, sim, rezar para servir.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 15-11-2015. A tradução é do Cepat.

O Papa foi recebido, entre o calor e o aplauso dos presentes, pelo pastor Jeans Martin Kruse.
“Não construir pontes. Falar claro, rezar e servir”
Após os atentados em Paris, o que é preciso fazer? É preciso “falar claro, rezar e servir”. O Pontífice evocou com estas palavras a tragédia dos ataques terroristas na conversa espontânea com os fiéis da Igreja luterana de Roma, respondendo a uma mulher que lhe perguntou o que se podia fazer para evitar que as pessoas não se resignem à miséria e não construam novos muros. “O homem – enfatizou – desde o primeiro momento, quando lemos nas Escrituras é um grande construtor de muros, desde as primeiras páginas do Gênesis vemos isto”. Segundo o Papa, “há uma fantasia por trás dos muros humanos: tornar-se como Deus. A Torre de Babel é justamente a atitude de dizer: ‘Nós somos os potentes, vocês fora’. Existe a soberba do poder na atitude proposta nas primeiras páginas do Gênesis, para excluir se vai nesta linha”.
O Papa Bergoglio acrescentou: “o egoísmo humano quer se defender, defender o próprio poder. Mas, nessa atitude de defesa se distancia da fonte da riqueza. Os muros, ao final, são como um suicídio, causam o fechamento. É feio ter um coração fechado, e hoje vemos isto”. “O muro é o monumento à exclusão – explicou. Sabem como evitar os muros? É preciso falar claro, rezar e servir. Sejam os últimos, lavem os pés, sirvam aos irmãos e às irmãs, aos mais necessitados”.

“O que mais gosto como Papa? De ser pároco?”

“O que mais gosto” como Papa é “ser pároco”, mas também “estar com as crianças, falar com elas, porque se aprende muito com elas”. Dessa forma, o Papa Francisco respondeu a pergunta de uma criança de 9 anos: “O que mais gosta de fazer como Papa?”.
“A resposta é simples – disse Jorge Mario Bergoglio -, se eu perguntar para você o que mais gosta em uma refeição, irá me responder: ‘A sobremesa’. Mas, na realidade, é necessário comer tudo. Eu não gosto do trabalho burocrático, mas tenho que fazê-lo”. Contudo, “o que mais gosto é ser pároco, e quando era reitor da faculdade de Teologia, havia uma paróquia ao lado da faculdade na qual eu pároco. Gostava muito de ensinar o catecismo às crianças e no domingo de presidir a missa para as crianças. Eram 250 crianças e era difícil que todas ficassem quietas, mas eu gostava muito do diálogo com elas, porque as crianças são concretas, não fazem perguntas teóricas”.
“Ser Papa com o estilo de pároco, de pastor. Sinto-me bem quando visito os doentes, quando falo com as pessoas que estão desesperadas, tristes e adoro ir à prisão. Mas, não é que metam na prisão, tá?!”, brincou Francisco. “Todas as vezes que eu entro em uma prisão, pergunto-me: ‘Por que eles e não eu?’, e sinto a proximidade de Jesus Cristo, porque ele é quem me salvou, eu já não sou um pecador por ele, ele me tomou pela mão”. “Se um Papa não se faz pároco, bispo, pastor, será uma pessoa importante, inteligente, terá uma influência na sociedade, mas – concluiu – em seu coração creio que não será feliz”.
Aos luteranos: chegou o momento de “pedirmos perdão”
Refletindo sobre a relação entre os católicos e os luteranos, na homilia baseada na leitura do Evangelho segundo São Mateus (25, 31-46), disse: “Houve momentos feios entre nós, católicos e luteranos. Pensem na perseguição entre nós que temos o mesmo batismo. Devemos nos pedir perdão por isso, perdão pelo escândalo da divisão”.


Em sua pregação, revelou: “No dia do Juízo, não lhe perguntará se foi à missa, mas, ao contrário, se utilizou a sua vida para construir muros ou para servir. Todos nós, batizados, luteranos e católicos, estamos nesta decisão: o serviço, ser servo”. E Francisco perguntou: “Nós, luteranos e católicos, de que lado estaremos, à direita ou à esquerda? Houve momentos feios entre nós - recordou -; as perseguições entre nós, com o mesmo batismo... até nos queimamos vivos... devemos nos pedir perdão por esse escândalo da divisão, perdão, todos, luteranos e católicos”.
Quando “compartilhamos a ceia com o Senhor - observou -, recordamos e imitamos o Senhor Jesus. A ceia do Senhor se dará. O banquete final da nova Jerusalém. Pergunto-me: compartilhar a ceia do Senhor é o fim de um caminho ou o viático para caminhar juntos? Em certo sentido, compartilhar é dizer que não há diferenças entre nós, que temos a mesma doutrina. Pergunto-me: Mas, não temos o mesmo batismo? E se sim, temos que caminhar juntos".

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Pratique o perdão e liberte-se

BY  · 19/03/2015

Free-Yourself

Não somos ensinados a lidar com situações que envolvem os nossos sentimentos e emoções.

Desde criança, somos educados com alguns princípios básicos da boa educação como pedir licença, dizer por favor, agradecer. Também, muitas vezes, ouvimos de nossos pais ou dos mais velhos em geral que devemos pedir desculpas a alguém que pudéssemos ter feito algo: “peça desculpas!”. E, assim, crescemos aprendendo a como se portar de forma educada em meio às situações.
Porém muito pouco, pra não dizer raro, nos é ensinado a como lidar com essas situações internamente, isto é, quando essas situações envolvem os nossos sentimentos e emoções, principalmente quanto ao ato de pedir desculpas. Na medida em que vamos ficando mais crescidinhos e compreendendo a “vida real”, o pedir desculpas não parece mais algo tão simples e, então, deparamo-nos com o perdão – “perdoar ou não perdoar, essa é a questão” – e das problemáticas que o envolve em nossa vida.
Perdoar é um ato, mental ou emocional (espiritual eu ainda diria), de acabar com o ressentimento, raiva ou mágoa quanto a uma outra pessoa. O ato de perdoar pressupõe que alguém nos tenha feito algo que tenha nos magoado profundamente, como uma traição, um erro ou fracasso (muitas vezes, de nós mesmos) e que estamos direcionando uma culpa, uma punição.
Porém, na teoria, perdoar parece muito mais fácil do que é de fato. O ser humano, devido ao seu ego, comumente desenvolve um orgulho exacerbado frente a sua vida e às situações pelas quais passa, portanto, perdoar exige um esforço muito, muito grande. Tentar perdoar, em um primeiro momento, é muito doloroso e envolve a pessoa em um misto de sentimentos que só trazem prejuízos para a saúde mental e emocional. Perdoar é se igualar ao outro, é amá-lo incondicionalmente, e isso para o ego é quase impossível, quando cego pelo orgulho irracional.

Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.

Com o tempo, por mais que nosso ego nos diga que aquela pessoa não merece nosso perdão por ter feito algo de tão ruim e impossível de relevar, vamos experimentando um gosto amargo do próprio ressentimento que vamos alimentando. Conforme uma frase bem esclarecedora de Nelson Mandela: “guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”.
O que muitas vezes não paramos pra pensar é que o perdão é algo que acontece muito mais dentro da gente do que qualquer outra coisa que possamos projetar sobre o perdão. O perdão não é sobre decidir se a outra pessoa merece ou não o nosso julgamento, se a pessoa está correta ou não. O perdão é muito mais do que isso. O perdão significa a nossa própria liberdade! O fato de não perdoar faz com que criemos uma prisão a nossa volta e somente quem sai prejudicado somos nós, ninguém mais. Afinal, não é à toa que em Aramaico, a palavra perdão significa literalmente “desvencilhar-se”.
Novamente, o grande Nelson Mandela brilhantemente nos presenteia com uma frase sua: “quando eu saí em direção ao portão que me levava à liberdade, sabia que, se não deixasse minha amargura e meu ódio para trás, ainda estaria na prisão”. Portanto, que conclusões tirar a partir disso? Perdoar não é fácil, mas é possível sim e muitas vezes exige passos mais simples do que projetamos que realmente sejam.

A libertação depende de uma atitude de nossa parte e de mais ninguém.

Por mais que não seja necessário voltar a conviver com quem causou o desafeto, por mais difícil que seja esquecer de tudo, o perdão deve vir do coração e da alma, deve ser sincero, deve ser generoso. E, assim, ele nos livra do fel que derramamos em nosso próprio ser, livra-nos das amarras que nós mesmos criamos, que nos prendia a algo, a alguém, a uma situação que roubou a nossa paz interior. Perdoar pressupõe o amadurecimento de entender que nada fará apagar o que aconteceu, mas a libertação frente ao ocorrido depende de uma atitude de nossa parte e de mais ninguém.
Por isso, perdoar, antes de tudo, é se perdoar. É entender que não precisamos mais suportar algo que não precisa nos pertencer. São situações que acontecem e devemos encará-las como aprendizados, como direcionadoras de nossas relações, como formas de nos auto-descobrirmos e entendermos as nossas verdadeiras fragilidades. Pois, muitas vezes, aquilo que nos incomoda no outro é puro reflexo do que está em nós mesmos.
Não ser capaz de autoperdoar-se é não respeitarmos a nossa condição humana, uma vez que erros são normais, o problema são as exigências duras e severas que nos autoimpomos. Errar é humano e perdoar é divino. E isso não significa que somente sejam capazes do perdão seres de grande evolução. Qualquer um possui a sua própria divindade interior e é ela quem irá atuar em prol do perdão, seja aos outros ou a nós mesmos.

Perdoar é ganhar uma disputa que travamos conosco mesmo.

E como saber que realmente conseguimos perdoar? O perdão é um sentimento e sentimentos, muitas vezes, não possuem verbalizações suficientes para que possam ser explicados. Perdão é um sentimento puro que deixa um rastro de alívio, de relaxamento, de paz interior, de consciência leve e um coração feliz. Perdoar é cessar um sofrimento, é um caminho para o auto-conhecimento, de saber das próprias possibilidades e reconhecê-las como importantes e capazes de tudo.
Perdoar é voltar para casa, para a morada do nosso ser, onde podemos encontrar a verdadeira felicidade. Perdoar é ganhar uma disputa que travamos conosco mesmo. Perdoar é alcançar a vitória: a vitória com o nosso próprio interior.
Para sair um pouco da teoria e ajudar de forma prática a quem precisa exercitar o perdão, abaixo relacionamos algumas dicas e passos de como começar a praticar o perdão:
– O ódio e ressentimento são criados por nós mesmos e, muitas vezes, nem afetam a pessoa que é “alvo” de nossos desafetos. Entenda de que modo você mesmo cria os pensamentos e sentimentos e comece, pouco a pouco, a se libertar deles;
– Vingança não leva a nada e só fará com que você atraia ainda mais sofrimento para a sua vida. O melhor que você pode fazer, para si mesmo e pelo outro, é seguir adiante de cabeça erguida, paz no coração e sorriso no rosto;
– Compreensão e compaixão estão intimamente ligadas. Compreenda por que tudo aconteceu, entenda que aquilo que você julga errado pode ter mais relação sobre quem você é do que de fato algo que a pessoa fez. E, então, tenha compaixão pela situação e pelo outro, e até por si mesmo. Errar é humano e perdoar é divino, portanto, exerça a sua divindade. Transforme o que é ruim em algo bom, você é capaz disso! E quando você menos esperar, sua vida será abençoada com prosperidade. Semelhante atrai semelhante, não esqueça disso;
– Mude a perspectiva com que você enxerga as situações. Pare de focar no lado negativo das coisas e passe a focar no lado positivo. Todo acontecimento traz consigo um aprendizado e, geralmente, ele serve como um direcionador para a nossa vida, seja nas situações, seja nas relações, seja frente a nós mesmos. Liste as mudanças para melhor que aconteceram na sua vida após o desafeto ocorrido;
– Acima de tudo, use o perdão com sabedoria. Perdoar não significa ser conivente nem abandonar os seus princípios de vida. Perdoar é também exercer o respeito, principalmente a si mesmo. Como já comentamos, perdoar é um sentimento. Portanto, saiba diferenciar o que está ocorrendo no seu interior, como seu coração se sente, e então você estará conseguindo praticar o perdão de forma sábia e verdadeira.

Juliana Xavier
Juliana Xavier é formada em Relações Públicas e atualmente trabalha como redatora. Vegetariana pela própria saúde e consciência, pelos animais e pelo planeta, criou e gerencia a página Eu, Vegetariano no Facebook – http://facebook.com/euvegetariano
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Perdoar não é esquecer


Precisamos aprender a perdoar, mas esquecer a ofensa não é imprescindível

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Somos terra sagrada. Mas muitas vezes experimentamos nossa incapacidade para reconciliar-nos, para estar em paz com os outros, com Deus, conosco mesmos. Queremos um coração de criança, um coração limpo, renovado, enamorado.

É um tempo para pedir perdão e para perdoar, para estar em paz com Deus, para perdoarmos a nós mesmos pelas nossas quedas. É um tempo de graça que estamos vivendo. O céu se abre. Chove misericórdia de Deus.

Alguns dizem que não há verdadeiro perdão se não houver esquecimento das ofensas; que é impossível perdoar de verdade quando continuamente voltamos à ferida e alimentamos o rancor; que só esquecendo a ofensa é possível recomeçar.

Mas todos nós sabemos que há lembranças que não se apagam jamais, experiências que ficam gravadas na alma para sempre. A memória guardada no coração nos faz reviver tudo o que acreditávamos já ter esquecido.

Por isso, é necessário diferenciar perdão de esquecimento. Muitas vezes, eles não caminham juntos. Perdoar sempre nos cura. Na verdade, é a única coisa que cura o coração. Perdoar e ser perdoados.

Perdoar é uma graça de Deus, porque humanamente é muito difícil conseguir isso. Quantas vezes nos confessamos incapazes de perdoar quem nos ofendeu! Com quanta frequência percebemos a existência de alguns rancores enterrados na alma, que tiram nossa paz e alegria!

perdão nos faz levantar-nos e empreender um novo caminho. Reconcilia-nos com a vida, com o mundo, conosco mesmos. Ele nos dá luz, alivia a carga.

O passar dos anos nos deixa feridas na alma. Há ofensas não perdoadas no coração. Precisamos pedir a graça do perdão. Ganha mais quem perdoa que quem é perdoado. Porque, ao perdoar, ficamos mais leves, mais livres. O perdão cura. Perdoar é uma graça de Deus.

Há sentimentos que nos impedem de perdoar. O orgulho, o pensar que temos a razão, o considerar-nos mais importantes do que somos, o fato de exagerar o tamanho da ofensa.

Sentimos que, se perdoarmos, não estaremos dando valor ao que aconteceu. Achamos que somos melhores que os que nos ofenderam, e perdoar nos faz voltar a colocar-nos à sua altura. Por isso, queremos que o outro se humilhe, aprenda uma lição, mude, não volte a ofender.

perdão está condicionado a uma mudança de atitude de quem perdoa. Perdoamos se o outro se humilha. Perdoamos se o outro compensa o dano causado. Perdoamos se o outro reconhece sua culpa e se torna pequeno. Perdoamos se o outro se compromete a não voltar a fazer a mesma coisa.

Não é fácil perdoar incondicionalmente. Quando colocamos condições para perdoar, pode ser que nunca cheguemos a perdoar totalmente. Sempre resta um resquício para que o rancor entre. Uma porta aberta à amargura, à rejeição.

O perdão é fundamental para viver com paz, para semear alegria, para abrir janelas de luz. O perdão aos outros e a nós mesmos.

Quais são os rancores que você carrega no coração? Neste momento de graça, o que você quer perdoar? Qual é o nome do seu perdão?

Não acho que o esquecimento seja algo tão simples. Na verdade, penso que ele quase nunca é possível. Aquelas feridas do coração, os rancores que nos pesam, são experiências não esquecidas. Como esquecer aquilo que nos marcou para sempre? É realmente muito difícil. Faz parte da nossa história de amor. É como esquecer algo que nos constitui. É parte da nossa própria identidade.

Quando esquecemos, costuma ser porque a ferida foi superficial e a ofensa não foi tão grande. São experiências negativas que ficaram perdidas no passado e não lhes demos muita importância.

A memória é nossa bagagem de mão, sempre vai conosco. E nos serve para enfrentar a vida, para aprender do passado, para conhecer nossa história e agradecer, oferecer o que Deus nos deu. A memória nos ajuda a ir além dos preconceitos que a dor constrói. Precisamos perdoar. Mas esquecer não é imprescindível.

Lembro das feridas da minha vida. Algumas sangram às vezes. São parte do meu caminho. Lembro o dia, o momento. Se começo a recordar, chega a doer. Perdoei, mas continua doendo. Não esqueço do que aconteceu. Mas isso não é tão necessário. Além disso, não é algo que controlo. Por mais que eu queria formatar minha memória, não consigo.

Então, se não posso esquecer, o que posso fazer é que essas lembranças não determinem minha forma de tratar quem me ofendeu. Não posso fechá-lo em sua falta e pensar que sempre vai fazer a mesma coisa. Não posso condicionar minha atitude diante dele, meu carinho ou minha rejeição.

Não posso tratá-lo com certo desprezo ou distância. Não posso desconfiar eternamente das suas intenções e pensar que não vai mudar. Não posso julgá-lo e afastar-me da sua presença. Não posso desejar que ele sofra o que eu mesmo sofri. Preciso construir sobre essa rocha, sobre a minha história.

Não posso fazer a lembrança desaparecer. Mas posso decidir como agir, como tratar quem deus coloca em meu caminho novamente, como vou confiar nele, ainda que já tenha me falhado. Não é fácil, mas é o caminho da paz e da unidade.

Quantas divisões se tornam profundas porque não sabemos recomeçar! Quantas vezes a unidade não é possível porque nos falta humildade para perdoar! Falta coragem para tratar o outro como se nada tivesse acontecido, sem recordar-lhe continuamente o que ele fez, sem jogar na cara suas misérias.

Há pontos da nossa história que são difíceis. Feridas que não acabamos de aceitar. Coloquemos tudo nas mãos de Deus e de Maria. Não se pode esquecer, mas é possível recomeçar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Curar as Feridas




Uma ferida aberta leva tempo para cicatrizar. Aberta muitas vezes pelo descuido dos atos, ela precisa do tempo sagrado para que a cura aconteça. Embora o tempo cure as marcas da cicatriz, ela continua a nos mostrar algo que foi ferido nos tempos de outrora. A dor não mais sentida é a certeza de que o passado já não mais pertence ao presente. Fica somente a marca de uma parte da história que muitas vezes foi convertida em aprendizado.

Há despedidas que se tornam feridas abertas na alma. A dor da saudade de quem se foi cria fendas sem fim em muitos corações que ainda esperam o regresso de um adeus que não mais tem volta.  O tempo da saudade se eterniza em cicatrizes que nem mesmo o tempo consegue apagar. Quem fica sempre espera a regresso de um abraço que nunca foi permitido ou o sorriso que não mais poderá ser contemplado.

As estações da vida surgem em tardes de outono e se escondem em noites de lágrimas. Há noites que não se veem estrelas porque a luz das esperanças foi apagada das estrelas da Fé. Saudade não reconciliada é dor sem nome, é silêncio banhado por um oceano de lágrimas, é uma manhã sem sol em dias quase sempre nublados. Quem nunca se despediu de quem um dia partiu, jamais deixará a estação da dor ir embora de sua alma.
Na saudade de quem fica apenas a certeza de muitas esperas. Dias longos e segundos sem fim. Foi assim que muitos deixaram a sua alegria ir nas bagagens de quem se foi. Se o coração não se reconcilia com a despedida dos outonos do presente, o futuro sempre será uma triste espera nos bancos de velhos tempos de carências não cicatrizadas.

Saudade dolorida é ferida aberta  aberta no tempo não reconciliado consigo mesmo. O medo de dizer adeus nos prende sempre em um passado que não mais existe, mas mesmo assim se faz presente em futuros sombrios.

O remédio que cura a ferida da saudade é a reconciliação com a própria dor que ainda grita no coração de quem ainda não aceitou o peso das despedidas da vida. Na saudade cicatrizada fica apenas a certeza de quem um dia a vida será plena junto de Deus. No Altar da Vida Jesus pediu que a samaritana se despedisse de um passado de incertezas, e que no Seu amor acolhesse a certeza de novos tempos. Diante da despedida e do amor que agora seria a água que saciaria todas as suas sedes, ela abandonou o cântaro velhos outonos para viver as estações de uma nova primavera junto a Fonte de uma nova vida.  


No amor de Cristo reconciliamos nossas esperanças com as saudades que foram embora em bagagens que não mais nos pertencem. Se a dor se faz presente, a ternura de Deus é o remédio para a cura de nossas carências que ainda insistem em germinar no solo de nossas fragilidades humanas. Jesus Cristo abraça todas as nossas carências e faz das tristes saudades de uma tarde sem fim uma manhã de novos reencontros com a vida. Somos chamados a todo instante a curar nosso coração em seu Amor. Todas as nossas tristes saudades que ainda não nos disseram adeus, são curadas e cicatrizadas no bálsamo da paz que nasce das fontes do amor de Deus. 
Padre Flávio Sobreiro

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PERDÃO NÃO É TAREFA FÁCIL!

Bom dia, Amigos(as)....
 
Linda reflexão sobre o DOM DO PERDÃO. Vale a pena conferir:
 
 
 
Perdoar não é a tarefa fácil. Mas quem disse que é apenas de facilidades que a vida é construída?! Pensamos bem, as comodidades do mundo contemporâneo podem estar infestando um pouco além dos limites as concepções que temos sobre os próprios relacionamentos humanos, não é mesmo?!
 
Veja só: para o calor, a solução está em um rápido girar de botão do ar-condicionado ou em um gole de água recém-saído da geladeira; para o frio, as opções também não faltam e é possível buscar aquecimento das maneiras mais distintas. E é assim em todas as áreas da vida. Vivemos em busca de ilhas de comodidade.
Parece que estamos nos acostumando cada vez mais com aquilo que não dá muito trabalho, com aquilo que exige pouco, ou quase nada, de esforço ou colaboração da nossa parte. Quanto mais automático, melhor, mais procurado, mais desejado. E o perdão está exatamente no outro lado da balança.
 
Para perdoar e aceitar o perdão, precisamos sair do automatismo e tomar novamente as rédeas da situação. Abandonar rancores sobre os quais estamos ventilando há tempos um ar de “deixa pra lá” ou, quem sabe deixar de aquecer aquele antigo ódio que simplesmente colocamos dentro de uma estufa e quase que esquecemos como ele foi parar lá dentro.
 
A chave de liga-desliga das situações da vida não pode ficar em nossas mãos e ser acionada apenas de acordo com os critérios daquilo que pode nos trazer mais conforto ou comodidade. Muitas vezes, a decisão certa a se tomar é o inverso, é aquilo que pode nos desinstalar e exigir quase que uma violência interior. Não é fácil encontrar-se com as próprias misérias. Mas também não é fugindo delas que vamos conseguir ser nós mesmos.
Perdoe e aceite o perdão. Para isso, você precisa deixar de ser refém de si mesmo, não mais se robotizar ou se deixar controlar pelos comodismos. Tenha a coragem de lutar pelo que é bom e verdadeiro e viva mais feliz.
 
 
Martha Bezerra

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Elimine sentimentos negativos. Liberte-se para uma vida nova!



Você já passou dias, semanas, meses e até anos carregando consigo sentimentos negativos em relação a pessoas ou situações? Creio que todos nós já passamos por isso alguma vez na vida. O mais interessante a observar é que sentir coisas “más” nos faz carregar um peso ainda maior do que a situação em si. Como cristãos, não admitimos alguns desses sentimentos, fazemos de conta que não existem. Um passo muito importante é assumir nossos sentimentos e a possibilidade de tocar nestas emoções e desabafar.



Mas de que forma eu posso fazer este desabafo?



O perdão é uma decisão, mas não apenas uma decisão simples: é um processo contínuo, que gera memórias, dores, ativa ressentimentos, e, acima de tudo, gera libertação. Libertamo-nos dos sentimentos maus para que o novo seja gerado em nós. Libertamo-nos para uma vida nova!



Esse tipo de sentimento, guardado em nosso interior, é como um alimento estragado na geladeira; aos poucos, contamina todos os outros produtos e deixa aquele cheiro mau. Imagine você assim, cheio de coisas estragadas dentro de si. Logo, as dores começam a aparecer, assim como doenças estranhas, sentimentos maus, humor deprimido. Esses são nossos “venenos emocionais”: venenos que nos entristecem e, consecutivamente, nos adoecem.



O venenoso não envenena apenas a si, mas também ao outro. Falar mal, difamar, reclamar, queixar-se, murmurar, tudo isso pouco adianta. Não cura nenhuma ferida, pelo contrário, abre outras.


Quando falamos para o outro sobre nosso sentimento negativo, corremos o risco de nos machucar ainda mais. Por isso, preparar o terreno para conversar é muito importante. Se não há condições para o diálogo, uma boa sugestão é escrevê-los [seus sentimentos] num papel, como numa carta que, muitas vezes, não será mandada. Isso funciona como forma de libertação.





Coloque, nesse papel, tudo o que gostaria. Escreva sobre as situações que o machucaram, sobre suas dores e dificuldades com aquela pessoa. Algumas pessoas gostam de jogar essa folha de papel num rio, outras de queimá-la, outras a levam à capela e oferecem, em oração, esses sentimentos descritos nela. Essas atitudes funcionam como meio saudável de superar essas dificuldades, sem que para isso você precise descarregar toda a raiva na outra pessoa.



Se para você é muito difícil escrever, poderá pensar nas situações em algum lugar de que você goste ou ficar recolhido e dizer a uma cadeira vazia, representando a pessoa de quem tem mágoa, tudo aquilo que você sente. “Mas, a pessoa não está ali” você pode pensar. O mais importante é que seus sentimentos sejam ditos. É o esvaziar-se daquele sentimento e ponto final. Faça isso com o desejo de se libertar pela última vez daquele sentimento negativo. Em geral, depois de fazê-lo, tendemos a iniciar o processo de perdão e esquecimento.



Muitas vezes, murmurar e se queixar só potencializam nossos “venenos” emocionais. E, então, nesta Páscoa, o que você deseja?



Ressuscitar para uma vida nova, liberta dos seus “venenos” ou manter-se no sepulcro escuro e repleto de amarguras? Faça a sua opção! Certamente, ela não será fácil, muito menos doce, mas, certamente, os frutos dessa escolha serão grandiosos!



Elaine Ribeiro

psicologia01@cancaonova.com