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segunda-feira, 22 de maio de 2023

Como você corrige as pessoas?



Jesus e a pecadora
Lembre-se de que lidamos com pessoas e não com gado
Como você corrige seu filho, seu esposo, sua esposa, seu empregado, seu colega, seu subordinado de modo geral? É um dever e uma necessidade corrigir aqueles a quem amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta. Toda autoridade vem de Deus e em Seu nome deve ser exercida; por isso, com muito jeito e cautela.
Não é fácil corrigir uma pessoa que erra; apontar o dedo para alguém e dizer-lhe: “Você errou!”, dói no ego da pessoa; e se a correção não for feita de modo correto pode gerar efeito contrário. Se esta for feita inadequadamente pode piorar o estado da pessoa e gerar nela humilhação e revolta. Nunca se pode, por exemplo, corrigir alguém na frente de outras pessoas, isso a deixa humilhada, ofendida e, muitas vezes, com ódio de quem a corrigiu. E, lamentavelmente, isso é muito comum, especialmente por parte de pessoas que têm um temperamento intempestivo (“pavio curto”) e que agem de maneira impulsiva. Essas pessoas precisam tomar muito cuidado, porque, às vezes, querendo queimar etapas, acabam queimando pessoas. Ofendem a muitos.
Quem erra precisa ser corrigido, para seu bem, mas com elegância e amor. Há pais que subestimam os filhos, os tratam com desdém, desprezo. Alguns, ao corrigi-los, o fazem com grosseria, palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos, até do (a) namorado (a). Isso o (a) humilha e o (a) faz odiar o pai e a mãe. Como é que esse (a) filho (a), depois, vai ouvir os conselhos desses pais? O mesmo se dá com quem corrige um empregado ou subordinado na frente dos outros. É um desastre humano! 

Gostaria de apontar aqui três exigências para corrigir bem uma pessoa:
festa Santa Edwiges 2011
1 – Nunca corrigir na frente dos outros. Ao corrigir alguém, deve-se chamá-lo a sós, fechar a porta da sala ou do quarto, e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, pois este não é o caminho do amor. Não se pode humilhar a pessoa. Mesmo a criança pequena deve ser corrigida a sós para que não se sinta humilhada na frente dos irmãos ou amigos. Se for adulto, isso é mais importante ainda. Como é lamentável os pais ou patrões que gritam corrigindo seus filhos ou empregados na frente dos outros! Escolha um lugar adequado para corrigir a pessoa.
Gostaria de lembrar que a Igreja, como boa Mãe, garante a nós o sigilo da Confissão, de maneira extrema. Se o sacerdote revelar nosso pecado a alguém, ele pode ser punido com a pena máxima que a instituição criada por Cristo pode aplicar: a excomunhão. Isso para proteger a nossa intimidade e não permitir que a revelação de nossos erros nos humilhe. E nós? Como fazemos com os outros? Só o fato de você dar a privacidade à pessoa a ser corrigida, ao chamá-la a sós, ela já estará mais bem preparada para a correção a receber, sem odiá-lo. 

2 – Escolha o momento certo. Não se pode chamar a atenção de alguém no momento em que a pessoa errada está cansada, nervosa ou indisposta. Espere o melhor momento, quando ela estiver calma. Os impulsivos e coléricos precisam se policiar muito nestes momentos porque provocam tragédias no relacionamento. Com o sangue quente derramam a bílis – às vezes mesmo com palavras suaves – sobre aquele que errou e provocam no interior deste uma ferida difícil de cicatrizar. Pessoas assim acabam ficando malvistas no seu meio. Pais e patrões não podem corrigir os filhos e subordinados dessa forma, gritando e ofendendo por causa do sangue quente. Espere, se eduque, conte até 10 dez, vá para fora, saia por um tempo da presença do que errou; não se lance afoito sobre o celular para o repreender “agora”. Repito: a correção não pode deixar de ser feita; a punição pode ser dada, mas tudo com jeito, com galhardia. Estamos tratando com gente e não com gado

3 – Use palavras corretas. Às vezes, um “sim” dito de maneira errada é pior do que um “não” dito com jeito. Antes de corrigir alguém, saiba ouvi-lo no que errou; dê-lhe o direito de expor com detalhes e com tempo o que fez de errado, e por que fez aquilo errado. É comum que o pai, o patrão, o amigo, o colega, precipitados, cometam um grave erro e injustiça com o outro. O problema não é a correção a aplicar, mas o jeito de falar, sem ofender, sem magoar, sem humilhar, sem ferir a alma.
Eu era professor em uma Faculdade, e um dos alunos veio me dizer que perdeu uma das provas e que não podia trazer atestado médico para justificar sua falta. Ter que fazer uma prova de segunda chamada, apenas para um aluno, me irritava. Então, eu lhe disse que não lhe daria outra prova. Quando ele insistiu, fui grosseiro com ele, até que ele pôde se explicar: “Professor, é que eu uso um olho de vidro, e no dia da sua prova o meu olho de vidro caiu na pia e se quebrou; por isso eu não pude fazer a prova”. Fiquei com “cara de tacho” e lhe pedi mil desculpas. 

Nunca me esqueci de uma correção que o meu pai nos deu quando eu e meus oito irmãos éramos ainda pequenos. De vez em quando nós nos escondíamos para fumar escondidos dele. Nossa casa tinha um quintal grande e um pequeno quarto no fundo do quintal; lá a gente se reunia para fumar.
Um dia nosso pai nos pegou fumando; foi um desespero… Eu achei que ele fosse dar uma surra em cada um; mas não, me lembro exatamente até hoje, depois de quase cinquenta anos, a bela lição que ele nos deu. Lembro-me bem: nos reuniu no meio do quintal, em círculo, depois pediu que lhe déssemos um cigarro; ele o pegou, acendeu-o, deu uma tragada e soprou a fumaça na unha do dedo polegar, fazendo pressão, com a boca quase fechada. Em seguida, mostrou a cada um de nós a sua unha amarelada pela nicotina do cigarro. E começou perguntando: “Vocês sabem o que é isso, amarelo? É veneno; é nicotina; isso vai para o pulmão de vocês e faz muito mal para a saúde. É isso que vocês querem?”
Em seguida ele não disse mais nada; apenas disse que ele fumava quando era jovem, mas que deixou de fazê-lo para que nós não aprendêssemos algo errado com ele. Assim terminou a lição; não bateu em ninguém e não xingou ninguém; fomos embora. Hoje nenhum de meus irmãos fuma; e eu nunca me esqueci dessa lição. São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que “o que não se pode fazer por amor, não deve ser feito de outro jeito, porque não dá resultado”.
E se você magoou alguém, corrigindo-o grosseiramente, peça perdão logo; é um dever de consciência. 

Felipe Aquino

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Papa na missa do dia: "Olhar para Jesus e se encher de alegria"


Fiéis participam da missa matutina na Casa Santa Marta
06/04/2017 11:12
Cidade do Vaticano (RV) - “Deus é sempre fiel à sua aliança: foi fiel à promessa com Abraão e à salvação prometida em seu Filho, Jesus”. Este foi o centro da homilia proferida pelo Papa na manhã de quinta-feira (06/04) na missa da Casa Santa Marta.
A primeira leitura narra a aliança que Deus fez com Abraão, que Jesus e os fariseus chamam ‘pai’, porque foi ele que gerou “este povo, que hoje é a Igreja”. Abraão confia, obedece quando é enviado para outra terra, recebida em herança. Homem de fé e de esperança, acredita quando lhe é dito que teria um filho, aos 100 anos, “com a esposa estéril”. “Quem quisesse descrever a vida de Abraão, poderia dizer: ‘É um sonhador’”, disse o Papa. “Era um sonhador da esperança, mas não era um louco”, explicou:
“Colocado à prova depois de ter o filho, lhe é pedido que o ofereça em sacrifício: obedeceu e foi adiante, contra qualquer esperança: este é o nosso pai Abraão, que vai avante, avante, e quando viu Jesus, ficou cheio de alegria. Sim: a alegria de ver que Deus não o havia enganado, que Deus – como rezamos no cântico – é sempre fiel à sua aliança”.
O Salmo responsorial convida a lembrar as maravilhas, os seus prodígios. Para nós, descendência de Abraão, é como quando pensamos em nosso pai que já se foi, e nos lembramos das ‘coisas boas do papai’ e pensamos: ‘Papai era grande!’.
O pacto de Abraão consiste em obedecer ‘sempre’, prosseguiu Francisco. Por parte de Deus, a promessa foi de fazê-lo ‘pai de uma multidão de nações’. ‘Não te chamarás Abrão, mas o teu nome será Abraão’, lhe diz o Senhor. E Abraão acreditou. Depois, em outro diálogo, ainda no Gênesis, Deus lhe diz que sua descendência será numerosa como as estrelas do céu e a areia do mar. E hoje, nós podemos dizer: ‘Eu sou uma daquelas estrelas. Eu sou um grão de areia’.
Entre Abraão e nós, há a outra História, disse o Papa, a história do Pai dos Céus e de Jesus que por isso diz aos fariseus que Abraão exultou na esperança de ver “o meu dia”. “Ele viu e, ficou cheio de alegria”. Esta é a grande mensagem e a Igreja hoje nos convida precisamente a nos determos e a olharmos para “as nossas raízes”, “nosso pai”, que “nos fez povo, o céu cheio de estrelas, praias cheias de grãos de areia”:
“Olhar para a História: eu não estou sozinho, eu sou um povo. Vamos juntos. A Igreja é um povo. Mas um povo sonhado por Deus, um povo que deu um pai sobre a Terra que obedeceu, e temos um irmão que deu sua vida por nós, para nos tornar um povo. E assim podemos olhar para o Pai, agradecer; olhar para Jesus, agradecer; e olhar para Abraão e para nós, que somos parte do caminho”.
Francisco convida, então, a fazer de hoje “um dia de memória”, evidenciando que “nesta grande História, na moldura de Deus e Jesus, há a pequena história de cada um de nós”:
“Eu convido vocês a tirarem, hoje, cinco minutos, dez minutos, sentados, sem rádio, sem televisão; sentados, e pensar sobre a própria história: as bênçãos e dificuldades, tudo. As graças e os pecados: tudo. E olhar ali a fidelidade daquele Deus que permaneceu fiel à sua aliança, e se manteve fiel à promessa que fizera a Abraão, permaneceu fiel à salvação que prometera em Seu Filho Jesus. Estou certo de que entre as coisas talvez ruins - porque todos nós temos, tantas coisas ruins, na vida - se hoje fizermos isso, vamos descobrir a beleza do amor de Deus, a beleza de Sua misericórdia, a beleza da esperança. E tenho certeza que todos nós estaremos cheios de alegria”. (CM-SP)

sexta-feira, 17 de março de 2017

São Patrício



São Patrício



Patrono da Irlanda



17 de março

Patrício, em sua confissão, afirma ter nascido no ano de 377, em Bonaven Taberniae, distante povoado da Inglaterra. Seu pai era influente senador e diácono Calpurnius, e conforme declarou apesar de ter nascido numa família religiosa, só veio a conhecer, verdadeiramente o amor de deus, aos 16 anos.
Também, aos 16 anos que Patrício foi capturado de sua casa e do convívio de seus familiares, para viver como escravo na Irlanda.
Os jovens eram alvo preferido dos piratas irlandeses. Pagava-se por eles.
Patrício ao relatar os fatos deixava cair lágrimas de dor e tristeza lembrando seus familiares e de sua pátria.
Logo que chegou a Irlanda, foi designado a pastorear as ovelhas, tornou-se um exímio pastor. Patrício, no final de sua vida escreveu:... “Pastoreando, eu rezava diversas vezes ao dia, o amor de Deus e o respeito a ele cresciam mais e mais, e minha fé se fortalecia... Meu espírito foi tocado de tal modo que em um único dia, eu fazia cerca de cem orações, e mais cem à noite, mesmo quando estava nos bosques e nas montanhas,... Chovendo ou nevando, nada me atingia.”
Depois de seis anos de escravidão, Deus o guiou em sua fuga. Fugiu para a Gália e depois de algum tempo entrou para o mosteiro de Ésir, tendo como orientador o bispo Germano.
Foi no ano de 432 que Patrício foi sagrado bispo, e com o falecimento do bispo da Irlanda, Patrício pediu para ser enviado com a missão de converter o povo irlandês ao catolicismo.
Com alguns sacerdotes, chegou à Irlanda e pôs logo mãos a obra. Com toda a paciência e piedade, atravessou a ilha toda e visitou todos os povoados.
Grandes foram as fadigas, enormes os sacrifícios e sem contar os sofrimentos de toda espécie. Maior, porém, foi o amor de Deus e o seu poderoso auxílio, resultando em extraordinário número de conversões.
O que se via era um exercício de homens e mulheres, transformados pelo amor de Deus e pelo testemunho de Dom Patrício e seus sacerdotes.
Trinta anos se passaram e já existiam 365 igrejas, centenas de conventos e escolas. A ilha estava toda dividida em dioceses e as dioceses em paróquias. Foi tamanha expansão do Cristianismo na Irlanda e o crescimento da Igreja Católica, que o país passou a ser chamado de: “Ilha dos Santos”.
Dom Patrício foi o modelo de missionário Católico, cujas principais virtudes devem ser: zelo pela glória de Deus e pela salvação das almas, dedicação ao trabalho, coragem nas dificuldades, conformidade com a vontade de Deus, amor ao sofrimento, à Cruz e à oração.
Antes de chegar à ilha, Patrício em visão foi-lhe mostrado, que a ilha se achava sob o poder de muitos maus espíritos, que se oporiam ao seu apostolado. São Patrício estendeu a mão direita contra eles, invocou o nome de Jesus e os afugentou pelo Sinal da Cruz. (os espíritos maus estavam representados por cobras e serpentes).
Os milagres, os fatos extraordinários e as bênçãos eram tantas que o próprio São Patrício exclamava: “De onde provem estas maravilhas? Como os filhos da Irlanda, que jamais haviam conhecido o verdadeiro Deus e adoravam ídolos impuros, tornaram-se um povo Santo, uma geração de filhos de Deus.”
São Patrício recrutou seus mais fiéis discípulos, de maneira que muitos mosteiros fundados por ele tornaram-se o lar da poesia céltica. Eles souberam tão bem adaptar seu talento ao cristianismo em seus cânticos, que segundo se diz, os próprios anjos do céu vinham ouvi-los. Por isso a harpa dos Bardos tornou-se o símbolo e brasão da Irlanda Católica. 
Por meio dos milagres de São Patrício, como os apóstolos do Senhor, aplainou o caminho à verdade e, do mesmo modo que Jesus Cristo podia afirmar: os cegos enxergavam, os surdos ouvem, os paralíticos andam e aos pobres é pregado o evangelho. No fim da vida São Patrício pode verificar a conversão de quase toda a ilha.
A morte de São Patrício se deu na cidade de Down, em 17 de março de 461, estava com 84 anos, trinta e quatro como bispo da Irlanda. È comum no dia de sua festa, os irlandeses, ingleses etc, fixarem á roupa um trevo (planta cujas folhas se dividem em três), por que São Patrício se servia desta planta para dar uma idéia da santíssima trindade: “Um só Deus em três pessoas”.
Que o testemunho e a persistência de São Patrício nos inspirem a prática do bem e do amor; á Deus, a Igreja e a salvação das almas.
Paz e Bem

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Que saibamos servir a Deus sem esperar retribuição


Naquele tempo, disse Jesus: 7“Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ 8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso poderás comer e beber?’ 9Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.



Podemos não ter nada, mas não vamos esperar de Deus uma retribuição, porque a única retribuição que agradecemos de coração, embora não a mereçamos, é a graça de sermos filhos d’Ele
“Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer” (Lucas 17, 10).
Há uma mentalidade mercantilista que, muitas vezes, norteia as ações humanas e está presente até mesmo na forma como nos relacionamos com Deus.
Nós queremos ser recompensados, queremos que o Senhor nos dê uma retribuição, porque trabalhamos para Ele, porque servimos a Ele, porque fomos à igreja e porque buscamos ser bons e generosos.
A bondade já é uma recompensa; ser bom, estar em Deus, já é uma graça sublime! O que não podemos é fazer as coisas com a expectativa de recebermos algo em troca. Algumas pessoas querem fazer comércio com Deus: ‘Eu faço isso, se Deus me der aquilo! Eu vou me comprometer, porque Deus vai me dar isso!’.
Deus já nos dá, já é sublime em Sua generosidade para conosco. Foi Ele quem nos deu a vida, é Ele quem nos permite viver a cada dia. Se somos movidos pela humildade, Deus nos dá a graça mais sublime de saborearmos a Sua presença em cada coisa, em cada situação em que vivemos. Pode ser na dor, no sofrimento, nas tribulações, nas dificuldades e nas coisas que não dão certo.
Nós não podemos ter a mentalidade, o pensamento de achar que seremos livres disso e daquilo, que não teremos doença, não experimentaremos dificuldades, porque servimos a Deus. Às vezes, alguém passa o tempo inteiro servindo a Ele, mas, quando vem um momento difícil, quando passa por alguma tribulação e dificuldade, volta-se para Deus e diz: “Senhor, eu Lhe servi a vida inteira, sempre estive à Sua disposição, eu sempre fui fiel a Ti. E é isso que recebo como recompensa? É isso que o Senhor me dá?”.
Falam como se Deus nos mandasse um castigo, uma provação, uma privação; como se Ele estivesse nos tirando tudo. Ainda que o Senhor nos permita passar por qualquer tribulação nesta vida, é uma oportunidade para dizermos a nós mesmos que não servimos a Deus por aquilo que Ele nos dá.
Servimos ao Senhor por aquilo que Ele é: sempre bom, sempre Pai e sempre graça! Podemos não ter nada, entretanto, não vamos esperar de Deus retribuição, porque a única retribuição que não merecemos, mas, agradecemos de coração, é a graça de sermos Seus filhos, tudo mais é acréscimo.
O essencial é que somos filhos de Deus e precisamos viver como tais: viver a graça de servir ao Pai com dedicação e empenho; não sermos movidos pela mentalidade de que precisamos ser retribuídos por Deus.
Deus é bom e plenamente bom! Que Ele abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Pratique o perdão e liberte-se

BY  · 19/03/2015

Free-Yourself

Não somos ensinados a lidar com situações que envolvem os nossos sentimentos e emoções.

Desde criança, somos educados com alguns princípios básicos da boa educação como pedir licença, dizer por favor, agradecer. Também, muitas vezes, ouvimos de nossos pais ou dos mais velhos em geral que devemos pedir desculpas a alguém que pudéssemos ter feito algo: “peça desculpas!”. E, assim, crescemos aprendendo a como se portar de forma educada em meio às situações.
Porém muito pouco, pra não dizer raro, nos é ensinado a como lidar com essas situações internamente, isto é, quando essas situações envolvem os nossos sentimentos e emoções, principalmente quanto ao ato de pedir desculpas. Na medida em que vamos ficando mais crescidinhos e compreendendo a “vida real”, o pedir desculpas não parece mais algo tão simples e, então, deparamo-nos com o perdão – “perdoar ou não perdoar, essa é a questão” – e das problemáticas que o envolve em nossa vida.
Perdoar é um ato, mental ou emocional (espiritual eu ainda diria), de acabar com o ressentimento, raiva ou mágoa quanto a uma outra pessoa. O ato de perdoar pressupõe que alguém nos tenha feito algo que tenha nos magoado profundamente, como uma traição, um erro ou fracasso (muitas vezes, de nós mesmos) e que estamos direcionando uma culpa, uma punição.
Porém, na teoria, perdoar parece muito mais fácil do que é de fato. O ser humano, devido ao seu ego, comumente desenvolve um orgulho exacerbado frente a sua vida e às situações pelas quais passa, portanto, perdoar exige um esforço muito, muito grande. Tentar perdoar, em um primeiro momento, é muito doloroso e envolve a pessoa em um misto de sentimentos que só trazem prejuízos para a saúde mental e emocional. Perdoar é se igualar ao outro, é amá-lo incondicionalmente, e isso para o ego é quase impossível, quando cego pelo orgulho irracional.

Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.

Com o tempo, por mais que nosso ego nos diga que aquela pessoa não merece nosso perdão por ter feito algo de tão ruim e impossível de relevar, vamos experimentando um gosto amargo do próprio ressentimento que vamos alimentando. Conforme uma frase bem esclarecedora de Nelson Mandela: “guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”.
O que muitas vezes não paramos pra pensar é que o perdão é algo que acontece muito mais dentro da gente do que qualquer outra coisa que possamos projetar sobre o perdão. O perdão não é sobre decidir se a outra pessoa merece ou não o nosso julgamento, se a pessoa está correta ou não. O perdão é muito mais do que isso. O perdão significa a nossa própria liberdade! O fato de não perdoar faz com que criemos uma prisão a nossa volta e somente quem sai prejudicado somos nós, ninguém mais. Afinal, não é à toa que em Aramaico, a palavra perdão significa literalmente “desvencilhar-se”.
Novamente, o grande Nelson Mandela brilhantemente nos presenteia com uma frase sua: “quando eu saí em direção ao portão que me levava à liberdade, sabia que, se não deixasse minha amargura e meu ódio para trás, ainda estaria na prisão”. Portanto, que conclusões tirar a partir disso? Perdoar não é fácil, mas é possível sim e muitas vezes exige passos mais simples do que projetamos que realmente sejam.

A libertação depende de uma atitude de nossa parte e de mais ninguém.

Por mais que não seja necessário voltar a conviver com quem causou o desafeto, por mais difícil que seja esquecer de tudo, o perdão deve vir do coração e da alma, deve ser sincero, deve ser generoso. E, assim, ele nos livra do fel que derramamos em nosso próprio ser, livra-nos das amarras que nós mesmos criamos, que nos prendia a algo, a alguém, a uma situação que roubou a nossa paz interior. Perdoar pressupõe o amadurecimento de entender que nada fará apagar o que aconteceu, mas a libertação frente ao ocorrido depende de uma atitude de nossa parte e de mais ninguém.
Por isso, perdoar, antes de tudo, é se perdoar. É entender que não precisamos mais suportar algo que não precisa nos pertencer. São situações que acontecem e devemos encará-las como aprendizados, como direcionadoras de nossas relações, como formas de nos auto-descobrirmos e entendermos as nossas verdadeiras fragilidades. Pois, muitas vezes, aquilo que nos incomoda no outro é puro reflexo do que está em nós mesmos.
Não ser capaz de autoperdoar-se é não respeitarmos a nossa condição humana, uma vez que erros são normais, o problema são as exigências duras e severas que nos autoimpomos. Errar é humano e perdoar é divino. E isso não significa que somente sejam capazes do perdão seres de grande evolução. Qualquer um possui a sua própria divindade interior e é ela quem irá atuar em prol do perdão, seja aos outros ou a nós mesmos.

Perdoar é ganhar uma disputa que travamos conosco mesmo.

E como saber que realmente conseguimos perdoar? O perdão é um sentimento e sentimentos, muitas vezes, não possuem verbalizações suficientes para que possam ser explicados. Perdão é um sentimento puro que deixa um rastro de alívio, de relaxamento, de paz interior, de consciência leve e um coração feliz. Perdoar é cessar um sofrimento, é um caminho para o auto-conhecimento, de saber das próprias possibilidades e reconhecê-las como importantes e capazes de tudo.
Perdoar é voltar para casa, para a morada do nosso ser, onde podemos encontrar a verdadeira felicidade. Perdoar é ganhar uma disputa que travamos conosco mesmo. Perdoar é alcançar a vitória: a vitória com o nosso próprio interior.
Para sair um pouco da teoria e ajudar de forma prática a quem precisa exercitar o perdão, abaixo relacionamos algumas dicas e passos de como começar a praticar o perdão:
– O ódio e ressentimento são criados por nós mesmos e, muitas vezes, nem afetam a pessoa que é “alvo” de nossos desafetos. Entenda de que modo você mesmo cria os pensamentos e sentimentos e comece, pouco a pouco, a se libertar deles;
– Vingança não leva a nada e só fará com que você atraia ainda mais sofrimento para a sua vida. O melhor que você pode fazer, para si mesmo e pelo outro, é seguir adiante de cabeça erguida, paz no coração e sorriso no rosto;
– Compreensão e compaixão estão intimamente ligadas. Compreenda por que tudo aconteceu, entenda que aquilo que você julga errado pode ter mais relação sobre quem você é do que de fato algo que a pessoa fez. E, então, tenha compaixão pela situação e pelo outro, e até por si mesmo. Errar é humano e perdoar é divino, portanto, exerça a sua divindade. Transforme o que é ruim em algo bom, você é capaz disso! E quando você menos esperar, sua vida será abençoada com prosperidade. Semelhante atrai semelhante, não esqueça disso;
– Mude a perspectiva com que você enxerga as situações. Pare de focar no lado negativo das coisas e passe a focar no lado positivo. Todo acontecimento traz consigo um aprendizado e, geralmente, ele serve como um direcionador para a nossa vida, seja nas situações, seja nas relações, seja frente a nós mesmos. Liste as mudanças para melhor que aconteceram na sua vida após o desafeto ocorrido;
– Acima de tudo, use o perdão com sabedoria. Perdoar não significa ser conivente nem abandonar os seus princípios de vida. Perdoar é também exercer o respeito, principalmente a si mesmo. Como já comentamos, perdoar é um sentimento. Portanto, saiba diferenciar o que está ocorrendo no seu interior, como seu coração se sente, e então você estará conseguindo praticar o perdão de forma sábia e verdadeira.

Juliana Xavier
Juliana Xavier é formada em Relações Públicas e atualmente trabalha como redatora. Vegetariana pela própria saúde e consciência, pelos animais e pelo planeta, criou e gerencia a página Eu, Vegetariano no Facebook – http://facebook.com/euvegetariano
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quarta-feira, 17 de junho de 2015

"SER HUMILDES"


Humildade: palavra fácil de ser pronunciada, mas difícil de ser vivida.
Geralmente, tomamos por defesa o fato de sermos arrogantes e auto suficientes. Às vezes até de modo sutil e "justificável".

Porém, a maior prova de humildade, não conseguimos fazer: reconhecer erros, pedir perdão e perdoar.

Achamos sempre uma justificativa, que tenta enganar a nossa consciência, mas não consegue.

A maior prova de humildade é viver uma recomendação de Jesus: "Amai os vossos inimigos."

Dizemos que é difícil, justificamos que nunca vamos conseguir e achamos um modo de tranquilizar a consciência. Mas nada disso nos justifica diante de Deus. Ele quer que nosso amor seja heróico.
Abraços,
Apolonio

terça-feira, 16 de junho de 2015

Papa: pobreza cristã não é ideologia, é centro do Evangelho


Na homilia de hoje, Papa voltou a reiterar que a pobreza está no centro do Evangelho; é injusto chamar de “comunista” padres ou bispos que falam dos pobres
Da Redação, com Rádio Vaticano
Francisco fala aos fiéis sobre a necessidade de colocar a pobreza no centro do Evangelho / Foto: L'Osservatore Romano
Se tirarmos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus, observou Francisco na Missa de hoje / Foto: L’Osservatore Romano
O Papa Francisco voltou a afirmar, nesta terça-feira, 16, que a pobreza está no centro do Evangelho. A homilia de hoje foi dedicada à contraposição entre riqueza e pobreza. O Pontífice reiterou que é injusto definir como “comunistas” os sacerdotes ou bispos que falam dos pobres.
“A pobreza está no centro do Evangelho. Se tirarmos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus”, disse o Papa. Ele acrescentou que o apóstolo Paulo evidencia qual é a verdadeira riqueza: ter fé, eloquência, ciência, zelo e caridade em abundância. E o apóstolo deixa um convite: visto que tendes tudo em abundância, procurai também distinguir-vos nesta obra de generosidade.
“Se há tanta riqueza no coração, esta riqueza tão grande – o zelo, a caridade, a Palavra e o conhecimento de Deus – façam com que essa riqueza chegue até os bolsos. E essa é uma regra de ouro. Quando a fé não chega aos bolsos, ela não é genuína”.
Francisco destacou a contraposição entre riqueza e pobreza. A Igreja de Jerusalém, por exemplo, é pobre, está em dificuldade econômica, mas é rica, porque tem o tesouro do anúncio evangélico. E essa Igreja de Jerusalém, pobre, enriqueceu a Igreja de Corinto com o anúncio evangélico.
Deixar-se enriquecer pela pobreza de Cristo
Retomando São Paulo, o Papa disse que, sem o anúncio do Evangelho, as pessoas são pobres e Cristo as enriqueceu com a sua pobreza. “Da pobreza vem a riqueza, é uma troca mútua (…) Ser pobre é deixar-se enriquecer pela pobreza de Cristo e não querer ser rico com outras riquezas que não sejam as de Cristo”.
Francisco esclareceu que, quando os fiéis ajudam os pobres, eles não fazem obras de beneficência de modo cristão, embora isso seja bom, seja humano, mas esta não constitui a pobreza cristã de que São Paulo fala. “A pobreza cristã é dar do que é meu ao pobre, inclusive do que é necessário, e não o supérfluo, porque sei que ele me enriquece. E por que o pobre me enriquece? Porque Jesus disse que Ele mesmo está no pobre”.
Esta é a teologia da pobreza, concluiu o Papa, este é o motivo pelo qual a pobreza está no centro do Evangelho, não é uma ideologia. “É justamente este mistério, o mistério de Cristo que se rebaixou, se humilhou, se empobreceu para nos enriquecer. Assim se entende porque a primeira das Bem-aventuranças seja ‘Bem-aventurados os pobres de espírito’. Este pobre de espírito é percorrer esta estrada do Senhor: a pobreza do Senhor que, também, se rebaixa tanto que agora se faz ‘pão’ para nós, neste sacrifício. Continua a rebaixar-se na história da Igreja, no memorial da sua paixão, no memorial da sua humilhação, no memorial do seu rebaixamento, no memorial da sua pobreza, e deste ‘pão’ Ele nos enriquece”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Não ficar fechado nos sistemas, abrir-se às surpresas de Deus: Papa em Santa Marta




Abrir-se às surpresas de Deus, sem se fechar aos sinais dos tempos – pediu o Papa Francisco na missa desta minha na Casa de Santa Marta. Comentando as palavras de Jesus aos doutores da lei, o Papa exortou os fiéis a não permanecerem apegados às próprias ideias mas a caminharem com o Senhor, encontrando sempre coisas novas…
Porque estes doutores da lei não percebiam os sinais dos tempos e pediam um sinal extraordinário…E por que é que não percebiam? Antes de mais, porque estavam fechados. Fechados no seu sistema, tinham sistematizado muito bem a lei, uma obra prima. Todos os judeus sabiam o que que se podia fazer e o que não se podia fazer, até onde se podia ir. Tudo bem arrumado. E assim estavam seguros.
Não percebiam que Deus é o Deus das surpresas, que Deus é sempre novo. Nunca se renega a si mesmo, nunca diz que o tinha dito era errado, nunca, mas sempre nos surpreende. Eles não percebiam isto e fechavam-se naquele sistema feito com tanta boa vontade e pediam a Jesus: ‘Dá-nos um sinal! E não percebiam os muitos sinais que Jesus fazia e que indicavam que o tempo estava maduro. Fechados!
Em segundo lugar, tinham esquecido que eram um povo a caminho. Em caminho. E quando se caminha, quando uma pessoa vai pelo caminho, sempre encontra coisas novas, que não conhecia.
Os doutores da lei, fechados em si mesmos, “não tinham percebido que a lei que defendiam e amavam era uma pedagogia que havia de levar a Jesus Cristo. “Se a lei não nos aproxima de Jesus Cristo é uma lei morta.
Isto deve fazer-nos pensar: estou apegado às minhas coisas, às minhas ideias, fechado. Ou estou aberto ao Deus das surpresas? Sou uma pessoa fechada, ou uma pessoa que caminha? Creio em Jesus Cristo? … Sou capaz de captar os sinais dos tempos e ser fiel à voz do Senhor que neles se manifesta? Podemos fazer-nos hoje estas perguntas e pedir ao Senhor um coração que ame a lei, porque a Lei é de Deus. E que ame também as surpresas de Deus, sabendo que esta lei santa não é finalizada a si mesma.

14-10-13 Rádio Vaticana