sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Família: desculpe o transtorno estamos em construção!

Família: desculpe o transtorno estamos em construção!
Arquivado em: Formação — Padre Luizinho at 7:35 am on quinta-feira, agosto 13, 2009

A família perfeita é aquela que não desiste de caminhar, de construir e restaurar o seu lar. A família é igual a uma casa em reformas, é o maior transtorno, às vezes, poeira, entulho, tudo que uma construção pode trazer, penso que você consegue imaginar. Mas esse retrato de uma casa em construção demonstra que ninguém está parado em si, ou acha que já está pronto, apesar dos incômodos está em construção, em reforma, em restauração, ninguém restaura um bem se ele não for muito precioso, e isso é um sinal muito positivo. Quem já não leu este aviso em construções públicas: “desculpe o transtorno estamos em construção, para lhe atender melhor”.

Primeira coisa que precisamos notar, é que em casa ninguém é igual, e estamos em níveis de maturidade diferentes. Os pais têm mais experiência, mas entre eles há diferenças. Os filhos estão crescendo, sendo construídos em todos os sentidos, no físico, no psicológico e no espiritual. Aqui entra em ação o material para construir cada um que se chama respeito e paciência com o processo do outro. Por isso, a família precisa ser o ambiente propício para as mudanças, para o crescimento e até para as crises. Ninguém deve ter vergonha de ser o que é, e está como está em casa. Em minha opinião, existem alguns pontos primordiais para construir e restaurar a família:

1º Restaurar o relacionamento com Deus
: a base do sacramento do matrimonio é o amor, sem fazer a experiência de Deus é impossível amar de verdade. O amor real muitas vezes passa pela experiência da morte, do aniquilamento, do esquecer-se de si mesmo; e isso, sem Deus, é impossível superar. Mas é preciso respeitar a experiência religiosa de cada um, saber que ela também é individual, mas que dá para fazer um caminho para Deus JUNTOS.

2º Fazer da minha casa um ninho de amor:
na minha casa eu decido amar primeiro, o processo começa em mim, e eu não posso cobrar aquilo que eu ainda não consigo dar. Procurar defeitos nos outros, culpados, não resolver as situações de tensão ou dificuldades vividas em casa, faz dela um inferno e não um pedaço do céu. Eu preciso sentir o desejo de voltar para casa, ela precisa ser o meu refúgio, meu oásis no meio do deserto. Casa, família, precisa me atrair, significa porto seguro, lugar onde não importa a minha condição: EU SEI QUE SOU AMADO.

3º Partilha e diálogo:
isso quer dizer, onde todos crescem no conhecimento de si e dos outros. A falta de diálogo e partilha deixa crescer dentro dos membros da família os venenos que a podem destruir. Os ressentimentos e as magoas, a falta de perdão e o medo de se revelar. Dentro de casa precisa se promover um clima de confiança e aceitação do outro, eu preciso me sentir acolhido para partilhar a minha verdade. Outro dia ouvir a experiência de um movimento que se chama Equipes de Nossa Senhora, que trabalha com casais. Eles têm uma prática que se chama direito de sentar-se. Sentar-se à cadeira, sentar-se à mesa, para falar e ouvir tudo que o outro precisa disser. ISSO É CARIDADE.

Nós não podemos esquecer que cada um tem a sua parte essencial e importante na construção da família, os pais têm seu papel de pilar de sustentação e construção da casa, mas os filhos dão sentido, vigor e alegria aos pais. E assim vamos construindo famílias restauradas.

Pai santo, Pai amado, a restauração da minha família depende da minha participação ativa e consciente. Do meu amor e compreensão, respeito e paciência com o processo dos meus pais e irmãos, por isso, que eu não sonegue amor e verdade, perdão e misericórdia para com os meus, que esse processo comece em mim primeiro, eu decido amar primeiro em minha família e colaborar com a restauração do santuário da vida, que é minha casa. Amém.

Desculpe o transtorno estamos em construção!

Minha benção fraterna.

Pe Luizinho,
Sacerdote Canção Nova.

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