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quinta-feira, 2 de abril de 2026

"O verdadeiro poder é o serviço"



O Papa reitera às religiosas: "O verdadeiro poder é o serviço"


Cidade do Vaticano (RV) – Delegações de religiosas de todo o mundo foram recebidas pelo Papa na manhã desta quarta-feira na Sala Paulo VI, no Vaticano. As 800 irmãs, delegadas de 1900 diferentes Congregações, se reuniram nos últimos dias na Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras Gerais, em Roma. Com elas, estava também o Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica, a quem Papa Francisco agradeceu logo no início de seu discurso. Dom João esteve domingo, 05, na Assembléia, participando de um debate e celebrando uma missa para as irmãs.

“Centralidade de Cristo, autoridade como serviço de amor, e ouvir a Mãe-Igreja”. Estas foram as três principais indicações sugeridas pelo Papa às religiosas, ao se dirigir a elas.

“O que seria da Igreja sem vocês? Faltaria o carinho, a maternidade, a ternura, a intuição das mães. Queridas irmãs, disse Francisco, fiquem certas de que eu as acompanho de perto, rezo por vocês, mas por favor, rezem também por mim!”, pediu.

Em sua fala, o Papa também lembrou que “adorar e servir são dois comportamentos que não se separam, mas caminham sempre juntos; e disse que obediência é ouvir a vontade de Deus e aceitar que a obediência passe através das mediações humanas”.
“Lembrem-se que a relação autoridade/obediência se insere no contexto maior do mistério da Igreja e constitui uma atuação especial de sua função mediadora”.
Outra questão recomendada para a reflexão das religiosas foi a pobreza, que – disse – não è a pobreza teórica:
“A pobreza teórica não nos interessa, a pobreza se aprende tocando a carne de Cristo pobre”; e insistiu na necessidade de que as religiosas sejam espiritualmente fecundas e neste sentido, ‘sejam mães’ e não ‘solteironas’.
Avançando, Papa Francisco passou ao segundo elemento no exercício da autoridade: o serviço, que teve seu ápice luminoso na cruz. “Para o homem – especificou – quase sempre a autoridade è sinônimo de posse, mas a autoridade como serviço è sinônimo de amor, significa entrar na lógica de Jesus que se inclinou para lavar os pés aos pobres. Quem quiser ser grande será servidor e antes ainda, escravo”.

Após criticar comportamentos carreiristas de homens e mulheres da Igreja, que usam o povo como trampolim para suas ambições pessoais, pediu às religiosas que exerçam autoridade compreendendo, amando, ajudando, abraçando todos, especialmente quem se sente excluído, nas periferias existenciais do mundo humano.

“È impossível – acrescentou – que uma consagrada e um consagrado não sintam com a Igreja, e a eclesialidade é uma das dimensões constitutivas de sua vocação, é um carisma fundamental para a Igreja. O ‘sentir com a Igreja’ – explicou – se expressa na fidelidade ao magistério, em comunhão com os pastores e com o bispo de Roma, sinal de unidade visível”.
“O anúncio – reafirmou o Pontífice, citando Paulo VI – não é jamais um ato isolado ou de grupo. A evangelização se realiza graças a uma inspiração pessoal, em união com a Igreja e em nome dela”. (CM)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Papa: pedir a graça da vergonha e jamais julgar os outros !

Papa celebra a missa na Casa Santa MartaPapa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)


O Papa começou a semana celebrando a missa na Casa Santa Marta. Na homilia, comentou o Evangelho de Lucas.
Cidade do Vaticano -
Não julgueis e não sereis julgados. Na homilia da Missa celebrada na segunda-feira (26/02) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco repete com força este convite de Jesus no Evangelho do dia (Lc 6,36-38).
Ninguém, de fato, poderá fugir do juízo universal: todos seremos julgados. Nesta ótica, a Igreja faz refletir justamente sobre a atitude que temos com o próximo e com Deus.
Em relação ao próximo, nos convida a não julgar, mas a perdoar. “Cada um de nós pode pensar: ‘Mas nunca julgo, eu não faço o juiz”, notou Francisco que convidou, ao invés, a examinar as nossas atitudes: “quantas vezes o argumento das nossas conversas é julgar os outros!”, dizendo “isto não está correto”. “Mas quem o nomeou juiz”, advertiu o Papa: “julgar os outros é algo feio – afirmou – porque o único juiz é o Senhor” que conhece a tendência do homem a julgar os outros:
Nas reuniões que nós temos, um almoço, o que quer que seja, pensemos em duas horas de duração: dessas duas horas, quanto minutos foram usados para julgar os outros? Este é o ‘não’. E qual é o ‘sim’? Sejam misericordiosos. Sejam misericordiosos como o Pai é misericordioso. E mais: sejam generosos. Dai e vos será dado. O que me será dado? Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante. A abundância da generosidade do Senhor, quando nós seremos plenos da abundância da nossa misericórdia em não julgar.
O convite, portanto, é ser misericordiosos com os outros porque do mesmo modo o Senhor será misericordioso conosco. A segunda parte da mensagem da Igreja, hoje, é o convite a ter uma atitude de humildade com Deus, reconhecendo-se pecadores.
E nós sabemos que a justiça de Deus é misericordia. Mas è preciso dizê-lo: “A Ti convém a justiça; a nós, a vergonha”. E quando se encontra a justiça de Deus com a nossa vergonha, ali está o perdão. Eu creio que pequei contra o Senhor? Eu acredito que o Senhor é justo? Eu acredito que é misericordioso? Eu me vergonho diante de Deus, de ser pecador? Tão simples: a Ti a justiça, a mim a vergonha. E pedir a graça da vergonha.
Por fim, o Papa recordou que na sua língua materna, das pessoas que fazem mal aos outros se diz “sem vergonha”, e reiterou o convite a pedir a graça “de que jamais nos falte a vergonha diante de Deus”.
É uma grande graça, a vergonha. Assim recordamos: a atitude em relação ao próximo, recordar que com a medida com a qual julgo serei julgado. E se digo algo sobre o outro, que seja generosamente, com muita misericórdia. A atitude diante de Deus, este diálogo essencial: “A Ti a justiça, a mim a vergonha”.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Papa: pastores não sejam rígidos, mas ternos e próximos!!

Capela da Casa Santa MartaCapela da Casa Santa Marta  (Vatican Media)

O Papa pediu para rezarmos hoje pelos nossos pastores, para 
que Deus dê a eles a graça de caminhar com o povo com ternura
 e proximidade.
Cidade do Vaticano -
As atitudes do verdadeiro pastor são aquelas com as quais Jesus acompanhou o Seu povo: proximidade e ternura concretas, não rigidez nem julgamento. Esta foi a reflexão feita pelo Papa na homilia da Missa celebrada na manhã de terça-feira (30/01) na capela da Casa Santa Marta.
As páginas do Evangelho de Marcos narram dois episódios de cura a serem mais contemplados do que refletidos, disse o Papa, porque indicam “como era um dia na vida de Jesus”, modelo de como deveria ser também a vida dos pastores, bispos ou sacerdotes.
Caminhar, estar no meio do povo, ocupar-se dele
O Apóstolo descreve Jesus mais uma vez circundado por uma multidão, "a multidão de pessoas que o seguia”, ao longo do caminho ou às margens do mar e com as quais Jesus se preocupava: foi assim que Deus prometeu acompanhar o Seu povo, destacou Francisco, estando no meio dele:
Jesus não abre um escritório de aconselhamento espiritual com um cartaz 'O profeta recebe segunda, quarta e sexta das 3 às 6. A entrada custa tanto ou, se quiserem, podem deixar uma oferta'. Não. Jesus não faz assim. Jesus tampouco abriu um consultório médico com o cartaz ‘Os doentes devem vir tal dia, tal dia, tal dia e serão curados’. Jesus se joga no meio do povo.
E “esta é a figura de pastor que Jesus nos dá”, observou Francisco, citando um sacerdote “santo que acompanhava assim o seu povo” e que, à noite, por este motivo, estava “cansado”, mas de um “cansaço real, não ideal”, “de quem trabalha” e está no meio das pessoas.
Ir ao encontro das dificuldades com ternura  
Mas o Evangelho de hoje ensina também que Jesus é "comprido" entre a multidão e "tocado". Por cinco vezes este verbo aparece na narração de Marcos, notou o Papa, destacando que também hoje o povo faz assim durante as visitas pastorais, o faz para “pegar a graça” e o pastor sente isto.
E Jesus jamais se retrai, pelo contrário, “paga”, inclusive com a “vergonha” e a “zombaria”, “por fazer o bem”. São estas as “rmarcas do modo de agir de Jesus” e, portanto, as “atitudes do verdadeiro pastor”:
“O pastor é ungido com óleo no dia de sua ordenação: sacerdotal e episcopal. Mas o verdadeiro óleo, aquele interior, é o óleo da proximidade e da ternura. O pastor que não sabe se fazer próximo, falta a ele alguma coisa: talvez seja o dono do campo, mas não é um pastor. Um pastor ao qual falta a ternura, será um rígido, que bate nas ovelhas. Proximidade e ternura: vemos isso aqui. Assim era Jesus”.
Proximidade e ternura dos pastores: uma graça a ser pedida ao Senhor
Como Jesus, também o pastor – acrescenta ainda Francisco – “termina o seu dia cansado”, cansado de “fazer o bem”, e se o seu comportamento for este, o povo sentirá a presença viva de Deus.
Disto, eleva-se a oração de hoje de Francisco:
Hoje poderemos rezar na Missa pelos nossos pastores, para que o Senhor dê a eles esta graça de caminhar com o povo, estar presente em meio ao povo com tanta ternura, com tanta proximidade. E quando o povo encontra o seu pastor, tem aquele sentimento especial que somente se pode sentir na presença de Deus – e assim termina a passagem do Evangelho – “E todos ficaram admirados”. A admiração de sentir a proximidade e a ternura de Deus no pastor”.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Papa: quem não sabe escutar transforma a fé em ideologia

Papa: “A insensatez é não escutar, literalmente ‘não saber’, ‘não ouvir’: a incapacidade de escutar a Palavra.

"Quando não entra a Palavra de Deus, não há lugar para o amor e enfim, não há espaço para a liberdade"
17/10/2017 10:56
Cidade do Vaticano (RV) – “Não cair na insensatez que consiste na incapacidade de escutar a Palavra de Deus e conduz à corrupção”. Foi o conceito expresso pelo Papa na homilia da missa matutina, presidida na Casa Santa Marta. Jesus chora com nostalgia – recorda o Papa – quando o povo amado se afasta, por insensatez, preferindo aparências, ídolos ou ideologias.
 
A reflexão do Papa Francisco começa pela palavra ‘insensatos’, que consta duas vezes na Liturgia do dia. Jesus a diz aos fariseus e São Paulo aos pagãos. Mas também aos Gálatas, cristãos, o apóstolo dos gentios havia dito “tolos”. Esta palavra, além de uma condenação, é uma assinalação – afirma Francisco – porque mostra o caminho da insensatez, que conduz à corrupção. “Estes três grupos de insensatos são corruptos”, observa o Papa.
Aos doutores da lei, Jesus havia dito que pareciam sepulcros decorados: tornam-se corruptos porque se preocupavam apenas em embelezar ‘o exterior’ das coisas, mas não daquilo que estava dentro, onde está a corrupção. Eram, portanto, “corruptos pela vaidade, pela aparência, pela beleza exterior, pela justiça exterior”.
Os pagãos, ao contrário, têm a corrupção da idolatria: se tornaram corruptos porque trocaram a glória de Deus pelos ídolos. Existem também idolatrias de hoje, como o consumismo - nota o Papa –, procurar um deus ‘cômodo’.
Enfim, os Gálatas, os cristãos, que se deixaram corromper pelas ideologias, ou seja, deixaram de ser cristãos para serem ‘ideólogos do cristianismo’.
Todos os três grupos, por causa desta insensatez, acabam na corrupção. Francisco explica no que consiste esta insensatez:
“A insensatez é não escutar, literalmente ‘não saber’, ‘não ouvir’: a incapacidade de escutar a Palavra. Quando a Palavra não entra, eu a deixo entrar porque não a escuto. O tolo não escuta. Ele crê que ouve, mas não ouve, não escuta. Fica na dele, sempre. E por isso, a Palavra de Deus não pode entrar no coração e não há lugar para o amor. E quando entra, entra destilada, transformada pela mia concepção da realidade. Os tolos não sabem ouvir. E esta surdez os leva à corrupção. Quando não entra a Palavra de Deus, não há lugar para o amor e enfim, não há espaço para a liberdade”. 
E eles se tornam escravos porque trocam “a verdade de Deus com a mentira” e adoram as criaturas em vez do Criador.

“Não são livres, e não escutam, essa surdez não deixa espaço para o amor nem para a liberdade: isso sempre nos leva à escravidão. Eu ouço a Palavra de Deus? Mas a deixo entrar? Esta Palavra, da qual ouvimos cantando o Aleluia, a Palavra de Deus é viva, eficaz, revela os sentimentos e os pensamentos do coração. Corta, vai para dentro. Esta Palavra, eu a deixo entrar ou sou surdo a essa palavra? E a transformo em aparência, a transformo em idolatria, hábitos idólatras ou a transformo em ideologia? E não entra ... Esta é a insensatez dos cristãos”.
O Papa exorta, em conclusão, a olhar para os “ícones dos tolos de hoje”: “há cristãos tolos e também pastores tolos”. “Santo Agostino - afirma -, “ataca-lhes duro, com força”, porque “a tolice dos pastores faz mal ao rebanho”. A referência é à “tolice do pastor corrupto”, à “insensatez do pastor satisfeito de si  mesmo, pagão”, e à “insensatez do ideólogo”.
“Olhemos o ícone dos cristãos tolos” - insiste o Papa – “e ao lado desta insensatez, olhamos para o Senhor que está sempre à porta”, ele bate e espera. Seu convite final é, portanto, de pensar na nostalgia do Senhor por nós: “do primeiro amor que ele teve conosco”:
“E se caímos nesta insensatez, nos afastamos dele e ele sente essa nostalgia. Nostalgia de nós. E Jesus com essa nostalgia chorou, chorou sobre Jerusalém: era precisamente a nostalgia de um povo que tinha escolhido, tinha amado, mas que tinha se afastado por insensatez, que tinha preferido as aparências, os ídolos ou as ideologias”. (CM-SP)

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"As fofocas destroem a Igreja", afirma Papa Francisco




◊   Cidade do Vaticano (RV) – O cristão deve vencer a tentação de se envolver na vida dos outros: foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada esta manhã na capela da Casa Santa Marta, na presença de líderes do Caminho Neocatecumenal e de Comunhão e Libertação.

Francisco destacou que fofocas e invejas fazem muito mal à comunidade cristã e que não se pode “dizer somente a metade que nos convém”.

“Que te importa?”: o Papa desenvolveu a sua homilia partindo desta pergunta feita por Jesus a Pedro, que tinha se envolvido na vida de outra pessoa, na vida do discípulo João. Primeiramente, o que perturba é comparação, compararmo-nos com os outros. Com isso, “acabamos na inveja, e a inveja enferruja a comunidade cristã” – disse o Pontífice. Em segundo lugar, o que prejudica são as fofocas:

“Quantas fofocas na Igreja! Quanto falamos, nós os cristãos! A fofoca é fazer-nos mal, ferir um ao outro... É como querer diminuir o outro: ao invés de crescer, faço com que o outro fique menor e eu me sinto maior. Isso não é bom. São como as balas de mel. Depois de muitas, vem a dor de barriga. A fofoca é assim. É doce no início e depois destrói, destrói a alma. As fofocas são destrutivas na Igreja!”
Ao falar mal dos outros, fazemos três coisas: a desinformação, a difamação e a calúnia. “Todas as três são pecado”, disse o Papa. E o próprio Jesus nos indica o caminho, ao dizer a Pedro: O que te importa? Segue-me:

“‘É bela esta palavra de Jesus, tão clara, tão amorosa para nós. A salvação está em seguir Jesus. Peçamos hoje ao Senhor que nos dê esta graça de não nos envolver na vida dos outros e de seguir Jesus e o seu caminho”.

(BF)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Evangelho deve ser anunciado com alegria, não por cristãos abatidos, afirma o Papa


2013-05-31 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) – Anunciar o Evangelho com a alegria cristã: em síntese, foi o que disse o Papa na homilia desta manhã, durante a Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta.
Com Francisco, concelebrou o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, entre outros.
O Santo Padre se inspirou nas leituras do dia. A primeira, do profeta Sofonias, fala da exclamação “Alegra-te! Grita de alegria, o Senhor está no meio de ti!”. A segunda, extraído do Evangelho, fala de Isabel e do filho que “exulta de alegria” no ventre ao ouvir as palavras de Maria. “Tudo é alegria”, frisou o Papa. Mesmo assim, muitas vezes parece que os cristãos gostam mais de se lamentar, deixando de lado a alegria que nos dá Espírito Santo:
“É justamente o Espírito que nos guia: Ele é o autor da alegria, o Criador da alegria. E esta alegria no Espírito nos dá a verdadeira liberdade cristã. Sem alegria, nós cristãos não podemos nos tornar realmente livres, nos tornamos escravos das nossas tristezas. O grande Paulo VI dizia que não se pode levar avante o Evangelho com cristãos tristes, abatidos e desencorajados. Não se pode. Esta é uma atitude um pouco fúnebre, não? E desta alegria vem o louvor!” 


Louva-se a Deus saindo de si mesmo, “gratuitamente, assim como é gratuita a graça que Ele nos dá”, explica o Papa Francisco, afirmando que a eternidade será isso: louvar a Deus. O que não quer dizer aborrecimento; pelo contrário, beleza e alegria.
encontro internacional ENS

O modelo deste louvor é, mais uma vez, a Mãe de Jesus – a quem a Igreja chama de “causa da nossa alegria” (Causa Nostrae Letitiae). Por quê? Porque nos traz a maior alegria, que é Jesus.
“Peçamos a Nossa Senhora para que, trazendo Jesus, nos dê a graça da alegria, da liberdade da alegria”, concluiu o Pontífice.
(BF)

Para encontrar Jesus é preciso sair às ruas, sugere Francisco

“O lugar em que Jesus estava mais vezes, onde era possível encontrá-lo com facilidade”, indicou, na quinta-feira passada, o Bispo de Roma aos “seus” padres da Urbe, “eram as ruas”; poderia ser confundido com um indigente, “porque sempre estava nas ruas”.
Fonte: http://bit.ly/1hU4KAu
A reportagem é de Gianni Valente e publicada no sítio Vatican Insider, 07-03-2014. A tradução é de André Langer.
Para Bergoglio, a imagem de Jesus na rua não é apenas fonte de sugestivas reflexões. Seguindo e imitando a Jesus que sai “às ruas”, muitas paróquias (padres e leigos) de Buenos Aires basearam sua atividade normal nessa imagem quando Bergoglio era o arcebispo da capital argentina. Ali nasceram experiências pastorais que o atual sucessor de Pedro leva no coração, e que foram analisadas recentemente inclusive nas pesquisas sobre a missão no âmbito urbano realizado na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Argentina e na universidade alemã de Osnabrück.
Uma destas iniciativas é a da “tenda missionária” da Praça Constituição: a “tenda missionária da Igreja católica” que armam uma vez a cada dois meses nas paróquias da região da Praça da Constituição de Buenos Aires. Bergoglio ia quando podia, saudava um a um os sacerdotes, os jovens “missionários”, e celebrava uma missa ao ar livre para grupos de jovens, idosos, indigentes, mães com suas crianças e transeuntes que passavam casualmente. “Peçamos a Jesus”, sugeria em suas homilias breves e luminosas, “tudo de que precisamos... Como os pobres que pediam tudo a Ele, quando passava pelas ruas e eles se aproximavam dele. Para Jesus é muito importante estar com os demais, com todos nós, com todos os que passam pela rua. É uma coisa que, acima de tudo, interessa a Ele”.


A Praça da estação Constituição e o bairro no qual se encontra são espaços urbanos dos mais difíceis e potencialmente conflitivos da metrópole argentina: venda de drogas, prostituição, pobreza, marginalidade, delinquência... tudo isso em meio ao torvelinho de um milhão de pessoas que diariamente transitam pela estação. Periodicamente, os párocos e paroquianos da zona, armam a tenda amarela ao lado do monumento ao inspirador da Constituição argentina, o maçom Juan Bautista Alberdi. Levam consigo uma estátua da Virgem de Luján, a Virgem venerada no santuário nacional. E, durante um dia e meio (inclusive à noite) mantêm vivo isso que descrevem como um “santuário provisório”, uma “paróquia móvel”, um lugar “flexível” que quase encontra harmonia com a itinerância fugaz da multidão.

Os padres e leigos não fazem sinais da cruz na Praça Constituição. Nada a ver com poses clericais de “reconquista” demonstrativa nos espaços públicos. Repetem gestos simples e concretos: distribuem santinhos e bênçãos, recolhem as intenções de oração, celebram missas, recitam o terço. Ao despertar a devoção aos santos mais populares, como São Caetano (o do “pão e do trabalho”), e Santo Expedito (o santo das “causas justas e urgentes”). Os sacerdotes dispensam na estação a graça eficaz dos sacramentos: confissões, eucaristia e inclusive o batismo para aqueles que o pedem ao se aproximarem da tenda. E depois ouvem. Tocam as chagas escondidas da humanidade ferida que, normalmente, tem pressa. Assim, para muitos, esse clássico “não-lugar” urbano (anônima conjuntura de barulho e circulação acelerada) converte-se no lugar em que se pode encontrar Cristo, quando menos se espera. Nas passagens casuais e distraídas pela estação florescem vínculos pessoais que duram no tempo. Multiplicam-se pequenos e escondidos milagres cotidianos.

Os missionários da Praça Constituição não fazem “propaganda” para a Igreja. Os dias ao redor da “tenda missionária” são apenas ocasiões para “facilitar” (e esta é a palavra chave, a que preferem) o encontro pessoal com Cristo. Abençoando, confessando, falando. E ouvindo. Sua proximidade compassiva com a multidão desencadeia inesperados agradecimentos.

“Eles – conta Esther, missionária da “tenda” – vêm e te agradecem: ‘Eu, que estava tão mal, te agradeço tudo o que fizeste por mim’. E, na verdade, não fizemos nada... os olhamos nos olhos e nada mais...”. Desta maneira, acontece que costumam sair felizes muitas pessoas que por diferentes razões não teriam posto novamente os pés na Igreja. Como testemunham as famílias de “Papeleiros”: “Graças a Deus”, dizem, “que vocês saíram às ruas. Porque a rua, a praça é o nosso lar, e vocês vieram para nos visitar... Porque nós, com nossos carros, não podemos entrar na Igreja, e tampouco do jeito que estamos vestidos, porque todas as pessoas... ou o sacerdote nos convida para nos retirarmos, porque não nos deixam entrar... As pessoas fazem voltas para não nos olhar”.

No tecido de vida que nasceu ao redor da tenda missionária nascem também obras de misericórdia para ajudar as vítimas dos criminosos da droga ou da prostituição, como as obras das irmãs do Santíssimo Redentor que libertam as prostitutas das suas condições de escravidão. As anedotas destes missionários, citados no ensaio de José Juan Cervantes e Virginia Zaquel Azcuy sobre “a tenda”, estão cheias de caminhos que recomeçam, de famílias salvas do naufrágio, de vidas descarriladas que retornam ao trilho. Para os próprios “missionários”, a precariedade da tenda no meio da praça ajuda a perceber a natureza própria da Igreja, sua dinâmica sacramental, fora das redes de proteção e da oficialidade burocrática de certos organismos paroquiais. Escreve o sacerdote Lorenzo de Vedia: “Como acontece nos acampamentos, em torno da tenda, descobrimos que podemos ser uma Igreja que se apóia no fundamental, e não em tantas coisas superficiais. A vida do acampamento nos ajuda a ser dependente do essencial para a vida. Na tenda missionária percebemos a sabedoria de muitas pessoas simples de nosso povo que coloca o seu olhar no essencial: a vida e a morte, a saúde e a doença, o teto e o abrigo, a comida e a fome, a solidão, a dor e a festa”.

Quando o Papa Francisco repete que Jesus se encontra “com mais facilidade” na rua, tem em mente as horas que ele mesmo passou na tenda missionária da Praça da Constituição. E isto vale também como leve sugestão para seus sacerdotes romanos e do resto do mundo. “No Evangelho”, repetia o já falecido cardeal brasileiro Aloísio Lorscheider, “os encontros mais bonitos de Deus com a humanidade acontecem na rua. Séculos de história de cristianismo vivo não dizem o contrário”.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Francisco: os pobres são a verdadeira riqueza da Igreja, não o dinheiro



◊  Cidade do Vaticano (RV) – O Papa celebrou a missa na Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira (15/12), destacando que a pobreza é a primeira das bem-aventuranças. 
Francisco se inspirou nas leituras do dia para advertir quanto às tentações que hoje podem corromper o testemunho da Igreja.  No Evangelho, Jesus reprova com força os chefes dos sacerdotes e os adverte que até mesmo as prostitutas os precederão no Reino dos Céus. Também na primeira Leitura, extraída do Livro de Sofonias, se veem as consequências de um povo que se torna impuro e rebelde por não ouvir o Senhor.

A Igreja seja humilde
“Portanto, como deve ser uma Igreja fiel ao Senhor?”, questiona Francisco. Uma Igreja que se entrega a Deus, responde ele, deve “ter essas três características”: humildade, pobreza e confiança no Senhor:
“Uma Igreja humilde, que não se vanglorie dos poderes, das grandezas. Humildade não significa uma pessoa abatida, fraca, com os olhos sem expressão… Não, isso não é humildade, isso é teatro! É uma humildade faz de conta. A humildade tem um primeiro passo: ‘Eu sou pecador’. Se não é capaz de dizer a si mesmo que é pecador e que os outros são melhores que você, você não é humilde. O primeiro passo na Igreja humilde é sentir-se pecadora, o primeiro passo de todos nós é o mesmo. Se algum de nós tem o hábito de olhar os defeitos dos outros e comentar a respeito, se crê juiz dos outros.”

A Igreja não seja apegada ao dinheiro
Nós, retomou o Papa, devemos pedir “esta graça, que a Igreja seja humilde, que eu seja humilde, cada um de nós” seja humilde. Segundo passo: é a pobreza, que – observou – “é a primeira das bem-aventuranças”. Pobre no espírito quer dizer ser apegado somente às riquezas de Deus, explicou o Papa. Não, portanto, a uma “Igreja que vive apegada ao dinheiro, que pensa somente no dinheiro, que pensa somente em como ganhar dinheiro”. “Como se sabe – afirmou o Papa –, num templo da diocese, para passar na Porta Santa diziam ingenuamente às pessoas que era preciso fazer uma oferta: esta não é a Igreja de Jesus, esta é a Igreja desses chefes dos sacerdotes, apegada ao dinheiro”.
“O nosso diácono, o diácono desta diocese, Lorenzo, quando o imperador – ele era o econômo da diocese – lhe disse de levar as riquezas da diocese e, assim, pagar algo e não ser assassinado, ele volta com os pobres. Os pobres são a riqueza da Igreja. Se você tem um banco, é o dono de um banco, mas o seu coração é pobre, não apegado ao dinheiro, está a serviço, sempre. A pobreza é este desapego para servir os necessitados, para servir os outros”.



A Igreja confie no Senhor
Façamo-nos então esta pergunta, disse o Papa: se somos “uma Igreja, um povo humilde, pobre. ‘Eu sou ou não sou pobre?’”. Por fim, o terceiro ponto, a Igreja deve confiar no nome do Senhor:
“Onde está a minha confiança? No poder, nos amigos, no dinheiro? No Senhor! Esta é a herança que nos promete o Senhor: ‘Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre, e eles confiarão no nome do Senhor’. Humilde porque se sente pecador; pobre porque o seu coração é apegado às riquezas de Deus e se as tem, é para serem administradas; confiante no Senhor porque sabe que somente o Senhor pode garantir algo que lhe faça bem. E realmente esses chefes dos sacerdotes aos quais Jesus se dirigia não entendiam essas coisas e Jesus teve que dizer a eles que uma prostituta entrará antes deles no Reino dos Céus”.
“Nesta espera do Senhor, do Natal – concluiu Francisco – peçamos que nos dê um coração humilde, nos dê um coração pobre e, sobretudo, um coração confiante no Senhor porque o Senhor jamais desilude”.

Assista em VaticanBR
(BF)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

O Papa sobre Paris: “Não construir pontes, mas, sim, rezar e servir”


“Em Paris também vimos corações fechados, e também o nome de Deus foi usado para fechar os corações.”. Foi o que afirmou o Papa Francisco, nesta tarde, durante sua visita à comunidade evangélica de Roma, na Christuskirche (Igreja de Cristo, que se encontra na Via Sicília), por ocasião do V centenário do nascimento de Martinho Lutero, respondendo a uma série de perguntas. Refletindo sobre o ecumenismo, a caridade, a assistência, os refugiados, o Papa também exortou a não construir muros, mas, sim, rezar para servir.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 15-11-2015. A tradução é do Cepat.

O Papa foi recebido, entre o calor e o aplauso dos presentes, pelo pastor Jeans Martin Kruse.
“Não construir pontes. Falar claro, rezar e servir”
Após os atentados em Paris, o que é preciso fazer? É preciso “falar claro, rezar e servir”. O Pontífice evocou com estas palavras a tragédia dos ataques terroristas na conversa espontânea com os fiéis da Igreja luterana de Roma, respondendo a uma mulher que lhe perguntou o que se podia fazer para evitar que as pessoas não se resignem à miséria e não construam novos muros. “O homem – enfatizou – desde o primeiro momento, quando lemos nas Escrituras é um grande construtor de muros, desde as primeiras páginas do Gênesis vemos isto”. Segundo o Papa, “há uma fantasia por trás dos muros humanos: tornar-se como Deus. A Torre de Babel é justamente a atitude de dizer: ‘Nós somos os potentes, vocês fora’. Existe a soberba do poder na atitude proposta nas primeiras páginas do Gênesis, para excluir se vai nesta linha”.
O Papa Bergoglio acrescentou: “o egoísmo humano quer se defender, defender o próprio poder. Mas, nessa atitude de defesa se distancia da fonte da riqueza. Os muros, ao final, são como um suicídio, causam o fechamento. É feio ter um coração fechado, e hoje vemos isto”. “O muro é o monumento à exclusão – explicou. Sabem como evitar os muros? É preciso falar claro, rezar e servir. Sejam os últimos, lavem os pés, sirvam aos irmãos e às irmãs, aos mais necessitados”.

“O que mais gosto como Papa? De ser pároco?”

“O que mais gosto” como Papa é “ser pároco”, mas também “estar com as crianças, falar com elas, porque se aprende muito com elas”. Dessa forma, o Papa Francisco respondeu a pergunta de uma criança de 9 anos: “O que mais gosta de fazer como Papa?”.
“A resposta é simples – disse Jorge Mario Bergoglio -, se eu perguntar para você o que mais gosta em uma refeição, irá me responder: ‘A sobremesa’. Mas, na realidade, é necessário comer tudo. Eu não gosto do trabalho burocrático, mas tenho que fazê-lo”. Contudo, “o que mais gosto é ser pároco, e quando era reitor da faculdade de Teologia, havia uma paróquia ao lado da faculdade na qual eu pároco. Gostava muito de ensinar o catecismo às crianças e no domingo de presidir a missa para as crianças. Eram 250 crianças e era difícil que todas ficassem quietas, mas eu gostava muito do diálogo com elas, porque as crianças são concretas, não fazem perguntas teóricas”.
“Ser Papa com o estilo de pároco, de pastor. Sinto-me bem quando visito os doentes, quando falo com as pessoas que estão desesperadas, tristes e adoro ir à prisão. Mas, não é que metam na prisão, tá?!”, brincou Francisco. “Todas as vezes que eu entro em uma prisão, pergunto-me: ‘Por que eles e não eu?’, e sinto a proximidade de Jesus Cristo, porque ele é quem me salvou, eu já não sou um pecador por ele, ele me tomou pela mão”. “Se um Papa não se faz pároco, bispo, pastor, será uma pessoa importante, inteligente, terá uma influência na sociedade, mas – concluiu – em seu coração creio que não será feliz”.
Aos luteranos: chegou o momento de “pedirmos perdão”
Refletindo sobre a relação entre os católicos e os luteranos, na homilia baseada na leitura do Evangelho segundo São Mateus (25, 31-46), disse: “Houve momentos feios entre nós, católicos e luteranos. Pensem na perseguição entre nós que temos o mesmo batismo. Devemos nos pedir perdão por isso, perdão pelo escândalo da divisão”.


Em sua pregação, revelou: “No dia do Juízo, não lhe perguntará se foi à missa, mas, ao contrário, se utilizou a sua vida para construir muros ou para servir. Todos nós, batizados, luteranos e católicos, estamos nesta decisão: o serviço, ser servo”. E Francisco perguntou: “Nós, luteranos e católicos, de que lado estaremos, à direita ou à esquerda? Houve momentos feios entre nós - recordou -; as perseguições entre nós, com o mesmo batismo... até nos queimamos vivos... devemos nos pedir perdão por esse escândalo da divisão, perdão, todos, luteranos e católicos”.
Quando “compartilhamos a ceia com o Senhor - observou -, recordamos e imitamos o Senhor Jesus. A ceia do Senhor se dará. O banquete final da nova Jerusalém. Pergunto-me: compartilhar a ceia do Senhor é o fim de um caminho ou o viático para caminhar juntos? Em certo sentido, compartilhar é dizer que não há diferenças entre nós, que temos a mesma doutrina. Pergunto-me: Mas, não temos o mesmo batismo? E se sim, temos que caminhar juntos".

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Francisco aos novos bispos: não esqueçam quem se afastou



Papa Francisco convidou os pastores a “tomarem pela mão” os fiéis que “são de casa” na Igreja e a cuidar também daqueles fiéis que se afastaram da Igreja, quem sabe “batendo a porta” (“Não vos escandalizeis das suas dores e das suas desilusões) bem como “quem não conhece Jesus ou sempre o recusou” (Não é verdade que podemos prescindir destes irmãos distantes”), no discurso que dirigiu a aproximadamente 130 bispos nomeados no decurso do ano.
A reportagem foi publicada por Vatican Insider, 10-09-2015. A tradução é de Benno Dischinger
“Viestes de um irrepetível encontro com o Ressuscitado”, disse aos bispos em Roma nestes dias para um encontro promovido pela Congregação dos Bispos e a das Igrejas orientais. A sua presença é “um hálito a resguardar, um sopro que revoluciona a vida (a qual não será mais como antes), embora também serene e console como leve brisa, da qual não é possível apossar-se. Peço-vos que não domestiquem tal potência, mas deixem que ela envolva continuamente a vossa vida”.
A proclamação do Ressuscitado, disse o Papa, não é “óbvia nem fácil”: “O mundo está tão contente com seu presente, pelo menos na aparência, daquilo que está em condições de assegurar quanto lhe parece útil para sufocar a exigência daquilo que é definitivo. Os homens andam tão esquecidos da eternidade, enquanto, distraídos e absortos, administram o existente, deixando de lado quanto virá. Tantos se resignaram tacitamente ao costume de navegar à vista, ao ponto de remover a própria realidade do porto que os espera. Muitos se deixam raptar tão fortemente pelo cínico cálculo da própria sobrevivência, que até se tornaram indiferentes, e não raramente impermeáveis à própria possibilidade da vida que não morre”. 
Pontífice argentino fez referência aos “desafios dramáticos como a globalização, que aproxima o que está longe e, de outra parte, separa quem está próximo”, “ao fenômeno epocal das migrações que transtorna os nossos dias”, “ao ambiente natural, jardim que Deus deu como habitação ao ser humano e às outras criaturas e que está ameaçado pelo míope e por vezes predatório desfrutamento”, “à dignidade e ao futuro do trabalho humano, do qual estão privadas gerações inteiras, reduzidas a estatísticas”, “à desertificação das relações, à desresponsabilização difusa, ao desinteresse pelo amanhã, ao crescente e pavoroso fechamento”, “ao desnorteamento de tantos jovens e à solidão de não poucos anciãos”.
Francisco acrescentou: “Não gostaria de concentrar-me numa tal agenda de tarefas porque não gostaria de apavorar-me. Ainda estais em lua de mel!”, mas é necessário evitar o risco de “transcurar as múltiplas e singulares realidades de vossa grei”. São três, para Francisco, os tipos de fiéis aos quais correspondem outros tantos empenhos pastorais. Para “aqueles que são de casa, frequentam as vossas comunidades e se aproximam da Eucaristia”, o Papa convidou os novos bispos a serem “pedagogos, guias espirituais e catequistas”: “Não poupeis energias para acompanha-los na saída. Não deixeis que se resignem à planície. Removei com delicadeza e cuidado a cera que lentamente se deposita nas orelhas, impedindo-os de escutar Deus”. 
Quanto às “pessoas batizadas que no entanto não vivem as exigências do Batismo”, “alguns – sublinhou Bergoglio – se afastaram porque desiludidos pelas promessas da fé ou porque demasiado exigente pareceu o caminho para atingi-las. Não poucos saíram batendo a porta, lançando contra nós as nossas fraquezas e procurando, sem conseguir de todo, convencer-se que se tinham deixado enganar por esperanças no final desmentidas. Sede Bispos capazes de interceptar o seu caminho; fazei-vos também vós viandantes aparentemente perdidos, perguntando o que aconteceu na Jerusalém de sua vida e, discretamente, deixando que se desafogue o seu coração enregelado. Não vos escandalizeis com suas dores ou suas desilusões”.
Mais ainda: “Dispensai palavras que lhes revelem o que ainda são capazes de ver: as potencialidades ocultas nas suas próprias desilusões. Guiai no mistério que trazem nos lábios sem atualmente reconhecer sua força. Mais do que com palavras, aquecei o seu coração com a escuta humilde e interessada do seu verdadeiro bem, até que se abram os seus olhos e possam inverter a rota e retornar Àquele do qual se tinham afastado”. E “vigiai para que não se insinue perigosamente nas vossas comunidades aquela soberba dos “filhos mais velhos”, que torna incapaz de alegrar-se com quem “estava perdido e foi reencontrado”.
Enfim, “procurai também quem não conhece Jesus ou sempre o recusou”, disse Francisco aos novos bispos. “Não é verdade que possamos prescindir destes irmãos distantes”, disse o Papa. “Não é permitido remover a inquietude pela sua sorte. Além disso, ocupar-nos do seu autêntico e definitivo bem poderia abrir uma brecha no murado perímetro com o qual ciosamente tutelam a própria autarquia. Vendo em nós o Senhor que os interpela, talvez tenham a coragem de responder ao convite divino. Caso isso ocorresse, as nossas comunidades serão enriquecidas com quanto eles têm a compartilhar e o nosso coração de Pastores se alegrará por ainda poder repetir: “Hoje a salvação entrou nesta casa”. Tal horizonte – concluiu o Papa – prevaleça no vosso olhar de Pastores no iminente Ano Jubilar da Misericórdia que nos preparamos a celebrar”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Papa exorta Equipes de N. Sra. a levar a misericórdia às famílias feridas


 
"Um casal unido e feliz pode compreender melhor do que qualquer outro a ferida e o sofrimento que provocam um abandono, uma traição, um fracasso do amor" - ANSA
 
10/09/2015 11:31
Cidade do Vaticano (RV) –  Na manhã desta quinta-feira o Papa Francisco recebeu na Sala Clementina cerca de 400 participantes das Equipes de Nossa Senhora, presentes em Roma para seu encontro mundial. O Papa encorajou-os a colocar em prática a espiritualidade do movimento, fortificar o empenho missionário e serem instrumentos da misericórdia de Cristo em relação às pessoas que tiveram o matrimônio fracassado.
O Santo Padre sublinhou no início de seu pronunciamento que este encontro precede o Sínodo dos Bispos que vai refletir sobre os desafios das famílias, visto “as ameaças no atual contexto cultural difícil”. 

Neste sentido, Francisco insiste no “papel missionário das Equipes de Nossa Senhora, onde a vida conjugal se aprofunda e se aperfeiçoa graças à espiritualidade do movimento”. E os exorta “a testemunhar, anunciar e comunicar para fora, aquilo que vivem  como casais e famílias”. “Os casais e as famílias cristãs – observou o Papa - normalmente estão em melhores condições para anunciar Jesus Cristo às outras famílias, apoiando-as, fortificando-as e encorajando-as”.

Inicialmente, o Papa encorajou os casais a colocarem em prática e a viverem em profundidade a espiritualidade do movimento, destacando a importância dos “pontos concretos de compromisso” propostos, que “representam realmente uma ajuda eficaz aos casais para “progredirem com confiança na vida conjugal no caminho do Evangelho”:

“Penso em particular na oração dos casais e em família, bonita e necessária tradição que tem sempre sustentado a fé e a esperança dos cristãos, mas infelizmente abandonada em tantas regiões do mundo; penso também no tempo do diálogo mensal proposto entre os esposos – o famoso e empenhativo Dever de sentar-se - que vai contra a corrente em relação aos hábitos do mundo frenético e agitado, cheio de individualismos, e que é um momento de troca vivido na verdade sob o olhar do Senhor. É um tempo precioso de agradecimento, de perdão, de respeito recíproco e de atenção pelo outros”.

A presença na vivência em equipe do sacerdote acompanhante, leva a uma reciprocidade fecunda, ressaltou Francisco. “Agradeço às equipes de Nossa Senhora por serem um apoio e um encorajamento no ministério de vossos sacerdotes ,que encontram sempre, no contato com as vossas equipes e as vossas famílias, a alegria sacerdotal, a presença fraterna, o equilíbrio afetivo e a a paternidade espiritual”.
Em segundo lugar, o Santo Padre convidou os casais, fortificados pelo encontro em equipe, a um empenho missionário. O Papa chama a atenção da missão a eles confiada, “que é tão mais importante enquanto imagem da família - como Deus quer, formada por um homem e uma mulher em vista do bem dos cônjuges e também da geração e educação do filhos - e que é deformada mediante poderosos projetos contrários apoiados, por colonizações ideológicas”.

Mesmo reconhecendo que os membros das Equipes de Nossa Senhora já são missionários “pela irradiação da própria vida” – pois uma família habitada pela presença de Deus fala por si só do amor de Deus por todos os homens -  o Papa convidou para que também se empenhem em “acolher, formar e acompanhar na fé, particularmente os jovens casais, antes e após o matrimônio”:

 “Vos exorto também a continuarem a fazerem-se próximos às famílias feridas, que são hoje tão numerosas, pelo motivo da falta de trabalho, da pobreza, de um problema de saúde, de um luto, da preocupação causada por uma criança, do desequilíbrio provocado por um afastamento ou uma ausência, pelo clima de violência. Devemos ter a coragem de entrar em contato com estas famílias, de maneira discreta mas generosa, materialmente, humanamente ou espiritualmente, naquelas circunstâncias onde elas se encontram vulneráveis”.

O Papa, por fim, encoraja os casais das Equipes de Nossa Senhora “a serem instrumentos da misericórdia de Cristo e da Igreja em relação às pessoas cujo matrimônio fracassou”:
“Não esqueçam nunca de que a vossa fidelidade conjugal é um dom de Deus, e que para cada um de vocês foi usada de misericórdia. Um casal unido e feliz pode compreender melhor do que qualquer outro a ferida e o sofrimento que provocam um abandono, uma traição, um fracasso do amor. É necessário, portanto, que vocês possam levar o vosso testemunho e a vossa experiência para ajudar as comunidades cristãs a discernir as situações concretas destas pessoas, em acolhê-las com as suas feridas e em ajudá-las a caminhar na fé e na verdade, sob o olhar de Cristo Bom Pastor, para que tomem parte em um modo apropriado na vida da Igreja. Não esqueçam tampouco o sofrimento das crianças que vivem estas dolorosas situações familiares: a eles vocês podem dar muito”.

O Pontífice concluiu renovando a sua confiança e encorajamento às Equipes de Nossa Senhora, afirmando que desde o momento em que a causa de beatificação do fundador, Padre Henri Caffarel chegou a Roma, “rezo para que o espírito santo ilumine a Igreja no juízo que a seu tempo deverá pronunciar a seu respeito”. (JE)
   
Um abraço... Joice e Jerson
 
"Pe Caffarel, intercedei a Deus por nós e pelo Papa Francisco."