terça-feira, 24 de março de 2015

REGRA DE VIDA

Anotações de uma equipista, em 1954, ouvindo palestra proferida pelo Pe. Caffarel sobre a Regra de Vida


Finalidade da Regra de Vida: 
Fazer com que Deus seja soberano na vida dos nossos lares. É isto uma obrigação. Nossa vocação sobrenatural consiste na caridade que nos une a Jesus Cristo e nos conduz até o Pai.

Ao pensar na Regra de Vida, considerar: 

Do que nos devemos desembaraçar, para não apagar a vida de Deus em nós? 
Alimentamos suficientemente esta vida? 
Exercitar-se em amar e servir a Deus. 
Nenhum de nós vai se exercitar, na prática, em todas as virtudes ao mesmo tempo. 
Cada um de nós deve ter a sua estratégia pessoal, com percepção de certos detalhes. 
Não confundir programa de vida (comunhão, orações, leituras, deveres) com os pontos particulares deste programa, sobre os quais é preciso fazer um esforço especial. 
Praticar determinada virtude para não permitir o desequilíbrio na vida. 
Esforços bem determinados.


Como organizar uma Regra de Vida? 
Principalmente, interrogar o Senhor.


Quando estabelecer a Regra de Vida? 
Em momentos em que tenhamos a possibilidade de rever a nossa vocação cristã.

Qual deve ser o conteúdo da Regra de Vida? 
Regra de Vida é pessoal: 
Orientação geral: abandono à providência. Dizer sim a Deus. Caridade. Exemplos: 
- A importância de ver no próximo que abordamos, um membro de Cristo (ver os trabalhadores, não como braços, mas como homens criados por Deus). 
- Pode-se fazer Regra de Vida comum aos dois cônjuges. 
- Fisionomias sorridentes. O sorriso, quaisquer que sejam as circunstâncias, por mais que custe... 
Incluir a oração na própria vida (por exemplo, um médico que, entre duas consultas, faz dois minutos de recolhimento: a acolhida aos doentes fica assim beneficiada). 
- Esforços também no plano natural; A graça se apóia sobre a natureza.

Primeira qualidade de uma Regra de Vida: 
Escrita e curta. Fixar o essencial. 


Regra de Vida mínima: impor-nos um mínimo abaixo do qual nunca deveremos descer. 
Concretizar. Nada significa dizer apenas “devo ser mais caridoso”. Descer até os detalhes (por exemplo, a falta de pontualidade que leva ao ener­vamento e, conseqüentemente, à falta de caridade).

Quando pensar na Regra de Vida? 
Todos os dias, no fim da oração. Controlar a sua execução, por exemplo, por ocasião do exame de cons­ciência diário. 
Observar a Regra de Vida por amor a Deus. 


Por que não se auxiliariam, marido e mulher, em praticar a Regra de Vida? 
No Dever de Sentar-se, troca de idéias franca sobre a prática da Regra de Vida (Haverá entretanto pontos sobre os quais poder-se-á não falar ao cônjuge). 
Pode haver troca de idéias sobre a Regra de Vida, na própria equipe.


A revisão da Regra de Vida: 
Cuidar da Regra de Vida, como o jardineiro cuida do jardim. 
Saber fazer a sua revisão, quando é pouco precisa. Saber refundi-la, se por acaso era por demais pretensiosa... 
Adaptá-la também ao tempo litúr­gico (Quaresma, Advento...).


Perigos a evitar na Regra de Vida: 
A Regra de Vida não convém da mesma maneira a todos os temperamentos. Cada qual deve escolher uma Regra de Vida “sob medida”. 
A Regra de vida deve nos impor um mínimo de exigências. 
Desconfiar de uma vida feita de regulamentos. O Cristianismo não é uma religião de regras, mas de caridade. 
Se quiserdes fazer comparações é com Cristo que devereis vos comparar. 
Cuidar para que o espírito não seja abafado pela letra. 
Desconfiar do formalismo.



Extraído da Carta Mensal de agosto de 1954

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