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quarta-feira, 27 de abril de 2016

“A Igreja não é uma elite de sacerdotes” e o Espírito Santo “não é ‘propriedade’ exclusiva da hierarquia eclesial”

Papa: clericalismo anula personalidade dos cristãos e diminui graça batismal

Papa Francisco saúda fiéis durante audiência geral na Praça São Pedro - AFP
26/04/2016 19:55
Cidade do Vaticano (RV) - “A Igreja não é uma elite de sacerdotes” e o Espírito Santo “não é ‘propriedade’ exclusiva da hierarquia eclesial”, que deve sempre “encorajar” e “estimular” os esforços que os leigos fazem para testemunhar o Evangelho na sociedade.
 
São palavras do Papa Francisco, o qual, com uma carta ao presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), Cardeal Marc Ouellet, quis contribuir para o trabalho realizado no início de março pelo organismo a propósito do “indispensável engajamento dos leigos na vida pública” dos países latino-americanos.
“Jamais deve ser o pastor a dizer ao leigo aquilo que deve fazer e dizer, ele o sabe tanto quanto e melhor do que nós. Não é o pastor que deve estabelecer aquilo que os fiéis devem dizer nos vários âmbitos.”
Como lhe é habitual, o Papa Francisco é claro ao reafirmar onde se encontra o ponto de equilíbrio da relação padre-leigo cristão e no evidenciar as “tentações” do clero que, por vezes alterando este equilíbrio, induzem a erros e alimentam derivas.
Na carta ao Cardeal Ouellet, o Santo Padre fala acerca dos leigos latino-americanos, embora o valor de suas considerações seja claramente universal. Uma das “maiores deformações” da relação sacerdote-leigo, denuncia, é o “clericalismo” que, de um lado, anulando “a personalidade dos cristãos” e diminuindo “a graça batismal”, acaba, de outro lado, por gerar uma espécie de “elite laical”, na qual os leigos engajados são “somente aqueles que trabalham em coisas ‘dos padres’”.
Sem nos dar conta, insiste, “esquecemos, negligenciando-o, o fiel que muitas vezes consome sua esperança na luta cotidiana para viver a fé”. E essas são “as situações que o clericalismo não consegue ver, porque está mais preocupado em dominar espaços do que em gerar processos”.
Ao invés, ressalta Francisco, jamais se deve esquecer que a “nossa primeira e fundamental consagração tem suas raízes em nosso Batismo. Ninguém foi batizado padre nem bispo. Fomos batizados leigos e é o sinal indelével que ninguém jamais poderá eliminar”.
Ademais, estar no meio do rebanho, no meio do povo: ouvir seus palpites, confiar na “memória” e no “faro” deles, na certeza de que o Espírito Santo age neles e com eles, e que este “Espírito não é  ‘propriedade’ exclusiva da hierarquia eclesial”.
O Pontífice observa que isso “nos salva” de certos slogans que “são frases bonitas, mas que não conseguem alimentar a vida de nossas comunidades”. Por exemplo, diz o Papa, recordo “a famosa frase: ‘é a hora dos leigos’, mas parece que o relógio parou”.
“A Igreja não é uma elite de sacerdotes, de consagrados, de bispos”, mas “todos formamos o Santo Povo fiel de Deus” e portanto, escreve, “o fato que os leigos estejam trabalhando na vida pública” significa para bispos e sacerdotes “buscar o modo para poder encorajar, acompanhar” todas “as tentativas e os esforços que hoje já são feitos para manter vivas a esperança e a fé num mundo repleto de contradições, especialmente para os mais pobres, especialmente com os mais pobres”.
“Significa, como pastores, empenhar-nos em meio ao nosso povo e, com o nosso povo, sustentar a fé e a esperança deles”, promovendo “a caridade e a fraternidade, o desejo do bem, da verdade e da justiça”.
“É ilógico, e até mesmo impossível – ressalta o Bispo de Roma – pensar que nós, como pastores, devemos ter o monopólio das soluções para os múltiplos desafios que a vida contemporânea nos apresenta.”
“Não se podem dar diretrizes gerais para organizar o povo de Deus no seio da sua vida pública.” Pelo contrário, indica, “devemos estar ao lado do nosso povo, acompanhando-o em suas buscas e estimulando aquela imaginação capaz de responder à problemática atual”.
Por sua “realidade” e “identidade”, porque “imerso no coração da vida social, pública e política”, devemos reconhecer que o leigo precisa de novas formas de organização e de celebração da fé”, acrescenta Francisco.
O clericalismo que pilota, uniformiza, fabrica “mundos e espaços cristãos” deve ser contrastado pelo cuidado da “pastoral popular”, típico da América Latina, porque, “se bem orientada”, é “rica de valores”, de uma “sede genuína” de Deus, de “paciência”, de “sentido da cruz na vida diária, de “dedicação” e capaz de “generosidade e sacrifício até o heroísmo”.
“Em nosso povo – recorda Francisco – nos é pedido para conservar duas memórias. A memória de Jesus Cristo e a memória dos nossos antepassados.” “Perder a memória é desarraigar-nos do lugar de onde viemos e, por conseguinte, não saber nem mesmo para onde vamos.”
Quando “desarraigamos um leigo de sua fé, da fé de suas origens; quando o desarraigamos do Santo Povo fiel de Deus, o desarraigamos da sua identidade batismal e desse modo o privamos da graça do Espírito Santo”.
“Nosso papel, nossa alegria, a alegria do pastor – acrescenta o Papa – está propriamente no ajudar e no estimular, como fizeram muitos antes de nós, mães, avós e pais, os verdadeiros protagonistas da história.”
“Não por uma nossa concessão de boa vontade, mas por direito e estatuto próprio. Os leigos são parte do Santo Povo fiel de Deus e, portanto, são os protagonistas da Igreja e do mundo; somos chamados a servi-los, não a servir-nos deles”, conclui Francisco. (RL)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

“A Igreja não é um negócio; se não leva Jesus, morre”, diz Francisco

 
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“Eu desço”, disse o Papa Francisco (foto) a uma velhinha que desejava lhe dar a mão enquanto passava pela Praça de São Pedro, em um jipe branco. Desceu e se comoveu profundamente com a senhora. Era uma dos 100 mil fiéis que acompanharam a audiência geral na manhã de quarta-feira, 23-10-2013, durante a qual Francisco disse em alta voz: “a Igreja não é um negócio, não é uma agência humanitária, não é uma ONG; a Igreja foi criada para levar Cristo e seu Evangelho para todos”.
A reportagem é de Domenico Agasso Jr, publicada por Vatican Insider, 23-10-2013. A tradução é do Cepat.
 
Fonte:http://goo.gl/6QR5rB  
Francisco continuou sua catequese sobre a Igreja refletindo sobre “Maria como imagem e modelo da Igreja”. “Faço isso – explicou – retomando uma expressão do Concílio Vaticano II. Disse a ConstituiçãoLumen Gentium: ‘Como ensinavam Santo Ambrósio, a Mãe de Deus é uma figura da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo’”.

“Em que sentido – perguntou-se o PapaMaria representa um modelo para a fé da Igreja? Pensemos em quem era a Virgem Maria: Uma criança judia que esperava, com todo seu coração, a redenção de seu povo. Mas, no coração da jovem filha de Israel, havia um segredo que ela mesma desconhecia: no plano de amor de Deus estava destinada a converter-se na Mãe do Redentor. Na Anunciação, o Mensageiro de Deus a chama de ‘cheia de graça’, e a revela este projeto”. E Maria, responde com um grande “Sim”. A partir de então sua fé recebeu uma nova luz: concentrou-se em Jesus, o Filho de Deus que tomou dela a carne e em quem se efetivou as promessas de toda a história da salvação. É por isso que “a fé de Maria é a realização da fé de Israel. Nela está concentrado todo o caminho, todo o caminho de um povo, daquele povo de fé que aguardava a redenção”. É neste sentido que “é o modelo da fé da Igreja, que tem Cristo como centro, encarnação do amor infinito de Deus”.

A Virgem viveu esta fé “na simplicidade dos milhares de afazeres e preocupações cotidianas de qualquer mamãe, como conseguir comida, roupa, cuidar da casa... E justamente esta existência normal da Virgem foi o terreno no qual se desenvolveu uma relação singular e um diálogo profundo entre ela e Deus, entre ela e seu Filho”: O “Sim” de Maria, disse o Papa, “era perfeito desde o início e cresceu até o momento da Cruz. E, ali, sua maternidade se expandiu nos abraçando, a cada um de nós, nossas vidas, para nos guiar até seu Filho”. “Pensemos nisto”, incentivou o Pontífice.

Maria “é o modelo de caridade, como vemos na Visitação, pois ela não apenas ajudou sua prima, mas trazia Cristo consigo, a perfeita alegria que vem do Espírito e se manifesta em um amor voluntário. É também o modelo de união com Cristo, seja em suas tarefas cotidianas, seja no caminho da cruz ou até o se unir a Ele no martírio do coração”, salientou o Papa Francisco, levando-nos a refletir sobre a figura de Maria, a nos perguntar se a vemos de uma maneira longínqua; se recorremos a ela nas provações; se somos capazes de, como ela, amar nos doando totalmente. E se nos sentimos unidos a Jesus, segundo seu exemplo, numa relação fiel ou se só nos lembramos Dele em momentos de necessidade. Convido a todos – incitou o Bispo de Roma – que ao pedir ao Senhor sua graça, amemos cada vez mais a Maria, a Mãe da Igreja.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Concílio Vaticano II 50 anos , Uma referência do tempo.



O objetivo de João XXIII era repensar e renovar os costumes do povo cristão e adaptar a disciplina eclesiástica ao mundo moderno

Há 50 anos a Igreja Católica vivia um dos períodos mais importantes de seus mais de dois mil anos de história. Convocado pelo Papa João XXIII no Natal de 1961, o Concílio Vaticano II era inaugurado no dia 11 de outubro de 1962. Realizado em quatro sessões, foi encerrado em 8 de dezembro de 1965, já sob o pontificado de Paulo VI. 

O que pretendia o bondoso Papa João ao convocar em tempo recorde um Concílio Ecumênico com mais de 2.000 participantes? Que necessidade pulsava nas entranhas da comunidade eclesial para esta convocação? Por que a tradicional e respeitada Igreja Católica assumia o risco de abrir suas portas e situar-se sob os holofotes da opinião pública do mundo inteiro?
Desde Leão XIII, que em 1891 confessara com dor o distanciamento do catolicismo para com a classe operária, tornava-se sempre mais claro para o governo da Igreja que esse distanciamento se dava em relação ao mundo como um todo. No pontificado do Papa Pio XII (1939-1958) já aconteciam movimentos de renovação fortes e influentes. Os mais importantes diziam respeito ao estudo da Bíblia e à liturgia. Brilhante intelectual e agudo observador, Pio XII teve que viver um período conturbado em termos políticos, enfrentando a subida do nazismo e uma guerra mundial que esfacelou a Europa. 

Ali se sentiu ainda mais claramente a necessidade imperiosa para a Igreja de reaprender a dialogar com um mundo passado pelo crivo da modernidade, que não se regia pelos ditames da religião, mas avançava a passos largos pelos caminhos da secularidade e da autonomia da ciência e da técnica.
Eleito em 1958, João XXIII surpreendeu o mundo ao recolher todos esses desejos e expectativas e torná-los realidade com a convocação do Concílio. Seu objetivo era repensar e renovar os costumes do povo cristão e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do mundo moderno. A palavra italiana aggiornamento (atualização) foi cunhada para expressar o que o Concílio pretendia e os frutos que desejava.
Na visão profética de João XXIII, o Concílio seria como “um novo Pentecostes”, ou seja, uma profunda e ampla experiência espiritual que reconstituiria a Igreja Católica não somente como instituição, mas como movimento evangélico dinâmico, feito de abertura e renovação. Assim começou o processo que resultou no Concílio Vaticano II e que foi como um divisor de águas para a Igreja. “Sopro de inesperada primavera”, em palavras do próprio Papa, foi marcado pela abertura e pelo olhar reconciliado para o mundo e sua complexa realidade. 

Enquanto concílios anteriores na Igreja tinham como preocupação principal condenar heresias, definir verdades de fé e costumes e corrigir erros que nublavam a clareza da plena verdade, o Vaticano II teve desde o princípio como orientação fundamental a procura de um papel mais positivo e participativo para a fé católica na sociedade, discutindo não apenas definições dogmáticas e teológicas, mas voltando sua atenção igualmente para problemas sociais e econômicos, vendo-os não como ameaças, mas como autênticos desafios pastorais que pediam uma resposta por parte da Igreja.

Ao definir a especificidade do Concílio que convocava, João XXIII declarou enfaticamente, com força e audácia pastoral, não pretender uma vez mais fazer listas de erros e condenações, como tantas vezes havia acontecido no passado. Desejava que a Igreja abrisse diante do mundo a beleza e o valor de sua doutrina, usando mais de misericórdia e menos de severidade. Isto, no seu entender, ia mais ao encontro das necessidades dos tempos atuais e dava à mesma Igreja um rosto mais maternal e acolhedor. 

João XXIII não pretendia revogar nada do depósito da fé que lhe cabia guardar com zelo de pastor. Mas tampouco desejava corrigir formulações ou proclamar novos dogmas. Sua intenção, ao convocar o Concílio, era que Igreja e mundo pudessem finalmente dialogar abertamente, para que a mensagem cristã pudesse ser vivida em toda a sua profundidade e vigor. 

Hoje, o Vaticano II continua sendo
uma referência para os católicos e
todos que desejam entender melhor o tempo em que vivem. Celebrar este aniversário é, portanto, de fundamental relevância hoje mais que nunca.

Autor: Maria Clara Lucchetti Bingemer
Fonte: correio riograndense 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Concílio Vaticano II e o Padre Henri Caffarel


Com a convocação do Concílio Vaticano pelo Beato João XXIII em 1959, Pe. Caffarel foi nomeado membro da Comissão Pontifícia para o Apostolado dos Leigos. Neste serviço ele teve a oportunidade de explanar a toda a Igreja sobre a espiritualidade conjugal, o amor humano e o matrimônio.
Diante dos problemas a cerca o matrimônio, da vida conjugal e familiar, Pe. Caffarel teve sua voz e opiniões ouvidas no Concílio Vaticano II que afirmou que para resguardar a o casal cristão deve-se ter esforço pastoral, aprofundamento doutrinal e a Igreja ser a educadora espiritual dos casais católicos.
Estimuladas pelo amor dos papas e ministros da Igreja as ENS deseja ser um acontecimento de serviço à santidade do matrimônio e uma reparação dos pecados que se comete contra ele, como disse o papa João XXIII em maio de 1959.
A Igreja nasceu da partilha da missão de Cristo com os apóstolos (Lc 5, 1-110, do Mistério Pascal do Cristo e do derramamento do Espírito como evento salvífico na vida da comunidade nos Pentecostes relatados nos Atos dos Apóstolos. Nasceu da fonte da vida e está viva porque seu Esposo, Jesus Cristo, está vivo. Mesmo diante da realidade do pecado ela se mantêm viva pela graça de Deus, voltando-se para Cristo.
Os casais santos são sinais de vitalidade e santidade da Igreja. Por isso, anunciar o Evangelho do Matrimônio é a missão consciente das ENS, pois elas nasceram para evangelizar os casais diante de seus acertos e fraquezas. Sua missão é estimular o amor circulante entre Cristo e a Igreja, na entrega da vida mesmo em momentos doloridos.
A Igreja precisa ser um sinal eficaz: ser sinal do amor, produzir amor e dar amor. De tal forma que, vendo-nos, possam ver o amor invisível, possam experimentar o que é o amor e possam descobrir a vocação de amar. A Igreja é fiel em sua missão em cada pessoa que ama, em cada casal, em cada equipe.

FONTE:
FORMAÇÃO, PARA AMAR E SERVIR COMO JESUS


(Resumo: Pe. José Ailton Teixeira - Conselheiro Regional das ENS)


Equipes de Nossa Senhora – 2011