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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Evangelho deve ser anunciado com alegria, não por cristãos abatidos, afirma o Papa


2013-05-31 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) – Anunciar o Evangelho com a alegria cristã: em síntese, foi o que disse o Papa na homilia desta manhã, durante a Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta.
Com Francisco, concelebrou o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, entre outros.
O Santo Padre se inspirou nas leituras do dia. A primeira, do profeta Sofonias, fala da exclamação “Alegra-te! Grita de alegria, o Senhor está no meio de ti!”. A segunda, extraído do Evangelho, fala de Isabel e do filho que “exulta de alegria” no ventre ao ouvir as palavras de Maria. “Tudo é alegria”, frisou o Papa. Mesmo assim, muitas vezes parece que os cristãos gostam mais de se lamentar, deixando de lado a alegria que nos dá Espírito Santo:
“É justamente o Espírito que nos guia: Ele é o autor da alegria, o Criador da alegria. E esta alegria no Espírito nos dá a verdadeira liberdade cristã. Sem alegria, nós cristãos não podemos nos tornar realmente livres, nos tornamos escravos das nossas tristezas. O grande Paulo VI dizia que não se pode levar avante o Evangelho com cristãos tristes, abatidos e desencorajados. Não se pode. Esta é uma atitude um pouco fúnebre, não? E desta alegria vem o louvor!” 


Louva-se a Deus saindo de si mesmo, “gratuitamente, assim como é gratuita a graça que Ele nos dá”, explica o Papa Francisco, afirmando que a eternidade será isso: louvar a Deus. O que não quer dizer aborrecimento; pelo contrário, beleza e alegria.
encontro internacional ENS

O modelo deste louvor é, mais uma vez, a Mãe de Jesus – a quem a Igreja chama de “causa da nossa alegria” (Causa Nostrae Letitiae). Por quê? Porque nos traz a maior alegria, que é Jesus.
“Peçamos a Nossa Senhora para que, trazendo Jesus, nos dê a graça da alegria, da liberdade da alegria”, concluiu o Pontífice.
(BF)

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Francisco: "quem não vive para servir, não serve para viver"

Papa Francisco \ Audiência Geral


Francisco durante a Audiência Geral abençoa criança - OSS_ROM
30/06/2016 11:16
Cidade do Vaticano (RV) – Esta quinta-feira (30/06) foi dia de audiência jubilar no Vaticano. Na Praça S. Pedro, cerca de 15 mil fiéis ouviram o Papa Francisco falar das obras de misericórdia.
 
“É importante jamais esquecer que a misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um estilo de vida. Eu posso ou não ser misericordioso. Uma coisa é falar de misericórdia, outra coisa é vive-la”, disse.
O Pontífice citou o Apóstolo Tiago, que diz que a misericórdia sem as obras está morta em seu isolamento. “É exatamente assim”, frisou Francisco: “O que torna viva a misericórdia é o seu dinamismo constante de ir ao encontro de quem precisa e das necessidades de quem se encontra em dificuldade espiritual e material.  A misericórdia tem olhos para ver, ouvidos para escutar e mãos para ajudar”.
Servir para viver
De modo especial, o Pontífice falou da importância do perceber o estado de sofrimento dos outros. Às vezes, afirmou, passamos diante de situações dramáticas de pobreza e parece que estas não nos tocam; tudo continua como se nada fosse, numa indiferença que, ao final, nos torna hipócritas e, sem perceber, acaba numa forma de letargia espiritual em que o ânimo se torna insensível e a vida, estéril. “Tem gente que passa toda a vida sem nunca perceber as necessidades dos outros”, lamentou. Pessoas que passam sem viver, que não servem os outros. Lembrem-se bem: quem não vive para servir, não serve para viver".
“Quem experimentou na própria vida a misericórdia do Pai não pode permanecer insensível diante das necessidades dos irmãos”, completou Francisco, que citou as obras que estão contidas no Evangelho de Mateus: assistir que tem fome, sede, quem está nu, refugiado, doente e na prisão. “As obras não são temas teóricos, mas testemunhos concretos. Obrigam a arregaçar as mangas para aliviar o sofrimento".
Essencial
Com o multiplicar-se da pobreza material e espiritual, o Papa Francisco pede uma caridade criativa para identificar novas formas de ajudar quem precisa. “Portanto, pede-se a nós que permaneçamos vigilantes como sentinelas para que, diante das pobrezas produzidas pela cultura do bem-estar, o olhar do cristão não se enfraqueça e se torne incapaz de ver o essencial.”
Ver o essencial, explicou, significa “olhar Jesus no faminto, na prisioneiro, no doente, no nu, em quem não tem trabalho e deve levar avante uma família. Olhar Jesus em quem está triste, só, em quem erra, em quem precisa de conselho, caminhar em silêncio com quem precisa de companhia – estas são as obras que Jesus pede a nós. Olhar Jesus nestas pessoas. Por quê? Porque Jesus nos olha assim”.
Tratou-se da última audiência jubilar deste período de verão europeu. Ao saudar os peregrinos alemães, o Pontífice recordou que neste período de férias e repouso seria importante também cuidar das relações humanas e viver a misericórdia. Já aos poloneses, pede orações para si e para os jovens que em todo o mundo estão se preparando para o iminente encontro em Cracóvia para a Jornada Mundial da Juventude, no final de julho.
As audiências jubilares serão retomadas em 10 de setembro.
(bf)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Papa: "Compreender os pecadores e nunca negociar a verdade"


Papa celebra a missa com um grupo de fiéis - OSS_ROM
20/05/2016 11:21
Cidade do Vaticano (RV) – Manifestar a verdade de Deus não deve se desassociar da compreensão das fraquezas humanas. É o que Jesus ensina no Evangelho e que o Papa ressaltou, comentando, na Missa na Casa Santa Marta, esta sexta (20/05) o trecho evangélico em que Jesus fala com os fariseus sobre o adultério. Francisco afirmou que Cristo supera a visão humana que reduz a visão de Deus a uma ‘equação casuística’.
 
O Evangelho é repleto de ‘ciladas’, como quando os fariseus e os doutores da lei tentam enganar Jesus, fazendo-o cair em contradição, ameaçando a sua autoridade e a confiança de que goza entre o povo. Uma das ‘emboscadas’ contidas no Evangelho do dia fala dos fariseus que perguntam a Jesus se é lícito repudiar a própria esposa.
Verdade, e não casuística
O Papa Francisco a definiu ‘a cilada da casuística’, montada por um ‘pequeno grupo de teólogos iluminados’ convencidos de possuir toda a ciência e a sabedoria do povo de Deus. Um risco do qual Jesus escapa indo ‘além’, indo até ‘a plenitude do matrimônio’.
E já o havia feito no passado com os saduceus, em relação à mulher que tinha tido sete maridos, mas que na ressurreição não será esposa de nenhum, porque no céu não se tem ‘mulher nem marido’.
Naquele caso Cristo, observou o Papa, se referiu à ‘plenitude escatológica’ do matrimônio. Com os fariseus, ao contrário, ‘vai à plenitude da harmonia da criação’. ‘Deus os criou homem e mulher, os dois serão uma só carne’.
“Não são mais dois, mas uma só carne. Assim, ‘o homem não divida o que Deus uniu. Seja no caso do levirato, seja neste, Jesus responde da verdade esmagadora, da verdade contundente – esta é a verdade! – da plenitude sempre! E Jesus nunca negocia a verdade. E estes, este pequeno grupo de teólogos iluminados, negociavam sempre a verdade, reduzindo-a à casuística. Jesus não negocia a verdade e esta é a verdade sobre o matrimônio, não existe outra”.
Verdade e compreensão
“Mas Jesus – prossegue Francisco – é tão misericordioso, tão grande, que jamais, jamais, fecha a porta aos pecadores. Por isso, não se limita a expressar a verdade de Deus, mas pergunta também aos fariseus o que Moisés estabeleceu na lei. E quando os fariseus lhe repetem que contra o adultério é lícito escrever ‘um ato de repúdio’, Cristo replica que aquela norma foi escrita ‘para a dureza do seu coração’. Ou seja, explicou o Papa, Jesus distingue sempre entre a verdade e a fraqueza humana, sem rodeios”.
“Neste mundo em que vivemos, com esta cultura do provisório, a realidade do pecado é muito forte, mas Jesus, recordando Moisés, nos diz: ‘Se há dureza do coração, se há pecado, algo se pode fazer: o perdão, a compreensão, o acompanhamento, a integração, o discernimento destes casos... Mas a verdade não se pode vender nunca! E Jesus é capaz de dizer esta verdade tão grande e, ao mesmo tempo, ser tão compreensivo com os pecadores, com os fracos”.
Perdoar não é uma equação
Assim, sublinhou Francisco, estas são as duas coisas que Jesus nos ensina: a verdade e a compreensão, o que os ‘teólogos iluminados’ não conseguem fazer porque estão fechados na cilada da ‘equação matemática ‘pode?’ ou ‘não pode?’ e, portanto, são incapazes de horizontes maiores e de amar a fraqueza humana.
É suficiente ver – concluiu o Papa – a delicadeza com a qual Jesus trata a adultera quando está para ser lapidada. ‘Eu também não te condeno; vai e de agora em diante, não peque mais’.
“Que Jesus nos ensine a ter, com o coração, uma grande adesão à verdade e também com o coração, uma grande compreensão e acompanhamento a todos os nossos irmãos que estão com dificuldades. E este é um dom, isto o ensina o Espírito Santo, não estes doutores iluminados, que para nos ensinar, precisam reduzir a plenitude de Deus a uma equação casuística. Que o Senhor nos dê esta graça”. 
(CM)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Como usamos os talentos que o Senhor nos confiou?


- Em muitas comunidades encontramos pessoas ricas de talentos... de estudo, de tempo e de recursos... mas não se doam aos outros... Dizem que não tem tempo... não tem jeito... e não fazem nada pela comunidade...

- No entanto, encontramos pessoas pobres, humildes, muito ocupadas... e com pouco ou nenhum estudo, que se entregam com generosidade a serviço da Comunidade: nas pastorais, nos movimentos e no serviço de caridade...

* No fim de nossa vida, o que desejamos ouvir?

"Servo bom e fiel... vem participar da minha alegria..."

ou "Servo mau e preguiçoso... Servo inútil... joguem-no fora...  na escuridão... onde haverá choro e ranger de dente?"

A Escolha será nossa!...

 
Ao aproximar-se o final do Ano Litúrgico, a Liturgia nos convida a estarmos prontos a prestar conta a Deus da administração dos bens que ele nos concedeu. É um apelo à VIGILÂNCIA para a vinda do Senhor, que pode vir a qualquer momento em nossa vida.

A 1a Leitura apresenta a figura da "mulher virtuosa", que sabe administrar a sua casa. (Pr 31,10-13.19-20.30-31) Esse poema retrata a Mãe de família, que valoriza o trabalho,  o compromisso, a generosidade e o "temor de Deus".
Esses valores garantem ainda hoje para todos uma vida feliz, tranqüila e próspera.

Na 2ª leitura, Paulo fala da 2ª vinda do Senhor e como devemos esperar e preparar esse momento: vigilantes e sóbrios na presença do Senhor. (1Ts 5,1-6)

No Evangelho, com a Parábola dos TALENTOS, Jesus fala da sua 2ª vinda no fim dos tempos e a atitude com que os discípulos devem esperar e preparar essa vinda. (Mt 25,14-30)

Um "senhor" partiu em viagem e deixou sua fortuna nas mãos dos servos. A um, deixou cinco talentos, a outro dois e a outro um. Quando voltou, chamou os servos e pediu-lhes conta da sua gestão.
Os dois primeiros tinham duplicado a soma recebida; mas o terceiro escondeu cuidadosamente o talento recebido, pois conhecia a exigência do "senhor" e tinha medo.

Os dois primeiros servos foram louvados pelo "senhor", ao passo que o terceiro foi severamente criticado e condenado.
A Parábola refere-se à Vinda do Senhor Jesus, no final dos tempos...

- O "Senhor" representa Jesus, que antes de deixar este mundo, para viajar de volta ao Pai, deixou todos os seus "Bens" aos discípulos.
- Os Talentos são os "bens" que Jesus deixou na sua Igreja: o Evangelho, a sua mensagem de salvação; o Batismo, a Eucaristia e todos os sacramentos, seu amor pelos pobres, sua atenção para os doentes...
- Os Servos, depositários desses bens, são os discípulos de Jesus, somos todos nós, que devemos produzir na medida de nossas possibilidades...

Depositários dos Bens de Cristo...Nós somos agora no mundo as testemunhas de Cristo e do projeto de salvação que o Pai tem para os homens.
- É com o nosso coração que Jesus continua a amar os publicanos e os pecadores do nosso tempo;
- é com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados;
- é com os nossos braços abertos que Jesus continua a acolher os imigrantes que fogem da miséria e da degradação;
- é com as nossas mãos que Jesus continua a quebrar as cadeias que prendem os escravizados e oprimidos;
- é com os nossos pés que Jesus continua a ir ao encontro de cada irmão que está sozinho e abandonado;
- é com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar as multidõesfamintas do mundo e a dar medicamentos e cultura àqueles que nada têm…

Os que a Parábola nos diz hoje?

A Parábola mostra a grande responsabilidade de quem se omite, deixando que os bens do Senhor permaneçam infrutíferos,  privando desta forma a comunidade e o mundo dos frutos a que têm direito.
- os dois "servos" da parábola, que fizeram frutificar os "bens",  nos mostram como devemos proceder:
Eles lutaram, esforçaram-se, arriscaram, ganharam. Não se deixaram dominar pelo comodismo e tiveram a coragem de arriscar.
Também nós não devemos nos deixar dominar pelo comodismo e  ter a coragem de lutar contra a injustiça e propor os valores do Evangelho;

Não aceitar que os grandes e poderosos decidam os destinos do mundo e  ter a coragem de lutar contra os projetos desumanos que desfiguram esta terra;  Não aceitar que a Igreja se identifique com a riqueza, com o poder e procurar torná-la mais pobre, mais simples, mais humana, mais evangélica; Não aceitar que a liturgia deva ser sempre tão solene que assuste os mais  simples, nem tão etérea que não tenha nada a ver coma vida do dia a dia...
- e o servo, que enterrou os "bens", mostra como não devemos proceder: contentar-se com o que se tem e não querer mais, por medo ou covardia... Não fazer render os "bens" que Deus nos confiou... não dar frutos...


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 13.11.2011