quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz??


Estamos entrando no mês de Outubro, dedicado ao ROSÁRIO  e às MISSÕES, com o Tema: "MISSÃO na Ecologia".

A Liturgia continua o tema da VINHA, que representa Israel, o povo eleito,  precursor da Igreja, o novo Povo de Deus.

Na 1ª Leitura, Isaías, com o "Cântico da Vinha", narra a História do amor de Deus e a infidelidade do seu Povo. (Is 5,1-7) É um lindo poema composto pelo profeta, talvez a partir de uma canção de vindima.
Através do profeta (o trovador), Deus (o Amigo) julga seu povo (a vinha), descrevendo o amor de Deus e a resposta do Povo.
- Um agricultor escolheu o terreno mais adequado, escolheu cepas da melhor qualidade, tomou todos os cuidados necessários.
- O sonho dele era a colheita dos FRUTOS do seu trabalho...
- Mas a decepção foi grande: só deu uvas azedas...

"Que mais poderia eu ter feito por minha vinha e não fiz?"

- Reação: Seu amor se transforma em ódio: derruba o muro de proteção, permite que os transeuntes a pisem livremente e que o inço tome conta...
* Os Frutos, que o Senhor esperava, eram "o direito e a justiça",respeito pelos Mandamentos e fidelidade à Aliança.Ao invés, viu "sangue derramado" e "gritos de horror": infidelidade, injustiça, corrupção, violência...

Muitas manifestações religiosas solenes, sem uma verdadeira adesão a Deus. Daí o castigo de Deus: a invasão dos assírios e depois dos babilônios,  que destruíram a vinha e deportaram os israelitas como escravos.
* Hoje há ainda "sangue derramado" e Gritos de horror"?

Na 2ª Leitura, Paulo apresenta virtudes concretas,  que os cristãos devem cultivar na própria Vinha.
São esses os frutos que Deus espera da sua "Vinha". (Fl 4,6-9)


No Evangelho, Jesus retoma e desenvolve o poema da VINHA. (Mt 21,33-43)
- Um Senhor planta uma vinha com todo o cuidado e tecnologia necessária e a confia a uns vinhateiros, conhecedores da profissão.
- Chega o tempo da vindima, manda buscar a colheita e vem a surpresa. Não entregam os frutos e maltratam os enviados... Não respeitam nem o próprio filho do dono. Chegam a matá-lo.
- A "Vinha" não será destruída, mas os trabalhadores serão substituídos...

* A parábola é uma releitura da História da Salvação: ilustra a recusa de ISRAEL ao projeto de salvação de Deus.

- A Vinha é o Povo de Deus (Israel).
- O Dono é Deus, que manifestou muito amor pela sua vinha.
- Os vinhateiros são os líderes do povo judeu...
- Os enviados são os profetas... o próprio Cristo "morto fora da vinha".
- Resultado: A "vinha" será retirada e confiada a outros trabalhadores, que ofereçam ao "Senhor" os frutos devidos e acolham o "Filho" enviado.
- Reação do Povo: tentam prender Jesus, pois percebem que a Parábola se refere a eles...

+ Quem são esses "outros", aos quais é entregue a Vinha? Somos todos nós, membros do novo Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir seus frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.

- Que tipo de frutos está faltando? Os homens do tempo de Isaías e também de Jesus eram muito piedosos, zelosos nas práticas religiosas, no respeito do sábado...  Mas não foi da falta disso que Deus se queixou...
- Isaías resume a queixa de Deus nas palavras do dono da vinha: "Esperei deles justiça, e houve sangue derramado; esperei retidão de conduta e o que ouço são os gritos de socorro  de gente que foi explorada e maltratada..."

* Será que isso acontecia só no passado? Ainda hoje devemos testemunhar diante do mundo,  em gestos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia,  de partilha, de serviço, a realidade do Reino, que Jesus veio propor. Não podemos reduzir tudo a apenas umas práticas religiosas?

+ Os guardas da vinha quiseram até se transformar em "Donos"...
* Esse perigo não pode estar presente ainda hoje em nossas comunidades?

Não somos "donos", mas apenas administradores... + Deus nunca desiste de sua obra de amor e salvação!
Uma Verdade consoladora, mas também um Alerta: Diante do fracasso com alguns... Deus não desiste...

Mas Ele recomeça com outros... - Será que Deus está satisfeito dos frutos que estamos produzindo?
+ Missão na ecologia!... Nesse Mês missionário, somos convidados a renovar com Deus a Aliança.
- Que frutos estamos produzindo para a realização do Reino de Deus? Se hoje não somos missionários, não é esse um sinal  de que estamos sendo maus vinhateiros.
Não significa um desprezo para com a Vinha do Senhor? Nesse caso: "O Reino também nos será tirado e  entregue a outros que produzam frutos".

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 02.10.2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A oração nunca é algo mecânico e nem um exercício físico, mas sim um entregar-se ao Senhor da vida

A oração é antes de tudo diálogo, relacionamento de amor e de amizade que vai crescendo lentamente dentro de nós e nos abre para os outros.

Não é possível rezar e não sentir dentro do coração as alegrias e os sofrimentos que agitam a vida dos nossos irmãos. É importante descobrir a oração como momento de autoconhecimento. Santo Agostinho dizia: que eu te conheça a ti, Senhor para que me conheça a mim.
Mas, o que quer dizer rezar como somos? Vamos tentar explicar, e assim, assumir o caminho da oração como momento de divina terapia. Estou convencido de que o nosso melhor terapeuta, psicólogo e psicanalista é o Senhor que, na intimidade com Ele, nos é revelado quem somos para que possamos sentir as mudanças que são necessárias realizarmos em nossas vidas.

A oração nunca é algo mecânico e nem um exercício físico, mas sim um entregar-se ao Senhor da vida para que Ele cumpra em nós o seu projeto. O orante não tem mais desejos próprios nem vontade própria porque aprendeu a ter uma única vontade que é a do Senhor que se manifesta no dia a dia.

A oração não pode ser alguma coisa forçada, imposta, mas deve ser como água borbulhante no mais profundo de nosso ser e, como água viva que vai jorrando e fecundando com vida nova todas as áreas do nosso eu. Santa Teresa de Ávila, mestra da oração, diz que a oração gera uma harmonia e um desenvolvimento em todo o nosso ser. Por isso, para ela, as almas que não rezam são como um corpo estropiado ou paralítico que tem mãos e pés, mas não os podem mover.

E assim se passa. Há almas tão enfermas e tão habituadas às coisas exteriores que parece não haver remédio. Nos parece que não podem entrar em si mesmas.

A oração cria fortes convicções e alicerceia a nossa vocação tornando-nos capazes de resistir a todas às dificuldades que podemos encontrar. É fonte de luz e fortalece a nossa vontade, orienta, ilumina e sustenta todos os nossos passos no caminho da permanente conversão.

Rezar como somos é não ter medo de nós mesmos e de nos olhar no espelho para ver as nossas feridas, não desanimar diante dos nossos fracassos, mas sempre retomar o caminho para chegar à meta que temos diante de nós: sermos amigos fortes de Deus.

Comunidade Shalom   26/11/2002 - 16h35

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Orar sempre é desejar estar sempre em comunicação com Deus, independente de nossas condições.

A oração se divide em dois tipos fundamentais: A oração exercício que é o nosso esforço devocional e a oração-vida ou contemplativa que vai ser fruto desse esforço em nos abrirmos à ação da Graça de Deus em nós.

Santa Teresa de Jesus se converte na e pela oração como um diálogo, como algo inovador que sempre nos transforma em nosso jeito de amar. A comunicação com o divino de Deus vai nos divinizando num processo de amorização. Os nossos valores são transformados no que Deus deseja para nós.

A verdadeira oração nos torna mais virtuosos na prática do bem e na superação de nós mesmos. Por esta razão os valores do Evangelho começam a fazer parte de nossa vida e passamos a amar o que Deus ama. A viver o que Deus vive.

Necessitamos sempre da oração em todos os momentos de nossa vida.
 Ela sempre vai nos dizer o que somos e o que devemos fazer para sermos instrumentos de santificação para a Igreja.
A oração sempre deve nos levar a um aspecto solidário-comunitário.
Ela sempre nos compromete com a realidade do outro e da comunidade.

“A ORAÇÃO PERSEVERANTE É FONTE DE CRESCIMENTO NA FÉ”.

ORAÇÃO
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração.
Amém
FREI GIRIBONE (Ordem dos Carmelitas Descalços)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Como vai meu trabalho na Vinha do Senhor?

A Liturgia nos leva a refletir novamente sobre a Igreja, na qual somos convidados a trabalhar. Qual será o critério de Deus no "pagamento" pelo trabalho nela realizado?
As leituras bíblicas nos dão a resposta.
Na 1ª Leitura, Isaías afirma que o jeito de Deus ser é muito diferente de como nós o imaginamos. Deus não pensa como nós. Ele não julga pela quantidade, mas pela qualidade com que se faz. (Is 55,6-9)
A 2ª Leitura apresenta o testemunho de Paulo, que fez de Cristo o centro de sua vida.
"Para mim o viver é Cristo, e o morrer um lucro". (Fl 1,20c-24.27a)

O Evangelho destaca que Deus chama à Salvação todos os homens, sem considerar a antiguidade na fé, ou os créditos pelo trabalho realizado. (Mt 20,1-16)
A Parábola da VINHA é exclusiva de Mateus:
- Um patrão contrata trabalhadores para a sua vinha, em vários momentos.
- No final do dia, paga uma diária completa a todos.
- Os primeiros "murmuram, reclamando indignados: "Eles trabalharam apenas uma hora, e tu os igualaste a nós".
- O dono da vinha responde ao primeiro descontente: "Não sou injusto contigo. Não tinhas combinado comigo uma diária? Estás com inveja, porque eu sou bom?"

* Os murmuradores eram os escribas e fariseus que confiavam em seus créditos. Deus não é um negociante que contabiliza os créditos dos homens  para depois lhes pagar conforme a quantia produzida. A Salvação é mais obra de Deus do que merecimento do homem. Deus é um Pai, cheio de bondade, que ama todos os seus filhos por igual e sobre todos derrama o seu amor. Ele nos dá muito mais do que merecemos...

O que a PARÁBOLA queria dizer?
+ Para Jesus, que era criticado porque acolhia os pecadores e os publicanos, - os primeiros chamados foram os judeus, como povo escolhido e herdeiro das promessas do Antigo Testamento; - os últimos: os pecadores, que, convidados por ele, também entraram no ambiente da misericórdia de Deus.

* O Reino de Deus é para todos; não há excluídos, indignos, desclassificados.
 Para Deus há pessoas a quem ele ama, a quem ele oferece a salvação e a quem ele convida para trabalhar na sua vinha. A única coisa realmente decisiva é se os convidados aceitam ou não trabalhar na sua vinha.
+ Para Mateus, que escrevia para judeus convertidos ao cristianismo, - os primeiros trabalhadores chamados eram os cristãos oriundos do judaísmo; - os últimos eram os não-judeus, isto é, todos os homens.
* Para Deus, não há Judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira hora ou da última hora.

Não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento…


Todos são filhos amados do mesmo Pai. + Para nós, Cristo continua convidando: "Ide também vós para a minha vinha".
- muitos ouviram o chamado de Deus logo no alvorecer de sua existência;
- outros escutaram este apelo no vigor da juventude;
- outros apenas na idade madura ou bastante avançada...
Deus não pensa como nós, Deus não olha o tempo... mas a atitude pronta e generosa de nossa resposta...
Não remunera pela eficiência, mas pela necessidade...Mede muito mais pelo amor, do que pelo produto do mesmo.

- Diante da recompensa gratuita e universal de Deus, qual a nossa atitude?
- nos alegramos com o amor de Deus que acolhe a todos?
- ou nos deixamos levar por sentimentos de inveja ou ciúmes?
- ou nos consideramos merecedores de direitos, ou "privilégios"?
- Como explicar essa aparente injustiça de Deus?
Humanamente é difícil entender... só entenderemos numa visão de fé.Quem trabalha para o Reino de Deus, deve fazê-lo por amor. E quando alguém faz por amor não se interessa pela recompensa... pelos elogios... pelo pagamento... A fidelidade ao Senhor já é uma recompensa....
Sem dúvida, Deus nos dá muito mais que merecemos, * Que pensar dos que se sentem "donos" da Comunidade porque estão há mais tempo do que os outros, ou porque contribuíram para a Comunidade mais do que os outros?

Na Comunidade de Jesus, a idade, o tempo de serviço, a posição hierárquica, não servem para garantir direitos, privilégios ou superioridade...
Embora com funções diversas, todos são iguais em dignidade e todos devem ser acolhidos, amados e considerados de igual forma.
+ Se na Vinha do Senhor há lugar para todos, por que muitas pessoas continuam "desempregadas"?
- Será que não há trabalho para elas?
- Será que não tiveram oportunidade, "porque ninguém as contratou"?
- Será que elas se acomodaram, não querendo compromisso?
+ Deus não quer ninguém desocupado.
Cristo continua convidando: "Ide também vós para a minha vinha!..."

- Qual será a nossa resposta ao chamado de Deus?
- Qual é o nosso lugar na vinha do Senhor.

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 18.09.2011

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A formiga e o grão de trigo.

Leonardo da Vinci foi um gênio. Viveu na Itália dos séculos XV e XVI, perto de Florença. Artista célebre, autor do quadro da Última Ceia, foi também escultor, arquiteto, físico, engenheiro, músico e escritor. É nessa última atividade que vamos encontrar uma fábula que escreveu (ou que, pelo menos, se atribui a ele). É sobre a formiga e o grão de trigo.

"A colheita havia terminado e um grão de trigo ficou esquecido no campo. Sem poder fazer outra coisa senão permanecer onde estava, aguardando a chuva que poderia escondê-lo debaixo da terra, ele ficou ali até que uma formiga o descobriu, segurou-o em suas pinças, e partiu com ele em direção ao formigueiro onde morava, caminhando penosamente pelas irregularidades do terreno. A certa altura do caminho, sentindo-se cansada, a formiga parou e soltou o grão de trigo, que, ao se ver novamente no chão, perguntou:

- Por que você não me deixa aqui mesmo? Eu sei que está sendo cada vez mais difícil me carregar para sua
casa.
- Não posso fazer isso - respondeu a formiga- Nem eu, nem formiga nenhuma, porque nossa tarefa é levar para o formigueiro tudo o que nos possa servir de alimento. Do contrário, nós, que somos muitas, ficaremos
sem provisões suficientes para nos alimentarmos durante o inverno.

- Mas eu sou uma semente - retornou o grão de trigo - e o meu destino é gerar uma nova planta, e não ser comida por quem quer que seja. Por isso, vou lhe fazer uma proposta: se você me deixar aqui, dentro de um
ano eu poderei lhe dar em troca cem grãos de trigo iguais a mim, cem grãos que irão abastecer o depósito do seu formigueiro e servirão para alimentar todas vocês por algum tempo. Pense nisso.

- Cem grãos? Iguais a você?

- Isso mesmo.

- Mas como isso será possível?

- Este é o grande mistério da vida, formiga, o do ‘crescei e multiplicai-vos’. Não tenho como lhe explicar isso agora, mas basta você cavar um buraco pequeninho, me enterrar dentro dele, e voltar daqui a um ano para buscar o que estou lhe prometendo. Confie em mim e não se arrependerá.
E a formiga confiou, tanto que fez tudo o que lhe foi recomendado. No ano seguinte, ao retornar àquele mesmo lugar, encontrou o grão de trigo transformado numa planta carregada de sementes, e aí, então, ela pôde receber, grão por grão, tudo o que lhe havia sido prometido meses antes."

Moral da história? "Quem planta, colhe!". E não só isso: o também como é importante saber confiar. Em nossas famílias, por exemplo: confiar nos pais, confiar nos filhos, o marido confiar na mulher, a mulher confiar no marido, e por aí vai. O Senhor mesmo manda termos confiança, pois Ele venceu o mundo! Como confiamos?

Ah, quantas lições que vêm de um inseto tão pequeno e, ao mesmo tempo, tão grande, tão forte, tão decidido e trabalhador!

Obrigado, amigos que acompanharam mais esta edição de Palavra Viva pela Rádio Cultura. Até quarta-feira
que vem, as 08h30min, e no domingo ao meio-dia, após o Ângelus de Sua Santidade o Papa Bento XVI, se Deus quiser!

Escrito por: Carlos Martendal
programapalavraviva@gmail.com

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sugestões para Setembro – Mês da Bíblia

A Bíblia merece destaque, em setembro. Coloque-a em lugar que facilite a leitura. Lembrando que a Palavra de Deus é luz em nosso caminhar, coloque também uma vela e flores.

Leia mais a Bíblia! Escolha um momento no dia ou na semana para ler alguns versículos e comentar com a família. Anote frases ou palavras que chamam a sua atenção, que tocam seu coração. Quando lemos, pela manhã, os versículos passam o dia fazendo eco em nossa mente e coração. Quando cantamos, pela manhã, o eco é sonoro. Experimente, saboreie e deixe-se nutrir pela Palavra de Deus!

 

Semeie a Palavra de Deus! Lembrando a Parábola do Bom Semeador, imprima e espalhe versículos bíblicos ou pequenos textos sobre Bíblia em muitos locais, para que outras pessoas o encontrem: São sementes de bem que podem germinar a qualquer momento, pois a Palavra de Deus é viva e eficaz.



Nos pensamentos e fragmentos de textos sobre a Bíblia, TENHA o cuidado de colocar autoria, no final de cada parágrafo. Assim como respeitamos os autores bíblicos, devemos respeitar os autores ainda vivos.

FONTE: Irmã  Zuleides
Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus

http://www.apostolas-pr.org.br - Fotos de Bíblias para você copiar e usar na Internet

Sagrado - Rede de Educação

http://www.redesagradosul.com.br

contato: comunic@apostolas-pr.org.br

http://twitter.com/zuleides

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

As cinco vias da Palavra

Setembro é o mês da Bíblia. Sofremos um analfabetismo bíblico e precisamos criar o “século da Bíblia” e tê-la todos os dias em nossas mãos. Eis as cinco vias da Palavra.

1-O ouvido - Como poderemos crer sem ouvir a pregação da fé? “Ouve oh Israel”. Este é o mandamento divino. Dá-nos Senhor, ouvido de discípulo, pede o profeta Isaías. A fé entra pelo ouvido. Não podemos ser surdos ao Deus que se revela a nós como a amigos. Quem ouve minha Palavra e a põe em prática, este é o maior no reino dos céus, ensinou Jesus. Hoje se ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis o vosso coração, diz o livro de Samuel. A Palavra supõe a audição, o ouvido, do contrário, ela cai no chão.

2-A cabeça - A Palavra exige o estudo, a teologia, o magistério e o catecismo. A fé não pode contrariar a reta razão, mas, ela vai além da razão. É preciso dar a razão de nossa fé porque a verdade e a fé são duas asas que movem o ser humano até Deus. Fé e razão se completam. O ato de fé é um ato de decisão, de opção, de adesão a Deus, a Jesus Cristo e à revelação divina. A cabeça é uma via da fé para evitar todo infantilismo, magia, engano, exploração, fanatismo e heresia no âmbito da religião. A Palavra guia nossos pensamentos e oferece critérios, valores e luzes para a razão.

3-O coração - A Palavra ouvida desce ao coração, ou seja, é interiorizada, assimilada, vivida, experimentada. É no intimo do coração que a Palavra se faz carne em nós. Ela se torna alimento. “Toma o livro e come-o” diz a Escritura. Há uma grande fome e sede da Palavra porque ela alimenta a fé no coração dos cristãos. A fé é resposta à Palavra e compromisso assumido no centro, no interior dos corações.

4-As mãos - A fé sem obras é morta. A Palavra alimenta a fé. É no testemunho, na ação, mas principalmente nos gestos de amor a Deus e ao próximo, que se manifesta nossa fé. Nossas mãos se abrem à generosidade, à solidariedade, à prática do amor pessoal e social, graças à fé. Uma fé autêntica é compromisso com a vida, a transformação, a promoção humana. Daí se entende os famosos binômios: fé e vida, oração e ação, mística e política, contemplação e transformação. A Palavra abre nossas mãos para a construção do reino, para as boas obras e o amor transformador.

5-Os pés - A Palavra é o combustível, o motor, a energia da missão. Quem tem fé não é acomodado, mas, missionário, caminhante, evangelizador. Fé com pé na estrada, pé a caminho, pé nas ruas, nas portas das casas, nas periferias e nas mansões. A fé leva ao lava-pés e a andar a pé para facilitar o encontro. De pessoa a pessoa, de casa em casa, de grupo em grupo, de nação a nação, a fé nos coloca em movimento, em ousadia missionária. Os caminhos da fé levam ao encontro com o diferente, o afastado, até o além fronteiras. A fé nos dá pés velozes que correm até os confins da terra, que nos levam ao povo. Com os pés iluminados pela Palavra caminhamos pressurosos para a casa do Pai. Pés evangelizadores que mesmo feridos e machucados nos deixam sempre de pé especialmente ao pé da cruz.

Dom Orlando Brandes

Arcebispo de Londrina

Publicado na Folha de Londrina, 11 de setembro de 2010

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Não aceite soluções fáceis


Há sempre duas maneiras de solucionar um problema!
Muitos erros e sofrimentos acontecem porque queremos dar soluções facéis e rápidas para problemas difíceis; o que é um grave erro que causa sérios problemas.
Quanto mais difícil o problema, tanto mais difícil será a sua solução, pois não há solução fácil quando o problema é difícil.

Na vida também é assim, não há solução fácil, cômoda, rápida e barata para os problemas difíceis. Mas, infelizmente, no campo do comportamento estamos cheios de "soluções fáceis", que, em vez de solucionarem os problemas, os tornam ainda mais graves.



Há sempre duas maneiras de solucionar um problema: a primeira será “facíl”: improvisada, rápida, cômoda, sem sacrifícios e, muitas vezes, imoral. A segunda será “dificil”: demorada, planejada, árdua e dispendiosa. A segunda maneira de se resolver um problema será eficaz e duradoura; a primeira, inócua e falsa. Não se arrisque.


É fácil, por exemplo, retirar o pobre da rua e escondê-lo das vistas dos turistas; contudo, é dificil retirar a miséria do pobre e promovê-lo, mas esta é a medida dificil e correta. É fácil limitar o número de nascimentos, é fácil esterilizar homens e mulheres em massa como se fossem animais; assim como é fácil distribuir pílulas... Contudo, é difícil implantar uma eficaz e digna paternidade responsável.

É facíl fazer a guerra; difícil manter a paz. É facil distribuir preservativos e seringas para se evitar a Aids; mas é difícil ensinar as pessoas sobre o emprego moral do sexo e o valor da castidade...

O grande problema do mundo não é resolver os seus problemas, mas “como” resolvê-los. Nunca acredite numa solução fácil e rápida. A sabedoria popular já aprendeu que “o barato sai caro” e que “a pressa é inimiga da perfeição”.

As soluções sérias são eficazes e duradouras; geradas no sofrimento, na oração, na paciência, nas lágrimas, no diálogo, na compreensão, entre outros.

Não há solução fácil para problema difícil. Esta é a pior tendência do homem moderno: querer resolver todos os problemas de maneira rápida, com soluções imediatistas, atropelando o tempo, a moral, os costumes, a fé e o próprio Deus. Por fim ele se dá conta de que correu em vão. Acostumado a lidar com as coisas, a técnica e as máquinas, o homem de hoje se esquece de que ele é dotado de uma alma transcedente e imortal.

O Papa João Paulo II nos ensinou que as soluções propostas por Cristo, para os graves problemas da humanidade, são difíceis, mas jamais decepcionam. Jamais eu vi alguém chorar porque viveu os preceitos do Evangelho, mas eu já vi muita gente chorar porque não quis vivê-los.

O Mestre disse que aquele que não pratica os Seus ensinamentos é como aquele que constrói a casa na areia; e logo esta é destruída pelas tempestades e correntezas.

Todo problema tem uma solução; senão deixa de ser problema. A solução nem sempre é facíl, mas sempre existe.


Felipe Aquino

felipeaquino@cancaonova.com


Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Depressão e fé


Uma das doenças mais comuns nos nossos dias é a depressão, que é o tema deste artigo. Vamos tentar desmistificar alguns tabus até hoje presentes na mente e no coração de muitas pessoas. São eles:

1. Um homem de verdade ou uma mulher forte não ficam deprimidos, pelo menos, não por muito tempo.

A verdade: Depressão não é a manifestação de uma imperfeição de caráter ou de uma fraqueza humana. Aquele que está em luta contra esse distúrbio não é um indivíduo fraco ou emocionalmente frágil.

2. Uma fé sólida afasta a depressão.

A verdade: A crença de que religiosos não são “atacados” pela depressão – e de que devem desconfiar de sua fé caso o sejam – é tanto quanto cruel como o primeiro mito relatado acima. Admite-se que padres, religiosos e pessoas altamente crentes e religiosas possam sofrer de pressão alta, diabetes, esclerose, entre outras enfermidades, e não se percebe que a depressão é uma perturbação grave da saúde tanto quanto os outros males citados o são. E o é até mais, tendo em vista que ela não afeta só o físico, mas toda a fisiologia do paciente, ou seja, todo o funcionamento do corpo – tanto na parte biológica como na mental. Percebendo este aspecto da doença, podemos entender por que razão as pessoas depressivas sentem seu relacionamento com Deus enfraquecer-se.

Tenhamos em mente que:

1. A depressão não é simplesmente um “mau dia”, mas sim, uma grave doença mental;

2. A depressão não está associada com a intensidade da fé. Qualquer pessoa pode se tornar vítima de suas garras hostis.


Três fatores se entrelaçam e podem determinar o surgimento da depressão, são eles:

1. Genética: a história familiar de pacientes depressivos revela que seus parentes biológicos sofrem ou sofreram de depressão, havendo, portanto, uma predisposição ao desenvolvimento da doença.

2. Estresse: tão comum em nossos dias é uma força propulsora que – agrupada a outros fatores – pode desencadear a depressão. O estresse é potencializado por fatores tais como: baixa auto-estima, preocupações financeiras ou profissionais, problemas de relacionamento, conflitos psicológicos e mudanças de vida significativas.

3. Tristeza: quando sentimentos como tristeza, solidão, rancor, pesar por perdas são guardados, estes vão se avolumando de forma a se tornarem “tóxicos” à nossa alma e ao nosso corpo. É como um vulcão que guarda dentro de si, até mesmo por séculos, substâncias destrutivas; e quando menos se espera ocorre a erupção. No caso do ser humano, essas “substâncias” são as mágoas não resolvidas, as perdas não choradas e não reclamadas, que se avolumam e, de repente, (às vezes, não tão de repente assim), se transformam em doenças, como a depressão, por exemplo.

A depressão faz com que muitos desejos cessem, inclusive o de orar.

Os sentimentos de separação, isolamento e abandono, comuns na depressão, intensificam-se quando a pessoa sente que Deus está ausente. A alma sente tanto quanto a mente e o espírito. Embora a pessoa sinta um completo abandono, uma ausência de Deus, este se apresenta naquelas situações em que a pessoa se sente mais fraca, como canal de graça para o outro.


Como a depressão é uma doença, e grave, é necessário que seja tratada. O paciente precisa da ajuda de profissionais. Os médicos psiquiatras e os psicólogos são os mais indicados para tratá-la por serem especialistas no tratamento do aspecto fisiológico e psicológico das perturbações mentais. Justamente porque é preciso haver uma mudança de atitudes.

Encarar a vida assim pode ajudar os deprimidos a saírem desta condição:




- A prioridade número um de minha vida tem que ser minha recuperação;


- Neste momento, estou necessitado de ajuda;


- É necessário que eu me permita lamentar – de maneira plena e desinibida – as perdas que sofri durante a vida;


- É necessário que eu me permita ficar irado;


- É hora de parar de me castigar por falhas reais ou imaginárias;


- Sou mais do que aquilo que realizo, tenho meu próprio valor;


- Devo evitar que meu trabalho venha a se transformar em meu senhor;


- Reconheço minhas limitações. Posso ser instrumento e canal da graça e da cura de Deus, mas salvar pessoas é algo que pertence ao domínio exclusivo de Deus;


- Possuo controle sobre algumas áreas, não é possível controlar tudo e todos;


- Preciso de mais companhia e menos isolamento;


- Preciso parar de ser tão inflexível comigo mesmo.






Concluindo: deixemos de lado os paradigmas de que depressão só ataca pessoas fracas e sem fé. É obrigação nossa – como seres humanos e cristãos – estar sempre atentos com relação às nossas reações físicas, pois o corpo fala, nos dá sinais de como está a nossa saúde mental e espiritual. Por essa razão, fiquemos também atentos às pessoas que estão ao nosso redor e nos procuram, pois podem estar sofrendo caladas, esperando uma abertura de nossa parte, nem que seja uma pequena “fresta”, para falarem de seus sentimentos e suas dores.

Mara S. Martins Lourenço

e-mail: maralourenco@geracaophn.com   http://cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=6461

27/07/2007 - 08h00