quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas ativas.


Brasília 2012 já está perto, mas não devemos apenas encontrar-nos num lugar novo; devemos dar impulso e vitalidade ao nosso Movimento para que ele seja cada vez mais, como o Pe. Caffarel desejou, um Movimento de formação e de pessoas activas. É esta a nossa vocação na Igreja.

Tanto a vida do padre Caffarel como o encontro com os primeiros casais levaram cada vez mais a esta convicção: "Nenhum deles tinha dificuldade em pensar que a sua vocação era a santidade: a santidade aparecia como o desenvolvimento do amor e a realização plena tanto do amor conjugal como do amor de Cristo. E a reflexão fê-los logo descobrir de uma forma totalmente nova o sacramento do matrimónio, não simplesmente como uma formalidade, mas como uma prodigiosa fonte de graça: Cristo vem salvar o amor, doente desde o pecado original, trazendo-lhe auxílios e graças enormes" (Chantilly 1987).

O Padre Caffarel não nos quis para uma santificação exclusivamente individual ou de casal. As equipas são para o mundo. Seria um trabalho inútil procurar na Escritura um discurso preciso, pormenorizado e directo sobre o casal. Esta afirmação pode deixar-nos surpreendidos e per¬plexos, mas a verdade é que, tanto no Antigo como no Novo Testa¬mento, quando se fala da relação homem-mulher é sempre para dizer, antes de mais, alguma coisa sobre Deus.

Por outras palavras, a Bíblia não faz um discurso moralista, não faz uma pregação pedante sobre o matrimónio e sobre a sexualidade, mas assu¬me as categorias nupciais para revelar o rosto e a natureza de Deus.

Deste modo o homem e a mulher não se sentem interpelados a rea¬lizar um modelo de vida senão na medida em que procuram Deus e se reflectem n'Ele. Não foi certa¬mente sem razão que o Senhor Jesus nos disse que procurássemos "antes" o reino de Deus, pois tudo o resto é dado por acréscimo. Falar de casal hoje signi¬fica falar de um tema que atravessou um período marcado por enormes mudanças económicas, sociais e políticas e que, apesar da declaração de dissolução e de morte dos anos 60, manteve uma estrutura própria estável e partilhada pela maioria. Todavia, devemos olhar de frente o dom de Deus e a complexidade da família hoje e procurar respostas.

- Evangelizar a família

Talvez tenha chegado o momento de submeter a um sério e crítico exame a forma como hoje, em muitos sectores da Igreja, se enfrentam as problemáticas da família. Muitas vezes, predomina o aspecto moralista: fala-se muito de problemas morais e menos de Deus, esquecendo que o comportamento moral não é senão uma consequência do encontro com Deus.

Problemáticas angustiantes e asfixiantes de carácter moralista e devocional não foram muitas vezes capazes de nos fazer abrir o coração à grande e diversificada missão da família no mundo de hoje. Uma família não deve ser julgada, tomada de assalto com mil receitas, mas sim evangelizada com o próprio amor de Cristo. Uma evangelização que mergulha as suas raízes num itinerário de conversão e de enraizamento no sacramento da Aliança. A adesão a Jesus Cristo implica uma opção de fé, mas, ao mesmo tempo, exige conformar a própria vida ao seu Evangelho. O acolhimento da Palavra não pode traduzir-se senão em opções concretas de vida.

A FAMÍLIA: ESCOLA DE AMOR

Editorial para a Carta - Março 2012
P. Angelo Epis CE ERI

Excerto da sua intervenção no Colégio de Bogotá 2011

http://www.equipes-notre-dame.com/pt/noticias/correio-da-eri

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