quinta-feira, 31 de março de 2011

Em 2020, economia vai consumir o equivalente a dois planetas Terra, alerta estudo

BOM DIA MEUS IRMÃOS! NUNCA UMA CAMPANHA DA FARTERNIDADE FOI TÃO MARCANTE COMO ESSA! VAMOS ´JÁ MUDAR NOSSOS HÁBITOS!!!
alexandre


Em 2020, economia vai consumir o equivalente a dois planetas Terra, alerta estudo 28 Março 2011


A economia mundial em 2020 consumirá recursos equivalentes aos de dois planetas Terra, segundo alerta o relatório Technology Outlook 2020 (Perspectiva Tecnológica para 2020), desenvolvido pela empresa DNV, especializada em gestão de riscos.



De acordo com a pesquisa, a escassez dos minerais mais raros vai abalar a economia mundial, mas, por outro lado, tal fator acabará estimulando o desenvolvimento de tecnologias renováveis e do setor reciclável.



De acordo com o relatório, áreas de grande extensão como a China, Índia, Austrália e o Oriente Médio sofrerão com fortes secas, a fome se expandirá e os níveis dos oceanos continuarão a subir.



Contudo, apesar da projeção catastrófica, o documento também afirma que as indústrias de baixo carbono vão prosperar na próxima década. A União Europeia e a China, por exemplo, usarão fontes renováveis para gerar um quinto da energia que consomem, e cerca de 8% de toda a energia produzida no mundo virá de fontes eólicas.



Um dos problemas estimados pelo estudo diz respeito a transição rumo a tecnologias de baixo carbono, que não seria rápida o suficiente para atingir os grandes cortes nas emissões dos gases-estufa considerados necessários pelos cientistas.



“Nós talvez precisemos que aconteçam alguns eventos perturbadores para garantir que aconteçam as ações necessárias para combater as mudanças climáticas”, alertou Elisabeth Harstad, diretora administrativa da divisão de Pesquisa e Inovação da DNV.



Carbono x Renováveis - O objetivo da pesquisa da DNV é indicar as tendências tecnológicas para os próximos dez anos. Segundo o relatório, apesar do crescimento das energias renováveis e novas tecnologias de baixo carbono, fatores como o crescimento da população, a demanda energética e o padrão de vida consumista da população mundial podem fazer a emissão de CO2 subir 20% em relação aos níveis atuais.



Na avaliação dos pesquisadores que desenvolveram o estudo, a indústria fóssil vai continuar a ter um papel central na produção de energia (39% do total serão provenientes do carvão). Além disso, é possível que haja uma rápida expansão na perfuração de novos poços de petróleo e gás, sobretudo em águas profundas.



O pesquisador sênior para Energias Renováveis da DNV, Thomas Mestl atenua as preocupações com uma boa notícia: em 2020, o desenvolvimento de eficiência energética e de tecnologias renováveis será rápido, e enormes turbinas eólicas offshore (instaladas nos mares) e sistemas solares fotovoltaicos, que terão entre 10 MW e 15 MW, serão implantados.



Fonte: EcoD com informações do Business Green

segunda-feira, 28 de março de 2011

A CASA DE NAZARÉ - VOLPINI - ROMA 2003

A casa de Nazaré (Lc 1,26-38; Mt 1,18-25)

Deixamos para o fim a casa de Nazaré, talvez por ser essa aquela em que iremos entrar com mais ansiedade. José vivia em Nazaré, Maria vivia em Nazaré: eram noivos, viviam na esperança de realizar o seu amor. Um acontecimento extraordinário, contudo, muda a sua vida: o anúncio do anjo transtorna todos os seus planos. É a condição quotidiana e comum a todos os homens de todos os tempos aprender com dificuldade a ter a humildade de se deixar guiar por Deus, continuando a manter vivo e aberto o seu projeto como pessoa, casal e família. Não se trata de ter uma atitude de fechamento diante dos projetos, porque então recusaríamos a vida; não é preciso assumir uma atitude de renúncia e passividade que impediria Deus de se tornar uma realidade presente em cada instante da história. É necessário avançar levando no coração esta confiança: os meus projetos, os nossos projetos, têm o seu lugar no pensamento e no coração de Deus, o infinito que contém e ultrapassa os limites da nossa compreensão, sentido, racionalidade e potência.

A equipe nos ensina o sentido da oração enquanto verdadeiro abandono nos braços do Pai: a Ele confiamos as nossas esperanças, a Ele entregamos as nossas dores e inquietudes, com ele conseguimos olhar para futuro, mesmo que a cansaço de cada dia nos faça baixar o olhar e nos torne incapazes de elevá-los a horizontes mais largos e luminosos. A oração à qual a equipe nos chama com força é o esforço para fazer da Palavra de Deus a nossa constante referência: tomamos assim consciência de que o leme que nos pode guiar e oferecer segurança é a Palavra de Deus na nossa vida, como pessoa, casal, irmão entre os irmãos. José fica incrédulo e duvida; ele estava pronto a viver serenamente a sua aventura conjugal com Maria, fazia projetos e de uma hora para outra tudo mudou e os pensamentos mais disparatados atravessam-lhe o espírito e o coração.
Contudo, ele é convidado a “não temer” e foi nessa confiança que ele retomou o caminho, se bem que desta vez de forma diferente daquela que tinha imaginado e projetado. Maria sonha com o seu tão próximo papel de esposa, ela está apaixonada e convencida do amor de José; dar-lhe-á filhos, que serão testemunhos do seu amor. Um anúncio inacreditável transtorna os seus sonhos: ela terá um filho por graça do Espírito Santo e este será o Filho de Deus. A partir desse dia a vida de ambos passa a estar envolvida no maior mistério: o mistério de Deus a arrebata. Para José e Maria a única possibilidade de não se desorientarem e ficarem profundamente perturbados é encontrar luz, conforto, segurança e confiança na Palavra do Senhor, simplesmente orando a Deus para que Ele guie os seus passos, que os ampare na sua caminhada e trace para eles um novo percurso de vida. Orar não é somente repetir as mesmas fórmulas, antigas ou novas, não é somente “fazer algo” em nome de Deus, orar é dizer: “Senhor, estou aqui, estamos aqui, procuramos-Te, queremos-Te como companheiro e guia para a nossa viagem, irmão e amigo na partilha de cada dia, mestre diante das perturbações e limites da nossa compreensão”

“Ao longo dos anos a oração acompanhou-nos de forma diferente, orar é como o tempo que passa, a vida que se desenrola, é ter a certeza de que Deus está ao nosso lado, mesmo que isso não tenhamos perfeita consciência. Os diferentes períodos que vivemos, as muitas fases de entusiasmo, de raiva, de amor, de planos, de dor e de tomada de consciência, de espera e de esperança, de decepção e de entusiasmo, de fracassos e sucessos, de cansaço e transbordamento de energia...todos essas fases estão presentes na nossa oração quotidiana e tornaram-se como a sua respiração - uma oração por vezes silenciosa, até mesmo árida, ou então bem alegre na ação de graças, por vezes balbuciante e incapaz de traduzir em palavras a abundância dos sentimentos.
A oração, um olhar voltado para Deus, enquanto olhamos o futuro sempre com maior incerteza, talvez seja a verdadeira maturidade: tomar consciência de que nenhum ou quase nenhum dos nossos projetos ou programas está destinado a se realizar, saber que pequenos acontecimentos mudam de maneira determinante o curso da vida, saber que só muito dificilmente se consegue dominar os sentimentos, ter consciência da nossa pequenez na imensidade do universo. Apesar de tudo é preciso continuar a tecer a trama da vida conjugal, familiar e social, assentando por vezes uma pedra, mas na maioria das vezes colhendo a cada dia uma graminha, porque é somente ao juntar novas graminhas que impediremos o vento de tudo derrubar.

 Uma oração vivida em casa mais do que na Igreja, porque é em casa que conversamos, que orientamos o nosso caminhar à luz da Palavra que se torna verbo encarnado no quotidiano, é em casa que a história se faz através das diferentes formas possíveis de comunicação e traz interrogações que implicam julgamentos e tomadas de posição; em casa entram também os outros, presença de Deus entre nós, todos eles portadores de um pouco de Cristo. Poderíamos imaginar oração mais viva que a feita em casa, lugar onde a vida se constrói a cada dia?”

Visitamos com Cristo diversas casas, procurando nelas respostas às nossas interrogações, querendo encontrar em cada uma delas um aspecto da reunião de equipe, para que esta não veja vivida como algo fora de nossa vida quotidiana, priorizando sempre o nosso empenho e o da equipe na construção de uma realidade conjugal que responda às exigências de uma escolha sacramental desejada, querida e constantemente renovada.

As casas que visitamos, a casa onde vivemos, a reunião de equipe que lá se realiza, o método proposto como instrumento de maturação, nenhum desses elementos é um fim em si, mas cada um contribui para realizar a vocação à qual somos chamados: viver a nossa fé dentro da realidade do mundo de hoje e dos acontecimentos quotidianos, convictos da ajuda do Pai, maravilhados com os dons d’Ele recebidos e desejosos de nunca ceder à fadiga do dia a dia, mas de rejuvenescer cada vez mais o nosso amor, no qual acreditamos ao ponto de nele empenhar a vida de um e do outro, alimentando-o com o amor e a Palavra do Pai.

“Maravilhamo-nos, hoje como ontem, da harmonia entre nós. Olhávamo-nos então e admirávamo-nos que fosse possível que sendo tão diferentes sentíssemos tal atração um pelo outro. Hoje a harmonia está nos nossos olhares que se cruzam. É aí que está presente e viva toda a nossa história: na firme vontade de nos amarmos, nas batalhas sociais pela conquista dos nossos ideais, na dor aguda provocada por tudo aquilo a que tivemos de renunciar, na incredulidade diante dos numerosos e inesperados dons recebidos, na alegria de ter realizado o sonho de uma casa aberta à amizade, no empenho comum por uma maior solidariedade, nas nossas discussões em defesa dos nossos “eu” e o esforço continuo na procura do “nós”, nos nossos mutismos cheios de ressentimento e nos nossos impulsos de amor, na tomada de consciência do que ambos construímos juntos e no desejo sempre vivo de continuar a caminhar juntos pela estrada da vida”.

Conclusão:



Queridos irmãos e irmãs equipistas, se estamos entre vocês e com vocês há mais de trinta anos, não podemos esquecer que tudo isso está radicalmente ligado ao Padre Caffarel, a quem dirigimos hoje o nosso pensamento profundamente agradecido; e é com as suas palavras que queremos concluir o nosso testemunho. Elas foram pronunciadas na conferência que fez em São Paulo, no Brasil, aos casais responsáveis de equipe, palavras essas que guardam hoje toda a sua atualidade: “Notem bem o que diz Nosso Senhor. Ele não diz: ‘Quando estiverem dois ou três reunidos, estarei no meio de vós”, mas sim: ‘Quando estiverem dois ou três reunidos em meu nome’. Aí está o mais importante: convocados por Ele, respondemos ao seu chamado. Somos pois chamados pelo próprio Deus para uma Nova Aliança e é a Ele que devemos responder. Casal e Evangelho: não é o fruto do acaso.”

sexta-feira, 25 de março de 2011

A casa dos discípulos em Jerusalém - Volpini - ROMA 2003

A casa dos discípulos em Jerusalém (Lc 24,36-44)


Jesus morreu, mas alguém diz que o viu, os apóstolos estão transtornados, assustados com o que aconteceu, de ficarem sem o seu Mestre; estão a falar “dessas coisas atrás de portas cerradas” e, de repente, Jesus lhes aparece. Ele lhes traz a paz e senta-se com eles uma vez mais, para comer e falar com eles, tranqüilizá-los: “Foram estas as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco”.

Os apóstolos são como muitos de nós, receiam não compreender bem o que está acontecendo, sentem-se desorientados perante coisas incompreensíveis, desejam interpretar os sinais dos tempos, querem falar, discutir, trocar opiniões. Há a tomada de consciência e o sentido da história vivido na primeira pessoa e a tentação de só viver o nosso pedaço de vida, sem interesse por mais nada, sem olhar além da porta da nossa casa.

A multiplicidade dos acontecimentos, os seus aspectos contraditórios, os acasos da história, muitas vezes incompreensíveis, a pobreza e a opulência, a justiça e a solidariedade, a guerra e a paz... a nossa vida balança entre o apelo das bem-aventuranças e o desejo de segurança para nós e os nossos filhos, entre a consciência de que partilhar é necessário (mas até onde?) e o direito a uma vida protegida (de que maneira?), entre a escolha de uma fé autêntica e a chamada a uma vida “igual à dos outros”, entre a escuta dos nossos sentimentos mais íntimos e as solicitações ensurdecedoras da mídia. Fome de palavras para compreender, sede de silêncio para refletir. Palavra e silêncio, troca de idéias e reflexão são necessários para conseguir efetuar escolhas responsáveis e tornar adulta a nossa fé.

A equipe vem ao encontro da nossa espera, mais profunda hoje num mundo menos transparente, pondo à nossa disposição o tempo do tema de estudos.. Não se trata somente de abordar um assunto, quer seja social, político ou religioso de um ponto de vista estritamente cultural, mas de tentar que a vida e a história penetrem a nossa vida e a nossa história. Já não estamos naquela época (e teria ela alguma vez existido?) em que a vida cristã se reduzia ao espaço familiar e à nossa casa: tomamos consciência de que é somente no âmbito da relação com os outros que encontramos o sentido da nossa existência e a possíbilidade de nossa salvação; temos, pois, obrigação de viver este momento consagrado ao tema de estudos com uma atenção e cuidado especiais. São os outros que nos conduzem a Deus, são eles que nos permitem descobrir aspectos da face de Deus; somos então chamados não só a ir ao encontro físico dos outros e a oferecer-lhes algo de nós, mas também a empenhar-nos por compreender, ler e estudar realidades diferentes, trocar opiniões sobre temas que nos falam do mundo que nos cerca, para aprofundar a Palavra de Deus, viva em qualquer tempo, para interpretar à sua luz os acontecimentos contemporâneos.

 É este o espaço do tema de estudos: os apóstolos falavam do que tinha acontecido e o mesmo convite nos é feito: falar, partilhar e procurar juntos o sentido de tudo o que acontece. Ao longo dos primeiros anos, a nossa atenção estava principalmente concentrada no nosso “eu”, ligada talvez ao sentimento de insegurança e de imaturidade que nos levava a defender e a proteger exageradamente esse “eu”. Abaixar a guarda parecia-nos uma perda de identidade; depois, pouco a pouco, as nossas personalidades se confirmaram e tornaram-se livres, podíamos, pois, perder algo, sem por isso nos perdermos a nós mesmos, e aprendemos a “soltar as amarras” dos nossos egoísmos, das nossas exigências ainda que legítimas, das nossas pequenas e grandes ambições; conseguimos assim fazer amadurecer o nosso “eu” e o nosso “nós”.

Seguindo esse caminho tivemos a impressão de compreender que nada realizaríamos no plano social sem partilhar realmente os problemas e as situações de vida dos outros, não só para melhor os compreender mas também para vivê-los todos juntos. No começo, em equipe, falávamos sobretudo de nós, ou talvez não, também de acontecimentos exteriores, mas sem nos sentirmos implicados neles, sem termos tomado consciência de que aquilo que considerávamos “exterior” devia fazer parte da nossa experiência de vida, estar “no interior”. Assim, o tema de estudos foi progressivamente adquirindo outro significado, à medida que nós mesmos nos íamos modificando e o que era espaço de troca intelectual tornou-se um exercício de escuta e de aprofundamento para realmente compreender, para não dar respostas prontas, para relacionar os nossos sentimentos com os acontecimentos, acontecimentos esses mais ou menos longe de nós e que só aparentemente parecem não nos dizer respeito. O tema de estudos tornou-se um caminho de interioridade e de amadurecimento tanto do ponto de vista social como do ponto de vista da fé.”

quarta-feira, 23 de março de 2011

Selo Stylish Blogger Award




Recebi este selo indicada por Luciane bernardes

Achei muito legal essa proposta, assim sabemos que o que escrevemos tem alguma relevância para a vida das pessoas.

Obrigado Luciane. Seu testemunho de vida é muito importante e deve ser manifestado.
Agora que recebi o selo devo repassá-lo conforme as regras e retribuir aos blogs que eu acho interessantes.

Sobre especificamente este selo conforme as regras:

-Ao receber o selo deve-se repassar para 15 outros blogs

-Indicar sua postagem para esclarecimentos (como eu fiz agora)

-Comunicar os 15 escolhidos com um comentário em seus blogs

-E incluir no seu post 7 coisas sobre você.



Sete coisas sobre mim:

1. Sou católico e membro das equipes de nossa senhora.
2. Recentemente fui graduado em Agronomia.
3. Sou casado e tenho dois filhos.
4. Gosto muito de ler.
5. A natureza deve ser preservada para as gerações futuras.
6. Sonhe sempre, mas com os pés no chão.
7. Não tenha medo dos desafios, sempre haverão dificuldades, mas Deus nos ampara.
Os blogs que eu aprecio:

http://lupensandoumpouconavida.blogspot.com/

http://manoeljesus.blogspot.com/

http://paulosapostolo.blogspot.com/
 
http://www.eradomilagre.com/
 
http://alexaguerra.blogspot.com/
 
http://seguirjesus.blogspot.com/
 
http://garotadamissionaria.blogspot.com/
 
http://www.ecologiamedica.net/

A casa de Zaqueu em Jericó - Volpini - ROMA 2003

A casa de Jericó (Lc 19,1-10)


Zaqueu vivia em Jericó, era um homem rico, chefe dos cobradores de impostos, e exercia a sua profissão numa cidade onde reinava a opulência, o sentido dos negócios, mas também a indiferença e o individualismo. Zaqueu não se sentia totalmente satisfeito, sentia que alguma coisa estava errada, e pôs-se à procura... Jericó é um pouco como o nosso país : a riqueza e a pobreza coabitam, a solidariedade existe, mas não prevalece sobre o individualismo. Há em Jericó, como em nossas cidades, movimento, vitalidade, frenesi, multidão, confusão...Nós também, como Zaqueu, sentimos que tudo isso não nos satisfaz, andamos à procura de alguma coisa diferente, como Zaqueu queremos também que Jesus nos fale, mas como Zaqueu mantemo-nos à distância, estamos com ele trepado no sicômoro... Em meio à confusão da multidão ouve-se a palavra de Jesus que soa inacreditável aos ouvidos de Zaqueu: “ Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa” e Zaqueu cheio de alegria espera este encontro.

“Hoje, tenho de ficar em tua casa” é o convite que Jesus dirige a cada um de nós, para que paremos com Ele para fazermos um balanço da nossa vida, para ver, com Ele, para onde vamos, o que somos e queremos ser, como progredir nas nossas escolhas de fé e de que forma testemunhar o aspecto sacramental do nosso matrimônio.

O nosso envolvimento no momento da partilha é precisamente este espaço de por em comum e verificação das nossas escolhas quotidianas diante da escolha fundamental de fé que fizemos. A partilha é o apelo de Cristo “Hoje tenho de ficar em tua casa, para que tu, para que vocês façam comigo o balanço da sua vida espiritual, para que, iluminados pela minha Palavra, possam orientar as suas opções de vida, recordar o seu percurso conjugal e olhar para o futuro.

Neste sentido, a partilha e a regra de vida estão fortemente ligados, porque a regra de vida não mais deve representar um compromisso específico e limitado, mas sim tornar-se o compromisso com um estilo de vida conforme a nossa maneira de pensar e de agir, e isso só pode resultar de um balanço e de um ajuste sinceros do nosso dia a dia.

Quando Jesus lhe disse “tenho de ficar em tua casa”, Zaqueu encheu-se de alegria; sabia que ao acolher Jesus, encontraria o sentido da vida que procurava. A toda a hora, Jesus nos diz “tenho de ficar em tua casa”; com as numerosas oportunidades que Ele nos oferece, somos capazes de O acolher com alegria, como faz Zaqueu, para dar um significado à nossa vida?

“Quantas vezes, no desenrolar frenético dos dias, deixamos de lado uma procura mais profunda sobre o sentido da vida! O momento da partilha torna-se um pouco, para mim e para ti, a imagem da nossa casa, a de um espaço interior. E mesmo ainda hoje, parece-nos que somente em casa e os dois a sós, nos sentimos capazes de retomar o fio do nosso percurso de vida, de nos interrogar sobre o sentido de tudo o que acontece e nos acontece. Lá fora, trata-se de receber ou de dar, enquanto dentro de casa, trata-se de recompor, para dela nos apropriarmos, a nossa vida e a nossa história. Quando estamos fora, temos de certa maneira as idéias mais claras, sabemos para onde dirigir os nossos passos, o que se espera de nós e acreditamos naquilo que dizemos e fazemos.

A nossa vida “pública” não parece mudar muito; pelo contrário, as experiências que vivemos constantemente alargam os nossos horizontes, fazem-nos amadurecer e tranqüilizam-nos no plano social. Sabemos, contudo, que temos de viver na ótica de uma renovação constante, chamados a um salto qualitativo tanto em relação à fé, como à vida, sabendo também que no plano afetivo estamos mais fracos e mais frágeis do que pensávamos. É por isso que temos a sensação de sentir a casa como um espaço interior e a partilha sobre os pontos concretos de esforço como um lugar privilegiado desse espaço de profundidade, porque aí reencontramos a nossa autenticidade, colocamos o nosso coração a nu diante um do outro e os dois, sozinhos, podemos continuar a tecer a trama de nossa vida.”

terça-feira, 22 de março de 2011

A CASA DE SIMÃO - VOLPINI - ROMA 2003

A casa de Simão (Lc 7,36-50)


Simão era um fariseu, fazia parte da “elite” da época, e o seu convite a Jesus podia ser visto como um ato de prestigio, dado que tanto se falava d’Ele. O convite de Simão tem um aspecto meio formal e nasce do desejo de obter alguma coisa; é a cultura do ter, ainda que não seja num sentido puramente econômico. Nesta casa, porém, acontece algo de inesperado e imprevisto: uma prostituta chega, desafia as convenções sociais, entra na casa de Simão e, sentando-se aos pés de Jesus, lava-lhe os pés com as suas lágrimas e enxuga-os com os seus cabelos. Os presentes ficam perturbados: como é possível que um profeta, que se afirma Filho de Deus, se deixe tocar por uma prostituta? Jesus não perde a calma, conta a parábola dos dois devedores e por fim concede à mulher o perdão de todos os seus pecados “A tua fé te salvou, vai em paz”.

Nessa mesma casa Jesus nos ensina duas coisas importantes: o valor do ser em vez do ter e o valor infinito do perdão. Também a nossa casa pode cair na tentação da cultura do ter, tornar-se um lugar de respeitabilidade e formalismo, pode deixar pouco espaço para o perdão gratuito entre nós, como pessoas, como casal, como pais... Em equipe podemos viver o sentido da correção fraterna e do perdão se aprendemos a falar de maneira livre e serena. Podemos também ajudar um ao outro a compreender que certas escolhas que fazemos, por vezes guiados pela mentalidade corrente, não são aquelas a que Jesus nos convida, mas podem ser o resultado de tentações do momento: o desejo de possuir, e aparecer, a cultura do prazer e do útil que leva ao consumismo, a vontade de concentrar-se nos próprios problemas sem se envolver na vida dos outros.

Correção fraterna não significa fazer uma lista de acusações recíprocas, mas sim dar-se as mãos uns aos outros e compreender se e onde nos enganamos, se e quando enveredamos por um caminho que não nos conduz a Cristo, e sobretudo aprender a perdoar e a perdoar-nos. A verdadeira escola do perdão, contudo, vive-se na relação conjugal, e somente depois pode estender-se aos filhos e aos outros.

“Hoje, como no princípio da nossa caminhada em comum, nunca tivemos medo de nos ferir, desde que estivesse preservada a autenticidade da nossa relação. Parece-nos, entretanto, que a nossa forma de perdoar mudou: não passava, antigamente, de um ato intelectual, difícil, mas voluntário. Compreendemos, aos poucos, que se pode ser autêntico, que se pode salvaguardar a clareza e a transparência, que pode haver um verdadeiro perdão recíproco simplesmente ao acolher nossos “eu” e aceitar os limites do outro com consciência dos próprios limites.

Receio por vezes mostrar-me fraco, limitado, perder a minha imagem de forte referência para os outros... somente contigo senti que me posso apresentar tal como sou e pedir para ser amado tal como sou. Acalmaste os meus receios com a tua ternura capaz de me acolher com os meus limites e insucessos.

É esse, talvez, o lugar que Deus ocupa nos nossos conflitos: Deus fez-se pessoa na pessoa de cada um de nós, é Ele que nos conclama em meio aos conflitos, às súplicas e no cansaço ligado à mudança, a não parar, a procurar sempre um encontro mais profundo, a tentar, sem esmorecer, novos caminhos. É o Deus que na nossa vida de casal nos estende por vezes a mão para realizar a plenitude de um encontro e se afasta depois para nos convidar a nos procurarmos um ao outro e a procurá-Lo com novo ímpeto, vivendo cada vez com mais intensidade o acolhimento, o perdão, a gratuidade da completa felicidade.”

quarta-feira, 16 de março de 2011

A casa de Betânia - casal Volpini - Roma 2003

A casa de Betânia (Lc 10,38-42)

Betânia é uma pequena aldeia situada entre Jerusalém e Jericó; quando Jesus aí chega espera um grupo de amigos: Maria, Marta e Lázaro. É uma família ativa e cheia de vida, cada um com a sua maneira de ser. Marta era uma pessoa dinâmica, muito ocupada, e é ela que vai ao encontro de Jesus para recebê-lo na sua casa e, em casa, é ela que mais trabalha, desejosa de mostrar a Jesus como é grande a alegria de tê-lo entre eles. Fica perto dele, prepara-lhe a refeição, oferece-lhe o que há de melhor e certamente, entre uma tarefa e outra, escuta Jesus e fala com ele…


Maria permanece simplesmente aos pés de Jesus para escutá-lo, para saborear a sua presença, para contemplá-lo. Lázaro, quanto a ele, fica de lado e deixa o espaço livre às suas irmãs, que parecem representar duas maneiras opostas de ir ao encontro do outro, apesar de estarem ambas animadas do mesmo desejo de entrar em contacto com Jesus. É esta a metáfora da nossa maneira de nos procurarmos e de entrar em contacto um com o outro.

A escuta está no centro da nossa vida conjugal e é inútil falar de realidade conjugal se não aprendermos a viver em profundidade a verdadeira comunicação no sentido “de estar em união com”. Podemos ter, por vezes, a ilusão de viver uma relação profunda, porque falamos muito, mas muitas são as palavras que ficam à superfície, ao nível da informação, que não têm eco no mais fundo do coração. São palavras que somente podem preencher o vazio ou encobrir a dificuldade de nos encontramos sós, nus e sem máscara, tu e eu vestidos somente com a autenticidade do nosso amor.

O dever de sentar-se nos leva a esta profundidade de alma, onde somente uma troca que se alimenta sobretudo da escuta encontra o seu lugar. Quantas vezes o dever de sentar-se se reduz a um rio de palavras para informar o cônjuge disto ou daquilo – a azáfama de Marta - ainda que queiramos partilhar com o outro a nossa vida. Pior ainda, por vezes o dever de sentar-se torna-se oportunidade para reivindicar direitos não respeitados, injustiças sofridas, oportunidade para fazer um rol de tudo o que não funciona, como se fosse um espaço de desforra em relação ao cônjuge…Também Marta vive esse sentimento : “Senhor, não te incomoda que a minha irmã me deixe sozinha a fazer tudo? Diz-lhe que me ajude.”

O dever de sentar-se é, pelo contrário, o dom de um tempo para escutar as nossas necessidades mais íntimas, e também para exprimir a força de um amor que cresce apesar das dificuldades e da rotina, que de certa forma tornam tudo mais opaco. Fazer como Maria, pôr-se à escuta do outro, com simplicidade, porém com intensidade, e fazer crescer em nós um clima de ternura e cumplicidade conjugal que torna as nossas palavras mais verdadeiras, livres, acolhedoras, e vivificantes. A contemplação de Maria não é passividade, mas uma atitude de disponibilidade total: aqui estou só para te ouvir, para acolher as tuas fraquezas e dar-te também a conhecer os meus próprios limites, as minhas angústias, os meus medos e dificuldades. O nosso dever de sentar-se tornar-se-á assim uma descoberta um do outro, dentro dum clima de confiança, as palavras serão instrumentos para aprender a nos comunicarmos entre nós, para progredirmos em nossa afetividade, libertandonos de qualquer pretensão e permitindo-nos pertencer um ao outro no amor.


“Ao longo dos anos de vida em comum, a palavra tem tido um lugar predominante, horas e horas passadas a conversar, a trocar idéias, a refletir sobre o que nos acontece e sobre o que se passa à nossa volta, a exprimir sentimentos que acompanham uma época extraordinária...
 extraordinária do ponto de vista social, com tantas mudanças em andamento, extraordinária para a nossa experiência a mais íntima, porque dávamo-nos conta que ainda que muitas coisas não estivessem bem na nossa relação, essa relação crescia, e era precisamente a palavra, o diálogo que davam maior força àquilo que nascera como atração e sentimento.


Nos primeiros anos de casados, o estilo fora o mesmo: falar de tudo e sempre; sentíamos que seriamos culpados ao esconder qualquer coisa, ao calar para manter a paz e assim continuamos a dialogar sobre tudo
 o que nos atravessava o espírito e o coração, com clareza e por vezes com dureza Muitas vezes brigávamos, porque a franqueza levava facilmente a uma acusação recíproca devido a gestos feitos ou não feitos, palavras infelizes; continuamos, entretanto, obstinadamente, a tecer o fio do nosso diálogo de casal.
Ainda a propósito desses primeiros anos, lembramo-nos de que, muitas vezes, era a noite que nos oferecia o espaço para as palavras, palavras para explicar de novo uma atitude, analisar uma situação, aprofundar um assunto e também, redescobrir a doçura de um terno murmúrio, de um amor sempre oferecido e que se renova sem cessar. Depois apareceu a equipe, que não nos ensinou a falar, mas nos reconfortou e confirmou, primeiro com palavras e depois com gestos e pensamentos, que estávamos no caminho certo para não nos encontrarmos um dia longe um do outro... Uma frase de Santo Agostinho: “Não procuro a calma, mas a paz” foi a chave para compreender a nossa maneira confusa de falar: não procurávamos, no nosso casal, a tranqüilidade na vida quotidiana, mas a paz profunda, num espírito de harmonia que pudesse crescer cada vez mais.


Contudo, durante todos esses anos, houve também momentos menos edificantes, momentos de silêncio, um silêncio de fechamento e não de comunicação, que por vezes triunfou, ainda que por pouco tempo, quando pensávamos que falar seria inútil ou poderia nos ferir; a estratégia mais simples era então fechar-se em monólogos solitários... Os resultados de tal estratégia eram magros e geraram somente maior solidão.
 Então, pouco a pouco, aprendemos também a ferir-nos em palavras, mantendo-nos, porém, sempre juntos um do outro nessa circunstância imprevista e muito dolorosa.
Durante algum tempo enfrentamos os problemas com paixão, tudo parecia estar sob o império do impulso natural e de uma falsa concepção de sinceridade absoluta; hoje, porém, temos consciência de que se pode ser sincero sem ser agressivo, que se pode pedir sem reivindicar, que se pode escutar antes de falar. Agora é tudo mais fácil, mas talvez seja porque o de que hoje somos capazes resulta da implicação total de ontem, do fato de sempre termos colocado em primeiro plano o nosso casal e o nosso amor, mesmo nos momentosde maior compromisso no campo político e social.


Hoje é muito mais fácil para nós entrar no coração e no espírito um do outro: o dever de sentar-se tornou-se um modo de comunicação. Todas as barreiras erguidas por nosso orgulho, nossas pretensões, nosso desejo de afirmação, caem por terra quando sabemos que o nosso diálogo tem uma testemunha excepcional - Deus Pai, Cristo, amigo e irmão. As mesmas coisas que, em outras circunstâncias, seriam ocasião de reivindicação pessoal ou de acusação, revestem-se agora de mais equilíbrio e paz. Os problemas não desaparecem, estão
sempre presentes, os momentos de fadiga continuam e talvez mesmo a decepção por um gesto que nunca chegou, pelas preocupações que não se resolvem como por encanto, pelo filho que não estuda na escola... uma conta imprevista...uma mãe já idosa e exigente de que temos de cuidar... um amigo insistente que espera uma resposta.. e também por vezes o sentido da inutilidade de tudo o que fazemos, o sentimento da precariedade da vida que parece nos escapar, um nó na garganta tantas vezes sentido, porque faço, faço e no fim sinto-me sempre em falta em relação a alguma coisa ou a alguém... Tudo isso vem à tona quando te olho e falo, mas é estranho, porque não se trata de passar para ti todos os problemas, de me afastar de ti, mas de recolher energias da tua presença ao meu lado, é querer retomar o caminho contigo, é olhar-te com o mesmo olhar dos nossos vinte anos, quando não tínhamos medo de nada porque estávamos juntos. Dizer “estou aqui para ti” ou “para mim, faz sentido estar aqui, porque também estás aqui”, eis o que nos dá energia e desejo de continuar a enfrentar juntos o mundo.

O olhar silencioso de Deus sobre nós e sobre as nossas palavras consegue isso, lembra-nos de que a idade não importa: amo-te como se ainda tivesse vinte anos, com todo o entusiasmo, a confiança e a paixão de outrora.”

segunda-feira, 14 de março de 2011

O CASAL E O EVANGELHO DE CASA EM CASA

Carlo e Carla VOLPINI - Roma 2003


Introdução:


O tema deste dia diz respeito ao método, mas não nos é fácil falar do método de maneira abstrata, de expor uma série de compromissos de vida como se fossem regras ou normas, sem lhes atribuir uma nota familiar ou a fisionomia de nossa vida diária. O método não é algo de teórico a ser aprendido, mas sim um estilo de vida, pois, se permanece somente em nossas cabeças sem se transformar em gestos, palavras ou ações, embora continue válido, não faz parte de nós em profundidade.

Nossa conferência tratará pois do método como tema de fundo mas, para atingir esse objetivo, percorreremos alguns episódios de nossa vida pessoal e, apoiando-nos em narrações do Evangelho, faremos todos juntos um percurso talvez um pouco original, mas que nos pareceu belo e principalmente em harmonia com o nosso desejo de apresentar o método na simplicidade de quotidiano, pensamos que o local privilegiado onde se desenrola a nossa vida como pessoa e como casal é a nossa casa; é pois da casa que partiremos para essa curta viagem, transmitindo-lhes, em primeiro lugar, o que nós dois sentimos diante dessa palavra:

A casa, lugar de maturação, espaço interior, tempo que passa, vontade de permanecer em casa e de se fugir dela, vendaval de emoções…Que casa nos faz experimentar todos esses apelos interiores? Sem dúvida, aquela onde vivemos juntos como casal; ao dizer isto, damo-nos conta de ter morado em quatro casas diferentes desde o dia do nosso casamento, sem contudo pensarmos que uma seja mais significativa que outra. Talvez seja porque temos consciência de que a casa somos nós mesmos e a nossa própria história aí se desenrolou, ora entre essas paredes, ora entre outras.

É certo que a casa representa um lugar de crescimento, não tanto ou somente para todos aqueles que passaram por ela, trazendo consigo tanta riqueza, mas porque a casa, como o carro nos tempos de namoro e agora de viagens, foi o lugar onde mais conversamos, onde mais partilhamos entre nós e com os outros, onde pudemos repensar pela palavra e pela reflexão o que estávamos a ver, a ouvir, a viver “lá fora”. Sempre foi para nós uma alegria abrirmos aos outros a nossa casa, e sempre o fizemos, deliberadamente, e por prazer. A coisa mais bonita que ouvimos de várias pessoas em situações diversas foi: “em sua casa, sinto-me em casa”; e isso nos pareceu bonito porque significa não somente criar uma situação agradável ou fazer que as pessoas se sintam à vontade, mas criar um verdadeiro clima de partilha, que permite a cada um de nós ser profundamente verdadeiro - a necessidade mais premente no homem. Por outro lado, também não tivemos medo de ficar por vezes sozinhos em casa, apreciando a presença recíproca, para dialogar, comentar, traçar hipóteses e projetos diante de um simples café. Esse café, bebido juntos ao acordar, quando a casa está ainda adormecida, tudo está quieto e as palavras são apenas murmuradas para não acordar as crianças, tem um sabor especial: chamamos este momento de “teologia do café”, porque sentimos que alguns minutos ao iniciar um novo dia conferem à nossa vida conjugal uma intensidade particular e, por assim dizer, sentimos que o Senhor também está presente junto de nós para o café.

Talvez não seja por acaso que, apesar das responsabilidades quotidianas nos afastarem sempre e por muito tempo de casa, o nosso maior desejo quando temos um dia livre, não ir ao cinema ou passear juntos, mas sim permanecer em casa, se possível em silêncio ou falando baixinho, como se a intimidade das paredes, dos móveis e dos objetos familiares pudessem nos restabelecer de nossos cansaços, de nossas dúvidas.

Por vezes temos a tentação de partir, de sair, quando a casa se torna testemunha das nossas tensões e da nossa incapacidade de as ultrapassar, quando sentimos um clima pesado, a pedir um esforço para o qual não nos sentimos preparados, quando não mais sentimos a nossa casa como um lugar acolhedor e protetor, mas pelo contrário, cheio de ameaças e prenhe de futuras tempestades. Trata-se de uma fuga, mas também, de certa forma, do desejo de não trair o lar, introduzindo sentimentos negativos em tudo aquilo que ele nos permitiu viver de belo e de bom.

Com efeito, quando predominam os aspectos negativos, quando os limites de nossos temperamentos e de nossa fé nos impedem de progredir, sentimos a casa estranha, longínqua, como se não nos pertencesse mais e não mais fosse capaz de nos reconfortar. Mas o que, em verdade, se tornou estranho? A casa que permanece à nossa espera, carregada da experiência que lá vivemos, ou a nossa maneira de ser um em relação ao outro e ambos perante os filhos? Somos nós, que abandonamos o terreno e nos sentimos talvez ainda mais desamparados lá fora: é então preciso regressar, pois isso significa desejo de recomeçar.
A casa como espaço de cultura, pois a mobília, os objetos, os livros, os muitos livros que por vezes nos sufocam, submergidos que somos pelo papel, tudo isso é a nossa história e o nosso percurso intelectual, são marcos do caminho percorrido, das orientações tomadas, das experiências vividas, de uma maturação mais ou menos alcançada. Objetos que nos falam de um amigo, de um acontecimento, fotografias que nos recordam pessoas ou situações que reavivam em nós experiências vividas, folhetos e papéis que nos falam das nossas responsabilidades profissionais, do nosso trabalho, para nós mesmos e para os outros. E depois, revistas e jornais, mais papéis, que nos mostram realidades diferentes da nossa e sobre as quais queremos saber sempre mais, que desejamos partilhar, ainda que só em teoria, e ainda outras realidades para as quais, de forma diferente, trabalhamos numerosos numa sinergia de engajamentos para construir o Reino de Deus.

Tudo isto está presente em nossas casas, nos envolve, e sem que disso nos demos conta, sustenta o nosso trabalho de cada dia. E não é pois por acaso que a reunião de equipe é feita nas nossas casas; porque é algo que deve fazer parte da trama de nossa vida, do nosso quotidiano e da nossa história conjugal. Interrogamo-nos a seguir se toda esta riqueza afetiva, este mundo tão cheio de sentido para nós, podia ser partilhado com Cristo e descobrimos que Ele entrou em muitas casas durante a sua experiência humana e, em cada uma delas, deixou um sinal específico e também recebeu algo de particular, porque não se entra nem se sai de uma casa sem transformar-se um pouco.

Assim entraremos com Cristo nas casas que Ele visitou, as casas dos seus amigos, naquelas em que o esperavam ou noutras onde chegou inesperadamente como um hóspede imprevisto e por fim na sua casa de Nazaré, espaço da intimidade de sua família. Em cada uma destas casas encontraremos algo que nos levará a refletir sobre a forma pela qual o nosso “viver em casa” pode tornar-se um estilo de vida. O método a seguir não mais será uma simples tarefa a cumprir, mas poderá tornar-se uma maneira de ser.
 
A casa de Caná (Jo 2,1-8)

Em primeiro lugar, gostaríamos de visitar a casa de Caná, porque aí celebra-se uma festa de casamento da qual queremos participar, pois acreditamos poder partilhar a alegria desse amor, que se parece com o nosso. Os convidados eram muitos e João nos diz que: “a mãe de Jesus estava lá. Jesus também tinha sido convidado, assim como os seus discípulos”. Onde se celebra o amor, a alegria não pode estar ausente e os noivos de Caná nos representam, nós casais, na alegria do nosso amor. O matrimônio, porém, bem o sabemos, não é somente o dia das bodas; para se tornar um sinal sacramental, o matrimônio deve ser celebrado todos os dias, pois é somente deste modo que poderá ser renovado na alegria e ser fonte de alegria para aqueles que nos rodeiam. Quando um homem e uma mulher se amam e, acolhendo-se um ao outro nesse amor, juntos fazem desabrochar a sua humanidade, então transparece o rosto de Deus.

A casa de Caná é o lugar da amizade, lugar onde amar significa partilhar a alegria das coisas belas mas também das preocupações, grandes ou pequenas, que nos reserva o dia a dia. “Eles não têm vinho”. A amizade torna-se atenção ao outro, delicadeza e disponibilidade. Uma atenção, uma delicadeza, um gesto que não é banal, mas significativo, já que o vinho servido será o melhor, com qualidade, um vinho que não se esquece...

A reunião de equipe é o lugar onde todos os meses reencontramos a atmosfera da casa de Caná, o lugar onde os casais celebram o seu casamento num espírito de renovação do seu “sim”. Abrimos as nossas casas para as reuniões e elas se tornam o lugar de amizade onde a alegria e a dor são partilhadas na intensidade da coparticipação e onde se aprende a acolher o outro com toda a atenção, a atenção se torna escuta e a escuta desabrocha em gesto. “Jesus também foi convidado para as bodas, assim como os seus discípulos”. Nós também fomos convidados a fazer parte das Equipes de Nossa Senhora, um convite feito a nós por alguém e feito talvez por nós a outros. Maria estava atenta ao que se passava, Jesus pronto a fazer alguma coisa pelos noivos e os discípulos disponíveis para fazer o que Jesus lhes ordenasse, para tornarem-se servos. A nossa reunião de equipe torna-se a casa de Caná se a coparticipação for escuta atenta, pronta a tornar-se partilha, se for vivida num espírito de verdadeira amizade.

“Contar-lhes como entramos numa equipe é para nós agradável lembrança e, sobretudo, permite-nos ver com clareza que o Senhor escreve direito por linhas tortas…

Quando ingressamos numa equipe éramos muito jovens, com 22 e 24 anos, e dois meses de casamento, os acontecimentos de 1968 vividos intensamente. Estarmos assim reunidos por acaso, numa noite qualquer, numa casa desconhecida, com outros casais tão diferentes de nós, pela idade, posição na vida, interesses, tudo nos parecia uma brincadeira sem muito sentido e não algo de interessante e estimulante... Naquela altura, não pensávamos que todos esses casais, que são os mesmos ainda hoje, iriam ter uma importância tão grande nos nossos trinta e tantos anos de caminhada conjugal e em equipe. Olhávamos essas pessoas desconhecidas e perguntávamos no nosso íntimo o que poderíamos ter em comum com elas, a não ser a vaga idéia de uma experiência de fé a fazer em conjunto.

Hoje, após trinta e um anos passados juntos, estamos ainda aqui, eles e nós, e quando os olhamos um por um sentimos que fizeram sempre parte da nossa vida. O que nasceu durante todos estes anos? Depois de tanto tempo, o que nos leva a permanecer juntos? Partilhamos simplesmente a nossa vida, dia após dia, sem nos apercebermos; caminhamos juntos, partilhamos as nossas escolhas políticas e sociais, exprimimos as nossas angústias, manifestamos as nossas dúvidas, partilhamos as nossas alegrias, repartimos com eles o peso de nossas fadigas, colocamos nas suas mãos a nossa incapacidade de orar e por vezes comungamos com eles o nosso desejo de rogar ao Pai por algo importante.Dizemos muitas vezes, com sinceridade, que o que hoje somos de bom e de mau é resultado de numerosos pequenos contributos que provêm dos outros, dos outros com quem cruzamos.

A nossa vida como pessoas e como casal transformou-se, cresceu, modificou-se através das relações com os outros, mas a primeira partilha verdadeira foi com esses casais que nos pareciam desconhecidos e distantes de nossa vida, e são eles que, nas reuniões de equipe de cada mês, acompanharam e partilharam o nosso percurso durante mais de trinta anos. A coparticipação foi verdadeiramente o terreno onde construímos o nosso primeiro espaço de referência e também por vezes de conflito, mas sempre um lugar insubstituível de escuta e de partilha.”

sexta-feira, 11 de março de 2011

Campanha da Fraternidade 2011 mostra preocupação ambiental da Igreja

A CNBB lançou a Campanha da Fraternidade deste ano. A conferência criticou as alterações propostas no código florestal, que está em discussão no Congresso e alertou aos fiéis que atitudes como jogar lixo na rua podem ser consideradas pecado.
Assista a este vídeo!


Soluções para as mudanças climáticas

Vendo os desastres climáticos que estão ocorrendo em todo o mundo, percebemos como é importante a CF 2011 - FRATERNIDADE E A VIDA NO PLANETA. O que podemos fazer? O que o ESPÍRITO SANTO NOS ILUMINA?

Soluções para as mudanças climáticas


É verdade que não podemos interromper os efeitos das emissões já feitas de gases de efeito estufa. Mas nós podemos influenciar o futuro.



Cientistas alertam que, para evitarmos mudanças radicais de temperatura, é preciso agir agora.



Muitos acreditam que as emissões, que continuam a aumentar, precisam começar a diminuir nos próximos anos para evitar mudanças extremas no nosso clima.



O gás carbônico é um dos principais gases causadores do efeito estufa. Toda vez que ele é liberado na atmosfera em grandes quantidades, contribui para o aquecimento do planeta. Quando nós evitamos que esse gás seja emitido em excesso, ajudamos a reduzir esse risco.

A boa notícia é que há diversas maneiras de reduzir as emissões de gás carbônico.

Algumas delas são: diminuir o desmatamento, incentivar o uso de energias renováveis – como a energia dos ventos e do Sol –, reciclar o lixo, melhorar o transporte público e estimular o uso de combustíveis limpos – como o álcool e o biodiesel.

Mas combater as mudanças climáticas não significa apenas reduzir as emissões de gás carbônico. É preciso também encontrar maneiras de retirar o excesso desse gás da atmosfera, o que os cientistas chamam de seqüestro de carbono.

As plantas e as algas, quando fazem a fotossíntese, retiram naturalmente carbono da atmosfera. É por isso que o reflorestamento, a criação de reservas naturais e a recuperação de áreas degradadas são consideradas boas medidas de seqüestro de carbono.

Além das ações de contenção às mudanças climáticas, chamadas de ações de mitigação, é preciso também nos prepararmos melhor para os impactos que já estão por vir, através de medidas de adaptação.

Nesse caso, também há diversas possibilidades: o uso de técnicas de conservação e de estoque de água, evitando-se ao máximo o desperdício, a proteção do solo por meio da plantação de árvores, o deslocamento de populações situadas em locais vulneráveis para locais seguros, o maior controle e acompanhamento de doenças sensíveis ao clima e a diminuição da dependência de combustíveis fósseis.

Esses são apenas alguns exemplos de medidas que podem ajudar na mitigação e na adaptação às mudanças climáticas. No entanto, para serem colocadas em prática, uma série de fatores precisa ser levada em consideração.
Cada nação precisa decidir quais as metas mais eficazes e viáveis para combater e se prevenir contra os impactos das mudanças climáticas, levando em consideração sua situação econômica, localização e outros fatores relevantes. O mais importante é agir rápido!

quarta-feira, 9 de março de 2011

"A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22)




BOM DIA! Iniciamos a quaresma, tempo de preparação para a Páscoa! Este ano a Campanha da Fraternidade vai nos levar a refletir sobre a vida no nosso planeta. As mudanças do clima que são reflexos das ações de nossa sociedade. O que podemos fazer?
Existem muitas ações que podemos fazer em nosso lar, em nosso trabalho. Quem de nós separa o seu lixo? Esta já é uma ação concreta. Vamos pensar em outras?
um abraço
alexandre



Texto reproduzido da carta mensal das ENS

"A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22)






Vivemos o tempo da Igreja. E nesse período temos um tempo privilegiado que a Igreja nos proporciona para fazermos uma revisão de vida e corrigirmos as atitudes incoerentes da nossa vida cristã. É quaresma. Tempo cujo tema central é conversão. Preparamo-nos para a Páscoa do Senhor. No Brasil, de modo especial, a Igreja nos propõe a Campanha da Fraternidade como exercício para intensificarmos nossa atitude de reconciliação a partir da reflexão sobre questões sociais que necessitam da nossa atenção e ação. É um meio de vivermos concretamente os exercícios quaresmais.



Neste ano, a Campanha da Fraternidade traz como tema: Fraternidade e a Vida do Planeta e lema: "A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22). O objetivo geral da CF-2011 é: “Contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar
o problema e preservar as condições de vida no planeta”. Além do método ver, julgar e agir, a CF-2011 propõe três estratégias concretas para alcançar seus objetivos: Mobilizar, propor e denunciar.

Mobilizar pessoas, comunidades, igrejas, religiões e sociedade para assumirem o protagonismo na construção de alternativas para superação dos problemas socioambientais decorrentes do aquecimento global; propor atitudes, comportamentos e práticas fundamentados em valores
que tenham a vida como referência no relacionamento com o meio ambiente; denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientes decorrentes do aquecimento global.
O que nós, casais equipistas, temos com isso? Tudo! Primeiro, porque somos Igreja; segundo, precisamos criar um ambiente saudável para que as nossas famílias vivam bem, em harmonia e confortavelmente. "A Igreja, em suas comunidades, que se espera propulsoras do Reino, precisa estar consciente da problemática para colaborar em vistas das mudanças comportamentais e sistêmicas, necessárias e urgentes para evitarmos legar às futuras gerações, um planeta que não ofereça mais condições para abrigar a vida" (CF-2011 TB, 97). "Seria uma falsidade louvar o Criador e não se importar com o atual processo de destruição de suas obras no âmbito da criação" (TB, 144). Empenhemo-nos nessa Campanha, em sintonia com a Igreja do Brasil, confirmando nosso compromisso na construção de um mundo novo conforme o projeto do Criador.

Um abraço com carinho. No Coração de Jesus,
Pe. Miguel Batista, SCJ

SCE da Super-Região Brasil

quinta-feira, 3 de março de 2011

Colóquio sobre o Padre Caffarel : a continuação



Padre Paul-Dominique Marcovits , o.p.

O colóquio que teve lugar no colégio dos Bernardinos, nos dias 3 e 4

de dezembro últimos, foi para todos nós uma oportunidade para uma real

descoberta do Padre Caffarel. Cada um de nós tem o “seu Caffarel”!

Encontros em Troussures, lembranças dos Encontros de Roma ou ainda de suas visitas ao Brasil... Nós o enxergamos a partir de nosso ponto de vista.

No colóquio, vimos que o Padre Caffarel tem muitas facetas! E no entanto, há uma unidade profunda nesse sacerdote, uma unidade que vem de Deus. No colóquio, foi sua pessoa, em toda a sua amplitude, que se

manifestou aos poucos... Foram, naturalmente, aparecendo suas sombras e suas luzes. Foi sobretudo a influência que teve sobre pontos fundamentais da vida cristã que foi destacada: sua marca sobre o casamento, sobre a viuvez, sobre a oração é claríssima. Começam a ser escritos livros sobre

esses assuntos que nos ajudam a entrar no pensamento do Padre Caffarel.

Restam, todavia, muitas questões a serem aprofundadas. Por

exemplo, a relação entre os sacramentos da ordem e do matrimônio, esses dois sacramentos apresentados pelo Catecismo da Igreja Católica como sendo “os dois sacramentos ao serviço da comunhão” na Igreja. Padre

Caffarel escreveu sobre esse tema e sempre fez questão da presença dos padres nas Equipes de Nossa Senhora como conselheiros espirituais.

Seria também necessário trabalhar a relação entre o Padre Caffarel e a Igreja: sua obediência e sua inteligente liberdade. Conviria também estudar o lugar do movimento carismático e do ecumenismo. Uma primeira colocação foi feita no Colóquio, que abriu muitas pistas. Poderse-ia ainda mostrar o lugar do laicato em seu pensamento. Ou a atitude do Padre Caffarel em relação à Encíclica Humanae Vitae de Paulo VI... Ou ainda, o Padre Caffarel e a arte: jovem, ele pintava e encomendou vitrais para a capela de Troussures, magníficos vitrais que exprimem a sua fé.

Aqui estão, na desordem, algumas pistas de trabalho. Haveria outras. Portanto, restam ainda pesquisas a serem feitas. Para o avanço de uma causa de canonização, nada substitui a oração! Nada, tampouco,

substitui a pesquisa. Se quisermos que o Padre Caffarel possa fazer cada vez mais bem à Igreja e ao mundo, é nosso dever colocar bem em relevo a profundidade de sua vida e de seu pensamento.

Para correspondência, por carta, ao endereço da Associação, 
por e-mail : postulateur@henri-caffarel.org

A Criação geme em dores de parto!

O cartaz possui dois planos. Ao fundo observa-se uma fábrica que solta fumaça, poluindo e degradando o ambiente, deixando o céu plúmbeo, intoxicado e acinzentado.



A figura do rio com a água escurecida e suja representa também a parte natural sendo devastada, influenciando no aparecimento das enchentes e no aumento do nível do mar, ações estas provocadas pelo ato errado do homem.



Em contraste a isso, vemos em primeiro plano uma mureta, onde em meio à devastação ainda existe vida. Nela, um pequeno broto e um cipreste (hera), com suas raízes incrustadas, criando um microecossistema, ainda insistem em viver mesmo diante de um cenário áspero. Sendo, portanto, referência ao lema: "A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22).



Apesar de todo o sofrimento que a criação enfrenta ao longo dos tempos, de todos os seus 'gritos de dor' - a vida rompe barreiras e nos mostra que ainda existe esperança, representada pela borboleta, que mesmo com uma vida curta, cumpre o seu importante papel no ciclo natural do planeta.


Oração, músicas da CF 2011. no site
http://www.portalkairos.net/campanhadafraternidade/2011/campanhadafraternidade2011_cartaz.asp